À primeira vista, não deveria ser complicado estruturar uma crítica radical ao extremismo islâmico. Todavia, existe uma certa esquerda que se deixa assombrar por um indesmentível desconforto quando se trata de condenar expressamente as barbaridades cometidas pelos extremistas. A razão dessa incomodidade resulta, se não estou enganado, do facto de o extremismo islâmico colocar essa esquerda perante uma interpelação directa dos dogmas de fé que vai professando. Vejamos. O primeiro dogma dessa certa esquerda é o da negação da responsabilidade individual. Numa certa interpretação do mundo, todos os comportamentos desalinhados com um determinado padrão civilizacional são explicáveis através de motivações e circunstâncias sociais, políticas e económicas. A desresponsabilização por atitudes e comportamentos é inevitável. E sem responsabilidade não pode haver condenação. O segundo dogma esquerdista é o relativismo cultural. Todas as culturas são igualmente boas e nenhuma pode ser considerada especialmente propícia ao desenvolvimento da humanidade. Em conformidade, qualquer juízo de valor sobre determinado acontecimento está à partida condicionado. Não há juízo sem padrão civilizacional que sirva de referência. O terceiro dogma é o da equivalência moral. Na verdade, o único postulado moral absoluto que uma certa esquerda considera aceitável é aquele que diz que não há um juízo moral absoluto. Na falta de uma ideia definitiva de bem (ou de mal) , qualquer comportamento pode ser medido numa escala variável que é tendencialmente benigna e tolerante, independentemente da sua gravidade. A evidência é a de que o islamismo radical, como uma caricatura que enfatiza e exagera as características do modelo original, coloca essa esquerda perante as limitações insuperáveis da sua forma de entender o mundo. Não admira pois que a fractura fique exposta quando o politicamente correcto, bandeira última dessa esquerda, é confrontado com o entendimento que o islamismo radical tem do papel da mulher na sociedade ou com o tratamento que reserva a determinadas orientações sexuais.
O extremismo islâmico e a esquerda que se confronta com as limitações da sua própria visão do mundo
Rui Rocha,

o título do post é um bocado enganador, independentemente de se concordar ou não com o que nele é desenvolvido, pois expõe a “esquerda” e afinal não fala se não numa “certa esquerda”, pelo que também se pode entender que para o postador existirá pelo menos uma outra esquerda, que na sua avaliação poderá ser eventuamente a “esquerda certa”.
Muito bom.
A posição de atribuir a alguém (que é sempre quem fala) a verdade absoluta e a absoluta superioridade moral coloca alguns problemas, para além da falta de humildade muito pouco cristã.
Pressupõe o imobilismo – não se pode ser superior ao máximo logo quem disser algo diferente da verdade aceite está enganado.
Ao não procurar compreender as dinâmicas que levaram à criação do islamismo radical não conseguirá evitar nunca que as situações se repitam, andará a lutar na última guerra eternamente.
Dá argumentos ao inimigo. Se existe uma verdade absoluta, como Deus não vem à Terra todos os dias, quem escolhe o Islão radical, não está enganado – ouviu o imã dele em vez de ouvir o nosso padre.
Comete o pecado do orgulho. Ao convencer-se que o inimigo é burro, estúpido e mau, não tenta compreendê-lo e acaba por ser supreendido por ele. Quase ninguém antecipou que uns imãs fanáticos criariam um país a partir do nada.
Se gosta de sítios sem relatividade moral, onde as verdades absolutas são dogmas de fé e onde existe um castigo rápido para quem não as respeita, existe neste momento um país onde isso acontece, entre o Iraque e a Síria. Pessoalmente prefiro viver com dúvidas, embora reconheça que por vezes pensar é muito mais difícil.
Estou plenamente de acordo consigo se entender que o fenómeno em questão está muito além do islamismo radical. Creio que estamos perante um radicalismo social de quem não encontra, por vedado, um sentido na vida para além o de agarrar e dar vazão a suas frustrações.
Há uma faceta neste conflito que convém ser rejeitada, que é o da supremacia civilizacional, que encapota interesses e condutas, para justificar o injustificável.
Condeno em absoluto os linchamentos. Todavia a pergunta que subsiste é a seguinte: em que é que esses linchamentos são mais sujos e/ou menos morais que os estropiamentos físicos e morais causados a crianças, mulheres e homens por bombas de fragmentação, ou outro tipo de bombas, e também por munições que usam matéria radioactiva?
Leai-se agarrar em armas.
Muito bem. Subscrevo.
Alguma gente de esquerda encontrou uma solução: chama fascismo islâmico ao islamismo do IS.
Assim se conforta a cabecinha e se evitam problemas demasiado complexos.
Rui Rocha dá demasiado crédito à Esquerda.
A Esquerda não nega a responsabilidade individual. Pelo contrário é a ameaça à sua estrutura de poder .
É uma das coisas que a Esquerda quer destruir. Até se quisermos ser mais precisos a Esquerda quer é destruir a possibilidade de um pessoa poder ser independente.Poder mudar. Poder Escolher.
Com responsabilidade individual e escolha a Esquerda fica sem poder desenhar a sociedade. Logo não deixa de existir.
Para combater precisa de criar armas intelectuais que implicitamente angariem votos para contrariar tal hipótese.
Uma delas como disse é estruturar realidade em Grupos. Outra o Politicamente Correcto, mas note-se que PC só se aplica para os grupos que podem ser explorados para atacar o individuo.
Não se pense no entanto que é doutrina, que a Esquerda considera valida a divisão da sociedade em Grupos – obviamente tirado do Fascismo e da Sociedade Corporativa – ou que a Esquerda é Politicamente Correcta.
Nada disso.
Grupos e o Politicamente Correcto são apenas instrumentos para angariar votos. ctivists-have-met-their-match-with-musli m-barbers
Ligados obviamente ás políticas de imigração maciças.
São conceitos utilitaristas.
Se a Esquerda ganhar mais poder com o Islamismo e para isso for preciso deixar cair a violência doméstica contra mulheres deixará. Se for preciso deixar cair os gays e a lésbicas deixará. http://www.torontosun.com/2012/11/16/gay-a
Tudo mudará quando a Esquerda chega ao Poder. Os Grupos desaparecem e o Politicamente Correcto é só um. O do Estado Totalitário.
De onde todos são dependentes o que permite à Esquerda desenhar a Sociedade Perfeita.
Qual certa esquerda?
E a esquerda certa?
Se a asneira pagasse imposto, o post e os comentários davam para acabar com o défice em Portugal. Olha, está aí uma ideia, não? O Passos-Tecnoforma chamava-lhe um figo. E daí talvez não porque o autor do texto e os comentadeiros fazem propaganda ao governo e estão isentos. Mas, pronto, fica a ideia para se aplicar a um blog esquerdista.
Vou dar a minha visão dos três dogmas -Responsabilidade individual lembra-me logo a decisão de invadir os países com argumentos mais que fabricados, que havendo responsabilização nunca poderiam acontecer e acontecendo deviam ter uma condenação no mínimo idêntica a que temos contra as barbaridades dos fanáticos – com um desculpa eles provocam muito menos mortos e estão na sua terra; não são os invasores. 2º Aquela barbaridade não é aceitável na UE nem é defendida por ninguem aqui, nem pelos irmãos de seita que cá vivem. Baralhar as coisas com uns malucos que se vão alistar e que vale a pena analisar como chegam a isso(noutro debate claro) não é discutir sério.
3º O assustador que é ver declarações de muitos anglosaxoes incluindo o Camarão que queria tirar os passaportes é que nos faz pensar que eles talvez no fundo se equivalam; mais triste é ver a UE a não ter a sua postura própris e alinhar em cruzadas contra os infieis. Uma visita com tempo aos povos arabes talvez ajudasse a quem tem vontade disso a relacionar os seculo 15 da nossa religião com o sec 15 da deles que por acaso é agora. E quem anda a invadir e roubar as suas riquezas e países?
Why the Left Will Not Admit the Threat of Radical Islam averick_philosopher/2014/10/why-the-left-w ill-not-admit-the-threat-of-radical-isla m.html
Maverick Philosopher by Bill Vallicella
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