O suicídio político de António Costa


Rui Rocha,

O que é incrível na estratégia de Costa  é o facto de este ter colocado a decisão sobre o seu futuro político e o do PS integralmente nas mãos do PCP. Acontecerá a Costa o que Jerónimo quiser. Basta uma insistência mais ou menos subtil dos comunistas em algum dos pontos programáticos do PCP inconciliáveis com a moderação socialista e Costa esbarrará irremdiavelmente contra a parede (ou contra o Muro), com o consequente descrédito sobre a sua liderança e sobre o rumo errático do PS. Ora, neste cenário, a pergunta que fica é saber qual o desfecho que melhor serve os interesses do PCP: assumir uma linha de suporte a um governo do PS, prescindindo de alguns (muitos, na verdade) aspectos mais vincados do seu programa com o consequente esbatimento da percepção pelos eleitores do seu espaço político natural das diferenças face ao PS, ou aproveitar o momento para puxar o tapete a Costa, lançando os socialistas numa grave crise interna e reforçando a capitalização do descontentamento do eleitorado de esquerda?  A resposta não parece díficil de encontrar. Muito mais difícil é entender que Costa não tenha confiado aos militantes do PS a discussão interna do seu futuro político e do partido, preferindo entregar a chave da decisão ao PCP e a Jerónimo de Sousa.

0 comentários em “O suicídio político de António Costa”

  1. Caro Senhor Rocha: acaba de assinar o seu suicídio como comentador. Oas dois para a prateleira: António Costa e Rui Rocha.

    1. LOL… “suicídio político como comentador”!

      Um político que passa a comentador é justamente para não morrer politicamente. Além disso, à morte política segue-se a ressurreição (veja-se, como exemplo: Santana, o zombie político).

      Parece-me que há apenas um problema de léxico, resultante de introduzir-se (mal) o conceito de coligação negativa.

      Ao contrário, devemos falar em “culigação” versus “coligação”.

      – A “coligação” foi proposta frontalmente.
      – A “culigação” surge de movimentações posteriores pela retaguarda.

      Os pruridos que surgem contra a “culigação” são praticamente os mesmos que ouvimos noutras situações “análogas”:
      – é contra-natura;
      – é moralmente inaceitável;
      – não se estava à espera disso;
      – etc…

      Instrumentalmente, a pequena dimensão da coligação não lhe permitiu sozinha assegurar a cúpula do poder. Estaria sempre a teste, sujeita a entendimentos entre cúpulas.

      Por outro lado, não me parece que as coisas estejam suficientemente oleadas entre PCP/BE e PS, para uma culigação consensual feita na retaguarda. Uns querem apenas um “flirt anual”, outros querem casamento com “anel”.
      E depois, se vamos às regras na economia, tudo parece engatado… mas para quem mia, a posição natural do país é estar de gatas.

  2. Fogo, mas quem escreve neste blog é tuuuudo de direita?????? Anda tudo cheio de meeedo!!! Devem Viver muuuuito bem!!!!Está tudo a mostrar a careca!!!

    1. Nunca lhes vi cabelo. A diferença é que dantes cortavam curto, agora caiu de vez… e que cabeça luzidia e lustrosa tem estado nos últimos dias… ó, ó…

    2. Porque motivo serão de direita e não apenas pragmáticos/realistas?
      O conteúdo do post do Rui Rocha parece-me reportar uma evidência e olhe que não sou da dita direita.

      A evidente pressa em se ter o putativo governo do PS na mão não chega para o António Costa abrir os olhos pois esse, na verdade, está apenas a lutar pela sua sobrevivência, negligenciando os interesses do partido e acima de tudo de Portugal.

      Todos os que não querem ver um governo português refém da extrema-esquerda, passível de ser executado a qualquer momento, são de direita. Ok…. então há muito “direitista” no PS.

      Teremos uma ideia mais aproximada do seu número aquando da votação do programa do governo da coligação e do OE2016.

        1. Dos que votaram.

          43% dos portugueses não votaram, consideraram imprestáveis os candidatos a políticos e pelos vistos não se enganaram. Medite-se um pouquinho no (circo) que diariamente eles nos oferecem e conclua-se.

  3. O caso Costa é um caso sério.

    E ninguém no PS consegue segurar o homem.

    De caras? de cernelha?

    O único que o acompanha é o açoreano que não abre a boca, só para rir.

  4. Caro Rui Rocha,
    Uma análise lúcida daquilo que são os argumentos Marxistas-Leninistas que o Comité Central tão bem tem sabido aplicar. Ao seu post falta-lhe contudo a vertente Trotskista que é defendida pelo outro elemento desta Frente Popular que é o Bloco.
    É que se já se tornava difícil ao PS lidar com uma destas correntes, imagine-se agora numa tenaz entre as duas. Porém, e em abono da verdade, ninguém, excepto a vaidade pessoal e a tentativa de sobrevivência do seu líder, ninguém dizia eu empurrou o PS para esse abraço letal. Que lhes sirva de conforto.

  5. A agonia e desespero de causa já fedem por aqui. Não conseguem largar o osso. Ó pá, faz uma pausa. Vai fazer um xixi ou algo que o valha.. fuma um cigarro, vê um filme, toma um copo, pode ser que amanhã já haja fumo branco. Até lá, larga o osso, que essa ansiedade rói por dentro. Faz-te mal.

  6. O pequeno vigarista não consegue, compreensívelmente, decidir-se entre o fogo e a frigideira…
    Deve ter bem presete o que disse, e como o disse, aquando da facada nas costa ao Seguro – tal como os demais associados da agremiação…e nem todos serão do calibre “ético e moral” da reles personagem…

  7. Essa é a sua opinião, da qual discordo. Nunca o PCP tiraria o tapete a Costa pois neste momento, toda a esquerda está unida, para tirar a direita do poder. Essa não entra e não vamos por aí porque os portugueses que querem ver sabem que não é assim. Quando se negoceia ou se fazem acordos políticos têm de abdicar de muito de seu, para que a governação chegue a bom porto e é isso que todos estão a fazer e que em vários países europeus fazem e conseguem. Aqui também serão capazes de o fazer.

  8. Dizem fontes geralmente bem informadas que na noite de 4 para 5 de outubro, António Costa foi para casa da mãezinha dele e passou a noite a chorar com aquela cabecinha tonta deitada no regaço da progenitora, enquanto, entre dois sniffs, perguntava porquê?
    A mãe dele coitada, condoída com tamanho desgosto, (nenhuma mãe gosta de ver os seus rebentos naquela lástima) respondia-lhe: não sei meu filho, eles são uns ingratos!
    Até que ao raiar da aurora a Oriana Fallaci cá do burgo teve uma ideia brilhante e lhe disse: vai, meu filho, vai e reivindica os teus direitos, nem que para isso tenhas de rebentar com o futuro do teu partido e do país, uma vez que tu, depois desta copiosa derrota, não tens futuro na politica. Afinal vale mais seres recordado por teres sido 1º ministro por seis meses, do que seres recordado por seres o “loser” que és.
    E estamos nisto.

  9. A meu ver, António Costa deveria, logo no dia 5, ter declarado publicamente que aceitaria a vitória da coligação e deixaria Passos Coelho formar Governo, abstendo-se numa eventual moção de censura lançada pelo Bloco de Esquerda ou o PCP logo nos primeiros tempos. O PS deixava o Orçamento ser aprovado e, a partir daí, negociaria com o Governo ao longo da legislatura, procurando o melhor para Portugal.
    Ao deixar esta novela desenrolar-se, António Costa está a alimentar a ideia de que poderá fazer Governo. Mas não pode. Um Governo do PS estaria sempre dependente de Bloco e PCP (ambos) e bastava um exigir demasiado para que o Governo do PS caísse. Por isso, não creio que se forme um Governo de esquerda, mas falhando esse cenário, o PCP e o Bloco vão atacar forte e feio o PS, com o já visto “foi o PS que aprovou o Governo de direita”. E assim o PS vai perder eleitorado mais à esquerda.

    Cumprimentos,
    Rui Quinta

  10. Como ninguém em Portugal esperava este comportamento desesperado e irresponsável de António Costa, Costa está em roda-livre.

    Se não fosse Portugal e os portugueses que corriam enormes riscos, era deixá-lo continuar.

    Portanto é preciso uma reacção dos atónitos socialistas, já!

  11. Claro que se Costa se tornasse um parceiro dócil da Coligação, sempre podia esperar pelo seu momento irrevogável e abichar um vice-ministério.

    A prazo não sei se aconteceria ao PS o que aconteceu ao CDS – tornarem-se uma Elisa Apolónia de Passos Coelho.

  12. Diz que “basta uma insistência mais ou menos subtil dos comunistas em algum dos pontos programáticos do PCP”, mas eu julgo que não é preciso tanto, bastando que os comunistas apresentem na AR as promessas dos socialistas durante a campanha, obrigando o PS a votar contra, em relação a muitas. Iria ser bonito.

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