Sinto tanta distância dos que garantem que Relvas é uma criatura cheia de virtudes, incapaz de quaisquer aleivosias, como daqueles que sumariamente exigem a sua cabeça. É certo que, confirmando-se a existência da ameaça de divulgação de aspectos da vida privada, não pode haver qualquer dúvida sobre as consequências: demissão imediata. Mais, tendo a acreditar na versão dos factos que diz que tais ameaças ocorreram. Mas não creio que esta seja matéria em que uma posição definitiva possa depender de uma impressão não suportada em evidências. Se a liberdade de imprensa é um valor a preservar, o reconhecimento à imprensa da liberdade de apear um Ministro pela simples alegação da existência de pressões constituiria um ataque à democracia igualmente grave. Isto dito, importa recordar que Relvas, continuando a negar a existência das ameaças, admitiu hoje que: a) manifestou a sua indignação à editora do jornal por lhe terem sido dados 32 minutos para responder; b) referiu a possibilidade de um blackout pessoal (não extensivo ao restante governo); c) apresentou desculpas à directora do Público pelo tom (que não pelo conteúdo) que utilizou. Ora, estes factos permitem abrir duas linhas de reflexão. A primeira, de carácter geral, aponta para a existência de uma relação pouco saudável entre jornalistas e políticos. Demasiados telefonemas, cumplicidades, tricas, deslealdades, panelinha e conversas de botequim ali onde se impunha sobriedade, respeito e formalismo. A segunda diz respeito à situação em que o próprio Relvas se colocou. Se os factos já apurados podem não ser suficientes para provar que exerceu pressões inadmissíveis, aqueles que o próprio Ministro reconhece permitem concluir que não resistiu à pressão das circunstâncias. A sua actuação no caso SIED/Silva Carvalho já tinha os contornos de uma tremenda trapalhada. Na melhor das hipóteses, a interacção com o Público foi nervosa e incontida, o que revela inabilidade e falta de sangue-frio. Independentemente dos factos que os próximos dias trouxerem, a sua margem de actuação situa-se agora entre a demissão e a extrema fragilidade política.


Infelizmente no pasará nada …
Hmmm…
Gostei de ouvir no debate na RTP -Inf. o deputado do PCP insurgir-se contra a “pressão” Relvas…
Tem razão… Ele sabe quanto custou as “pressões” do seu camarada ” Nobel” Saramago no Diário Noticias, e, quanto custa preservar a liberdade de Imprensa no “Avante”.
Sendo certo que onde não há liberdade de imprensa não há pressão. O problema está resolvido à partido como o PCP gosta…
Eu gostei deste post. O “caso” Miguel Relvas tresanda.
Obrigado, Bruno. No mínimo, cheira-me a esturro.
Inteiramente de acordo consigo quando diz que, “se a liberdade de imprensa é um valor a preservar, o reconhecimento à imprensa da liberdade de apear um Ministro pela simples alegação da existência de pressões constituiria um ataque à democracia igualmente grave”. E também a mim não me cheira bem a relação, “pouco saudável”, como disse, entre políticos e jornalistas, no caso entre Relvas e os jornalistas do público, estes a desdobrarem-se em testemunhos públicos de coisas que apenas se terão passado entre duas pessoas, ou seja, de coisas em que só deveria contar a palavra de um contra a palavra de outro. Enfim, parece-me que ninguém fica bem na fotografia.
É o que acho também, TA.
Concordo com o seu post , mas também não será descabido pensar que o Público está determinado a afundar M. Relvas, e vai consegui-lo. Bom fim-de-semana.
Nada descabido, G.A..
Fico à espera da tua crónica sobre o almocinho de Miguel Relvas no Gigi com “o gordinho” e Rafael Mora, no dia 5 de Agosto de 2011?
P.S.Esse “Ministro” é mesmo com maiúscula, Rui?
Envio-ta por sms
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