Pronunciou “catastrófico” com quase todas as letras.
Cavaco não poupou nas palavras
Rui Rocha,
Pronunciou “catastrófico” com quase todas as letras.
Soares pôs o socialismo na gaveta. Costa quer metê-lo no governo.
O Costa que não venha depois com desculpas: líder de governo apoiado por marxistas-leninistas veste fato de treino.
Cavaco indigita Passos Coelho. Passos Coelho não consegue acordo com o PS. O Governo minoritário de Passos Coelho apresenta ao Parlamento um Programa de Governo declacado sobre o Programa Eleitoral do PS. Avulta, entre outros, o propósito de promover a educação de adultos. António Costa é acometido por uma febre súbita e tem de ausentar-se no momento em que o PS acaba, depois de muitos avanços e recuos, por abster-se, viabilizando a continuidade em funções do Governo. Costa fica melhorzinho. O Governo de Passos Coelho apresenta no Parlamento um Orçamento decalcado sobre o Cenário Macroeconómico do Centeno e que segue muito de perto o Programa Eleitoral do PS e as medidas que Costa foi prometendo de forma avulsa. Avultam, entre outras, uma verba generosa para a educação de adultos, as descidas do IVA da restauração e da TSU, esta compensada pelo aumento das portagens em todo o país, com excepção das da zona da Covilhã (onde baixam significativamente). Costa desmaia e é retirado do hemiciclo em braços.
António Costa, depois de revelar discrepâncias insanáveis em matéria de educação de adultos, deixou no ar ameaças terríveis que pairam sobre o país. Temo bem que os próximos dias tragam péssimas notícias sobre a Universidade Aberta.
Quem diria que um tipo se pode meter em tais trabalhos só por emprestar dinheiro a um amigo?
O sistema sofreu um giro copernicano nos últimos dias. A linha de fractura do espectro partidário deixou de ser ideológica e passou a ser pedagógica. A pertença a blocos políticos depende agora do maior ou menor entusiasmo com que se encara a educação de adultos.
Vivemos tempos extraordinários. Há dias, Costa derrubou o Muro de Berlim. Hoje, libertaram o nosso Mandela.
O que é incrível na estratégia de Costa é o facto de este ter colocado a decisão sobre o seu futuro político e o do PS integralmente nas mãos do PCP. Acontecerá a Costa o que Jerónimo quiser. Basta uma insistência mais ou menos subtil dos comunistas em algum dos pontos programáticos do PCP inconciliáveis com a moderação socialista e Costa esbarrará irremdiavelmente contra a parede (ou contra o Muro), com o consequente descrédito sobre a sua liderança e sobre o rumo errático do PS. Ora, neste cenário, a pergunta que fica é saber qual o desfecho que melhor serve os interesses do PCP: assumir uma linha de suporte a um governo do PS, prescindindo de alguns (muitos, na verdade) aspectos mais vincados do seu programa com o consequente esbatimento da percepção pelos eleitores do seu espaço político natural das diferenças face ao PS, ou aproveitar o momento para puxar o tapete a Costa, lançando os socialistas numa grave crise interna e reforçando a capitalização do descontentamento do eleitorado de esquerda? A resposta não parece díficil de encontrar. Muito mais difícil é entender que Costa não tenha confiado aos militantes do PS a discussão interna do seu futuro político e do partido, preferindo entregar a chave da decisão ao PCP e a Jerónimo de Sousa.
– Diga-me, Jerónimo: aceita a NATO, os princípios da União Europeia, o Tratado Orçamental, a iniciativa privada e a liberdade individual?
– Não, não, não, não e, deixa lá ver a última… também não!
– Pronto, pronto. Não é importante. E a educação de adultos? O que me diz da educação de adultos?
– Isso está bem. Pode ser.
– Venha de lá um bacalhau. Temos acordo.
Algum jornalista ainda perguntará a Marcelo o que faria na actual situação política ou tomar partido não faz parte do guião da jornada triunfal?
Respeito pela verdade histórica: muito antes de deitar o Muro de Berlim abaixo já Costa tinha derrubado António José Seguro.
Na próxima reunião com Jerónimo, Costa levará um pedaço de Muro de Berlim em sinal de boa vontade.
Afirma-se por aí uma corrente de opinião que, sob a capa da proclamação sempre bem intencionada da abertura de espírito e da promoção da diversidade de opinião, mais não é do que uma tentativa não assumida de condicionar a liberdade de expressão e de pensamento. De acordo com a dita corrente, as vozes que questionam soluções governativas suportadas no PCP são provenientes de homens das cavernas, de gente ressabiada, de ratazanas que se movimentam nas profundezas da ignomínia e que agora, dizem, saem da toca e se revelam na sua ignóbil dimensão. Pois bem. Aqui vai, para que fique claro. Não admito, a quem quer que seja, onde quer que seja, que limitem a minha liberdade de manifestar a minha profundíssima objecção às soluções preconizadas pelo Partido Comunista Português, ao longo da história e hoje que estamos a falar (pouco mudaram como sabemos e aí estão o seu programa e os seus órgãos oficiais que não me deixam mentir). Não me revejo, para não ir mais longe, no planeamento econonómico central, no esmagamento do indivíduo pela linha do partido, no colectivismo opressivo, no igualitarismo falso e castrador ou em modelos politicos como os que são impostos na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte. Respeito, naturalmente, o exercício democrático expresso no voto livre e sempre, sempre, a liberdade de expressão. Exijo não menos respeito pelo direito de pensar e de dizer o que penso.
Esta brincadeira vai custar Centenos de milhões ao país.