Terminada a visita a Cabo Verde e confrontado com a manifestação de 200 mil pessoas em Lisboa, José Sócrates mostrou-se desinteressado em «discutir o número de participantes, até porque o número não é argumento». E lamentou que se fartou.
«Lamento mas discordo dos dirigentes sindicais que organizam manifestações desse tipo», «lamento muito que muitos desses dirigentes tenham enveredado pelo insulto», «lamento que as organizações sindicais se limitem ao insulto e ao insulto pessoal», «lamento que estas reformas não tenham sido acompanhadas pelos sindicatos», «lamento que nessas manifestações não existam argumentos», «lamento que as organizações sindicais não se concentrem nos interesses dos seus associados» e «lamento muito que os partidos não aproveitem este momento para apresentar as suas propostas» — queixou-se o primeiro-ministro.
Em matéria de lamentos, Sócrates não está sozinho: como voltou a ver-se, o que mais há é portugueses a lamentar a situação. E o número dos que se mobilizam também é importante, sim. Ou pensará ele que as pessoas se deslocam dos seus lugares e participam numa manifestação para passar um sábado agradável?
Ontem, pelo menos 200.001 portugueses lamentaram muitas coisas.

Este país está transformado num muro de lamentações pegado…
Mas é que está mesmo.
Esqueci-me de dizer… Mas uns lamentam-se com mais razões que outros!
Também concordo, Maresia.
Já com as manifestações de professores foi igual. Inventaram-se argumentos para esconder o óbvio. Cerca de 100.000 professores não são passíveis de ser instrumentalizados por sindicato algum tal como 200.000 trabalhadores não o são. Há pessoas que nunca antes foram a manifestações e que agora saem à rua. Há que admitir que as pessoas estão profundamente descontentes. Resta saber se Sócrates acredita mesmo no que diz ou se esse é apenas o discurso que lhe dá jeito, João.
Mesmo que lhe desse jeito, Leonor, dizer que o número é de somenos não passa de um disparate.
“Tudo isto é triste, tudo isto é fado”. O lamento faz parte…
Em matéria de lamentações, o homem está pior do que o profeta Jeremias…
Hehehe…
200.002, se não te importas… Pelo menos!…
Não errei por muito: cerca de 200.001…
Eu escrevi «pelo menos 200.001»! É como a velha história dos índios, readaptada: um em Cabo Verde e para aí 200 mil em Lisboa…
Chegado a este ponto de descredibilização total da vida pública portuguesa, da mentalidade e instrução deste povo, começo a lamentar o facto de D. Afonso Henriques se ter metido em aventuras dando lugar a este desaventurado país!!
E ainda por cima D. João IV foi apadrinhar um punhado de restauradores em 1640, não é?
Talvez lá para Outubro ele perceba que afinal o números são um argumento para o apear do Poder. A não ser que nessa altura já utilize a lunguagem do Mugabe…
Lamento mas pode ser que sim. Hehehe…