Liberalidades


Rui Rocha,

O Expresso revela hoje, em 1ª página, que o ex-líder do Montepio é suspeito de receber 1,5 milhões de euros do construtor José Guilherme. Não percebo o motivo para tal destaque. Ricardo Salgado recebeu do mesmo José Guilherme 14 milhões de euros e o ilustre causídico Calvão da Silva, que serviu depois a Pátria como Ministro do último governo de Passos Coelho durante uns dias e uma inundação em Albufeira, teve oportunidade de esclarecer em parecer fundamentado que:

“O espírito de entreajuda e solidariedade é um princípio geral de uma sociedade e é natural, pois, que um amigo possa e tenha gosto em dar sugestões, conselho ou informações a outro amigo, sendo que não é a circunstância de ser administrador ou presidente executivo de um banco que o priva dessa liberdade fundamental. E se alguém decide dar dinheiro de presente (liberalidade) em reconhecimento desse conselho, como José Guilherme deu a Ricardo Salgado, isso não põe em causa a idoneidade de quem recebe”.

Cá está. Uma situação em tudo semelhante. A única diferença é o montante. Salgado e Guilherme eram mais chegados. Ou Salgado dava melhores conselhos.

0 comentários em “Liberalidades”

  1. Meu caro, hoje em conversa com um cliente fiquei a saber que a filha de um ex presidente do CES trabalha como vereadora numa câmara municipal onde reside o dito barão Laranjinha ( tudo honestissimo) Ontem soube também que um vereador do urbanismo, hoje candidato oficioso à dita câmara municipal “comprou” de forma honestissima , há uns anos, um apartamento a um qualquer construtor. Também soube que um ex autarca da mesma cidade, que até teve direito a estátua equestre, foi agraciado honestissimamente, há uns anos largos, com um dúplex no centro da cidade com direito a chave de ouro. O Poder local é um espetáculo, Zé Maria

  2. O ilustre causídico tem razão. Dar dinheiro a seja quem fôr não é crime.
    Crime é a corrupção. Mas, para provar esse crime, não basta provar que X deu dinheiro a Y, é preciso também provar que esse dinheiro foi dado em troca de um favor ilegal que Y fez a X.

  3. É tão fácil ter amigos endinheirados.
    Se,por mera ficção,a fonte jorrar perenemente,inesgotável,da fazenda pública,daremos por bem empregue o investimento em amizades duradouras.

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