Está a ser agorinha mesmo!


jmmcc,

O caso da aluna de 13 anos que agrediu uma professora numa escola em Esgueira, Aveiro, não se esgueirou das instâncias superiores e chegou rapidamente à Direcção Regional de Educação do Centro (DREC). Vamos ver se o processo disciplinar para apuramento dos acontecimentos será igualmente rápido como convém.

Segundo o Público, a presidente da DREC, Engrácia Castro, declarou que «está a ser nomeado um instrutor». Quer isto dizer que, no exacto momento em que Engrácia Castro prestava declarações, havia um instrutor do processo que não estava nomeado nem ia ser nomeado: ele estava a ser nomeado.

Há nisto um problema de expressão oral, ou é de temer que essa nomeação ande por caminhos que escaparam ao Simplex?

36 comentários em “Está a ser agorinha mesmo!”

  1. Apenas uma achega, João, numa situação destas cabe ao Conselho Executivo nomear um instrutor para o processo que ouvirá todas as partes envolvidas e que proporá uma sanção ao Conselho de Turma (o conjunto de todos os professores da turma e o representante dos Encarregados de Educação), neste caso será disciplinar. São feitas actas de todas as declarações e os alunos só podem ser ouvidos com a anuência e/ou presença do Encarregado de Educação. O prazo máximo para ouvir todos e fazer a proposta é de cinco dias. O instrutor não pode ser professor da turma para garantir a imparcialidade, talvez daí o “está a ser nomeado”. Peço desde já desculpa por tanto eduquês.

      1. Eu também sei como é. Assim como sei em que simulacro imprestável e impedagógico desaguam os processos não mediatizados, como este teve a sorte de ser. A Maresia tem muito, muitíssimo mais para dar ao mundo da bloga e ao outro mundo, que a correcção eduquês de que pede desculpa.

        Nunca mais lhe esqueço a posta genial, quase furibunda de há um par de meses, contra a correcção e o pudor que de repente revestem os comentários e mesmo os mais ferozes e invejosos anónimos. Porque há um ou dois anos não era assim.

    1. Obrigado, Leonor. Fico mais esclarecido. Porque a frase, à partida, parece fazer pouco ou nenhum sentido. e, na verdade, é dirigida ao público em geral, não a quem está dentro do sistema.

      1. Nesse caso, diria com maior correcção ‘será designado/nomeado/ a breve trecho’. Está a ser implica simultaneidade. Se é por fases e por momentos é porque não há simultaneidade.

        O desejo de exibir eficácia faz certos espécimens encurralados pelas câmeras e pelos microfones, usar de verbos iterativos e construções verbais compósitas de presente continuado. E isso tem piada. Captaste-a. É tudo.

        1. Exacto. Independentemente da tramitação, que muitos cidadãos desconhecem, a frase não faz sentido.
          Resulta da vontade de mostrar serviço, sem que o serviço possa sequer estar cumprido, mas apenas despoletado-

  2. Bem esgalhada e aquilina, a posta. Mas isto deve ser mais uma traição ao pobre Português, já claudicante na parecerística legal avençada pelo Estado, nos legisladores do Parlamento e nos contratos amiguistas e avulsos do ME. E é hilariante este Português desastroso quanto à componente Escrita, na DREN e agora igualmente desastroso, quanto à componente Oral, na DREC.

  3. A declaração da directora regional diz tudo sobre a imbecilidade que vai reinando em alguns dos nossos organismos públicos, com dirigentes máximos que apenas o são por causa da sua militância política!
    Será que sempre foi assim? Talvez…

  4. É o tal problema das terminologias arrevesadas, sobretudo quando dirigidas ao público errado. Mas estou consigo: prefiro sempre o humor à carpideira reinante.

    1. É bom saber isso, Ana. Este tipo de linguagem arrevesada é muito comum e resulta de querer mostrar serviço, sem que haja serviço de facto. E de mostrar uma oralidade ‘diferente’. Asneirenta, quase sempre.

      1. Mas era, mais uma vez, para rir e uma criatura de última hora. Bom, eu sei que é forçada, mas é gente e mesmo as palavras que ambos odiamos e raramente ou nunca usamos, são gente. Provavelmente amo todas as palavras. Mesmo as que odeio, como tu. eheheh

        1. Sem o meu ‘impedagógico’, forçado e deliberado, não andariam os comentadores tão entretidos. Quase todos todos tropeçaram no seu sabor e textura, questionando-se se própria se imprópria ou porventura inexistente, como se isso fosse possível a uma palavra possível e usada apenas ontem. Por mim. eheheeh

    1. Dou-me a certas liberdades para ser engraçado. Mas se prefere o anti-pedagógico, prefira.

      Bem vistas as coisas, anti nunca exprimiria o que eu queria exprimir com impedagógico que é meio termo, neutro, não-pedagógico, ao passo que anti-pedagógico representa um forte contra, uma ruptura, uma violência. Como vê, as palavras existem. São é deixadas ao frio, pensadas ridículas e impronunciáveis, à espera que eu, dizendo-as, as ressuscite como praticamente único Ressurrector de elas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *