Alguém me faz o favor?


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Acho que não estou a sonhar. Teixeira dos Santos esteve em Bruxelas e ouviu o presidente do Eurogrupo congratular-se com os primeiros resultados das medidas de austeridade em Portugal. Como 2010 é um verdadeiro descalabro que o Governo nem sabe explicar e como 2011 tem um Orçamento que obviamente ainda não está aplicado, alguém é capaz de me explicar quais são os resultados já alcançados? Alguém faz o favor de me beliscar?

A casa do lago…


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… que a imagem mostra pode parecer estranha. No entanto, nada tem de especial. Foi erguida na margem do lago e acontece que a cobertura tinha acabado de ser pintada. Ora, ainda a tinta estava fresca quando aquele bando de pombas pousou. Depois, quando elas bateram asas para levantar voo… levantaram a casa também.

Vá lá, que aterraram num lugar bem à medida. Mais um pouco e os proprietários viam a casa a navegar.

Salvem os galos


jmmcc,

Os portugueses andam a substituir o tradicional bacalhau com batatas por frango e arroz, o que se compreende: o frango fica muito mais baratucho que o bacalhau e os tempos não estão para facilidades. Já é drama bastante haver cada vez mais gente que nem ao arroz de frango consegue chegar.

Problemático será começarem a fazer desaparecer os galos. Com o desnorte que vai por aí e sem homens capazes ao leme, restará encontrarmos o rumo por nós próprios. É conveniente, portanto, afastarmos o perigo de não sobrar bicho com experiência suficiente para nos orientar.

(Fotografia de José Cipriano Catarino)

Maus ambientes


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1. «Há um ambiente de decomposição» no Governo, segundo Manuel Maria Carrilho. Por isso, acrescenta ele que é preciso «remodelar rapidamente» o Executivo, mas sem substituir Teixeira dos Santos, que tem de «executar o Orçamento do Estado».

Como o ainda ministro das Finanças nunca conseguiu executar sequer razoavelmente um Orçamento, a sugestão de Carrilho é mais ou menos como aquela história das moscas: muda-se o ambiente de decomposição, mas ficam os detritos.

 

2. Por falar no Governo e em Teixeira dos Santos: circula por aí que, afinal, vai haver quem possa acumular reformas com vencimentos, ao contrário do que o Governo fez inicialmente saber. Não é que eu discorde, mas fica-me a dúvida: desta vez será um regime de excepção, ou trata-se de outra adaptação?

Vou já ali saber as explicações que Jorge Lacão e Teixeira dos Santos irão agora dar, para ver se fico esclarecido. Ou ver se a coisa pode gerar mau ambiente.

Infalível… se o Governo fosse eleito e os pivots ouvissem bem


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«O País já percebeu que, se quiser mudar de vida, mais dia menos dia terá de mudar de liderança política.»

Pedro Passos Coelho, ontem

 

«Pedro Passos Coelho disse que mais dia menos dia os portugueses serão chamados a eleger um novo Governo.»

Sucessivos pivots em sucessivos blocos noticiosos, na SIC-N

Desfile de saudade


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Passei o dia a ler e a escutar muita gente a pronunciar-se sobre Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Pessoas conhecidas e cidadãos anónimos, pessoas que privaram com eles e outros que nunca os viram viver. Durante o dia, enquanto lia e ouvia o que pude, senti frequentemente a tentação de pensar que estamos perante um “sebastianismo” revisto e actualizado. Afinal, os portugueses sempre tiveram uma espécie de necessidade de encontrar um salvador, um mito que não místico, alguém que a memória consiga rever em carne-e-osso, alguém que partisse antes de poder partir, alguém a quem confiar as dificuldades colectivas, sabendo ao mesmo tempo que não voltará — o que alimenta ainda mais esse lamento sofrido tão português.

Mas não me parece bem isso. Acredito mais que assisti a uma saudade, à saudade de Sá Carneiro. A certeza de que Portugal seria necessariamente diferente, sem se saber em que medida, e a saudade de um homem que marcou um tempo já em si marcante. A saudade de um sonho, também — ou sobretudo. Um sonho que nunca se realizou, mas que era possível sonhar e de que é possível ter saudade. Creio que foi a isso que assisti. Admito que o sonho não teve morte em dia certo a horas certas. Porém, morreu. Ficou esta saudade que hoje vi desfilar.

Não há quem os segure?


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Encontrei a história aqui: «(…) Agora, até um ministro que tem feito tudo menos governar, que é anunciado há mais de três meses como devendo ser substituído e que lê os mesmos discursos que um dos seus secretários de Estado (…) resolveu pegar em Correia da Fonseca, o outro secretário de Estado, e irem juntinhos até Macau. Fazer o quê? Nada. Ver as luzes (…)»

Mas, se querem mesmo saber, «o ministro das Obras Públicas e o seu apêndice dos Transportes resolveram deslocar-se a Macau para assistir a uma assinatura (…), uma assinatura de um acordo entre a ANA e a CAM, que é a companhia que gere o aeroporto de Macau». Concordo com o João Severino: «Isto é simplesmente chocante e inadmissível. Os governantes partem dia 9 e não se sabe quando voltam. Bem podiam ficar por lá a aprender como se “fabrica” dinheiro sem pedir nada a ninguém…»

Se o ministro Mendonça já estivesse fora do Executivo como devia, não andaria com a sua equipa a dar repimpadamente a volta ao mundo para assistir à assinatura de um contrato. Em alternativa, ia a Macau de TGV. Venha o FMI. E o FBI (como diria o nosso João Campos) com algemas que segurem esta gente.

Sabia que… (especial)


jmmcc,

… não ganhámos a galinha dos ovos de ouro? Calculava, não é? Mas talvez não saiba que ganhámos o Mundial de 2018. Quer dizer: ganhámos por não ganharmos. E isso só nos custou 2,5 milhões de euros!

Depois do sucesso da Expo, do Euro e outras coisas que tais, daquelas que iam dar imenso lucro com o dinheiro que ia escorrer a rodos, só nos faltava ter ganho um Mundial. É que a gente já nem consegue arranjar maneira de dar destino aos sucessivos lucros que nos caem em cima. É bem feito para os russos. Eles que se preparem para o destino que escolheram.

Portugal é isto: tudo o que se planeia com os nossos impostos há-de dar lucro. É pena que seja só para alguns. Bem poucos, aliás.

Obras de Natal


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O presidente da câmara de Santo Tirso arranca com uma obra de 4,5 milhões de euros a que atribui grande importância e que é conduzida por uma parceria municipal — o que também é obra nos tempos que passam. Se essa parceria for tão lucrativa como a teia mostruosa que anda para aí, vai ser o diabo. É que o autarca anuncia que aproveita esse arranque para descrever as restantes empreitadas que tem em vista, todas elas «a executar no âmbito do PRU» e, se calhar, todas empurradas para essa (ou outras) parcerias.

O normal será, como se sabe, a parceria não pagar por falta de dinheiro e a câmara não pagar porque é com a parceria. Ou seja: o anúncio é apenas para fingir que ainda há PRU de Natal.

Sabia que… (marginal)


jmmcc,

… há gente gira? Sabia, é claro: o mundo está cheio de gente gira. Não é por acaso que a secretária de Estado dos EUA Hillary Diane Rodham Clinton está tão interessada em espiar gente muito bem seleccionada.

Dizem as más-línguas que o Bill anda a pagá-las, depois daquela cena na Sala Oval. É provável que lhe cause alguns engulhos (onde é que eu já ouvi isto?) saber que Hillary anda a espreitar a intimidade de vários líderes mundiais, da Coreia do Norte ao Irão, da Venezuela a Cuba, mas tem de aguentar calado. E terá de continuar assim, apesar de desconfiar agora que ela ficou muito interessada, depois de uma cimeira recente, em apanhar o primeiro-ministro português a dizer uma verdade às escondidas.

Este “voyeurismo” é perfeitamente natural: a antiga Primeira Dama norte-americana descobriu que também há gente gira em Portugal. Alguém tem sugestões a apresentar?