Morreu o João José Cardoso. Não o conhecia pessoalmente, mas pelo que lhe li e pelo que li aos que nas últimas horas falaram dele, devia ter um feitio do caraças. Muito para lá da diferança óbvia de opiniões, e sem nunca termos falado, sei que nos tínhamos o respeito que é natural entre os que falam fiéis ao que pensam e ao que sentem. Lá onde estiver, já deve estar a armar barulho. E é bom que seja assim. Porque a alguém como o JJC jamais se deseja, em vida ou depois dela, que descanse em paz.
Que nunca descanses em paz João José Cardoso
Rui Rocha,

Fiquei agora a saber e lamento muito. Citei aqui, ao longo dos anos, várias prosas publicadas pelo José João Cardoso no Aventar.
Algumas excertos desses textos que destaquei:
«Por princípio assino a legalização de qualquer partido novo e constitucional, a democracia portuguesa baseia-se em partidos, para o melhor e para o pior, cada vez mais para o pior, é certo, e todos tem o direito ao seu, vai-se a votos, uns elegem outros não.»
«Também podia dizer umas coisas sobre essa insistência em deixares os teus fanáticos divididos em religiões que se isarael-ó-palestinizam umas às outras, um pouco por toda a parte, mas era abuso, um ateu conhece os limites, fico, caro Deus, por Gaza. Obrigado.»
«Uma coisa que me enoja é a confusão entre adversário político e inimigo político.»
Tivemos uma polémica passageira rematada com ‘fair play’ na caixa de comentários do texto que indico na linha abaixo, o que diz bastante sobre a personalidade dele: 96048.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/36
E, merecidamente, chegou a ser votado cá no DELITO entre os melhores bloguistas de 2011: 30827.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/39
Daqui segue um abraço de condolências à família, aos amigos mais próximos e aos colegas do Aventar.
Prossigam, pois vale a pena. E ele merece.
Caro Pedro:
Comentários como o seu são a única razão da minha vinda diária ao Delito.
Pois pululam aqui muitos que caem perfeitamente na alçada das verrinosas mas acertadas críticas que o JJC fazia: pelo fanatismo, pela irracionalidade, pela incoerência, pelo jogo rasteiro que contém.
Não sei o que mais aprecie no seu comentário: se a justeza da homenagem a uma forma vertical e autêntica de estar, desabrida, tantas vezes; se a defesa da pluralidade de opiniões que acaba por conter; se um certo carinho e candura sinceros que o mesmo acaba por revelar em relação a uma pessoa com quem, eventualmente, estaria bastante distante em muitos valores que dão corpo às nossas vidas.
Esta última é uma qualidade que poucas vezes se expressa.
Destaco-a, portanto, por isso.
Um abraço, meu caro M. S.
Há pessoas que eu quero que a terra lhes seja pesada, pois nada fizeram neste mundo para ajudar quem era desfavorecido. Isto é o caminho para o eterno sofrimento.
Então, peça a um especialista em trabalhar com escavadora, mande abrir o buraco bem fundo, projecte-se dentro dele e exija que lhe mandem umas toneladas de terra e pedras para cima.
Eu empurro.
Há os idiotas, há os maldosos e há os ressentidos. E há quem, como o xpto, consiga o pleno.
Sem palavras.
E obrigada ao Delito de Opinião, e em particular ao Rui Rocha e ao Pedro Correia, pelas justas palavras sobre o João.
Nada a agradecer, Carla. Era o mínimo.