
Sapatinho à fosga-se, casaco verde e meia a fazer pandã.

Sapatinho à fosga-se, casaco verde e meia a fazer pandã.

“Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. O pinhal vai ser pinhal e só é pinhal se tiver pinheiro. Mas, para nós termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro e tenha a boa composição e o bom ordenamento que ajude à sua resistência”.
António Costa, 22 de Janeiro de 2018
Um vírus? Agora as escutas foram danificadas com um vírus? Porra. Ainda sou do tempo em que o Pinto Monteiro tinha de cortar as escutas do Sócrates à tesoura.
– Estou sim?
– Boa tarde. Estou a falar com o Senhor Rui Rocha?
– O próprio…
– Boa tarde, Senhor Rui Rocha. O meu nome é ***** ******* e estou ligar-lhe para efeitos de controlo de qualidade da linha da Via Verde.
– …
– O Senhor Rui Rocha ligou para a linha da Via Verde em Agosto. Está recordado?
– Bem vê, estamos em Dezembro. Passaram três ou quatro meses…
– Então o Senhor Rui Rocha não se lembra?
– Lembro, claro. Estava a brincar consigo. Nunca me esqueço das chamadas que faço para a linha da Via Verde. Era só o que faltava.
– Nesse caso, vou pedir-lhe que responda a algumas perguntas.
– Muito bem. Mas vou precisar que aguarde uns momentos para eu consultar o meu caderninho onde aponto as coisas importantes que me acontecem na vida por ordem cronológica. Não desligue.
– Er… muito bem Senhor Rui Rocha.
(2 minutos)
– Senhor Rui Rocha?
– Sim.
– Estava só a confirmar que continuava aí. Já tem as informações?
– Ainda não. Acabei de passar Novembro. Estou mesmo a entrar em Outubro. Menos mal qua a chamada não foi em Maio ou em Fevereiro. Mantenha-se em linha.
– (2 minutos)
– Senhor Rui Rocha?
– Sim.
– O Senhor Rui Rocha não está a consultar um livrinho, pois não? Está só a gozar connosco, não está?
– Estou. Mas vocês é que começaram.
– Muito obrigado, Senhor Rui Rocha.
– Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta.
– Conta, Tó, conta!
– Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste que o José Eduardo dos Santos tinha a família toda metida em altos cargos?
– Ahahahah!
– Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino… ai como é que se chama o gajo?
– O Eduardo Cabrita?
– Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste esta coisa da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah!
– Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste esta história da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah!
– Depois vou à filha do Vieira da Silva… ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?
– A Mariana, a Secretária de Estado?
– Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquilo da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah!
– Depois vou à Sónia Fertuzinhos e digo: o Eduardo dos Santos e a família…
– Ahahahah!
– Depois vou à Ana Catarina Mendes e digo: já viste isto da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah!
– Depois vou ao irmão da Ana Catarina Mendes…
– O que é Secretário de Estado?
– Esse! E digo: e esta coisa da família do Eduardo dos Santos, hã?
– Ahahahah!
– Depois vou ao Zorrinho…
– E quê, Tó, e quê?
– E digo: e aquilo da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah!
– Depois, ligo à Rosa Matos Zorrinho a desejar-lhe boa sorte nas funções de Secretária de Estado e digo: e aquela coisa da família do Eduardo dos Santos?
– Ahahahah! Que sacana. E depois, Tó, e depois?
– Depois fui ao Carlos César.
– Ahahahah!
O ministro Vieira da Silva esteve ao lado de Sócrates mas não viu. Foi membro dos órgãos sociais da Raríssimas mas não descobriu. Queira Deus que nunca tenha recebido um mail do Príncipe da Nigéria.
De entre estas, as daqueles que passam o tempo à espera que aconteçam tragédias nos fogos da Califórnia ou em qualquer outro local para justificar ou desvalorizar o que se passou em Portugal em 2017 são particularmente miseráveis.

Não façamos da situação do Infarmed um drama. Em regimes que o simpático Jerónimo e a aguerrida Catarina apoiam, estas deslocalizações de centenas de pessoas por decisão unilateral do Estado são comuns. E nem sempre para locais tão agradáveis como o Porto.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana
Vamos lá ver, pazinhos. Em 2016 disseram que estava a ser um ano terrível porque morreram o Prince e o Bowie. Agora dizem que 2017 está a ser um ano terrível porque morreu o Zé Pedro. Na verdade, não é bem isso. À medida que o tempo passa, é natural que desapareçam os ícones. Os anos não são nem mais nem menos terríveis. Estamos é a ficar velhos.
Isto é uma merda. A Mariana Mortágua esfrega o chão, faz o comer, trata dos filhos, passa a roupa do Costa a ferro, dobra-lhe as camisolas interiores, arruma-lhe os peúgos brancos na gaveta de baixo da mesa de cabeceira. E depois, o gajo anda na rambóia com a EDP. A Mortágua esbraceja, grita, ameaça, diz que faz e acontece. Mas no dia seguinte lá está outra vez com a esfregona na mão ou a coser-lhe as trusses enquanto o fulano vai ter com a outra. Na rua, a Mortágua anda com a cabeça muito direita, caminha muito digna. Mas todo o bairro vê o que se passa. O bardina sabe que é bonito e aproveita-se da fraqueza dela.
– Não há dinheiro para tudo;
– Não há problema em deslocalizar trabalhadores mais de 350km;
– Devemos ficar felizes pelo “Portugal cumpridor” das obrigações assumidas junto das Instiuições europeias;
– As pessoas estão primeiro mas apenas se continuarem a pagar IMI por casas que arderam na tragédia dos incêndios;
– O trabalho ao Domingo pode ser pago em vales de desconto do Pingo Doce.
Mais duas semanas assim e temos de pedir a intervenção da troika para nos salvar destes austeritários cegos e fundamentalistas.
Constato que os caríssimos andam por aí a gozar com o Morais Sarmento por este apoiar o Gui Guio. Consideram, portanto, que a coisa funcionaria melhor se apoiasse o Pedgo?
1 – É óbvio que o governo utilizou o estudo do focus group e o evento de hoje em Aveiro como instrumento de propaganda política. É, pois, uma imoralidade utilizar dinheiros públicos para financiar uma acção promocional descarada de Costa y sus muchachos.
2 – A validade da metodologia e a probidade de quem agora ou antes (Carlos Jalali ou Marina Costa Lobo) conduziu o estudo não estão em causa. Mas o que é claro é que os académicos não perceberam (ou não quiseram perceber) que uma coisa é a validade científica e outra, bem diferente, é a instrumentalização do seu trabalho para uma manobra de lavagem e promoção de imagem à custa do dinheiro do contribuinte. A intervenção de hoje de Jalali, focada na metodologia e na sua credibilidade, é bem o exemplo disso. Não é obviamente esse o ponto fundamental da discussão. É penoso ver alguém com créditos académicos prestar-se ao papel de idiota útil ao serviço dos propósitos do governo.
3 – O evento está, em todo o caso, morto e enterrado. Aquilo não funciona. Não há entusiasmo. Não há sequer aparência de contraditório que crie uma percepção de credibilidade. Nada daquilo é verosímil. Se o que Costa pretendia era projectar uma imagem de proximidade e transparência, tudo o que conseguiu provocar foi um enorme fastio. Não fosse a polémica prévia e ninguém teria suportado aquilo mais de 10 minutos. Assim, os mais resistentes terão chegado aos 15. Este modelo de comunicação não conseguiria entuasiasmar um exército de formigas ainda que lhes acenasse com um pacote de açúcar.
4 – O governo deu este fim de semana dois sinais claros de que se encontra numa situação fragilizada e que sente que perdeu o contacto emocional com os eleitores. Ontem, pôs todos os ministros na estrada, nas mais diversas iniciativas um pouco por todo o lado. Eduardo Cabrita esteve na inauguração do Centro Regional do Sistema de Alerta de Tsunamis, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Centeno visitou a Alfândega do Aeroporto de Lisboa. Manuel Heitor, da Ciência e do Ensino Superior, foi a Matosinhos e a Braga para lançar uma nova iniciativa – «Manhãs Com Tecnologia». Hoje, foi o que se viu. Uma tentativa falhada de falar com o país em ambiente controlado, fazendo lembrar, nos propósitos e no contexto, as Conversas em Família de Marcello Caetano. Seguramente, não será pondo os membros do governo a esvoaçar como libelinhas tontas ou com iniciativas de comunicação postiças que Costa recuperará da imagem que, por sua inépcia, viu degradar-se nas últimas semanas.
“Venha cá, querida. Venha cá ao Costa. Tem de ter muita força, coração. Muita força, hã!!! E em Novembro não se esqueça de pagar a prestaçãozinha do IMI da casa que ardeu, meu anjo.”
Um dos riscos de situações como a que está a acontecer em Angola é provocar fenómenos de imitação. A certa altura, Vieira da Silva pode cair na tentação de tentar substituir todos os parentes de Carlos César que trabalham na Administração Pública por familiares seus.
Tenho ideia que este que vou indicar já foi blogue da semana aqui no DO alguma vez. Mas se foi (não fui confirmar), presumo que tenha sido pelas razões erradas. Pela política, pela religião, pela literatura, pela educação, enfim, coisas que não são propriamente entusiasmantes. O que distingue verdadeiramente o Destreza das Dúvidas é o conhecimento de roupa interior feminina e é por isso que devem ir lá ver. Para além disso, concedo, alguma daquela malta parece ter lido uma coisa ou outra do Kahneman, o que também lhes fica bem.