O Senhor D. Manuel II e o Mendonça


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Foi a 4-12-1909, conforme se lê. O Rei de Portugal acaba de regressar de uma viagem a Inglaterra.

Esta entrada em Lisboa de comboio pode indicar que um grupo em torno de Sua Majestade tinha arranjado tempo (naqueles primeiros dias de Dezembro que nunca foram os melhores para ir dar uma volta ou preparar alguma caçada) para um encontro recatado, talvez para pôr o monarca a par das maquinações republicanas durante a ausência — uma ausência que serviu para um encontro (premonitório?) entre D. Manuel II e Eduardo VII.

No momento da foto, estão à vista o conde de Mafra Thomaz de Mello Breyner, o visconde de Asseca, el-Rei D. Manuel II e o conde de Sabugosa.

Nesse preciso instante, o ministro Mendonça e o secretário Campos tinham entrado numa das carruagens para contactar o pessoal de serviço, a fim de saber se a composição não seria capaz de se mover a alta velocidade para que pudessem ir jantar a Madrid a horas decentes — nem que isso custasse mais alguns milhões ao pobre Orçamento, que os republicanos mais cedo ou mais tarde haveriam de pagar.

Tamanho é qualidade?


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Em ambos os lados do Atlântico, dois Presidentes tentam a todo o custo ser reeleitos para novo mandato. Com eles, as respectivas Primeiras Damas colaboram activamente na divulgação das qualidades dos seus maridos. Qualidades, sim. Lá porque o standard em Whashington é diferente do padrão em Paris, há coisas que só por existirem já são qualidades. Podem é variar de grau ou ter nota diferente.

Os Meus Carros (4)


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O Morris Minor 1000 dos anos 50 faz parte das minhas primeiras memórias dos carros que podia devorar com os olhos e as mãos. Era do meu tio António, era café-com-leite e era um pequeno familiar que teve muito sucesso.

Lembro-me vagamente que o tio António teve um acidente com ele e acho que podia ter sido muito mais grave, porque ele disse que não voltaria a ter carros pequenos.

Tirando o que vos conto, não me vem à cabeça qualquer episódio especial com o Minor, porque eu era ainda muito garoto, mas ocorrem-me todos os detalhes habituais do carro.

Há uns anos, fui encontrar uma quantidade deles a circular, nas suas diferentes versões, em latitudes onde os britânicos estiveram estabelecidos até meados do século XX. Especialmente na Malásia, proliferam Morris Minor em tal número que nem parece constituírem um legado deixado por lá, mas poderia antes supor-se que se trata de um automóvel nascido em terras malaias.

 

O enviado-acompanhante


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RTP1, Telejornal. No alinhamento, José Rodrigues dos Santos chega à notícia da tragédia numa escola judaica em Toulouse e anuncia o enviado especial ao local, Paulo Dentinho. Seguem-se as imagens genéricas já transmitidas a outras horas e em outros canais, até que aparece o enviado especial. A uma pergunta de José Rodrigues dos Santos, Paulo Dentinho responde dizendo o que a France Press emitiu. Ou seja: responde aquilo que em Portugal e no mundo inteiro todos sabem, que é pouco ou nada se saber sobre o criminoso. Mesmo assim, quando Paulo Dentinho desaparece logo a seguir, José Rodrigues dos Santos olha para nós e não se contém: «Paulo Dentinho a acompanhar o rescaldo do caso.» Afinal, o que justificaria um enviado especial a Toulouse? Fiquei esclarecido: foi acompanhar o rescaldo. O que significa vá lá saber-se o quê, não é?

Os Meus Carros (3)


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Não me lembro exactamente quando entraram lá em casa, mas lembro-me de que um dos NSU Prinz 1000 tinha uma matrícula que começava por DA.

Eram versões desenvolvidas dos 1000 anteriores. O primeiro foi o 1000S. Com aquela carroçaria de veículo híbrido típica dos Prinz — a frente e traseira quase iguais — parecia feito para ser carro de bispo, branquíssimo por fora e vermelho por dentro.

Um dia, ainda novinho, foi levado para uma revisão na marca e nunca mais voltou: ao sair da oficina pela mão de um experimentador, apanhou na parte de trás com outro carro que passava e ficou muito danificado. Definitivamente. Resultado: ao fim de inexplicavelmente difíceis negociações, a marca acabou por entregar um 1000C, que tinha começado a substituir o S.

Os Prinz 1000 eram rápidos. Mas o nervosismo da máquina traduzia-se no permanente cheiro a gasolina que exalava e este, por seu turno, reflectia-se no consumo exagerado que nem a condução mais suave conseguia moderar. Por isso, também o 1000C não ficou lá por casa muito tempo: antes de entrar para a história da família, foi rejeitado e trocado por outro automóvel muito diferente.

Assim, sem história, um dos NSU ficou apenas para a minha história própria, porque eu era ainda muito novo (14 ou 15 anos, talvez) e foi nele que me sentei pela primeira vez ao volante, pus o motor a trabalhar, engatei a primeira, arranquei, dei a volta completa ao quarteirão e regressei ao ponto de partida, onde estava a minha mãe com mais gente incrédula de boca aberta perante o meu feito.

 

 

Na verdade, eu nunca conduzira antes. Apesar do meu notório interesse por carros, a família não alimentava tais atrevimentos para evitar asneiras de que todos se arrependessem e, portanto, houve grande espanto por eu ter conseguido conduzir sem ter quaisquer antecedentes. Sozinho, tive ocasião de aplicar tudo o que costumava ver fazer com extraordinária atenção.

 

 

De resto, os NSU 1000 nem ficaram nas nossas memórias familiares, porque passaram fugazmente lá por casa e não deixaram saudades. Como disse, o 1000S morreu de morte súbita e o 1000C não tardaria a ser trocado por um carro totalmente diferente, mas isso é outra história para outra vez.

Tolerância 0 para isto


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RTP-1, Bom Dia Portugal. Enquanto corre o noticiário matinal, passam flashes noticiosos em rodapé. Um deles, requentado, diz que o Governo só vai dar tolerância de ponto na véspera de Natal. Momentos depois, um outro adianta que o Governo não dará tolerância de ponto na Quinta-feira Santa.

Com a minha veia de jornalista, sinto-me tentado a revelar que o Governo não dará tolerância de ponto hoje à tarde. Nem na próxima segunda-feira. É apenas para confirmar que o Governo só vai dar tolerância de ponto na véspera de Natal, perceberam?

Sorte tem o Isaltino


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Duarte Lima está sujeito a ser detido pela Interpol se puser a cabeça de fora. Quatro presos fogem da cadeia do Montijo e são logo apanhados por um forte dispositivo policial de caça-ladrões. Enfim, sorte tem o eterno presidente da câmara de Oeiras, que andou a meter a mão no meu bolso de contribuinte e, no entanto, pode pavonear-se livremente sem ser incomodado.

Deixo uma sugestão à Justiça: que não se diga um dia destes que as condenações do Isaltino já prescreveram. Digam antes, por exemplo, que lhe perdoaram, sim? É que eu cumpro as minhas obrigações e passo-me com quem tem responsabilidades e não as cumpre.

Gaia “atravessada” não é Gaia parada


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Luís Filipe Menezes, o presidente da câmara mais endividada do País, vai apresentar em Abril o projecto de duas novas pontes sobre o Douro entre o Porto e Gaia. Trata-se de um projecto aparentemente modesto, talvez porque o presidente da câmara do Porto, Rui Rio, tem mostrado «falta de receptividade» e demonstrado que não existe «entendimento possível» para partilhar megalomanias em tempos de crise.

O projecto parece modesto desde logo porque Menezes, há algum tempo, já tinha anunciado que encomendara ao engenheiro civil Adão da Fonseca mais «um túnel, três pontes e uma ponte pedonal» a ligar as duas cidades separadas pelo Douro.

Por seu turno, o actual vice-presidente de Gaia, Firmino Pereira, refere-se às propostas chamando-lhes insistentemente «atravessamentos» e «novos atravessamentos». Ou Firmino não sabe dizer “travessias”, ou é mesmo capaz de ter razão: Menezes tem provado especial tendência para deixar o município completamente “atravessado”.

Enquanto isso, Menezes continua entretidíssimo a cortar árvores, a construir passeios onde não há imóveis ou qualquer construção, a criar quilómetros e quilómetros de ciclovias para o lá-vem-um e a inventar rotundas atrás de rotundas em cada pedaço de recta rodoviária, mesmo sem desvios, cruzamentos ou entroncamentos.

Gaia paga, Menezes sonha e os empreiteiros nascem. O próximo que apague a luz.

O déjà vu que ninguém vê


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Não que a triste autora mereça, mas apenas por dois motivos: a mediocridade que confunde e um esclarecimento que clarifique. Diz ela, no terceiro parágrafo: «Temos, portanto, um dejá vue que ninguém parece ver.» É isto que precisamos de esclarecer: só se for ela e mais algum urso da roda dela, mas aqui não temos essas coisas. Muito menos um dejá vue. Que só ela parece ver, imaginem.

VW Huichol


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Este Pulguita ou Vochito (o Beetle ou Carocha no México), assim artesanalmente vestido à huichol, é o VW tribal wixáritari mais mexicano do mundo.

Para os mais distraídos, aqui fica um apontamento: os huichóis constituem um grupo étnico indígena do México centro-ocidental que habita na Sierra Madre Occidental; devido ao isolamento e resistência à evangelização em que vivem, mantêm muitos dos seus traços culturais originais; autodenominam-se wixáritari (o povo) na sua língua nativa, a que chamam wixárika.