Um dia em cheio para Marcelo


Pedro Correia,

Marcelo Rebelo de Sousa venceu ontem em três tabuleiros. Logo de manhã, confirmou-se a não-notícia mais badalada do ano: Rui Rio manter-se-á fora da corrida a Belém. À tarde, outra desistência no mesmo campo político: Alberto João Jardim também não será candidato.

No campo oposto, divisão parece ser a palavra de ordem: ainda ontem o PCP mandava avançar o seu candidato, Edgar Silva, membro do Comité Central comunista, que se apresentou ao País. Em princípio para ir mesmo a votos, dividindo ainda mais a esquerda.

Dois potenciais rivais fora de cena e mais um candidato a baralhar as contas na margem contrária: como se já não bastasse tudo isto, à noite surgiu em antena Pacheco Pereira, no local do costume, disparando críticas ao ex-líder do PSD. Pacheco, que é o decano dos comentadores televisivos e foi vice-presidente de Rebelo de Sousa, considera que este concorre para Belém com  “uma mancha ética”: a de ter sido ele próprio comentador na televisão…

Enfim, um dia em cheio para Marcelo. Só boas notícias.

0 comentários em “Um dia em cheio para Marcelo”

  1. Estou absolutamente convicto que será muito melhor que Cavaco Silva que foi o pior dos piores. Marcelo Rebelo de Sousa no dia em que for empossado, se o for, terá de se esquecer que um dia, foi militante do PSD, para ser Presidente de todos os portugueses. Um Presidente não pode ter cor política, seja ele apoiado por quem quer que seja, se o não fizer, cometerá no erro de que todos estamos fartos e não lhe perdoarão.

    1. Já tivemos de tudo. Um presidente que fundou um partido político enquanto exercia a chefia do Estado. Um presidente que liderou a oposição a partir de Belém por achar a oposição “demasiado mole”. Um presidente que pôs fim a uma legislatura com maioria absoluta, por acaso contrária à sua cor política.
      Pior, de facto, não pode ser.

  2. Para quem tem dois programas na SIC / Cronicas no Público e na Sábado…

    Sabe-lhe a pouco!

    Só não se insurgiu contra a participação do Costa na Quadratura…

    Ele deve ter um trauma contra a TVI!

  3. Cheio para Marcelo, escuro para Costa. Não lhe faltando a carga que ele representa para si próprio vai continuar a carregar com Sócrates ás costas.

    1. Ele não consegue libertar-se dos tiques mentais da extrema-esquerda: em vez de críticas, emite anátemas. Não contrapõe: fulmina. Não contesta: vergasta. Cada sentença dele é um juízo moral. E cada alvo, logicamente, fica abaixo dos mínimos éticos exigidos.
      O Torquemada de Carnaxide falou, ’tá falado.
      Mas eu, que nunca simpatizei com torquemadas, hei-de voltar ao tema assim que me apetecer. Será em breve.

      1. 18.10.2015 00:30 O problema dos 38 minutos da “Despedida de Marcelo”, o comentador, foi terem sido 38 minutos de “Boas-Vindas a Marcelo”, o candidato. Estiveram mal a TVI e Marcelo. A TVI porque a sua Direcção de Informação traiu os princípios do pluralismo e do contrato ético com o público. Fazer uma festa a um pré-candidato presidencial no principal noticiário é novidade absoluta num canal em sinal aberto em qualquer país do mundo. A festarola, nada ortodoxa, como disse um dos apresentadores, ocupou dois terços do noticiário. Teve humor, brincadeiras, memórias de muita alegria e saudade (“ah, lembram-se daquela vez que…”), mas, no jornalismo, actividade organizada e com um código ético, não vale tudo na perspectiva de obter o máximo público: a isso se chama justificar os meios com os fins. Marcelo também esteve mal porque domingo já era pré-candidato e não deveria ter cedido a mais um banho de multidão-audiência pela obsessão que tem pelos ecrãs. Para quê isto? Ao longo dos anos procurou e conseguiu ser o mais invulgar e mais importante dos comentadores políticos (e políticos comentadores), alcançando uma posição, única no mundo, que tornava desnecessária esta encenação. Para mais, tendo dito que sairia da TVI se se candidatasse, afinal não saiu, porque lá voltou três dias depois. E acabou por responder a perguntas relacionadas com a candidatura. Se a TVI e Marcelo queriam fazer uma despedida genuína, alugavam um espaço, filmavam a coisa e passavam 30 segundos no noticiário. Mas não foi uma festa genuína. Foi um programa para a TVI e Marcelo ganharem de novo a batalha das audiências, contra princípios éticos. O incidente chama a atenção para o facto de, até agora, não se debater a cobertura mediática das presidenciais. Nas legislativas não se falou doutra coisa. Deputados, CNE e ERC decretaram, os media pronunciaram-se abundantemente. Agora? Todos calados. Quando os pré-candidatos forem candidatos oficiais, todos serão iguais e sem representatividade prévia, ao contrário do que sucede com os partidos. A única representatividade será a da própria candidatura. Darão os media a mesma atenção a cada um? Entrevistarão todos por igual? Organizarão debates ou frente-a-frente? Televisões e rádios voltarão a fazer “vaquinhas” com candidatos “principais”, como nas legislativas? Com base em quê, sondagens? Tratarão do mesmo modo Paulo Morais e Marcelo? Maria de Belém e Henrique Neto? Por agora, tratam os pré-candidatos de modo desigual, mas, durante a campanha, como farão? Vá, digam.

        Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/eduardo_cintra_torres/detalhe/regresso_de_marcelo_a_tvi.html

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *