Adeus magia


jmmcc,

Havia antigamente uma espécie de código de ética entre ilusionistas e mágicos, no sentido de nunca serem revelados os truques usados (com excepção do amadorismo mais básico). Não sei se isso se conserva, mas não adianta saber, porque a SIC anda a transmitir uma série importada de programas aos sábados que revela tudo quanto se queira, do mais simples ao mais sofisticado. Também não sei se concordo com a série e se ela não é abusiva. O que sei é que ela põe fim à magia do ilusionismo e à ilusão da magia. As próximas gerações já não deixarão cair o queixo de inocente espanto. Adeus.

Ai-ai-ai, ai-ai-ai!


jmmcc,

«Os dirigentes dos clubes de futebol são das pessoas que têm mais tempo de antena em Portugal. Quando se diz qualquer coisa, ai-ai-ai, ai-ai-ai, que não pode ser! Então… mas que raio de democracia é esta?»

(Rui Santos, na SIC-Notícias)

PCP: e vão 88


jmmcc,

O Partido Comunista Português nasceu em Lisboa a 6 de Março de 1921, no início da década em que o Estado Novo já espreitava. Só vai comemorar no domingo, mas faz hoje 88 anos, o PCP.

Está a ficar velho. Se formos visitar o ponto de partida, está lá tudo o que conhecemos hoje: basta actualizar-lhe a ortografia dos slogans e ouvir-lhe a cassete que substituiu a cartilha. Uma boa prenda de aniversário seria um DVD, porque já ninguém usa cassetes.

A sondagem da ‘desgraça’ (1)


jmmcc,

A estranhíssima (ou nem  tanto) e costumeira descida do PSD nas sondagens, por acompanhar a descida simultânea do PS, está para durar: os socialistas acabam de descer 1,3 por cento, caindo para os 39 por cento das intenções de voto, e os sociais-democratas caíram 0,8 por cento, queda que os coloca nos 28,3 por cento das intenções.

No entanto, a ‘desgraça’ não é só para o PSD: o CDS-PP sobe apenas 0,8 por cento, para os 7,7 por cento de intenções de voto. Isto quer dizer que os populares estacionaram como quinto partido, lugar pouco abonatório para um líder que prega mundos e fundos de expectativas.

Resta registar o BE (mais 0,3 por cento, 10,4 por cento das intenções, terceiro partido) e o PCP (mais 0,8 por cento, 9,6 por cento das intenções, quarto partido). São os únicos que podem deitar foguetes, embora as canas de um possam tombar em casa do outro. O êxito de um e outro, porém, não sei se não fazem também parte da ‘desgraça’ em que todos caímos…

A sondagem da ‘desgraça’ (2)


jmmcc,

A nova descida do PS nas sondagens não o coloca apenas cada vez mais longe da maioria absoluta, como permite uma interessante leitura próxima facilmente ralacionável com essa intenção de votos: o congresso do fim-de-semana passado não surtiu qualquer efeito.

A descida de 1,3 por cento agora apurada não é de somenos: os socialistas afastam-se sucessivamente da maioria absoluta que tanto pediram no congresso de Espinho há poucos dias. Repare-se que a sondagem desta semana apanhou o público-alvo com a memória ainda fresca do congresso, o qual foi exaustivamente transmitido pelas televisões entre sexta-feira e domingo e comentado ao pormenor nos mesmos dias e nos que se seguiram.

Cai por terra, pois, a conclusão apressada de destacados socialistas, que correram a falar do sucesso das intervenções viradas ao País e dos respectivos conteúdos, que disseram ser respostas aos problemas dos portugueses.

Das duas, uma: ou os portugueses não quiseram ouvir (o que não era fácil, a menos que não ligassem o televisor), ou ouviram e não gostaram. Quando era suposto o PS ter subido nas sondagens à custa do espectáculo notável que montou em Espinho, a verdade é que nem sequer conseguiu manter os indicadores anteriores. Ainda por cima, o tão criticado BE, alvo principal dos ataques disparados no congresso, voltou a subir nesta sondagem.

Talvez algum dirigente socialista queira agora ensaiar outra declaração diferente da que acabou de fazer Vitalino Canas sobre esta ‘desgraça’, o qual disse qualquer coisa brilhante como sempre diz, do género se-a-minha-avó-não-tivesse-morrido-ainda-hoje-era-viva…

Uma perda lamentável


jmmcc,

 

É de presumir que a deslocação de Cavaco Silva à Volkswagen, um dos pontos altos da agenda oficial da visita à Alemanha, incluísse uma volta pelo respectivo museu. Cancelada por causa do mau tempo, o Presidente deve ter perdido esta oportunidade para ver o Volkswagen Museum, aberto há não muito tempo e onde, como é evidente, estão expostos os mais variados modelos que têm feito a História da VW e Porsche, com particular destaque (e não menos espaço) para aquele que foi «o carro mais influente do século XX». Lá se encontram também todas as imensas fantasias criadas a partir dele (até o Herbie, The Love Bug) e creio que um exemplar, pelo menos, é português.

 

Horas depois de alocado este post e sem que alguém se tenha pronunciado:

— Ninguém gosta do ‘Carocha’???!!!

Olhem que fico f…


jmmcc,

Reparem que a notícia de que dá conta o J.M. Coutinho Ribeiro aqui em baixo termina assim: «Depois do incidente, ambos os deputados deixaram a sala do hemiciclo para não mais voltar.» Parafraseando um conhecido ditado popular, uma desgraça nunca vai só: neste caso, são dois deputados a menos, caídos em desgraça no Parlamento. Mas só acredito depois de ver se não voltam mesmo. Se voltarem, então fico… furioso com a notícia!

Mudar é preciso


jmmcc,

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Eleições autárquicas na Figueira da Foz, 1997. Mudou, sim:

mudou de limousine mal ganhou as eleições. Poucos anos depois,

repetiu a proeza na Câmara de Lisboa: também mudou de limousine

assim que entrou. Ainda não se sabe se está a preparar-se para nova mudança

este ano, mas consta que tem "andado por aí" a visitar os salões de automóveis.

E está provado que tem jeito: é preciso «saber mudar».

Ele sabe.

O nosso duplo prejuízo (2)


jmmcc,

Confirmadíssimo na Assembleia da República: «O PCP pediu uma audição ao presidente da Galp Energia para dar explicações sobre os lucros da energética apresentados ontem, em particular o aumento de quase 200 por cento nos resultados do quarto trimestre do ano passado face ao período homólogo de 2007.» Os comunistas dizem que já nessa altura tinham alertado para a «lentidão inaceitável» do acompanhamento dos preços no mercado externo e acrescentam agora que os lucros obtidos pela Galp «confrontam-se de forma escandalosa com as brutais dificuldades económicas que a generalidade dos portugueses e das pequenas empresas atravessam».

É este papel do PCP de intervenção social que marca a diferença, quando óbvio e realista, como no caso. E é também este o papel social de que o PS de Sócrates se distanciou: o governo não pode interferir na gestão e blá-blá-blá-blá.

Ora, o governo não pode interferir na gestão de empresas em que o Estado tem o peso de ser accionista, mas pode interferir junto dos privados para ter aos seus pés o que lhe convém, através do «clima de medo» de que se fala e que muitos sentem na pele, calados.

Em suma: a política social deste governo é a de deixar alastrar o incêndio, para depois vir acudir feito bombeiro com as televisões atrás. E com a mangueira curta, para que não haja abusos.

Assim, em matéria de combustíveis não interfere nos preços da Galp, mas pode distribuir depois uns subsídios. Só para alguns. Do que resulta o nosso prejuízo passar a ser triplo: pagar preços inflacionados, pagar com eles mais impostos e taxas e ainda suportar a distribuição de subsídios…

O nosso duplo prejuízo


jmmcc,

Confirmado: «O lucro de 478 milhões de euros que a Galp Energia obteve em 2008 beneficiou da lentidão com que a petrolífera acertou os seus preços pelos valores internacionais nos últimos três meses do ano passado.» Um lucro que corresponde ao nosso duplo prejuízo: pagar preços inflacionados e, com eles, pagar mais impostos e taxas.

Toda a gente o sabia, toda a gente o dizia. Mas o governo garantia não poder interferir nos preços da Galp — como agora diz não poder interferir nos negócios da Caixa e só sabe das coisas pelos jornais!

Já para a gestão da Galp, a política de preços dos combustíveis tem sempre uma explicação simples e clara que todos temos obrigação de entender: é porque-sim-e-porque-mais-e-tal-e-coisa…

A petição (5)


jmmcc,

A morte prematura e inglória da petição de Vasco Campilho a defender a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa para cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias pode acabar com parte da polémica. Parte da polémica, talvez, mas longe de encerrar o problema real: o PSD tem a discussão do tema na praça pública, em lugar de se reunir para pensar em volta da mesa e esperar que saia fumo branco.

O problema é real, sim. A partir do momento em que o PS apresentou o seu candidato, o PSD não pode andar a perder tempo, sob risco de estar a gerar uma expectativa que venha depois a sair gorada: à medida que os dias passam, cresce a ideia de que o seu candidato será um peso pesado e torna-se a cada dia mais difícil atribuir créditos a alguém que não venha a corresponder a esta espera. Dificuldade acrescida porquanto, com tantas facções internas, não faltará certamente no partido quem depois venha cá para fora dizer mal do candidato, seja ele quem for.

Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, parece muito curiosa a posição que tomou sobre a petição que lhe era destinada: «Não estou para aí virado. Sempre fui muito mais uma pessoa de tarefas executivas.» Esta declaração ensombra sobremaneira a tarefa dos parlamentares europeus. Pelos vistos, executar seja o que for não é o forte deles. Este manto de suspeição sobre o papel deles é ainda mais negro agora, porque os próximos deputados europeus de Portugal vão ser aumentados de 3815 euros mensais para 7665 euros. Caramba! Fora subsídios e outras mordomias. Para, afinal, nada executarem. Podem, ao menos, mandar dizer de vez em quando como está a crise?

A petição (3)


jmmcc,

Já agora, se me dão licença, junto-me ao José Gomes André e ao Paulo Gorjão e prometo que não vou ser maçador. É só para dizer que me pus a matutar no assunto dos cabeças-de-lista do PSD às eleições europeias e, a princípio, a ideia que logo me ocorreu é que dali não vai sair uma lista: com tantas cabeças, ainda acaba por se materializar naquele terrível dragão chinês.

Contudo, também vejo no caso mandarins a mais e aquela ideia passou-me. Foi quando cheguei à conclusão de que Vasco Campilho tem razão, ainda que não explique as suas razões: «Passos Coelho tem neste momento condições para ser um candidato ganhador a qualquer eleição que se proponha vencer» — escreveu o autor da petição que corre a favor do dito. E é que tem mesmo, garanto eu já aqui.

Quanto a mim, o imbróglio do caso não é esse. Tudo o que se tem dito e escrito sobre um cabeça-de-lista do PSD ao Parlamento Europeu continua na primeira forma. Isto é: volta sempre ao início. Porquê? Porque qualquer nome do já espesso rol que tem sido lançado é sempre um candidato vencedor. Seguramente. Vou explicar-me melhor.

O PSD está com expectativas muito baixas para qualquer das eleições à vista. Sem dúvida. No entanto — que diabo! — nem tudo ao mar, nem tudo à terra: um deputado europeu o PSD consegue garantidamente eleger. O partido está na mó de baixo, mas não é preciso exagerar. Sempre há-de conseguir um. No mínimo.

Portanto, voltem lá ao princípio, porque não adianta andar a dizer que este ou aquele é que é um vencedor certo. O cabeça-de-lista, seja ele quem for, tenho cá para mim que é um vencedor certo. Animem-se.