Salário mínimo e taxa de desemprego em alguns países europeus (dados do 1º trimestre de 2012 – Eurostat)
Rui Rocha,
A auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário, hoje publicada, apresenta conclusões que apontam, de forma inequívoca, para a existência de um comportamento deliberado do Governo liderado por José Sócrates (e em que era Secretário de Estado Paulo Campos) de sonegação de informação ao Tribunal de Contas e de violação de elementares interesses do Estado. Mais, e em concreto, tal Governo terá promovido a celebração, no âmbito das PPP, de contratos paralelos que importaram o agravamento das condições financeiras a suportar pelo Estado em 705 milhões de euros. A confirmar-se tal situação, todos devem assumir as suas responsabilidades. Desde logo, a Procuradoria-Geral da República, a quem se pede que, por uma vez, cumpra com diligência e competência as suas obrigações, promovendo a investigação que se impõe para determinar a viabilidade da responsabilização, em primeira linha, dos membros desse Governo envolvidos neste esquema predatório do erário público. Mas, também, das concessionárias e entidades bancárias envolvidas na assinatura dos contratos paralelos, cujas consequências e intuitos não podiam desconhecer. Por outro lado, o PS tem a estrita obrigação de tomar uma posição clara sobre este assunto, uma vez que é o partido que suportou politicamente esse Governo e tem como militantes e deputados da sua bancada parlamentar os autores de tais actos. A gravidade da matéria não permite que António José Seguro a ignore ou a desvalorize, sob pena de comprometer irremediavelmente qualquer réstia de credibilidade. Por último, o actual Governo deve ser consequente com os factos apurados, recusando-se a efectuar qualquer pagamento previsto nos ditos contratos paralelos e promovendo a desvinculação jurídica do Estado português de quaisquer obrigações ali previstas. Se isto não for assim, teremos de concluir que Ali Babá teve muita sorte pois só teve de enfrentar 40 enquanto os portugueses se debatem, a cada dia, com muitos mais.
Na versão de Miguel Relvas sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho, a verdade constrói-se no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio. A narrativa não relata o que efectivamente sucedeu. Adequa-se àquilo que se antevê que possa acontecer no futuro. E o futuro são os factos que os órgãos de comunicação social vão divulgar a seguir. A cada facto novo, a verdade de Relvas adapta-se, actualiza-se. Aproxima-se, a contragosto e na medida do estritamente necessário, da realidade. Silva Carvalho passa de alguém quase desconhecido, a contacto pontual em ocasiões sociais. E daí a interlocutor em reuniões de negócios. Neste modelo de verdade servida a conta-gotas, a transparência faz jus ao seu nome. Não se vê. Em tudo isto, Relvas cometeu, pelo menos, três erros. O primeiro consiste em não ter percebido que Silva Carvalho é, mais do que um espião, um agente. Altamente infeccioso. Qualquer contacto, na vida privada ou no exercício de funções públicas, implica uma forte probabilidade de contágio. A única forma de evitar a enfermidade é mantê-lo à distância. O segundo resulta de não ter aberto o jogo todo logo à partida. Não o tendo feito, arriscou-se a que a censura da opinião pública passasse da gravidade dos factos para a gravidade da sua ocultação. O terceiro ocorreu no episódio do Público em que não soube agir com a sobriedade de um titular de funções governativas e com a contenção própria de quem diz ter a verdade do seu lado. Relvas afirma que não mentiu, nem omitiu. Talvez seja assim. Provavelmente, omintiu. Uma conduta que fica algures entre a mentira e a omissão. Agora, tem a água pelo pescoço. É natural que se agarre a qualquer coisa para evitar afogar-se. Mas não podemos permitir que arraste para o fundo a nossa consciência. Sócrates nivelou por baixo os padrões morais do exercício de funções públicas em Portugal. Desanquei-o de forma regular e intensa. Não posso fazer menos relativamente a quem atribui à verdade uma natureza flutuante, em função das circunstâncias. Não foi para isso que, nas últimas legislativas, votei no PSD. Nem foi isso que o PSD me prometeu.
* tirada do Ekhatimerini.
Dois espiões, um inglês e um português, encontram-se, ao serviço dos respectivos países, numa reunião ultra-secreta. O inglês toma a iniciativa das apresentações, para quebrar o gelo:
– O meu nome é Bond! James Bond. E o teu?
– O meu nome é Alho. Silva Carvalho.
As palavas em título foam pofeidas pelo Pesidente Cavaco Silva na ecente visita a Nãoseionde. O Pesidente tem azão, clao. Poquê? Oa, poque não há bom vinho sem uma boa olha de cotiça. Na vedade, não devemos subestimá a impotância da olha na qualidade do vinho. Inicialmente eam utilizados outos mateiais como estopa, pano, quina de cavalo ou pegaminho. A ideia de empegar a cotiça como olha é atibuída a Dom Peignon. A cotiça possui qualidades que a tonam paticamente insubstituível: poosidade, leveza, elasticidade, impemeabilidade e isolamento. Todavia, uma olha de má qualidade pode compometê a qualidade do vinho, tansmitindo o desagadável “sabô a olha”. Esta situação pode sê conseqüência de pequenos paasitas nas fendas da olha ou de mofo, ou ainda do cloo utilizado no tatamento da olha. Po vezes, o odô a olha é fugaz, bastando descatá os pimeios centilitos da bebida. Daí o costume de os somelies veificaem pelo olfato a qualidade da olha antes de colocá o vinho à prova. A cotiça paa as olhas é poduzida a pati da casca do sobeiro, uma capa que a ávoe enova a cada nove anos. Nomalmente, a olha tem impesso o nome do fabicante, possivelmente as amas da família, e alguns códigos. Um poblema das olhas de cotiça é que elas essecam, pedem a adeência ao gagalo e, como esultado, o á peneta na gaafa, oxidando e inutilizando o vinho. Po esse motivo as gaafas não podem sê guadadas em posição vetical nas adegas. Poém as olhas também eagem com o vinho e podem passá o gosto da cotiça paa o líquido quando a gaafa é guadada po muito tempo em posição inclinada. Ao compá uma gaafa de vinho é conveniente fazê pessão com o polegá sobe a olha, paa vê se ela está fimemente pesa, ou se esvala alguns milímetos para dento da gaafa, sinal de que a oxidação do vinho com ceteza já aconteceu. Em todo o caso, e tal como refee o Pesidente, to have good wine, we need good cock. Potuguese cock, of couse, aquescentaia eu. E, sobetudo, não nos devemos deixá enganá po aqueles que defendem a utilização da olha scew cap.
Boa parte da crise que atravessamos tem origem no sistema fiscal. Insiste-se em tributar a riqueza. Ora, em Portugal, produz-se pouca e esta tem quase sempre origem duvidosa. É claro que riqueza com pecado original não se declara. Assim, sobra quase nada para tributar e redistribuir. Para além disso, a riqueza tem outras características que colocam graves dificuldades técnicas. Até determinado nível de carga fiscal, a riqueza esconde-se. A partir daí, foge. Isto é, a famosa curva de Laffer, mais do que uma curva, é uma estrada sinuosa que passa pela economia paralela doméstica, mas acaba, mais tarde ou mais cedo, no cofre gelado de um banco em Genebra (daí a expressão pôr-se ao fresco). Num esforço inglório, alguns entusiasmadinhos da tributação inventaram há uns anos esta coisa dos sinais exteriores de riqueza. Mais um erro. Rico que é rico tem. Não ostenta. Ou melhor, quando quer ostentar pega no dinheiro que tem na Suíça e compra um chalé numa estância exclusiva da Áustria. É por isso que passamos a vida a tentar tributar casas de praia em Vale da Coelha, coisa que, como se sabe, dá pouca receita. O problema está pois nesta obsessão absurda por tributar o que praticamente não existe. Lá fora, há riqueza a sério. Faz todo o sentido tributá-la. Aqui não. Por isso, devíamos adaptar o sistema fiscal à nossa realidade. E tributar o que temos em abundância. Ora, abundante, para além do cabelo do Jorge Jesus, só vejo a pobreza de espírito. A sua presença, recorrente e transversal, é o único facto incontestável em Portugal. É necessário elevá-la, agora, a facto tributário. Se virmos bem, um sistema fiscal assente na tributação da pobreza de espírito assegura enormes vantagens. Desde logo, a base tributária seria alargada. Depois, em rigor, nenhum de nós estaria isento. Todos temos momentos para esquecer. E para, em consequência, tributar. Para além disso, porque o é, a pobreza de espírito revela-se a cada passo e dificilmente se esconde. Um só funcionário, sentado um dia inteiro em frente à televisão, arrecadaria mais imposto do que todas as repartições de finanças da Dinamarca. Sim, isto implica um novo imposto directo. Mas, nada impede que tributemos também a pobreza de espírito transmitida em diferido. Por outro lado, nada como introduzir uma nota de progressividade no sistema. Uma colecta mais do que proporcional em relação à matéria colectável deixaria cheios os cofres do Estado e os nossos corações insuflados de sentido de justiça. Por último, mas não menos importante, a evasão fiscal tornar-se-ia algo muito desejável. É certo que a exportação da pobreza de espírito implicaria, no curto prazo, uma diminuição de receita. Mas, em contrapartida, no médio prazo, uma fuga maciça à tributação tornaria Portugal um país infinitamente melhor.
As avózinhas que representam a Rússia no Festival da Canção são uma delícia. E a babushka mais baixinha é mesmo um encanto:
Sinto tanta distância dos que garantem que Relvas é uma criatura cheia de virtudes, incapaz de quaisquer aleivosias, como daqueles que sumariamente exigem a sua cabeça. É certo que, confirmando-se a existência da ameaça de divulgação de aspectos da vida privada, não pode haver qualquer dúvida sobre as consequências: demissão imediata. Mais, tendo a acreditar na versão dos factos que diz que tais ameaças ocorreram. Mas não creio que esta seja matéria em que uma posição definitiva possa depender de uma impressão não suportada em evidências. Se a liberdade de imprensa é um valor a preservar, o reconhecimento à imprensa da liberdade de apear um Ministro pela simples alegação da existência de pressões constituiria um ataque à democracia igualmente grave. Isto dito, importa recordar que Relvas, continuando a negar a existência das ameaças, admitiu hoje que: a) manifestou a sua indignação à editora do jornal por lhe terem sido dados 32 minutos para responder; b) referiu a possibilidade de um blackout pessoal (não extensivo ao restante governo); c) apresentou desculpas à directora do Público pelo tom (que não pelo conteúdo) que utilizou. Ora, estes factos permitem abrir duas linhas de reflexão. A primeira, de carácter geral, aponta para a existência de uma relação pouco saudável entre jornalistas e políticos. Demasiados telefonemas, cumplicidades, tricas, deslealdades, panelinha e conversas de botequim ali onde se impunha sobriedade, respeito e formalismo. A segunda diz respeito à situação em que o próprio Relvas se colocou. Se os factos já apurados podem não ser suficientes para provar que exerceu pressões inadmissíveis, aqueles que o próprio Ministro reconhece permitem concluir que não resistiu à pressão das circunstâncias. A sua actuação no caso SIED/Silva Carvalho já tinha os contornos de uma tremenda trapalhada. Na melhor das hipóteses, a interacção com o Público foi nervosa e incontida, o que revela inabilidade e falta de sangue-frio. Independentemente dos factos que os próximos dias trouxerem, a sua margem de actuação situa-se agora entre a demissão e a extrema fragilidade política.
O desemprego é o coiso. Os desempregados andam a coisar. É natural que se sintam fodidos. Os desempregados coisam nos Centros de Emprego. Não admira que os Centros de Emprego tenham má fama. Claro que passar o tempo a coisar também cansa . E, por isso, muitos desempregados acabam por deixar de procurar emprego. Já não coisam. São os inactivos. Outros, todavia, insistem. São os desempregados Viagra. O coiso deles é de longa duração. Quando os desempregados arranjam emprego, deixam de coisar. Fala-se nesse caso de coiso interruptus. O coiso interruptus pode ser provocado por políticas activas de emprego. Trata-se de métodos contracoisivos pouco eficazes. As coisas são o que são. E, mais tarde ou mais cedo, os desempregados voltam a coisar. Normalmente, os políticos não têm coisos de grande dimensão. O coiso dos políticos, quando ocorre, é um coisinho. Há logo um conhecimento ou uma influência que se move para os políticos deixarem de coisar. Apesar disso, os políticos gostam de falar do coiso. É o coisilingus. Alguns políticos pensam que podem influenciar a dimensão do coiso. Ou a penetração do coiso em determinados estratos populacionais ou regiões. Entusiasmados, os políticos vão mexendo no coiso. Tiram disso grande satisfação pessoal. Mas não provocam qualquer benefício a terceiros. Chama-se masturbação. Historicamente, as populações com menos instrução coisavam mais. Agora, os mais instruídos também coisam muito. E os jovens cada vez coisam mais. Em rigor, o coiso devia escrever-se com maiúscula para abranger ambos os géneros. Ou então dizer-se que os homens têm coiso e as mulheres têm coisa. O coiso e a coisa são diferentes. Em regra, a coisa é mais prolongada e pode repetir-se em períodos mais curtos de tempo. Periodicamente, são publicados os números do coiso. Sempre que o coiso aumenta (aqui deveria ter, naturalmente, utilizado maiúscula), gera-se grande agitação. Toda a gente quer ver o tamanho do coiso. E comentar o seu crescimento, embora ninguém tenha solução. No fundo, os comentadores nem coisam nem saem de cima. Em determinada altura, a análise sociológica reflectiu sobre o emprego. Marx teorizou sobre a coisificação do trabalho. Só no século XXI foi dado um salto qualitativo. Álvaro Santos Pereira coisificou o desemprego. Passos Coelho desenvolveu a utopia da oportunidade. Tal como o próprio Marx previra, a história repetiu-se. Como farsa.
Imagine que tem um filho e que um grupo de malfeitores o obriga a apontar-lhe uma arma. E que a arma tem duzentas câmaras. Cento e noventa e nove estão vazias e uma delas tem uma bala. Os malfeitores rodam o tambor da arma. A partir desse momento o leitor deve fazer um disparo. Existe uma hipótese em duzentas de ferir ou matar o seu filho. É uma posição insuportável para os pais. Pois é exactamente nessa posição que a Crioestaminal os quer colocar com o seu novo anúncio. No spot televisivo, com a imagem de uma criança sentada numa marquesa, uma voz começa por dizer que “há uma hipótese em 200” de um dia ser diagnosticada ao seu filho “uma doença cujo tratamento se pode encontrar nas suas células estaminais ou nas de um irmão”. Doenças como “a leucemia, o linfoma, tumores sólidos”, prossegue a voz em off. No final, a criança pergunta simplesmente: “Mãe, pai, guardaram as minhas células?” Ou seja, o que a criança realmente pergunta é: “Seus criminosos, como é possível que ponham a minha vida em causa e não recorram aos serviços da Crioestaminal?” Isto não é publicidade. É um delito de coação. Que recorre aos mais nobres sentimentos para dar origem a um sentimento de culpa injustificado, baseado em falsidades científicas. A Crioestaminal não está a pôr a ciência ao serviço da vida. Está a obrigar os seus eventuais clientes a jogar uma roleta russa vergonhosa a pretexto da doença e da morte. Fá-lo de forma consciente, como já admitiu no Facebook. A imprudência seria condenável. A agressão deliberada só pode suscitar repugnância.
Numa relação extra-conjugal com um homem que sofre de ejaculação precoce, a mulher peca sempre por tardia.