Ponto de ordem à mesa


Rui Rocha,

Afirma-se por aí uma corrente de opinião que, sob a capa da proclamação sempre bem intencionada da abertura de espírito e da promoção da diversidade de opinião, mais não é do que uma tentativa não assumida de condicionar a liberdade de expressão e de pensamento. De acordo com a dita corrente, as vozes que questionam soluções governativas suportadas no PCP são provenientes de homens das cavernas, de gente ressabiada, de ratazanas que se movimentam nas profundezas da ignomínia e que agora, dizem, saem da toca e se revelam na sua ignóbil dimensão. Pois bem. Aqui vai, para que fique claro. Não admito, a quem quer que seja, onde quer que seja, que limitem a minha liberdade de manifestar a minha profundíssima objecção às soluções preconizadas pelo Partido Comunista Português, ao longo da história e hoje que estamos a falar (pouco mudaram como sabemos e aí estão o seu programa e os seus órgãos oficiais que não me deixam mentir). Não me revejo, para não ir mais longe, no planeamento econonómico central, no esmagamento do indivíduo pela linha do partido, no colectivismo opressivo, no igualitarismo falso e castrador ou em modelos politicos como os que são impostos na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte. Respeito, naturalmente, o exercício democrático expresso no voto livre e sempre, sempre, a liberdade de expressão. Exijo não menos respeito pelo direito de pensar e de dizer o que penso.

0 comentários em “Ponto de ordem à mesa”

    1. Não é nada reaccionário, tem é pouca cabeça. Com este tipo de palavras não vale a pena argumentar e pode prejudicar o blogue. Pode perder leitores ou…não. Eu, pelo contrário, divirto-me a ler palhaçadas e tenciono vir cá mais vezes. Estamos todos a limitar a liberdade do Senhor Rui Rocha, imagine-se. Olhe até pode pôr uma bomba na sede do PCP, é livre, ninguém o impede.
      Para o tipo de vocabulário que utiliza só merece risadas como resposta.
      Beijinhos (cuidado que são venenosos, eu sou das que comem criancinhas).

  1. Concordo absolutamente com o artigo. Mas o que me diz de, por exemplo, se darem debates televisoes de todos os partidos com a excepçao do PCP? Ou que a ediçao pos-eleitoral do JN tenha dedicado 11 paginas as Legislativas, tendo escrito sobre todas as forças politicas menos sobre a CDU?
    Ou ainda, que me diz da clara maioria de opinionados que escrevem para o Observador que tem claramente uma preferencia politica, reduzindo a pluralidade do painel?
    Mesmo assim, volto a afirmar, concordo em absoluto com a tese deste artigo.

    1. Digo que há práticas que não devem apresentar-se sob a capa de isenção jornalística. E que falta, em geral, a corajem para assumir um jornalismo de tendência.

  2. Caro Rui,
    Tem aí uma Antónia Cunha que finge não sabera diferença entre liberdade de expressão e liberdade para pôr bombas ehehhehe…

  3. Li algures sobre os Costas:

    …” Não há nada mais perigoso de que um homem desesperado que não tem nada a perder depois de ter perdido tudo”
    …

    Caro Rui Rocha

    Não se amofine que este tipo de gente… continue em frente.

    Admiro e gosto dos seus postes… se me permite, digo-lhes por si:

    Os despeitados ladram … mas caravana passa”

  4. Acho muito bem Rui. É importante pensarmos sempre pela nossa cabeça e respeitar as opiniões dos outros (por muito que não se concorde) “não concordo contigo mas…“.

  5. Muito bem. E há também quem misture liberdade de expressão com linhas editoriais enviesadas, para além das bombas.

  6. Tem todo o direito de pensar como quer, não tem é o direito, de dizer o que não é, dos partidos que diz, não ter nada a ver. Eu também não tenho nada a ver com o PCP, mas isso, não me dá o direito de dizer que os países que se disseram comunistas cumpriram o que diz o comunismo. Nunca, em lado nenhum, li que o comunismo esmagasse o indivíduo. Li, é que o homem como animal destruidor que é, destrói tudo. Assim sendo, usaram o comunismo para se encherem a eles mesmos, tal como aconteceu com as direitas que tanto mal fizeram por onde andaram. Pode exigir tudo, está no seu direito, não pode é escrever e dizer aquilo que quer, daqueles com quem não concorda, é que aí, perde toda a razão.

    1. Podia responder-lhe com o argumento fácil de que não destruiu um, mas vários milhões de indivíduos. E que o PCP esteve sempre na primeira linha de apoio a esses massacres. Mas o Nuno, ali mais abaixo, fez o favor de responder melhor.

      1. Mesmo que o PCP tenha pensado isto ou aquilo, não quer dizer que o continue a pensar, pois pelo que parece está a ceder, em muito do que pensa. Também lhe poderia falar dos milhões de indivíduos que a extrema direita destruiu e não é preciso ir longe, nem pensar muito, basta-nos recordar as atrocidades de Hitler e é quanto basta, para vermos que todos pecaram e fizeram mal. Os tempos mudam e as ideias também. Exige que respeitem a maneira como pensa e está no seu direito, mas também tem de respeitar os pensamentos dos outros. Foi este bem que a democracia nos trouxe que nos respeitemos uns aos outros e isso, é coisa que não abunda por aqui, sempre que alguém, não é a favor da coligação.

  7. Claro que tem o direito de escrever o que apetecer, algo tão óbvio… como respirar… por enquanto… tanto no escrever, como no respirar porque, se pudesse, aquele Costa até cobrava imposto de carbono… é dos que gostam de as fazer pela calada… como dobrar um imposto… só mudando o nome. Chegar a 1º Ministro perdendo eleições…
    Quem não sabe fazer mais nada e, a carreira se resume a aspirações de poder, vai sempre baralhando as cartas, tantas vezes, quantas as que forem precisas para ficar com os trunfos todos.
    A questão ideológica nem me incomoda porque as ordens vêm de fora e, se puserem o pezinho em ramo verde… temos o exemplo da Grécia que anda, agora, a cortar reformas e ordenados portanto, o que me irrita, mesmo, é esta aceitação de uma pessoa sem carácter, nem vergonha na cara porque, quando determinadas regras, são só para os outros e, descaradamente, só foram para o Seguro… no fundo, quem apoia Costa, deve fazer, exatamente como ele, as regras podem mudar conforme as conveniências pessoais.
    Na natureza, qualquer sistema tem no seu ADN, as sementes da sua própria destruição e, este Paradigma está, praticamente no fim… coisa que não vai ser bonita de se ver e, quem estiver à espera de milagres… vai sofrer a dobrar.

  8. “Nunca, em lado nenhum, li que o comunismo esmagasse o indivíduo.”

    Não estamos a falar dum comunismo em abstracto. Estamos a falar do PCP.

    No PCP, e não é preciso ir mais longe, a linha do partido esmaga o pensamento do indivíduo.

    O PCP tem dezenas de milhares de militantes. Encontre um que se tenha desviado em público da linha do partido relativamente a assuntos como: a queda do muro de Berlim; a URSS; Cuba; a Coreia do Norte. Divergências que em nada impediriam o governo de uma Câmara de acordo com os restantes princípios da cartilha comunista. Em dezenas de milhar, encontre um que o tenha feito, e seja ainda hoje militante.

    1. Assim como são expulsos do CDS e de outros. É ver o que aconteceu ao deputado da Madeira que votou contra o orçamento.

  9. Nem há um par de horas, na SICN, reagindo a uma piada do seu interlocutor acerca de António Costa, que disse que propor-se “derrubar o Muro de Berlin”, ele se candidatavaa ser o “Gorbachov português”, o mui urbano comunista António Filipe mostrou-se horrorizado e disse algo como “Espero bem que não seja”. Uma unha basta para fazer saltar a tinta e mostrar esta sucursal de uma multinacional extinta. São épicos e patéticos, como aqueles soldados japoneses, perdidos em ilhéus do Pacífico, a fingir que a guerra não acabou. E, tal como eles, perigosos para os incautos.

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