A situação só é dramática!


jmmcc,

Lembrei-me da história de certo comandante de um navio de cruzeiro que se afundava. A situação não é grave… mas é dramática! — anunciava ele aos passageiros aterrorizados. — Mantenham a calma… e salve-se quem puder!

Vem isto a propósito do post do Paulo Gorjão aqui em baixo. Bem pode o governo escamotear a realidade, mas Portugal é referido nos meios europeus a par da Irlanda e da Grécia, os países considerados em maior aperto financeiro. Talvez seja esta a razão pela qual Sócrates não quis estar na recente cimeira da comunidade. Pode continuar a fazer de conta que domina a situação. Porreiro, pá!

Momentos de nostalgia


jmmcc,

 

Este post começou por ser um comentário ao «Música de Filmes (II)», do Jorge Assunção, alocado mais abaixo. Tornou-se relativamente longo e pensei em deixar-vos antes o texto aqui. A quem possa interessar.

Cultivo uma loucura nostálgica por duas cidades que me perdem e onde me deixo perder e que estou sempre pronto a revisitar, as duas por igual: Xangai e Praga.

Por qualquer razão, associo sempre o filme E Tudo o Vento Levou à ocupação da China pelos japoneses, que invadiram Xangai e provocaram a debandada desesperada dos elegantes bairros de ocidentais. Era onde pontuavam as famílias americanas e europeias, que aí tinham introduzido uma indústria e comércio de pujança sem paralelo, a par de um insólito modo de vida ocidentalizado de que os xangainenses ainda hoje conservam alguma herança.

À chegada dos japoneses, Gone With The Wind estava num imenso cartaz no frontispício de um dos cinemas mais bem frequentados de Xangai (aparece em alguns trabalhos publicados e é visível no filme O Império do Sol).

Por esses dias, o Tema de Tara era a grande moda e tocava-se no melhor salão da cidade, no mais conhecido hotel em pleno "Bund" (a área histórica dos belos edifícios de arquitectura ocidental, junto ao rio), onde ficou famosa a banda de jazz que aí enchia as noites.

Já agora, para terminar e a talhe de foice: hoje em dia, vários edifícios do "Bund" voltaram a ser hotéis e bancos; alguns deles estão ocupados por estabelecimentos McDonald’s, Kentucky Fried Chicken, Pizza Hut, etc., onde fervilham milhões de chineses, numa espécie mais do que suspeita de regresso aos tempos áureos, uma forma de glorificação desse passado pujante que os americanos, como sempre, puxam a si.

Ainda isto: quando referi milhões de chineses nas lojas não foi a brincar. A longa, enorme, Avenida de Nanquim, na Baixa de Xangai, é indescritível e costuma ser considerada a artéria urbana mais movimentada do mundo…

Portugal elevador


jmmcc,

Tive de distanciar-me do televisor quando Luís Filipe Menezes respondia ao Mário Crespo que o cabeça-de-lista certo para o PSD levar às eleições europeias era Francisco Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa ou Luís Marques Mendes.

Depois, estava eu a chegar novamente perto do televisor quando Menezes respondia qualquer coisa sobre o papel que devia ter o País na Europa, em matéria de política blá-blá-blá-blá. Ainda o ouvi vagamente a explicar (?) que era preciso mais e que, «nesse sentido, Portugal debia ter um papel elebador». Não consegui perceber bem o que era nem se estava a pôr-se a jeito para deputado europeu, mas estou seguro de que, com ele, teria um papel mais de monta-cargas…

Marcelo: candidato ao PE? (2)


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Como diz o Paulo Gorjão aqui em baixo, o Professor é o cabeça-de-lista do PSD para o Parlamento Europeu preferido por um número crescente de pessoas. Quanto a mim, tem uma vantagem de natureza prática sobre qualquer outro candidato, a qual deve ser encarada decisivamente: a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa põe fim às intermináveis escolhas de domingo à noite…

Lello sem lugar…


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Na sua intervenção ao congresso de Espinho, José Lello disse às tantas que «aqui não há lugar ao DELITO DE OPINIÃO». Não faz mal: não faz parte dos nossos desejos. Mas ‘amor com amor se paga’: estamos a ponderar a decisão de também aqui não haver lugar a José Lello…

Um desafio


jmmcc,

Manuel Alegre foi o fantasma de Espinho: não esteve lá, mas foi o mais falado. Convidado por José Sócrates para a comissão de honra, respondeu que não contassem com ele no congresso. Impõe-se a pergunta: terá ele por fim decidido afastar-se mesmo do partido?

Lanço-vos um desafio. Está Manuel Alegre a iniciar agora a ruptura de facto com o PS?

Congresso apagado


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O congresso do PS foi interrompido ontem ao fim do dia pelo apagão no recinto em que decorria. Não houve capacidade tecnológica que resolvesse o caso e o dia acabou assim mesmo, porque a luz não regressou.

Cá fora, toda a gente tinha algo a dizer, com algumas figuras mais destacadas a aproveitar o transtorno para dar palpites em sentido figurado. Porém, não houve farol que iluminasse outro sentido que não fosse o da saída de cena.

O escolhido e o referendo


jmmcc,

Acabado de anunciar por José Sócrates: Vital Moreira é o cabeça-de-lista do PS às eleições europeias. O que explica muitas coisas — nem todas abonatórias — relativas às opiniões que o escolhido tem andado a emitir.

Mais interessante do que a escolha foram as palavras de Sócrates quando preparava o anúncio: o PS não considera as eleições europeias menores e elas irão servir para os portugueses se pronunciarem sobre a União Europeia. Quer dizer: a eleição deste ano para o Parlamento europeu substitui o referendo sobre a Europa que Sócrates prometeu e não cumpriu. Deve ser isso.

Carrilho renascido


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Manuel Maria Carrilho reapareceu hoje à frente de um repórter televisivo, em Espinho. Disse que era preciso «fazer renascer os Estados Gerais, reinventar os Estados Gerais», por não ser bom enfrentar uma situação nova «com ideias velhas». Não sei se José Sócrates terá gostado desta reencarnação.

Fazer caixinha é mau


jmmcc,

José Sócrates discursou uns 50 minutos, ao final da tarde de abertura do congresso do PS. Pelo meio, lá estava a defesa dos investimentos públicos que o governo deve fazer, num rol em que incluiu barragens, telecomunicações, etc., o que me deixou perplexo: essas áreas não são de investimento privado (EDP, PT, etc.)?

O discurso estava escrito, foi pensado. Se o primeiro-ministro fala abertamente de actos de gestão dessas empresas — que, por muito públicas, são em rigor privadas — por que razão é que o governo se escusa a falar dos negócios da Caixa, escudado no que chama actos de gestão, na qual é o único accionista? O governo anda a fazer caixinha e isso é mau sinal, muito mau.

Prosa incolor


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Ainda na sequência dos livros apreendidos pela PSP em Braga, alguém escreveu agora (e muito bem) o seguinte: «Sucede que todo o barulho que se fez a este propósito contrasta com todo o barulho que não se fez quando, a 5 de Janeiro, um rapaz de 14 anos foi morto com um tiro na cabeça (…) por um agente da mesmíssima PSP.»

A mesma autora (porque de uma autora de trata) acrescentou ainda:

«O rapaz, Elson Sanches – ou Kuku – era negro, vivia num dos últimos "bairros de lata" do País e, afiançou-se (com base na informação policial), um delinquente.»*

Adivinham quem é a senhora que escreveu isto? Eu digo:

A senhora, Fernanda Câncio — ou f. — é branca, vive numa das primeiras urbes do País e, afiança-se (com base na informação possível), não distingue as pessoas pela cor da pele.*

 

* — Os itálicos são da minha responsabilidade.

Caixa geral dos negócios


jmmcc,

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve um lucro no ano passado inferior a 2007: perto de 500 milhões de lucro, quase 50 por cento menos. Tanto quanto se sabe, os números podiam ser piores, por causa da dívida de Manuel Fino, que foi evitada por a CGD ter ficado com umas acções do empresário muito acima do seu valor. No negócio, a diferença constitui o grande negócio do cliente: dever à CGD rendeu-lhe um lucro e tanto.

Ora, aquela diferença é o prejuízo da CGD de que se fala, mas a verdade toda ainda está por apurar. O negócio teve um contrato: o empresário pode recomprar as acções à CGD nos próximos três anos em que a CGD não pode negociá-las com outrém, o que só fará se isso lhe der acrescida vantagem. Portanto, a única coisa que a CGD conseguiu foi não reflectir o prejuízo pela dívida do empresário nas contas do ano passado. Ninguém adivinha qual virá a ser o prejuízo final pelo negócio nas contas futuras.

Ainda os discursos


jmmcc,

Acresce ao post abaixo do Carlos Barbosa de Oliveira uma outra afirmação do indignado presidente do banco do Estado que é, no mínimo, curiosa. Diz ele que a CGD actuou «em defesa intransigente do interesse público, do accionista, da instituição e dos clientes». Quer dizer: defendido o interesse de todos, saíram todos a ganhar? Faria de Oliveira é o homem certo no lugar certo no momento certo. Andam a aborrecê-lo, mas afinal conseguiu fazer um milagre…