D. Duarte e PCP: os apoios de Assad


jmmcc,

Depois de garantir que deixaria o poder e de alterar a lei para se permitir continuar no poder enquanto lhe aprouver, o déspota que manda na Síria paga a peso de ouro um exército que pratica diária e crescentemente em nome dele a maior barbárie. Esperam-se cinco atitudes esta semana.

 

1. Espera-se que Bashar al-Assad, o ditador sírio, continue a tentar justificar ao mundo a matança e toda a barbaridade que enforma os crimes contra a Humanidade que está a praticar no seu sofrido país.

2. Espera-se que o PCP, através do enquistado Avante! e das não menos enquistadas mentes e mãos que o concebem e editam venham reconfirmar as razões de Assad e o apoio que os comunistas portugueses desavergonhadamente lhe dispensam.

3. Espera-se que a ONU não tenha de voltar a ver vetadas soluções que ponham cobro imediato à acção do déspota que está a dizimar o seu próprio povo.

4. Espera-se que a nossa comunicação social em geral e que a RTP e a Lusa em particular deixem de chamar “rebeldes” aos indefesos opositores que enfrentam o regime imposto por um presidente que não elegeram e que lhes prometeu em vão democracia.

5. Espera-se que D. Duarte de Bragança faça uma declaração pública a explicar que já não é tão amigo do sanguinário Assad e a denunciar as atrocidades na Síria que visitou tão lesto quando o país já estava a ferro-e-fogo há sete meses.

 

Relativamente a este quinto ponto, sendo importante que o duque de Bragança se manifeste em nome da coerência que devíamos esperar dele, tem também alguma importância relativa que D. Duarte não continue a deixar-se confundir com a posição oficial do PCP neste caso tão negro.

10 comentários em “D. Duarte e PCP: os apoios de Assad”

  1. Chamar “indefesos opositores” aos que se opõem a Assad só pode ser brincadeira. Até na televisão se vê esses indefesos opositores a destruir tanques do regime. E um tanque não se deixa destruir com dá cá aquela palha.
    Eles próprios se intitulam “Exército da Síria Livre”. Um “exército” não é certamente um conjunto de “indefesos opositores”.

    1. Acredite que V. já andava a fazer falta por aqui, Lavoura. O seu comentário permite-me ter a certeza de que é V. mesmo e que ninguém lhe roubou a identidade habitual, seja ela qual e de quem for.

      Já agora: V. está mais preocupado com “exércitos” ou com mulheres, doentes, crianças, etc., que estão a ser vítimas das maiores atrocidades e da morte indiscriminada e em larga escala em Homs e por todo o país, numa luta entre tanques e aviões contra indefesos opositores? Pense melhor no que diz que tem estado a ver, sim?

  2. São as tais alianças, cumplicidades, amizades, incoerências que realmente não consigo entender. E que, pelos vistos, veem de todos os lados. Poor Syria.

  3. Ditaduras são odiosas e todos devemos lutar com todos os meios que puder-mos para que elas acabem, mas todas e não só aquelas que incomodam os donos do mundo e aos que falam por eles. Já vimos que quando elas (ditaduras e ditadores) servem certos interesses, são toleradas, apoiadas e defendidas e a historia recente mostra por demais que assim é, veja-se Sadam quando da guerra Irão/Iraque, Kadafi ( que passou de terrorista a visita de Estado com todas as honras) por aqueles que depois o passaram novamente á categria de ditador (que nunca deixou de ser), e contribuiram até para a sua morte ( mas só depois de servir esses “democratas” que nos comandam), e ali ao lado na Arabia Saudita? não é uma ditadura feroz tambem? ah mas aí há o petroleo e então nesses casos olha-se só com um olho e não se vê o ditador, são só uns pequenos exemplos, mas há mais como deve saber.
    Quando comecei a ler o que escreveu pensei que ía de facto falar das ditaduras e do mal que elas todas tem feito á humanidade, mas afinal enganei-me era só um pretexto para fazer um ataque aos que chama enquistados e desenvergonhados como se fossem eles o Reizinho e outros que menciona os culpados do Assad ser o que é.
    Não anda o governo, que se calhar contribui para eleger, a negociar o que é nosso com ditaduras? Não nos manda emigrar para Angola esse país que é uma democracia exemplar?? Pois é são os ditadores e as ditaduras convenientes, por isso nada de levantar ondas.
    Lembra-se que aqui tambem vivemos quarenta anos em ditadura ( e ditaduras não há melhores nem piores, são ditaduras)??? Sabe quem é que lutou, foi preso e alguns morreram para que o senhor tivesse a liberdade de escrever o que quizer, mesmo que o escreva seja para os atacar??? foram os enquistados e os desenvergonhados (como lhe chama), junto com outros homens livres que nunca se sujeitaram e abdicaram de lutar por aquilo em que acreditavam, o fim da ditadura.

    1. «Quando comecei a ler o que escreveu pensei que ía de facto falar das ditaduras e do mal que elas todas tem feito á humanidade, mas afinal enganei-me». Pois enganou-se. Quando eu quiser escrever sobre todos os ditadores e ditaduras, escreverei (embora as intervenções generalizadas sejam pouco eficazes por tenderem a diluir-se).

      No caso, a intenção era escrever sobre a Síria e, mais uma vez, sobre os injustificados e desavergonhados apoios em Portugal ao energúmeno dono daquele sofrido país. Capice?

      1. Se era para escrever sobre a Siria , olhe que quem leu não deu por isso, não passou de generalidades, e já que era essa a sua intenção devia ir ao fundo da questão e explicar como aquele martirizado povo chegou até este ponto, como, porquê e com que apoios se chegou até aqui. Mas embora diga, não era essa a sua intenção e para o provar basta ler o seu post em que cinco pontos do que escreveu são ataques cegos a torto e a direito, afinal não passa de mais um caso em que ele fala fala mas não diz nada. Capice ?

        1. «Se era para escrever sobre a Siria, olhe que quem leu não deu por isso». Não? Quantas pessoas consultou? Claro que deixei para si escrever sobre o que estiver em falta. Mas sugiro-lhe que veja outros posts sobre a Síria neste blogue, porque pode não haver tanta coisa em falta. e um post não é suposto ser um relatório.

  4. Oh meu caro Joao C. vamos com calma e separar os capítulos do livro. Pôr lado a lado a posição de D.Duarte com a do PCP parece-me inconsciente. Tratam-se de dois apoios distintos, entre o apoio a uma transição democrática e o apoio a um genocídio, mesmo que a ausência de uma declaração pública (em falta) do Duque de Bragança nos confunda. Ainda assim, gosto de ver o seu nome a aparecer com regularidade, atesta a sua importância e a da causa real.

    1. No caso, Henrique, a confusão não é minha: ambos apoiam, sim, apesar das diferenças. E é bom perceber que eu escrevi intencionalmente que “apoiam” e não que um “apoiava”, porque D. Duarte ainda não desfez esse engano do «apoio a uma transição democrática» que nunca existiu e nem sequer se desenhava há sete meses.

      É natural que o tom desta crítica vá crescendo à medida que o silêncio inexplicável se estende. E desconfio que isso não ajuda muito a causa real.

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