Há dívida para além do défice


Rui Rocha,

Há um par de semanas, Portugal pagou 4,2% de juros pela emissão de dívida a 10 anos. Entretanto, em entrevista à SIC, o Presidente Marcelo sossegou-nos: logo após a emissão os juros tinham regressado a níveis muito mais confortáveis. Hoje, as yields da obrigação portuguesa a 10 anos voltaram a ultrapassar os 4,2%. Passaram oito dias desde a entrevista do Presidente Marcelo.

0 comentários em “Há dívida para além do défice”

  1. Se passarmos a vida a dizer que amanhã chove, acabaremos por acertar, mesmo que seja após longos anos de seca.
    Parece-me o caso.
    Aqueles que nunca aceitaram a Geringonça, com Passos à frente, de olhos esbugalhados e carótidas entumecidas, clamam pela borrasca, já que o diabo não veio.
    E um dia certamente choverá…
    Estranha forma de fazer política!
    João de Brito

    1. Não, João. Realmente, não. O que há é uma forma de fazer política completamente demagógica que nos vai levar novamente a graves problemas de financiamento do país.

      1. Demagógica como o chumbo da TSU por parte do PSD?
        Demagógica como o problema não resolvido do Montepio?
        Ou de como os contribuintes não iriam ser penalizados com o caso BES?

        E Rui não tenha medo dos financiamentos. As Câmaras já disponibilizam hortas comunitárias.

  2. Talvez se deva ao facto de a taxa de desemprego ter hoje ficado nos níveis mais baixos de há 10anos. Ou do défice ter ficado abaixo do limite imposto por Bruxelas. Ou da incerteza das perspectivas económicas mundiais relacionadas com as eleições francesas, políticas do BCE, ou de Donald Trampa. Ou quem sabe do preço do kg da posta de pescada.

    1. Sabe-se lá. Aqui fica então um trabalhinho para casa: preparar um graficozinho com a evolução do spread das obrigações dos vários países (escolha os 10 piores casos, incluindo o português) face à obrigação alemã. Depois falamos.

      1. O Rui Rocha só pode estar a sonhar, pensa mesmo que certas alminhas vão investigar alguma coisa?
        Vivemos no país dos que nasceram a saber tudo e, mesmo que não saibam, aprenderam a repetir o que lhes for mais conveniente
        A dívida já vai nos 135,98% e, curiosamente, o que baixou foi o Produto Interno Bruto. Nem à 3ª aprenderam que não há almoços grátis ou milagres mas, apesar de andarmos há décadas nisto, aposto que, quando isto rebentar de vez, vão culpar Trump, Brexit ou o PSD

        “The ultimate ignorance is the rejection of something you know nothing about and refuse to investigate” – Wayne Dyer

        1. Composição de Anafranil
          Cada drágea contém 25 mg de cloridrato de clomipramina. 
          Excipientes: ácido esteárico, dióxido de silício, amido, hipromelose, celulose microcristalina, dióxido de titânio, estearato de magnésio, glicerol, lactose monoidratada, óxido férrico amarelo, macrogol, povidona, copovidona, sacarose, talco e palmitato de cetila.

          Para que serve Anafranil
          Anafranil® é usado para tratar a depressão e distúrbios do humor. Outras condições psicológicas que podem ser tratadas com Anafranil® são as obsessões, estados de pânico e fobias (medo irracional), condições de dor crônica e fraqueza muscular (cataplexia) associados com ataques repetidos de sonolência excessiva (narcolepsia) em adultos, ejaculação precoce. Em crianças acima de 5 anos, Anafranil® é utilizado para tratar obsessões e incontinência urinária noturna.

          Princípio ativo de Anafranil® é o cloridrato de clomipramina, o qual pertence ao grupo de medicamentos conhecidos como antidepressivos tricíclicos. Acredita-se que o Anafranil® aumenta a quantidade da ocorrência natural de mensageiros químicos (noradrenalina e serotonina) no cérebro ou faz seus efeitos durarem mais tempo.
          Se tiver alguma dúvida sobre como Anafranil® funciona ou porque anafranil foi receitado, pergunte ao seu médico

          1. Por acaso desconfiei que o meu caro Achtung andasse a tomar qualquer coisa e, agradeço a sua preocupação com o meu bem estar mas, dispenso porque isto de viver num estado lúcido, realmente não é para todos.
            No entanto, talvez seja bom perguntar ao seu médico, se não lhe pode receitar umas drogas para a inteligência que já tenham sido testadas em humanos e, tenho pena, não poder ser tão precisa em nomes como o Achtung porque nunca precisei tomar nenhuma

      2. Rui:
        Quer o gráfico, aqui o tem:
        https://eco.pt/2017/01/30/juros-da-divida-aceleram-estao-nos-42/
        Como pode ver, os juros da dívida têm subido sempre desde Dezembro de 2016.
        Anteriormente vinham das profundezas da Terra, de tanto terem descido.
        É evidente que não é bom a subida, mas, quem quiser ser honesto, tem de admitir as razões da subida, que são várias: não a única que o Rui, e muitos outros Ruis, nos querem fazer crer.
        E partem de outro pressuposto que, nem o Rui nos pode confirmar que seria ao contrário da situação actual, nem os que não pensam como o Rui podem confirmar que não seria como actualmente: com o anterior governo estariam chãos, a zero ou perto disso.
        ————————
        P. S. Afinal, meti água, fui buscar os dados a um jornal «marxista», o ECO-Economia Online, portanto, os dados devem ser marados.

        1. Os juros da dívida portuguesa nos mercados externos re-começaram a subir em Fevereiro de 2016, aquando da apresentação do 1o. OE geringonço. Nessa altura, tiveram um primeiro pico acima dos 4% (divida a 10 anos), mas depois, e até ao verão, a sua variação ocorria entre 3-3.3%. [Note-se quem em 2015, o yield médio terá descido até aos 2.5%, isto depois de, aquando da bancarrota xuxó-socretina, se ter situado acima dos 12-15%]. Nesta altura, para os outros países europeus, observa-se uma substancial queda nos yields a 10 anos – a Espanha, a 10 anos paga 1,5% até Julho, e entre Agosto e Novembro, em media 1%. Nos últimos meses volta a níveis de 1,5%; a Itália, 1,2 a 1,7%, com um crescimento desde Dezembro entre 2 e 2,2%.
          Em Agosto, o yield dos títulos do tesouro a 10 anos até desceu abaixo dos 3% [2.5-2.8%] mas com os inícios da discussão do OE2017, retoma uma subida na banda 3.5-4%. Em Janeiro de 2017 (isto é, este mês) ainda se observa um período em torno de 3,5%, mas a partir de 25 Janeiro é sempre a subir – hoje, encerrou a 4,28%.

          1. Quando as notícias são positivas não auguram nada de bom.
            Há dias, Portugal pôs dívida no mercado a 6 e 12 meses com juros negativos, piu, nem uma notícia, quanto mais discussão.
            Já passou, os juros a 10 anos voltaram a subir, agora sim, agora é que é bom.
            E que tal uma leitura um pouquinho mais informada?
            http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2017/01/quando-as-noticias-positivas-nao.html

          2. Com tanta subida e descida até fico tonto!! Daqui a umas semanas descem. E depois sobem. E descem outra vez…e depois, depois quem sabe? Desaparecem, ou desaparecemos.

          3. Louvo-lhe o esforço. jorg. Mas saiba que esta malta não quer saber da verdade, esta gente só quer saber da pós-verdade, ou de “factos paralelos”, como já se ouviu dizer.

          4. Tiro, aposto consigo 50€ em que como juros da divida soberana hão-de baixar a fasquia dos 4% até final do ano. Até lhe forneço um email para que me possa enviar o seu NIB (penso que o Manuel da Silva e o Luck também quererão entrar).

          5. Amigo, não gosto de jogar a dinheiro. Mas, se apostasse ganharia. Infelizmente.
            Acredite que Portugal, se não mudar de rumo, não conseguirá colocar dívida pública a menos de 4%. E se o BCE reduzir muito a compra da nossa dívida, então os juros vão passar os 5%. O mesmo é dizer que, assim me parece, estamos lixados.
            Todavia, acredite que eu ficaria contente se se vier a verificar que estou enganado.

          6. Jorg, aposto consigo 25€ em que como juros da divida soberana hão-de baixar a fasquia dos 4% até final do ano. Até lhe forneço um email para que me possa enviar o seu NIB.

        2. O Manuel Silva parece daqueles alunos que faz os deveres à última hora. O TPC que mandei para casa foi o do gráfico da evolução dos spreads da dívida face à Alemanha de dez países à escolha…

      3. Portugal acompanha a tendência verificada nos restantes países periféricos da Zona Euro. A “yield” espanhola a 10 anos segue a subir 6,5 pontos base para 1,651% enquanto a italiana está a crescer 11 pontos base para 2,336%. Também a taxa de juro associada às “bunds” alemãs a 10 anos está a subir 3,1 pontos base para 0,493%.

        http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/mercados-num-minuto/detalhe/abertura-dos-mercados-bolsas-no-vermelho-e-juros-da-divida-portuguesa-acima-dos-42?ref=Mercados_outros

        Nos últimos seis meses, os juros a dez anos desceram até ao mínimo de 2,679% (Governo da Geringonça) em 15 de agosto e subiram até ao máximo de 3,839% em 18 de novembro (Governo da Geringonça).

        http://expresso.sapo.pt/economia/2017-01-03-Juros-da-divida-de-Portugal-descem-a-dois-anos-mas-sobem-a-cinco-e-dez

        Rui, espere mais um nico que eles, os juros, já descem, sobem, ou ficam iguais.
        O enredo dos mercados é como a novela da TVI, a Impostora. Deixa-me tonto

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