A mulher de Sócrates


Rui Rocha,

Não é surpresa para ninguém. A mulher de Sócrates sempre foi conhecida pela sua natureza verborreica, irascível, desabrida e despeitada. Conta-se que, em determinada ocasião, o casal terá mantido mais uma violenta discussão.  Sócrates, cansado, terá decidido sentar-se nos degraus exteriores da casa que partilhavam. Logo de seguida, a sua consorte, que ainda não desabafara tudo, despejou-lhe em cima uma bacia de água suja perante o espanto da vizinhança e dos transeuntes. Perante tal ofensa, Sócrates manteve, todavia, uma calma surpreendente e terá comentado: depois de tanta trovoada, é natural que chova. Convém aqui esclarecer, não vá provocar-se algum mal-entendido, que este episódio conjugal diz respeito ao casal constituído por Sócrates e Xantipa e ocorreu na Grécia há milhares de anos. Que a ex-mulher de outro Sócrates revele por estes dias idêntico mau feitio só prova que Marx estava certo: a história repete-se como farsa. E o acto de contrição desta Xantipa lusitana só vem reforçar a linha de fina ironia de toda a situação. Ela penitencia-se. Ele mantém-se penitenciário.

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Tudo como as mães, menos celebrar missa


Rui Rocha,

Depois de há uma semana ter mostrado ao mundo como se pode instrumentalizar de forma cretina o drama de uma criança para promover uma cruzada, o Padre Portocarrero de Almada decidiu agora dedicar uma crónica ao tema da exploração das mulheres trabalhadoras. O cerne da questão estará, na palavra do bondoso sacerdote, na hostilidade e desconfiança com que as entidades patronais encaram a maternidade. Está bem visto e é verdade. Aliás, se dúvidas houvesse, aí teríamos o exemplo das irmãzinhas dos conventos do Estado do Vaticano que, afastadas que estão da condição da maternidade por chamamento e voto de castidadade, gozam de imediato de uma assinalável paridade de tratamento face aos bispos, arcebispos e cardeais purpurados. Percebe-se assim o notável grito do padre tão pio em favor das mulheres: que as mães possam ser tudo o que quiserem profissionalmente e que as suas filhas possam fazer tudo, como as mães. Tudo menos, naturalmente, celebrar missa.

Bah!


Rui Rocha,

Ao que parece, Ferro Rodrigues quer desafiar Passos Coelho para um debate com António Costa. O Rodrigo comenta aqui, mas falha o alvo. Na verdade, o debate que todos queremos ver é entre Passos Coelho e Paulo Portas.