Admirável mundo novo (XIV)


Rui Rocha,

– Diga-me, Jerónimo: aceita a NATO, os princípios da União Europeia, o Tratado Orçamental, a iniciativa privada e a liberdade individual?
– Não, não, não, não e, deixa lá ver a última… também não!
– Pronto, pronto. Não é importante. E a educação de adultos? O que me diz da educação de adultos?
– Isso está bem. Pode ser.
– Venha de lá um bacalhau. Temos acordo.

0 comentários em “Admirável mundo novo (XIV)”

  1. Não há dúvida de que a direita perdeu a cabeça e não percebe, ou não quer perceber, o que é a Constituição. Veja-se a intervenção de Manuela Ferreira Leite ontem na TV. Sabe-se como é crítica para o governo de Passos Coelho, por vezes até se excede. Ontem estava visivelmente nervosa e excitada. Agora diz que Costa está a preparar um golpe de estado, imagine-se. Ora que faz A. Costa? Realiza negociações a fim de apresentar ao Presidente Cavaco Silva uma hipótese de governo. Terá de o convencer e nada há de inconstitucional em o convencer. É preciso que Cavaco Silva se deixe convencer, etc. etc. Chama-se a isto um golpe de estado. No fundo algo parecido com o que já aconteceu em outros países incluindo Timor (para Xanana retirar a Fretilin do governo) que tem uma Constituição parecida com a nossa. Isto é um golpe de estado!! Manuela F. Leite já não sabe o que diz, isto chama-se cabeça perdida. Ontem também Adriano Moreira apareceu na TV a falar com uma excitação e nervosismo nada habituais nele. Ferreira leite disse que sabe que a intenção de quem votou no PS era outra. Já lê o que se passa na mente dos outros. Eu estou convencida (mas reconheço que é só convencimento meu) que a grande fractura hoje é a favor ou contra este governo. Se eu acertar (e não o sei, ao contrário de F. Leite) a grande maioria dos eleitores exprimiu a vontade de se livrar de Passos Coelho que sempre mentiu descaradamente o que parece não incomodar a direita. Mentir será constitucional?

    1. No dia em que António Costa apresentar um governo de Coligação das Esquerdas, estaremos perante um novo cenário.

      Enquanto se trabalhar na possibilidade de um governo-refém, apoiado no parlamento por 3 partidos concorrentes e até antagónicos que TÊM DE VOTAR SEMPRE A FAVOR e prontos a fazer cair o governo no momento que melhor lhes aprouver, não me parece que seja um cenário mais estável que um governo sustentado por uma coligação homogénea de 2 partidos a quem lhe bastam 9 ABSTENÇÕES… socialistas.

      É apenas a minha opinião mas parece-me evidente.

      1. Está a dizer que acha que o PSD votará SEMPRE contra, qualquer que sejam as propostas do PS.

        Ou seja não há análise política das propostas da parte do PSD há só clubismo.

  2. – Diga-me Gonçalo, aceita que o Estado Português deve continuar uma República ou acha, conforme se pode supor pelo nome do seu Partido Popular Monárquico, que a organização política do Estado Português deve ser transformada numa Monarquia?
    – A sua suposição está correcta, discordo da organização republicana e considero que deveríamos regressar à Monarquia.
    – Pronto, pronto, está bem. O seu partido será muito bem vindo na Assembleia da República e na solução governativa da nossa coligação!

    1. Bom exemplo. Aliás há milhares. A direita perdeu a cabeça (como digo acima) e quer à viva força que um governo à esquerda seja inconstitucional. Deveria antes discutir o programa de tal governo, isto é, deveria criticar politicamente as propostas de A. Costa mas prefere subterfúgios de ordem jurídica (e outros que entram no domínio da anedota) a fim de evitar a política. É o não há alternativa ou seja, não vale a pena votar porque só há uma solução. Isto não é só em Portugal, na União Europeia é, mais ou menos, o mesmo. Não vêem como anulam ou repetem referendos quando o resultado não confirma o “não há alternativa”?

  3. Vital Moreira (no blogue causa nossa): “Acresce que, como mostrei aqui, ao passo que uma aliança de governo com a direita foi explicitamente excluída pelo PS antes e durante a campanha eleitoral, já a hipótese de um governo do PS com os partidos à sua esquerda não somente não foi excluída como foi inequivocamente admitida (o que a meu ver afastou eleitores que quiseram excluir essa possibilidade, sendo essa uma das razões para o insucesso eleitoral do PS).”

  4. Que pobreza de post! Para escrever asneiradas dessas mais valia estar quieto e caladinho.Esta direita trauliteira, ficou histérica com a mera possibilidade de um acordo à esquerda. O verniz democrático está a estalar todinho, desenterraram velhos machados de guerra, usam uma linguagem recheada de velhas e gastas expressões recheadas de um anti comunismo primário que já não convence ninguém em pleno século XXI! Enfim, haja paciência para tanta mediocridade e menoridade politica.

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