Virgílio marcou-me pelo simples facto de ter feito parte desse histórico filme que é Fado. Isto porque foi com esse filme que foi inaugurado em Ermidas-Sado, Santiago de Cacém, a sua sala de espectaculos o Cine-Teatro Vitória, no longínquo 1949, ainda eu não era nascido. Naquele tempo, os filmes só vinham para a província muitos anos após a sua estreia na capital, e o facto de tão curto espaço de tempo, muito menos de dois anos, entre a estreia, 1947, e a sua passagem numa aldeia foi notícia de primeiro plano durante muito tempo. Lamentavelmente, aquela sala tem um triste fado, uma peça arquitectónica do Estado Novo está votada ao abandono, por incúria deste novo Estado.
Eis uma lembrança feliz, em especial para quem estava por essas bandas. Infelizmente, está longe de ser a única peça do património arquitectónico abandonada: os exemplos são imensos e custa-me entender, em muitos casos, por que diabo os poderes locais ignoram isso e, ao invés, constroem rotundas a seguir a rotundas, pavilhões multiusos que ninguém usa e tantas outras coisas assim.
Bom Dia…. eu quero escrever, não consigo…as minhas lágrimas não páram de cair… fiquei muito emocionada com esta sua escolha, é fantástica….e todos os meus pensamentos, todas as minhas memórias, levam-me direitinha à minha mãe…Este filme, Amália Rodrigues, o Fado, foram sempre a companhia dela. A minha mãe, cantava o fado, como ninguém…Era a “cantadeira”, e a vizinhança vivia feliz, só por a ouvir cantar! Agora, não canta mais, está muito doentinha, o coração não ajuda… Hoje, vou passar este dia com ela, vamos almoçar juntas, ela vai adorar, recordar, a mocidade vivida, sonhada…, que por vezes, eu própria, não consigo reconhecer, se é real, ou se foi inventada, tal é a força que ela me transmite… o que para muitos poderão ser banalidades, para mim, fazem-me sentir a vida à minha maneira, fazem-me sentir feliz! Eu gosto de coisas simples, gosto de sentir a ternura, a sua ternura, João, quando escreve…. E agora, apetecia-me dar-lhe um abraço…até me doer… Ilda Pontes
Faço votos para que conserve por muito tempo a senhora sua Mãe. E deixe-a sempre falar, se me é permitido o conselho, porque até pode nem ser sempre o passado que realmente teve, mas será sempre a história de uma vida que ainda lhe dá vida. Um abraço para si.
Virgílio marcou-me pelo simples facto de ter feito parte desse histórico filme que é Fado. Isto porque foi com esse filme que foi inaugurado em Ermidas-Sado, Santiago de Cacém, a sua sala de espectaculos o Cine-Teatro Vitória, no longínquo 1949, ainda eu não era nascido. Naquele tempo, os filmes só vinham para a província muitos anos após a sua estreia na capital, e o facto de tão curto espaço de tempo, muito menos de dois anos, entre a estreia, 1947, e a sua passagem numa aldeia foi notícia de primeiro plano durante muito tempo.
Lamentavelmente, aquela sala tem um triste fado, uma peça arquitectónica do Estado Novo está votada ao abandono, por incúria deste novo Estado.
Eis uma lembrança feliz, em especial para quem estava por essas bandas. Infelizmente, está longe de ser a única peça do património arquitectónico abandonada: os exemplos são imensos e custa-me entender, em muitos casos, por que diabo os poderes locais ignoram isso e, ao invés, constroem rotundas a seguir a rotundas, pavilhões multiusos que ninguém usa e tantas outras coisas assim.
Bom Dia…. eu quero escrever, não consigo…as minhas lágrimas não páram de cair… fiquei muito emocionada com esta sua escolha, é fantástica….e todos os meus pensamentos, todas as minhas memórias, levam-me direitinha à minha mãe…Este filme, Amália Rodrigues, o Fado, foram sempre a companhia dela. A minha mãe, cantava o fado, como ninguém…Era a “cantadeira”, e a vizinhança vivia feliz, só por a ouvir cantar! Agora, não canta mais, está muito doentinha, o coração não ajuda… Hoje, vou passar este dia com ela, vamos almoçar juntas, ela vai adorar, recordar, a mocidade vivida, sonhada…, que por vezes, eu própria, não consigo reconhecer, se é real, ou se foi inventada, tal é a força que ela me transmite… o que para muitos poderão ser banalidades, para mim, fazem-me sentir a vida à minha maneira, fazem-me sentir feliz!
Eu gosto de coisas simples, gosto de sentir a ternura, a sua ternura, João, quando escreve…. E agora, apetecia-me dar-lhe um abraço…até me doer…
Ilda Pontes
Faço votos para que conserve por muito tempo a senhora sua Mãe. E deixe-a sempre falar, se me é permitido o conselho, porque até pode nem ser sempre o passado que realmente teve, mas será sempre a história de uma vida que ainda lhe dá vida.
Um abraço para si.