Sucupira, Portugal, mês de Janeiro do Ano da Graça de 2017


Rui Rocha,

De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério da Justiça, o estratosférico registo de actividade dos 20 tribunais reabertos em Janeiro é o seguinte: 1 julgamento, 469 atendimentos ao balcão, 380 pedidos de certificado de registo criminal e 623 actos não especificados (suponho que nestes não estarão contabilizadas diligências como limar as unhas e registar o euromilhões).

Deixando de fora o julgamento, e tendo como referência um quadro de dois funcionários por tribunal, temos que, em média, cada um destes briosos servidores da coisa pública esteve envolvido, por dia útil (é uma forma de dizer), em:

1,17 atendimentos;

0,95 emissões de registo criminal;
1,55 actos não especificados.

Numa famosa telenovela da década de 80, o Prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, passava os seus dias à espera que alguém morresse na vila para poder inaugurar o cemitério que mandara construir com o objectivo de obter o favor popular. Agora, na segunda década do sécuo XXI, não tarda teremos Costa, o nosso pequeno Paraguaçu, a queixar-se que os habitantes de Mêda, Boticas, Penela ou Portel não estão a colaborar porque não dedicam tempo suficiente à pequena criminalidade. Ao contrário do que acontecia em Sucupira, em Portugal, um dia destes, ainda morremos todos a rir. 

0 comentários em “Sucupira, Portugal, mês de Janeiro do Ano da Graça de 2017”

  1. Rever as contas.

    20(tribunais)*17(dias úteis)*2(funcionários)=680

    469/680= 0,689 atendimentos/dia útil/funcionário
    380/680=0,559 …
    623/680=0,916 …

    Por tribunal é só multiplicar por dois.

  2. *****. Será que as populações em apreço tiveram receio visto a Justiça, subitamente, lhes ter praticamente batido à porta ?.

  3. Por aqui na Maia parece que a autarquia liderada pelo PSD decidiu-se, para comemorar a saída do seu autarca dinossauro, erigir uma fonte, ao jeito dos árabes, em plena praça do município. A segunda, diga-se de passagem. Orçamentada em 300.000€. Isto numa cidade que há bem pouco tempo não dispunha de uns mil € para requalificar um parque infantil, ou mesmo um bairro social da responsabilidade da Câmara. Alegadamente…..claro está!!

    Outra das curiosidades desta cidade é a quantidade de placas comemorativas em honra da obra inaugurada. – só no centro existem cerca de 4-5 delas – inaugurada por sua Excelência Engenheiro, ou Dr etc e tal e o ministro etc e tal….Uma bergonha

  4. Manual de como tratar o interior, de acordo com a nossa direita bem pensante:

    Fechar alguns serviços, as pessoas vêm-se embora para junto dos serviços.
    Utilizar esse facto como prova que os serviços não são necessários e fechar os serviços que restam.
    Se alguém abrir serviços, criticar que se estão a abrir serviços no deserto.

    No verão ficar muito admirado por o país está todo a arder.
    Propor descontos de 1000€ no IRS por cada filho nascido, como forma de convencer os habitantes que ficam no interior a procriarem como coelhos.
    Queixar-se amargamente do fim dos valores cristãos que acabam com as família de 10 filhos que mantinham o interior povoado

  5. Parece-me normal que, nos primeiros dez dias de (re)abertura de qualquer serviço, esse serviço seja pouco procurado.
    A estatística só terá utilidade a partir de, talvez, o sexto mês após a reabertura dos tribunais.

      1. E se acabassem com as exigências do registo criminal para tudo e por nada? E se delegassem nos presidentes das Juntas de Freguesia a emissão dos registos criminais de quem tem a folha limpa?
        Os JOs desaprovavam. Eles são mais por pôr a malta a abrir e a tapar buracos, aumentando assim o PIB…

        1. Essa do registo criminal de quem tem a folha limpa lembra a anedota da loira no tribunal:
          – Dormiu com Fulano?
          – Recuso-me a responder
          – Dormiu com Beltrano?
          – Recuso-me a responder
          – Dormiu com Sicrano?
          – Claro que não!!!

  6. A compra de votos, encareceu. Eleitor paparreta, come agora de borla. Mas paga depois. Portanto: este ano, ano seguinte. E enquanto vai e vem, surfista “babush” procura aquele “canhão” propulsor…

  7. Bravo, Rui, mais uma vez.
    Isto faz-me lembrar algo: Quando fechou, como outros, o tribunal em Paredes de Coura os bem falantes reclamavam contra o facto de as pessoas terem que ir a Valença (20 Km) para tratar de assuntos de Tribunal. “Uma violência!…”.
    Respondi: “Mas como? A maior parte das pessoas de cá nunca terão que ir a um Tribunal durante a vida. E eles até vão a Espanha todas as semanas fazer compras… que é logo ali depois de Valença…”
    “Ah! De facto tens razão…”

  8. Cortar as unhas e entregar o totoloto lembra-me a chamada do cidadão para a repartição e ouve uma voz dizer : não está cá ninguem, sou a senhora da limpraza; ah não sabia que de manhã não trabalham ! ; não, de manhã não vêem de tarde é que não trabalham.

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