Os Meus Carros (2)


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O Fiat 600D entrou lá em casa a estrear e foi ocupar na garagem o lugar do vetusto “Cartolinhas”. O TO-17-86 (como eu me lembro), de 1961, pela forma e pela inusitada cor de origem (uma espécie de verde-da-horta que se prolongava no interior pela parte central dos assentos e forros das portas) foi depressa baptizado por nós com um nickname adequado: o “Ervilhinha”.

Era a primeira série do 600D, que se diferenciava dos Fiat 600 anteriores por já não ter um motor com cerca de 600 cc, mas sim com quase 770 cc, o que o tornava um pouco mais potente. A pequena bagageira, partilhada à frente com o depósito de gasolina e a roda sobressalente, completava-se com um espaço por trás das costas do assento traseiro (como nos “Carochas” da VW), buraco no qual viajei algumas vezes (mais por brincadeira do que por necessidade). Além de pequenas alterações exteriores, o 600D notava-se por trazer, pela primeira vez, um quebra-vento triangular nas janelas das portas, o qual se abria para permitir um pequeno arejo do interior ou, sobretudo, para cortar o vento que o vidro aberto fazia para os passageiros de trás. As portas, porém, ainda eram “malcriadas” — abriam-se pela frente — pois só nas séries seguintes, com o modelo já em fim de linha, é que a Fiat teve de se adaptar à nova legislação internacional.

Nessa época, recordo-me que passava quase diariamente, no percurso para o colégio, por um Fiat 600 pouco comum em Portugal: o 600 Multipla, um pequeno veículo misto (versátil e talvez um vanguardista visionário do conceito do monovolume) que foi táxi em várias cidades italianas nesses anos 60. Tinha seis lugares, quatro deles rebatíveis, e atraía a minha curiosidade.

 

 

Muitos anos depois, o meu primeiro carro foi precisamente um 600D, esse já com as portas normalizadas. Comprei-o usado com dinheiro meu e acrescentei-lhe uns “cheirinhos”, como um volante preto de competição pequeno e espesso e um vistoso emblema da Abarth aparafusado no exterior, junto à marca do carro. Era cinza-rato pouco feliz, mas tinha estofos e forros pretos. Além disso, o ar racing era completado por uns cobiçados toques Abarth, que incluíam uma panela de escape com uma sonoridade respeitável e umas dobradiças especiais que serviam para deixar a tampa do motor atrás semi-aberta, a fim de facilitar o arrefecimento da “máquina”.

 

 

O tablier, como em vários outros carros da época, era metálico igual à carroçaria exterior. O “Ervilhinha” foi sempre assim, mas o meu, mais tarde, eu próprio passei um fim-de-semana a forrá-lo com napa preta. Ficou muitíssimo bem e cheio de raça. Acabei por vendê-lo bem mais caro do que o preço pelo qual o comprara. Deve ter sido o único negócio razoável que fiz na vida.

Pontos nos is (13)


jmmcc,

ÓSCAR

I

Sábado, 3 de Março. O Diário de Notícias online traz um texto do seu actual provedor do leitor, Óscar Mascarenhas. É evidente que se trata de um artigo de opinião, mas com o peso acrescido de ser escrito por quem devia ter sempre presente a ética do jornalismo, muito especialmente o que respeita à identificação das fontes de informação que o autor põe em causa.

Óscar Mascarenhas reporta-se a uma notícia do DN de 21 de Fevereiro («terça-feira de Carnaval», lembra ele de modo completamente irrelevante para o efeito), que fez manchete no jornal e contra a qual se insurge. «Trabalhadores dos transportes não pagam medicamentos e recebem baixa por inteiro» era o título da notícia, que surgia a propósito da greve dos transportes, escrita e assinada pelo jornalista Francisco Almeida Leite.

II

O provedor começa então o seu artigo por dizer que foi primeiramente alertado para o teor da notícia por «um leitor “meio ensonado”» e, pelos vistos, mal disposto. «O leitor, AJF, que me escrevera “às 5 e 43” da manhã, declarava-se “incrédulo”» — diz Óscar Mascarenhas.

Além do suposto leitor AJF que a notícia, «logo por azar, tirou da modorra (…) às 5 e 43 da manhã», o provedor é inspirado ainda por um tal MH e por um MG e sente-se, por isso, obrigado a tentar explicar que os leitores citados (!) se identificaram perante ele «de modo suficiente, não podendo ser considerados anónimos».

Claro que podem e devem ser considerados anónimos, porque é assim que eles caem no artigo do provedor como mosca na sopa — artigo em que ele tanto lamenta a falta de fontes de Francisco Almeida Leite.

III

Sugiro que leiam aqui o insustentável artigo completo de Óscar Mascarenhas, que inclui a posição correcta tomada por Francisco Almeida Leite (que também invoca o inegável interesse público da matéria), a qual é ainda sustentada pelo director de serviço desse dia, o subdirector do DN Nuno Saraiva.

O que Óscar Mascarenhas no fundo contesta é outra coisa muito básica que apenas confirma a sua conhecida e longa familiaridade com uma certa esquerda enquistada, bacoca e passadista, protesto esse que se resume ao facto de o jornalista se ter baseado declaradamente num documento interno do Governo.

O provedor chama-lhe propaganda e diz que faltou procurar o contraditório nos sindicatos que ele, está bom de ver, gostaria que tivessem sido abordados. Reparem só como o título do provedor, com despropositada ironia e mau gosto, deixa precisamente este rabo de fora: «Contraditório porquê se a fonte da notícia foi alguém do Governo?» é esclarecedor o bastante.

Com isto, se houvesse um prémio destinado ao “Melhor Provedor das Fontes Anónimas e Ensonadas”, Mascarenhas venceria sem dificuldade. Mas a verdade é que ele já tem o Óscar. E eu, perante o caso, recordo-me de repente da ex-provedora dos leitores do DN Estrela Serrano e palpita-me que corro o risco de até começar a achar que fui injusto quando não gostava dela nessa altura.

Sabia que… (73)


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… a Bentley está a apostar no seu primeiro sport utility vehicle (SUV)? É que está mesmo e já apresentou um cheirinho dele no recente Salão Automóvel de Genebra. Trata-se do Bentley EXP 9 F, capaz de prestar serviço no dia-a-dia para quem tiver carteira bastante e considerar boa política contar com uma potência de 600 cavalos.

Quanto ao resto, nem vale a pena detalhar. Se é um Bentley, está lá tudo e mais alguma coisa. Mesmo o serviço de mesa, talheres, copos, guardanapos, palitos, etc., onde haviam de estar? Num compartimento da tampa da mala, claro. Afinal, entre os que frequentam os melhores restaurantes, quem irá querer saber da baixela para piqueniques partilhados com moscas e vespas?

Ainda não se sabe quando o novo Bentley chegará a Portugal, mas deverá aparecer antes do fim da crise, por três motivos: porque se usam imenso os SUV, porque a crise está para durar e porque há sempre mais uns quantos ricaços para comprar topos-de-gama à medida que aumenta a pobreza e o fosso entre ricos e pobres chega a valores terceiro-mundistas.

D. Duarte e PCP: os apoios de Assad


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Depois de garantir que deixaria o poder e de alterar a lei para se permitir continuar no poder enquanto lhe aprouver, o déspota que manda na Síria paga a peso de ouro um exército que pratica diária e crescentemente em nome dele a maior barbárie. Esperam-se cinco atitudes esta semana.

 

1. Espera-se que Bashar al-Assad, o ditador sírio, continue a tentar justificar ao mundo a matança e toda a barbaridade que enforma os crimes contra a Humanidade que está a praticar no seu sofrido país.

2. Espera-se que o PCP, através do enquistado Avante! e das não menos enquistadas mentes e mãos que o concebem e editam venham reconfirmar as razões de Assad e o apoio que os comunistas portugueses desavergonhadamente lhe dispensam.

3. Espera-se que a ONU não tenha de voltar a ver vetadas soluções que ponham cobro imediato à acção do déspota que está a dizimar o seu próprio povo.

4. Espera-se que a nossa comunicação social em geral e que a RTP e a Lusa em particular deixem de chamar “rebeldes” aos indefesos opositores que enfrentam o regime imposto por um presidente que não elegeram e que lhes prometeu em vão democracia.

5. Espera-se que D. Duarte de Bragança faça uma declaração pública a explicar que já não é tão amigo do sanguinário Assad e a denunciar as atrocidades na Síria que visitou tão lesto quando o país já estava a ferro-e-fogo há sete meses.

 

Relativamente a este quinto ponto, sendo importante que o duque de Bragança se manifeste em nome da coerência que devíamos esperar dele, tem também alguma importância relativa que D. Duarte não continue a deixar-se confundir com a posição oficial do PCP neste caso tão negro.

Por que será?


jmmcc,

Dou por mim a ouvir distraidamente o jornalista Manuel Queirós na RTP-1. O Manuel Queirós é a Felisbela Lopes dos domingos, por isso não é justo ouvi-lo distraidamente, pois não? Mas a dúvida fica: por que será que a RTP acha que a gente não entende o que vem nos jornais aos sábados e aos domingos? Mais: por que será que os jornalistas da RTP precisam das ajudas externas e não são capazes de nos transmitir com lucidez e clareza as notícias?

Os Meus Carros (1)


jmmcc,

O Austin 8 é capaz de ter sido o primeiro carro a fazer parte da minha vida. Pelo menos, parece-me ser assim que o localizo nas minhas memórias. Era do meu avô materno e nunca me esqueci da matrícula: TO-11-54.

O meu avô Manuel era médico militar e tinha, por isso, acesso facilitado à gasolina racionada na altura, em resultado da II Guerra Mundial. O carro, de 1948, mandara-o ele vir de Inglaterra, pelo que tinha volante do lado direito, o que não fazia qualquer diferença nessa época. Era azul muito escuro com os guarda-lamas salientes em preto e o couro interior castanho.

O Austin era mais velho do que eu, mas o certo é que pouco precisei de crescer nos meus calções para dar início ao culto que ele merecia: comecei cedo a deixar-me arrebatar por automóveis. A este, familiarmente, costumávamos chamar-lhe “Cartolinhas”.

A mala do Eight andava sempre cheia de ferramenta, corda, arame, trapos e tudo o mais que se quisesse. Quando o carro avariava em viagem, o meu avô barafustava com toda a gente e ninguém piava com medo de piorar a situação, mas a verdade é que ele ficava encantado por poder desenrascar o problema — coisa que adorava fazer com má cara, mas no que era quase sempre bem sucedido, para não dizer sempre — e, no fim, com as mãos e o fato sujos, sentia-se feliz por ter dominado a máquina.

Problema maior era quando o carro não pegava a trabalhar em frio. A pesada manivela em ferro tinha de entrar em acção, mas o sacão que dava podia ser perigoso ao ponto de partir um braço ou a mão pela força do motor a rodar.

 

 

Na década de 50, depois da morte repentina do avô Manuel e por acordo familiar, o meu pai ficou com o carro, que foi impecavelmente pintado e o motor rectificado. Durante umas semanas, um dístico no óculo traseiro explicava aos condutores que seguissem atrás a razão da marcha mais lenta do que seria de esperar: Em Rodagem.

Lembro-me de andar numa escola pública do Porto e de, em dias de muito mau tempo, o meu pai me levar no carro para as aulas.

Creio que nos despedimos do “Cartolinhas” aí pelo início dos anos 60, levado por um particular que até do volante à direita gostava, vá lá saber-se por que razão. Lá em casa, o lugar do velho british nascido em Birmingham era rapidamente ocupado por um italiano de Turim, que logo substituiu aquele resistente herói sobrevivente da Guerra. Mas o veterano ainda hoje suscita um suspiro.

 

Histórias para ninguém ler


jmmcc,

Tem por título Histórias Rocambolescas da História de Portugal e por autor João Ferreira. A Esfera dos Livros lançou-o em Abril de 2010 e o que me chegou às mãos pertence à 6.ª edição, datada de Agosto de 2010, o que significa coisa nenhuma visto que as seis edições mencionadas na ficha técnica não dão conta do número de exemplares publicados, o que torna a indicação irrelevante.

Alguém bem intencionado fez o favor de mo oferecer. Conforme as minhas apetências, eu próprio teria comprado o livro apenas pelo título, que é complicado, mas é tentador. Um erro, afinal: João Ferreira, jornalista com mestrado em História Cultural e Política, escreveu um livro que só serve para mostrar o que ninguém deve escrever — ou que alguém pode atrever-se a escrever às escondidas, mas que ninguém deve publicar para não o mostrar.
«Milagres que nunca existiram, um filho que bate na mãe, um irmão que bate noutro irmão, execuções e assassinatos num país de brandos costumes, heróis que afinal não foram assim tão bonzinhos, reis loucos num país de loucuras, aliados piores que o pior dos inimigos, batalhas vitoriosas com uma mãozinha divina ou grandes desastres militares, traições e conspirações de vão de escada, um rei com gosto por freiras, outro impotente que não conseguia satisfazer a mulher, um governo que nem cinco minutos durou, um atentado onde tudo correu mal e o visado saiu ileso, um ditador temível que resistiu 40 anos no poder até cair de uma cadeira de lona…
(…)

Sabia por exemplo que nunca existiu uma escola náutica em Sagres, que frei Miguel Contreiras nunca existiu? Que D. Pedro, além de D. Inês, amou também o seu escudeiro? Que a morte dos Távora envolve sexo, mentiras e política? Sabia que Vasco da Gama, herói das Descobertas, era temido por ser um homem cruel? Que Palma Inácio foi o primeiro pirata do ar?

(…)»

Apesar do que se lê na contracapa e dos treze temas que procuram agrupar no índice 68-historinhas-68, o livro pouco ultrapassa as 300 páginas, pelo que não admira que cada texto só ocupe duas ou três. Os textos são, ao fim e ao cabo, meros apontamentos e a selecção é confrangedora.

A título de exemplos, entre uma chusma de banalidades, encontram-se o sebastianismo, os assassinatos de D. Carlos e de Sidónio Pais, Aljubarrota, o bispo do Porto D. António Ferreira Gomes que enfrentou o Estado Novo, a concupiscência de D. João V, etc., num conjunto de curtas notas que nada acrescentam ao que toda a gente mediana sabe.

Há duas breves referências ao marquês de Pombal (que ainda é hoje o inspirador do maior número de ensaios sobre a História de Portugal), mas nem uma palavra sobre o rumo do processo que lhe moveu D. Maria I, que lhe retirou todas as mordomias e o desterrou para Pombal, onde foi visitado e interrogado duas vezes pelos desembargadores de Lisboa.

Também Salazar é referido a pretexto da estafada queda da cadeira e tratado como um homem que «gostava de viajar, de ganhar dinheiro (…)», o que abre dúvidas sobre a seriedade do autor.

Já a confirmação apressada de que nunca existiu uma escola náutica em Sagres é algo que carece de prova histórica por diversos motivos e, sobretudo, porque o conceito de escola (mais ainda de escola náutica) no século XV é muito distinto do que conhecemos.

Inversamente (ainda como simples exemplo), o autor não descobriu uma só linha que publicasse sobre Artur Virgílio Alves Reis e a imensa fraude que constituiu nos anos 20 o primeiro megaprocesso em Portugal, uma das lacunas graves a considerar perante um livro de Histórias Rocambolescas que podem lembrar tudo menos Rocambole e o seu criador.

De resto, o livro tem uma escrita fracota e a revisão não é melhor. Das Histórias Rocambolescas de João Ferreira salva-se o prefácio de Ferreira Fernandes, mas adivinho-lhe o gesto de louvável amizade.

Pontos nos is (12)


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DESACORDO

I

O secretário de Estado da Cultura disse ontem que o Governo se prepara para alterar o chamado Acordo Ortográfico (AO) até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender.

Ontem à noite, na TVI-24, Francisco José Viegas manifestou o seu desacordo face a algumas normas do AO e lembrou que, «do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial» que pode ser mudada: «Até 2015, podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos de aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer.»

Sobre a polémica em torno da decisão de Vasco Graça Moura, que chegou ao Centro Cultural de Belém (CCB) e cancelou a aplicação do AO que foi encontrar já em vigor, o secretário de Estado da Cultura fez notar que o actual presidente do CCB «é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra» o AO. Mais: notou também que foram aqueles que «não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia», que correram a «criticar e pedir sanções» perante a “ousadia” de Vasco Graça Moura. «Para mim, é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da  nossa língua, escreve como lhe apetecer.»

Francisco José Viegas contou ainda que, «às vezes, quando escrevo como escritor, tenho dúvidas e vou  fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa  possibilidade, isto é, da competência que têm para escolher a sua ortografia». E acrescentou: «Não  há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para  nenhum de nós.»

II

De uma coisa tão simples e que tão escusamente tem feito correr tanta tinta, três conclusões imediatas se tiram.

Uma delas é a de que, se a teimosia bacoca de ex-responsáveis não tivesse impedido a falta de visão que levou a que políticos se substituíssem aos linguistas, não se teria perdido o tempo que se perdeu. Curiosamente, nunca como no passado recente de tais ex-responsáveis se falou tão mal português na vida pública.

Outra conclusão possível pode tirar-se do inexplicável paradoxo da notícia que serviu de base a este post (cujo link está no início), na qual se percebe o ridículo da divulgação desta posição acertada de Francisco José Viegas num texto noticioso escrito (repare-se) segundo o AO. Fica a lição para os apressadinhos-da-silva, aqueles que não aprenderam a reflectir e que, habitualmente, “não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia”, porque ridídulo mais ridículo não há.

A terceira conclusão é a que arrasa definitivamente os arautos da desgraça, que tanto espernearam por causa do cancelamento do Ministério da Cultura. Fica mais do que provado que um governo aberto à Cultura e ao que nos caracteriza como povo com História não se mede por ter no topo um ministro ou um secretário de Estado na pasta: parece-me bastante saber que Francisco José Viegas é um homem de Cultura (como já aqui referi).

Finalmente, a talhe de foice, o papel do DELITO DE OPINIÃO enche-nos de satisfação e continuará a contribuir para travar o famigerado AO. Por modesta que possa ser a nossa contribuição, este vosso blogue manter-se-á na senda do bom português e na luta contra o indesejável desacordo (no que, por sinal, temos contado com grande parte dos nossos comentadores). Sem embargo de qualquer dos autores do DO ser livre de fazer o uso da língua que mais lhe aprouver, o facto é que nesta casa se verifica que o DELITO representa um acordo e que o AO é que é um delito.