Laurinda Alves é muito simpática, sem dúvida. O que me incomoda é a história da "campanha positiva", que acaba por parecer uma campanha ligeirinha. A candidata do Movimento Esperança Portugal não está disposta a fazer cedências . "Eu sou como sou", parecem dizer os colares e outros adereços exóticos de que Laurinda não prescinde. Se conseguir ser eleita, tenho que rever algumas ideias-feitas que tenho sobre os portugueses.

Na campanha televisiva, o PP não consegue deixar de esmagar o seu candidato com a qualidade cinematográfica das imagens. Travelings pelas escadarias do parlamento e contra-picados em formato cinemascope distraem o eleitor amante de cinema, mas não agigantam a figura de Nuno Melo. Não, mesmo.

A melhor banda sonora é a do Partido Operário de Unidade Socialista. Zeca Afonso, julgo eu, a cantar à capela "Ergue-te ao Sol de Verão". Arrepiante. A candidatura é uma oportunidade de rever Carmelinda Pereira. Temos que admitir que os últimos 35 anos passaram por ela sem fazer grande mossa. O que fará Carmelinda Pereira nos quatro anos que separam cada campanha?

Frederico Duarte de Carvalho é o candidato mais convincente. Verdadeiro homem do Renascimento, tão depressa publica livros sobre o Caso Maddie como embarca numa traineira para acompanhar os problemas dos pescadores. O impermeável amarelo não é o guarda-roupa que mais favorece o candidato do PPM, mas há que reconhecer que é o único dos pequenos partidos que enfrenta a câmara sem ter o ar de quem está a pensar noutra coisa.

A campanha do Partido Nacionalista Renovador é… como dizer?… já sei: assustadora! Na era digital, o PNR ainda está na fase do VHS. Não sei se o pior são as imagens, se a montagem, se a conversa esquisita de tirar os subsídios às famílias estrangeiras para dar às famílias portuguesas. Medo!

(Amanhã: segunda parte de Quero ver Portugal na CEE)