Centralismo democrático no PS?


Rui Rocha,

Ora então vamos lá ver. De acordo com milhões de tuits, posts e comentários produzidos nos últimos dias, a esquerda tem uma legitimidade inquestionável para assumir uma solução governativa. Pois bem. Se foi essa a vontade do povo expressa de forma inequívoca e esmagadora (62% dos portugueses terão querido pouco menos do que escorraçar a direita), qual o sentido de referendar agora dentro do PS, como sugerem alguns,aquilo que foi a mensagem clara expressa em sufrágio? Se toda esta narrativa estava certa, este referendo a realizar-se só pode ter uma interpretação: o PS prepara-se para aderir ao centralismo democrático que pensávamos ser uma marca distintiva dos partidos comunistas leninistas. Se for assim, deve reconhecer-se que estamos perante um sinal evidente de que, na verdade, PS e PCP não estão assim tão distantes.

Que nunca descanses em paz João José Cardoso


Rui Rocha,

Morreu o João José Cardoso. Não o conhecia pessoalmente, mas pelo que lhe li e pelo que li aos que nas últimas horas falaram dele, devia ter um feitio do caraças. Muito para lá da diferança óbvia de opiniões, e sem nunca termos falado, sei que nos tínhamos o respeito que é natural entre os que falam fiéis ao que pensam e ao que sentem. Lá onde estiver, já deve estar a armar barulho. E é bom que seja assim. Porque a alguém como o JJC jamais se deseja, em vida ou depois dela, que descanse em paz.

Ilegais


Rui Rocha,

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Ontem fomos confrontados, mais uma vez, com as imagens de homens, mulheres e crianças transportados em condições insuportáveis. Desta vez foram 39. Não há meio de comunicação que não se lhes refira como “ilegais”. Por seu lado, o ser desumano que os transportava é referido como “condutor”. É muito curioso. A violação de regras de circulação entre territórios leva de forma automática à utilização de uma semântica de condenação. Em contrapartida, aqueles que violam regras básicas de respeito por seres humanos são apenas suspeitos da prática de crimes.

O cábula


Rui Rocha,

Primeiro, baldou-se ao 5 de Outubro porque tinha de reflectir. Depois, em lugar de iniciar consultas com os diversos partidos, arranjou maneira de pôr Passos Coelho a fazer o trabalhinho por ele. Se continuar assim, um dia destes ainda o apanhamos a fumar.