Happy Halloween!
Rui Rocha,
Agora é só esperar que Machete se descaia e revele a sua identidade.
Não satisfeito com o comportamento inqualificável de revelação em público de assuntos que deveriam estar sujeitos a reserva absoluta, Rui Machete dedica-se agora a negar o que não pode ser negado. A indicação de que um grupo de 2 a 3 pessoas de um universo de 12 a 15 pretende desertar é, obviamente, uma quebra lamentável de sigilo relativamente a um tema que deve ser tratado com pinças. Pedro Passos Coelho, entretanto, também já se apressou a manifestar solidariedade com o seu ministro. Pelo visto, as declarações de Machete não lhe causaram incómodo. Nada que surpreenda, realmente, em quem já nos habituou a escolher no mesmo sentido (errado) sempre que se trata de decidir entre ser solidário com incompetentes ou ser solidário com Portugal e com os portugueses. No meio desta falta de vergonha e trambiqueirice, só tenho pena de uma coisa. É de facto lamentável que, com o jeito que Machete tem para guardar um segredo, Passos Coelho não lhe tenha confiado informação sobre os valores que recebeu da ONG da Tecnoforma que agora, apesar do seu esforço, não consegue recordar. Machete não tardaria a pôr a boca no trombone. Depois bastar-nos-ia soprar ao ouvido de Passos Coelho que um dos seus 14 ou 15 ministros, homem, já entradote e com o primeiro nome começado por erre, tinha cometido uma terrível inconfidência. Creio que Passos Coelho e Machete ficariam de imediato esclarecidos sobre a gravidade, que persistem em ignorar, das suas omissões e dos seus actos.
Uma da manhã ei bem bom
Duas da manhã bem bom
Outra vez uma da manhã ei bem bom
No dia em que mudamos para a hora de Inverno, os relógios parados têm razão duas vezes podem ter razão três vezes.
A fotografia de José Palazón, da ONG Prodein, é um instantâneo sobre pobrezas. O campo de golf de Melilla foi pago com fundos da União Europeia. Dois milhões de euros para “reduzir as diferenças de desenvolvimento entre as diferentes regiões da UE”. Suspensos da ironia, aí os temos. Doze seres humanos pendurados numa barreira. Como aves que encontram nos fios eléctricos uma réstia de calor que os ajuda a suportar o Inverno. Em Melilla faz calor por estes dias. Mas os doze seres humanos, como muitos outros milhares, antes e depois deles, já decidiram. É melhor arriscar a vida nas lâminas pontiagudas da barreira, desenhada para os manter lá no fundo, do que ficar atrás dela, sumidos na miséria. As lâminas da barreira são o mais próximo que conseguirão estar da ilusão do conforto. Como os pássaros pendurados no fio estão do calor, no Inverno. Doze seres humanos por um fio, lá em cima. E um par de golfistas humanos, no verdejante campo construído com fundos destinados a promover a igualdade, cá em baixo. Doze acima do par. O instântaneo capta o momento em que a bola já partiu. O golfista dos imaculados calções brancos completa o movimento técnico perfeito da tacada enquanto a bola voa em direcção ao teu destino. Podes virar as costas. Podes fechar os olhos. A bola vem direitinha à tua cara.
Passos Coelho recua e garante que cidadãos prejudicados poderão recorrer a uma cláusula de salvaguarda que lhes permitirá manterem-se pela hora de Verão. Entretanto, o primeiro-ministro garantiu ainda que a hora agora perdida poderá ser recuperada já em Abril de 2015 se a arrecadação fiscal for superior ao esperado.
se acaso tiver chegado aos vossos ouvidos, que Alá os proteja assim sensíveis aos sons como são, que o nosso ministro Rui Machete declarou que algumas das jovens portuguesas que vos acompanham pretendem regressar, assim pondo a respectiva segurança em inconcebível perigo, rogo-vos que não deis crédito a tais notícias. Sabei, ó emissários de Alá e intérpretes da sua vontade, que o nosso ministro é um rematado palerma e que Alá lhe concedeu aparentemente dois dedos de testa, mas nada mais desses dois dedos para dentro. Assim, permanecei serenos e amigáveis com as ditas jovens a quem permitis a suprema dádiva de partilhar as vossas vidas escolhidas. Não lhes deis, a graça de Alá permita que estas minhas palavras cheguem aos vossos ouvidos, assim sensíveis como são, nenhuma carga de porrada nem lhes corteis nada que lhes faça falta. Acreditai, até que as jovens escolhidas possam pôr-se ao fresco, assim o nosso apalermado ministro se cale por uns dias, que não desejam elas outra coisa que permancer ao vosso lado, bem sabendo que Alá não tem outra vontade, e assim esta se faça.
Sempre desconfiei que fosse assim. Aquele bico improvável, o corpo desengonçado, o olhar quase triste, a indiferença com que aparentemente escolhem a torre de uma igreja ou um poste de distribuição de energia para nidificarem não permitiam grandes dúvidas. Agora, em todo o caso, confirma-se. As cegonhas assistem ao mundo com um profundo sentido de ironia. O jornalista esmiuça a questão. Traz análises e variáveis. O facto aí está: os ninhos de cegonha-branca aumentaram em Portugal mais de 50% nos últimos dez anos. O jornalista explora as razões que estão na origem do fenómeno. Será o esforço legislativo de protecção das aves, a actividade das associações ambientalistas, a eventual existência de um visto gold para plumíferos, quem sabe, o carinho das populações, que justifica esta evolução? Afinal não. A realidade é um bocadinho mais prosaica. Há mais ninhos porque as chegonhas-brancas já não fazem a migração sazonal para outras paragens. Já não morrem na viagem. E ficam porque há mais lixo. Em lixeiras ou em aterros. E porque há uma praga de lagostins vermelhos. Porque entre umas coisas e outras há mais alimento. Isto é o que nos diz o jornalista. E com isto já teríamos, na verdade, ironia bastante. E ironia teríamos também no facto de as cegonhas ficarem agora que tantos portugueses acabam por partir. Mas creio que a coisa pia ainda mais fino. Ao jornalista escapou o essencial. Faltou ao trabalho jornalístico o cruzamento dos números da proliferação de ninhos de cegonha com os da natalidade humana destas paragens. A ironia suprema está nisso. As cegonhas brancas deixaram de migrar porque já não encontram trabalho na carreira Portugal-Paris onde iam, periodicamente, buscar os nossos bebés.
O que fazia o Deportivo de Oporto numa eliminatória da Taça de Portugal?
António Costa está, mal comparado, na posição do velho comunista a quem fizeram um teste de lealdade:
– Se tivesse uma casa de praia, seria capaz de a ceder à revolução para que o povo pudesse desfrutar dela?
– Claro que sim.
– E se tivesse uma viatura, também a entregava?
– Sem dúvida.
– E um barco?
– Se tivesse um barco entregaria as chaves agora mesmo.
– E se tivesse uma bicicleta?
– Ah, não! Isso não. Não tenho casa de praia, nem viatura, nem barco. Mas bicicleta tenho!
O problema de Costa é exactamente o mesmo. Pode tudo até ao dia em que tiver de dar ao país o seu próprio orçamento.
À primeira vista, não deveria ser complicado estruturar uma crítica radical ao extremismo islâmico. Todavia, existe uma certa esquerda que se deixa assombrar por um indesmentível desconforto quando se trata de condenar expressamente as barbaridades cometidas pelos extremistas. A razão dessa incomodidade resulta, se não estou enganado, do facto de o extremismo islâmico colocar essa esquerda perante uma interpelação directa dos dogmas de fé que vai professando. Vejamos. O primeiro dogma dessa certa esquerda é o da negação da responsabilidade individual. Numa certa interpretação do mundo, todos os comportamentos desalinhados com um determinado padrão civilizacional são explicáveis através de motivações e circunstâncias sociais, políticas e económicas. A desresponsabilização por atitudes e comportamentos é inevitável. E sem responsabilidade não pode haver condenação. O segundo dogma esquerdista é o relativismo cultural. Todas as culturas são igualmente boas e nenhuma pode ser considerada especialmente propícia ao desenvolvimento da humanidade. Em conformidade, qualquer juízo de valor sobre determinado acontecimento está à partida condicionado. Não há juízo sem padrão civilizacional que sirva de referência. O terceiro dogma é o da equivalência moral. Na verdade, o único postulado moral absoluto que uma certa esquerda considera aceitável é aquele que diz que não há um juízo moral absoluto. Na falta de uma ideia definitiva de bem (ou de mal) , qualquer comportamento pode ser medido numa escala variável que é tendencialmente benigna e tolerante, independentemente da sua gravidade. A evidência é a de que o islamismo radical, como uma caricatura que enfatiza e exagera as características do modelo original, coloca essa esquerda perante as limitações insuperáveis da sua forma de entender o mundo. Não admira pois que a fractura fique exposta quando o politicamente correcto, bandeira última dessa esquerda, é confrontado com o entendimento que o islamismo radical tem do papel da mulher na sociedade ou com o tratamento que reserva a determinadas orientações sexuais.
As gargalhadas arrancam-se. Em contrapartida, dão-se bofetadas.
Basta lembrar que uma eventual epidemia de Ébola será acompanhada pela mesma equipa ministerial que gere o Citius e que conduz o processo de colocação de professores.
Ou o estranho caso do ministro que estava formalmente vivo e, em simultâneo, politicamente morto.
Não chateies, tenho os meus próprios problemas.
Mas claro. A fome não é contagiosa.
Milhares de alunos x 0 professores +(professores colocados e depois despedidos x ministro tapado por faltas à verdade) + (1 professor colocado x 10 escolas) + (2 professores / 1 único horário) = demissão
Não é uma opinião. É uma evidência matemática.