Republico este texto na sequência da confissão aqui colocada ontem acerca dos meus ferozes combates com as vírgulas os quais seriam apenas uma lembrança do passado se eu tivesse seguido a decisão que nele expressei mas envergonhadamente admito ter-me faltado coragem para abandonar as convenções e sair do terreno conhecido o que no fundo é algo que assusta quase todas as pessoas de bom senso ou até de senso mediano e não somente um ser frágil e de espírito influenciável como eu sou desde nascença ou pelo menos desde que na primária fui gozado por colegas mais velhos por ser demasiado bem comportado e demasiado apreciado pelos professores mas talvez este novo post possa conceder-me uma segunda oportunidade ou talvez não e esteja apenas a iludir-me ao pensá-lo pelo que o melhor é não fazer promessas e limitar-me a apresentar o texto tal como o escrevi há dois anos e meio sendo que mantenho tudo o resto que nele expresso ou apenas um pouco menos do que tudo porque afinal o valter hugo mãe já adoptou as maiúsculas (mas tem uma certa piada constatar que temos agora aqui no Delito uma colaboradora que as não usa): Vou começar a cortar nas vírgulas por como quase toda a gente ter dúvidas frequentes sobre a localização mais adequada para elas mas ao contrário de quase toda a gente sentir vergonha quando as coloco no sítio errado e também por experimentar uma necessidade cada vez maior de adaptar a vida ao meu ritmo e não o meu ritmo à vida e de por isso não desejar impor-me enquanto escrevo e impor aos outros enquanto lêem o que escrevo as pausas que os teóricos da pontuação consideram dever espartilhar uma língua tão mais bonita livre solta e moldável aos gostos e ritmos de cada pessoa que a utiliza ou dela usufrui na sua forma escrita (afinal se tantos autores célebres omitiram os mais diversos sinais de pontuação e se o valter hugo mãe tem o desplante de dispensar as maiúsculas justificando o acto com uma putativa maior fluidez da leitura não vejo qualquer problema em eliminar completamente as vírgulas no que até pode – já aconteceram coisas mais ridículas – permitir que algum editor repare que consigo afinal escrever textos que dão demasiado trabalho a ler para aquilo que valem e caia a meus pés com um contrato de publicação milionário para qualquer coisa que eu ainda teria de alinhavar) mas vou acabar este post com uma porque convenhamos que o ponto final é irritantemente definitivo (não sei se repararam mas também o evitei) e eu faço tenções de aqui voltar e deixar mais uns quantos posts que permanecerão incoerentes mesmo que por eles disperse um montão de vírgulas,
Vírgulas
escafandro,









