Hoje é um dia de esperança para Mário Centeno


Rui Rocha,

Foram divulgados números animadores do desemprego. É uma boa notícia para quem, depois de ser desmascarado na praça pública como cínico e mentiroso compulsivo durante a condução do caso “António Domingues”, deveria começar já hoje a procurar um novo emprego. Apesar dos sinais positivos do mercado de trabalho, ocupações como vendedor de viaturas em segunda mão, por motivos óbvios, não se aconselham.

Nous sommes Fillon


Rui Rocha,

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– Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta. Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste aquela história do Fillon?
– Ahahahah!
– Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino… ai como é que se chama o gajo?
– O Eduardo Cabrita?
– Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste aquela história do Fillon?
– Ahahahah!
– Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste aquela história do Fillon?
– Ahahahah!
– Depois vou à filha do Vieira da Silva… ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?
– A Mariana?
– Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquela história do Fillon?
– Ahahahah! Que sacana. E depois?
– Depois fui ao Carlos César.
– Ahahahah!

 

Em defesa dos direitos do cidadão Sócrates


Rui Rocha,

Parece-me que devemos separar bem os assuntos. Uma coisa são os crimes de que Sócrates é acusado. Outra a diligência ou falta dela que a Justiça emprega na condução do processo. É perfeitamente legítimo que o cidadão Sócrates, se considerar que os seus direitos processuais estão a ser violados, processe o Estado. Depois, a Justiça logo decidirá. Se Sócrates ganhar, apenas peço ao Estado que lhe pague em fotocópias.

O que é preciso é animar em Malta


Rui Rocha,

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Podemos, naturalmente, pensar o que quisermos de Trump. Eu penso mal. Ponto. Mas há um grupo alargado de oportunistas a quem Trump dá muito jeito. E essa é, aliás, mais uma razão para o efeito Trump ser nocivo. Para os tais oportunistas, é útil que Trump encarne o Mal para que eles possam aparecer como manifestação do Bem. Tomemos o exemplo do Dr. Costa. Ainda ontem proclamou em Malta a sua satisfação por a Europa não se esconder atrás de muros. Ora, para não irmos mais longe, o Dr. Costa sabe perfeitamente que existe uma vedação em Melilla que divide Marrocos de território da União Europeia. E se essa barreira não seria capaz de deter as vacas voadoras em que só o Dr. Costa acredita, sabemos que foi construída para evitar que seres humanos a transponham, prevenindo a imigração ilegal e o contrabando comercial. Estas são questões densas e complexas em que a única coisa evidente é a hipocrisia de artistas de segunda categoria como o Dr. Costa que se aproveitam de circunstâncias humanas desesperadas para se apresentarem como sacerdotes da pureza. Quando das profundezas da sua fanfarronice congénita utiliza o muro de Trump, o Dr. Costa cuidando estar a subir mais um degrau na escada da sua própria santidade, define-se como anão moral que realmente é. O Dr. Costa, fiquemos todos cientes, fará tudo o que puder para preservar a democracia por palavras que pessoalmente o engrandeçam. Mas, tal como dizia Gene Hackman em Crimson Tide, não está cá para dar-se ao trabalho de excercê-la.

Há dívida para além do défice


Rui Rocha,

Há um par de semanas, Portugal pagou 4,2% de juros pela emissão de dívida a 10 anos. Entretanto, em entrevista à SIC, o Presidente Marcelo sossegou-nos: logo após a emissão os juros tinham regressado a níveis muito mais confortáveis. Hoje, as yields da obrigação portuguesa a 10 anos voltaram a ultrapassar os 4,2%. Passaram oito dias desde a entrevista do Presidente Marcelo.

Liberalidades


Rui Rocha,

O Expresso revela hoje, em 1ª página, que o ex-líder do Montepio é suspeito de receber 1,5 milhões de euros do construtor José Guilherme. Não percebo o motivo para tal destaque. Ricardo Salgado recebeu do mesmo José Guilherme 14 milhões de euros e o ilustre causídico Calvão da Silva, que serviu depois a Pátria como Ministro do último governo de Passos Coelho durante uns dias e uma inundação em Albufeira, teve oportunidade de esclarecer em parecer fundamentado que:

“O espírito de entreajuda e solidariedade é um princípio geral de uma sociedade e é natural, pois, que um amigo possa e tenha gosto em dar sugestões, conselho ou informações a outro amigo, sendo que não é a circunstância de ser administrador ou presidente executivo de um banco que o priva dessa liberdade fundamental. E se alguém decide dar dinheiro de presente (liberalidade) em reconhecimento desse conselho, como José Guilherme deu a Ricardo Salgado, isso não põe em causa a idoneidade de quem recebe”.

Cá está. Uma situação em tudo semelhante. A única diferença é o montante. Salgado e Guilherme eram mais chegados. Ou Salgado dava melhores conselhos.

Ao Dr. Costa que deve pensar que está de camisola interior de alças na marquise de sua casa


Rui Rocha,

Vamos cá ver. O facto de o Dr. Costa ter uma visão dos mandatos que vai exercendo exclusivamente orientada para o afago do próprio ego, interesse e ambição pessoal define-o, mas não vincula os diferentes interlocutores que partilham o espaço político. O Dr. Passos Coelho, para além de, como todos nós, representar-se a si próprio conforme pode, foi eleito para dar voz no Parlamento a todos os que votaram no PSD. Quando o Dr. Passos Coelho pergunta ao Dr. Costa qual seria o valor do défice sem manobras de diversão, fá-lo porque entende que há uma parte significativa dos portugueses que gostava efectivamente de dispor dessa informação. E entende bem. Desde logo porque não sendo impossível obtê-la por outros meios, é importante que seja o primeiro-ministro a dizê-lo. E depois, porque sendo ele a dizê-lo é mais fácil contrastar a informação com a prosódia e proverbial fanfarronice do Dr. Costa. Por isso, não sendo propriamente uma surpresa que o Dr. Costa recuse responder ou que remeta uma resposta para quando o “Diabo chegar” (o estilo chocarreiro e velhaco é tão natural ao Dr. Costa como a própria transpiração), não é demais sublinhar que tal constitui uma óbvia e grave falta de respeito pelos princípios democráticos e pelos eleitores, Ora, se não se pode esperar da legião de pataratas comprados pela política de reversões (que são aliás, embora não façam ideia, os principais destinatários dessas faltas de respeito), nem do tutor com residência oficial em Belém, nem muito menos da 2ª triste figura do Estado, que alguma vez levantem a voz para colocar o Dr. Costa no seu devido lugar, é importante que não sejamos cúmplices por omissão e que não deixemos passar a situação em claro. É evidente que o meio exige contenção e que não é possível descrever aqui o Dr. Costa com todas as letras. Mas é obrigatório, pelo menos, que fique registado que o Dr. Costa se comporta como um bandalho. 

MARCELO, O MEDIADOR


Rui Rocha,

 

17.12.2016 – “O Presidente da República serviu de mediador numa conversa entre o fundador e director do Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, e o ministro da Cultura para evitar o fim desta companhia”.
19.12.2016 – “Em comunicado, Luís Miguel Cintra esclarece “equívoco” criado após visita de Marcelo. Teatro vai mesmo fechar no início do ano”.

 

11.01.2017 – “Marcelo obtém do Rei de Espanha garantia de que não serão tomadas decisões unilaterais sobre Almaraz”.
12.01.2017 – “Não há acordo sobre Almaraz. Portugal avança com queixa em Bruxelas”.

 

29.12.2016 – “Marcelo e Passos almoçam em Belém”.
13.01.2017 – “Passos votará contra redução da TSU”

 

22.01.2017 – “Em entrevista a jornalistas da SIC, Marcelo revela confiança: ainda é possível consenso para a redução da TSU”.
25.01.2017 – “Redução da TSU chumbada na Assembleia da República”.

 

(post em actualização permanente)

Sucupira, Portugal, mês de Janeiro do Ano da Graça de 2017


Rui Rocha,

De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério da Justiça, o estratosférico registo de actividade dos 20 tribunais reabertos em Janeiro é o seguinte: 1 julgamento, 469 atendimentos ao balcão, 380 pedidos de certificado de registo criminal e 623 actos não especificados (suponho que nestes não estarão contabilizadas diligências como limar as unhas e registar o euromilhões).

Deixando de fora o julgamento, e tendo como referência um quadro de dois funcionários por tribunal, temos que, em média, cada um destes briosos servidores da coisa pública esteve envolvido, por dia útil (é uma forma de dizer), em:

1,17 atendimentos;

0,95 emissões de registo criminal;
1,55 actos não especificados.

Numa famosa telenovela da década de 80, o Prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, passava os seus dias à espera que alguém morresse na vila para poder inaugurar o cemitério que mandara construir com o objectivo de obter o favor popular. Agora, na segunda década do sécuo XXI, não tarda teremos Costa, o nosso pequeno Paraguaçu, a queixar-se que os habitantes de Mêda, Boticas, Penela ou Portel não estão a colaborar porque não dedicam tempo suficiente à pequena criminalidade. Ao contrário do que acontecia em Sucupira, em Portugal, um dia destes, ainda morremos todos a rir. 

Considerações adicionais sobre o novo TSUnami


Rui Rocha,

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Em entrevista ao Observador, em Outubro de 2016, Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, afirmava peremptoriamente, em resposta à possibilidade levantada pelo jornalista de não ser cumprido pelo Governo o compromisso do PS de colocar o salário mínimo nacional em 557€ em 2017:

“O Governo nunca nos disse que, para esse valor, 557 euros em 2017, estivesse dependente da concertação social. O que sempre foi conhecido por todos nós é que, acima disso, é que a concertação social teria um papel”.

A sucessão de acontecimentos é, portanto, muito clara. António Costa, fazendo uso da sua proverbial fanfarronice, prometeu aos parceiros da geringonça e ao país aumentar o salário mínimo nacional para 557€ em 2017. Chegada a questão à discussão da Concertação Social, encontrou resistência das entidades patronais. Encostado à parede e vendo o tempo para um acordo esgotar-se, Costa, o negociador, que se tinha colocado a si mesmo nas mãos dos “patrões” com a promessa a que se tinha vinculado, fez o que faz sempre. Para salvar a face, chutou o custo parcial da medida para a Segurança Social, oferecendo aos “patrões” uma redução de encargos com a TSU, não articulando previamente nem com os demais geringonços, nem com o maior partido da oposição. O padrão de comportamento é o mesmo de outras ocasiões: prometer a medida emblemática para retirar posteriormente um valor equivalente por outro meio. Foi assim também na extraordinária reposição de rendimentos imediatamente compensada pela subida generalizada de vários impostos indirectos. Na verdade, na reposição de rendimentos como no salário mínimo, o esquema é o mesmo. Costa promove-se e quem paga é o contribuinte. E o esquema é o mesmo também quando as coisas correm mal porque Costa promete o que não depende dele cumprir: na Caixa Geral de Depósitos com António Domingues ou na Concertação Salarial com o salário mínimo, a culpa é do Passos.

Considerações sobre o novo TSUnami


Rui Rocha,

A estratégia de Costa na Concertação Social consistiu, resumidamente, em oferecer aos trabalhadores dinheiro dos patrões e aos patrões dinheiro da Segurança Social. Perante isto, há, de facto, uma lição de fundo ético a retirar do episódio. Mas não é aquela que tem sido divulgada por certos arautos de pragas, cataclismos e calamidades. Essa lição consiste em reconhecer que não é sério negociar apresentando-se aos parceiros como dono daquilo que não se tem. Esta lição é ainda mais grave quanto é certo que não é a primeira vez que Costa transgride esta regra de conduta essencial. Se virmos bem, foi exactamente assim que procedeu no caso da Caixa Geral de Depósitos: prometeu a António Domingues um regime de excepção que não estava nas suas mãos garantir. Os resultados são conhecidos.