ELI WALLACH
Actor secundário? Que é isso de actor secundário? Há bons e maus actores, ponto. Este é um dos maiores: entrou num impressionante número de obras-primas do cinema, irradiando na tela o talento forjado nas tábuas teatrais e no curso com Lee Strasberg no Actors Studio. Fez uma parceria antológica com Karl Malden em A Voz do Desejo (Elia Kazan, 1956). Contracenou com Gable, Clift e Marilyn em Os Inadaptados (John Huston, 1961). Teve um papel memorável em O Padrinho III (Francis Ford Coppola, 1990). Participou no fabuloso Mystic River (Clint Eastwood, 2003). Surgiu em westerns inesquecíveis: Os Sete Magníficos (Sturges, 1960), A Conquista do Oeste (Ford-Hathaway-Marshall, 1962), O Bom, o Mau e o Vilão (Leone, 1966), O Ouro de McKenna (Thompson, 1969). Trabalhou com Henry Fonda, John Wayne, Audrey Hepburn, Gregory Peck, Jeanne Moreau, Peter O’Toole, Steve McQueen, Al Pacino e tantos outros. Passou há muito a idade da reforma, sempre em actividade – um grande actor jamais sai de cena. E ele é um grande actor, um dos maiores. Não lhe chamem secundário.
Faz hoje 95 anos (nasceu a 7 de Dezembro de 1915).


Wallach? Só se for um secundário de primeira. Justíssimo.
De facto, um secundário de primeira. E continua a marcar presença nos ecrãs. Ainda há pouco o vi em ‘Wall Street 2’. O filme é fraco, mas a culpa não é dele.
Sim, a expressão “actor secundário” devia ser modificada, “actor com papel secundário” já seria melhor (mas também não ideal). Os americanos chamam-lhe “actor in a supporting role”, ou seja, aquele que suporta o actor principal, muitas vezes, o que o faz brilhar.
Pois. Alguns dos papéis mais “secundários” são aqueles que memorizamos para sempre. Fred Astaire e Ginger Rogers, por exemplo, entraram no cinema com “papéis secundários”, no filme ‘Voando para o Rio de Janeiro’. Mas tiveram uma presença de tal modo intensa no ecrã que ofuscaram por completo o par ‘principal’, composto por Gene Raymond e Dolores del Rio.