«Eu acho que Angola está em desenvolvimento.»
(Delegado da UNITA em Portugal, no Prós e Contras, RTP-1.)
«Eu acho que Angola está em desenvolvimento.»
(Delegado da UNITA em Portugal, no Prós e Contras, RTP-1.)

Renault 4 L
(França, série de 1961)
O caso da aluna de 13 anos que agrediu uma professora numa escola em Esgueira, Aveiro, não se esgueirou das instâncias superiores e chegou rapidamente à Direcção Regional de Educação do Centro (DREC). Vamos ver se o processo disciplinar para apuramento dos acontecimentos será igualmente rápido como convém.
Segundo o Público, a presidente da DREC, Engrácia Castro, declarou que «está a ser nomeado um instrutor». Quer isto dizer que, no exacto momento em que Engrácia Castro prestava declarações, havia um instrutor do processo que não estava nomeado nem ia ser nomeado: ele estava a ser nomeado.
Há nisto um problema de expressão oral, ou é de temer que essa nomeação ande por caminhos que escaparam ao Simplex?
«Vários têm sido os nomes indicados para suceder a Nascimento Rodrigues, cujo mandato aspirou em Junho de 2008 (…)»
(Público Última Hora)
Consta que o PS vai retirar o casamento entre pessoas do mesmo sexo do rol de compromissos para a próxima legislatura. Após aceso debate interno, os socialistas entenderam que casamento é casamento e, portanto, seria uma forma de discriminação consagrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Parece que a actual proposta poderá até não ser retirada, segundo me disseram, só que não será para cumprir. Como isso é normal, ninguém deverá estranhar…
A «Comissão Europeia estima que Portugal terá o maior corte da UE nas pensões». Penso que isto quer dizer duas coisas: perdemos em pensões mas temos cada vez mais hotéis e resorts; continuamos a viver acima das nossas possibilidades e armados em turistas…
«Não deixe a sua semana começar com diarreia.»
Essa veio de carrinho, Leonor. Vou substituir a minha mesa de cabeceira por uma estante! Eis um dos que ando a ler, assim mais ao pé da mão (aviso já que a quinta frase da página 161 é um período do tamanho das frases do Rui Santos)…
Não errou o prognóstico, o apoquentado navegador, pois não tardou a soprar um vento de sueste com frequentes chuvaceiros e tão forte que dispersou os navios, não escapando sequer a nau capitânea, de modo que, na manhã seguinte, quando a armada se reuniu de novo, os pilotos aconselharam o capitão-mor a levantar âncora e fazer vela ao longo da costa, para norte, em busca de alguma baía abrigada para aí surgir e tomar água e lenha, o que logo foi feito por todos os navios, com os batéis e esquifes amarrados à popa, indo as caravelas adiante por serem mais veleiras e pequenas, portanto, mais próprias para velejar chegadas a terra.
(O Navegador da Passagem: A história
de um descobridor de mundos que o Mundo ignorou,
de Deana Barroqueiro.)
E vai já de patins para mais cinco, todos cá da casa (espero não estar a fazê-los repetir esta corrente): Ana Margarida Craveiro, André Couto, António Manuel Venda, J.M. Coutinho Ribeiro e Vieira do Mar.

Cubo Mágico — Rubik
(anos 80)
«Lamento que as organizações sindicais não se concentrem nos interesses dos seus associados.»
(José Sócrates aos jornalistas, sobre a manif.)
Terminada a visita a Cabo Verde e confrontado com a manifestação de 200 mil pessoas em Lisboa, José Sócrates mostrou-se desinteressado em «discutir o número de participantes, até porque o número não é argumento». E lamentou que se fartou.
«Lamento mas discordo dos dirigentes sindicais que organizam manifestações desse tipo», «lamento muito que muitos desses dirigentes tenham enveredado pelo insulto», «lamento que as organizações sindicais se limitem ao insulto e ao insulto pessoal», «lamento que estas reformas não tenham sido acompanhadas pelos sindicatos», «lamento que nessas manifestações não existam argumentos», «lamento que as organizações sindicais não se concentrem nos interesses dos seus associados» e «lamento muito que os partidos não aproveitem este momento para apresentar as suas propostas» — queixou-se o primeiro-ministro.
Em matéria de lamentos, Sócrates não está sozinho: como voltou a ver-se, o que mais há é portugueses a lamentar a situação. E o número dos que se mobilizam também é importante, sim. Ou pensará ele que as pessoas se deslocam dos seus lugares e participam numa manifestação para passar um sábado agradável?
Ontem, pelo menos 200.001 portugueses lamentaram muitas coisas.
f. diz que «josé lello está a ver a coisa mal», porque «o problema de manuel alegre não é de carácter, é mesmo de identidade». é por estas e por outras que inventaram o cartão único (cu) para substituir o bilhete de identidade: fica tudo registado no cu para evitar estas confusões. devia ser isto que a fernanda câncio queria dizer.
Foi cumprido o jogging em Cabo Verde para público ver, cujas fotos hão-de ir para o álbum onde já estão as do Porto, Lisboa, Moscovo, Rio de Janeiro e Luanda (então e Caracas?). José Sócrates está de regresso à manutenção física caseira.
Na semana que vai começar, pode até ter especial importância que ele esteja em boa forma, pois parece que em Lisboa alguém muito conhecido já avisou com voz grave:
— Corres muito p’ra ser belo,
E usas muito o dom da fala.
Faz mas é calar o Lelo,
Porque a mim ninguém me cala!
Enfim: depois desta viagem, nada como estar bem preparado para uma corrida…
«Fique mais tempo livre de pelos.»
O número 1 da Action Comics, uma revista de banda desenhada lançada em Junho de 1938, acaba de ser vendido nos EUA por 317.200 dólares (uns 245 mil euros). A venda foi efectuada em leilão pela Internet e os 89 lances de que foi alvo tiveram em conta que é neste álbum que aparece o Super-Homem pela primeira vez.
A revista tinha o preço de capa de dez cêntimos e fôra comprada em segunda mão por volta de 1950, por 35 cêntimos. Este raro exemplar esteve esquecido até 1966; foi conservado desde então com vista à sua valorização e nunca chegou a ser restaurado.
Valeu a pena esperar, não?
Relógio de Cuco — Black Forest
(Alemanha, finais do séc. XIX)
José Sócrates está em pulgas para terminar a visita a Cabo Verde e regressar a Lisboa. Sabe que Manuel Alegre está à espera dele para o encostar à parede e pô-lo a explicar o que ele acha sobre a intempestiva apreciação ao carácter produzida por José Lelo. Sócrates dá pulos de satisfação, porque o seu fraco é mesmo sentir-se encostado à parede e ter de dar satisfações. O que o enerva é a visita oficial não poder acabar já. Que remédio se não aguentar mais um bocado, não é? "Boa continuação"…
«Meus senhores e minhas senhoras (…)»
(Fernando Mendes, persistente há anos, n’O Preço Certo, RTP-1.)

… além desta segunda sexta-feira 13 de 2009, haverá mais uma em Novembro? É verdade. E três sextas-feiras 13 só acontece de onze em onze anos.
A má sina atribuída a estes dias tem origem no período bíblico, quando o 13.º a chegar à Última Ceia traiu Jesus. Depois, ao longo da Idade Média, os povos foram-se tornando permeáveis à superstição que rodeia as sextas-feiras e o número 13.
O 13 é aziago pela sua posição na ordem sequencial: sucede ao 12, considerado o número certo, perfeito, completo — a dúzia — que corresponde aos meses do ano, aos signos do Zodíaco, aos deuses do Olimpo, aos apóstolos de Jesus, etc.
O INE dá conta do drama que devia tirar-nos o sono: Portugal anda a perder 49 milhões de euros por dia. É urgente cuidar disto e começar a compensar tamanho prejuízo. O pior é que, apesar de ser um desequilíbrio que fica a dever-se, em primeiro lugar, à qualidade da gestão pública que temos, parece que não vale a pena esperarmos que as instituições públicas encontrem uma saída para a situação. Se não, veja-se.
Ainda recentemente — só para dar um exemplo — a PJ apreendeu três milhões de dólares no parque de estacionamento de um hipermercado, como se sabe, o que podia ter servido para abater aos 49 milhões de euros perdidos nesse dia. Mas não serviu. Porquê? Porque, afinal, o dinheiro era falso. Está visto que assim não vamos lá. Desejável era encontrar o dinheiro que foi escapando através de certos bancos. Dinheiro verdadeiro.