Hoje vi o programa de Pacheco Pereira no ginásio enquanto corria na passadeira. Ciente do facto de que estar a suar frente à imagem de Pacheco Pereira não diz nada de bom sobre mim, sinto que o código deontológico me obriga a esta pequena humilhação, que tem por vantagem poderem os mais cépticos descontar os efeitos das endorfinas na minha apreciação. A verdade é que gostei. Claro que tive que vencer a resistência natural que me ataca sempre que vejo alguém tentar ser Deus – que também pode ser devida a ter aumentado o ângulo de inclinação da maquineta. Fui ainda assolada pelas imagens do banco no Jardim de Santo Amaro e de todo o país a fazer chuva e sol (tentativa de controlar o espaço e o tempo, obter o dom da ubiquidade), que venci com mais um momento de humildade: não era o que eu fazia, no fundo, a correr parada para lutar contra o tempo? Já pequena como uma formiga numa enorme passadeira negra, dei por mim a pensar que aquilo é até muito saudável (o programa) e que a democracia passa também por desancarmos em nós próprios até doer. Quando comecei a ficar sem fôlego e com os músculos das pernas em puré e Pacheco Pereira continuava fresquinho, tive uma epifania. Num clarão, percebi que, ao fazer um programa de televisão, Pacheco Pereira dera mais um passinho no sentido de se tornar objecto de si próprio. Percebi que pouco falta para o ver correr ao meu lado na passadeira, suado, a ver televisão e a pensar umas coisitas sobre tudo e nada. No fundo, soltar o pequeno taxista que há em todos nós. Bem vindo.
Na passadeira com Pacheco
Cristina Almeida,

Posso corrigir as gralhas, sua desastrada?
Quais gralhas? Está limpinho…
Quem é que continuava fesquinho, quem é? Pacheco Peeia, sim,
E outras.
Quem é Pacheco Peeia? Heim?
Basicamente, é aquele fesquinho…
O Pacheco Pereira na passadeira, a correr e a suar como se não houvesse amanhã? Bem, a julgar pela barriga do senhor, mal não lhe fazia (isto partindo do princípio que aquela pança é apenas gordura e não um gigantesco ego escondido nas entranhas dele).
O que fazer? – como diria o camarada Lenine, outrora idolatrado por JPP. Eu se fosse a ti inscrevia-me sem demora noutro ginásio.
Gostei do seu texto.
E quanto às gralhas, essas marotas:
O ATRO ABISMO
Quando o poeta escreveu: “…o atro abismo”,
Umas vírgulas por ele mal dispostas,
Irritadas gritaram: “É estrabismo!”.
Mas um ponto que viveu no dicionário,
De admiração caíu de costas
E abismado seguiu o seu destino…
Alexandre O’Neill, in Poesias Completas, Ed. IN – casa da Moeda, 95
:))
Mau-mau…
Não gostou?
:))
Adorei Mdsol, obrigada.
Adoraste? Bem-vinda.
As gralhas ainda lá estão. Não temos trabalho para fazer?
Nadica. Só chatear certas autoras.
Mim correr na passadeira, suar, pensar umas coisitas.
PP fresquinho na tv a dizer umas coisitas. Doravante meus posts serão assim.
Vou repetir: bem-vinda.
Queres que te faça um desenho?
Hehehe…
Não vou corrigir. Já vi escrito assim em azulejos de casas de pasto.
Por falares na Dora… Não é que certas autoras não saibam pensar, mas soltam as palavras todas entarameladas…
Benvindo.
Oje à tripas.
Querédo, que indegesto!
E eu já vi escrito assim, num grande cartaz de acolhimento: “Benvindo, a casa é sua!”. Presumo que seria uma declaração de amor de uma dona de casa desesperada a um senhor com esse nome.
Deus me guarde de correr na passadeira com o Pacheco Pereira, sem ele já é suficientemente mau. Ná… prefiro a Oprah, mal por mal.
Belo texto, Cristina.
Muito cuidado com as gralhas! Ainda podem escrever Abruto em vez de Abrupto.
Deicha lá iço.
O Paxeco ainda se xateia..
Gosto imenço de eçcrever açim. Dá baçtante trabalho. Çó gente çoçegada e com çentido de humor e çem çono.
LOL
Por falar em chono: vou facher um café.
Ce calhar é melhor ir domir para amanhã extar frequinho para topar as early morning gralhas, não?
ahahahahaha
Boaaaaaaa As early morning gralhas. ahaha
Clap clap
clap
:)))
A Cistina é que fica fesquinha. Ou fica capela, sei lá.
Bem, a conversa vai muito boa, mas agora vou meter um ‘post’ sobre génios e prodígios.
Envergonham-me. Assim PP não me leva a sério. E o texto estava tão catita…
Seá que ele ia? A séio?
Vou pedir ao Pedro Correia o reconhecimento do estauto de disléxica, com um selinho especial.
Mais vale selinho do que parecelinho.
Estatuto já reconhecido. Com direito a um post extra por dia, livre de gralhas.
Adoro a palavra catita! Há poucas tão portuguesas como essa. 🙂
Será que o Pedro também gosta, ou é das que ele detesta?
Ana: eu também gosto muito da palavra catita. Acho-a mesmo isso, catita!
Catita? Gosto. Faz-me lembrar o Catatau, que era o parceiro do Zé Colmeia.
Pois era. Dessa BD lembro-me muito bem. A mim a palavra lembra-me o Catitinha, uma personagem emblemática das praias portuguesas e uma figura ternurenta.
tanto comentário inócuo e nem um resumo do texto de que nada percebi. Começo a desiludir-me com tanta masturbação
Não me diga que tem alguma coisa contra o Zé Colmeia…
Vou fazer-lhe então um resumo do texto, Manuel.
Hoje vi o programa de Pacheco Pereira soltar o pequeno taxista que há em todos nós. Bem vindo.
Quanto à sua desilusáo por causa daquilo, não conte comigo.
Só ando a colaborar para o top bufo.