Coiso e tal


Rui Rocha,

O desemprego é o coiso. Os desempregados andam a coisar. É natural que se sintam fodidos. Os desempregados coisam nos Centros de Emprego. Não admira que os Centros de Emprego tenham má fama. Claro que passar o tempo a coisar também cansa . E, por isso, muitos desempregados acabam por deixar de procurar emprego. Já não coisam. São os inactivos. Outros, todavia, insistem. São os desempregados Viagra. O coiso deles é de longa duração. Quando os desempregados arranjam emprego, deixam de coisar. Fala-se nesse caso de coiso interruptus. O coiso interruptus pode ser provocado por políticas activas de emprego. Trata-se de métodos contracoisivos pouco eficazes. As coisas são o que são. E, mais tarde ou mais cedo, os desempregados voltam a coisar. Normalmente, os políticos não têm coisos de grande dimensão. O coiso dos políticos, quando ocorre, é um coisinho. Há logo um conhecimento ou uma influência que se move para os políticos deixarem de coisar. Apesar disso, os políticos gostam de falar do coiso. É o coisilingus. Alguns políticos pensam que podem influenciar a dimensão do coiso. Ou a penetração do coiso em determinados estratos populacionais ou regiões. Entusiasmados, os políticos vão mexendo no coiso. Tiram disso grande satisfação pessoal. Mas não provocam qualquer benefício a terceiros. Chama-se masturbação. Historicamente, as populações com menos instrução coisavam mais. Agora, os mais instruídos também coisam muito. E os jovens cada vez coisam mais. Em rigor, o coiso devia escrever-se com maiúscula para abranger ambos os géneros. Ou então dizer-se que os homens têm coiso e as mulheres têm coisa. O coiso e a coisa são diferentes. Em regra, a coisa é mais prolongada e pode repetir-se em períodos mais curtos de tempo. Periodicamente, são publicados os números do coiso. Sempre que o coiso aumenta (aqui deveria ter, naturalmente, utilizado maiúscula), gera-se grande agitação. Toda a gente quer ver o tamanho do coiso. E comentar o seu crescimento, embora ninguém tenha solução. No fundo, os comentadores nem coisam nem saem de cima. Em determinada altura, a análise sociológica reflectiu sobre o emprego. Marx teorizou sobre a coisificação do trabalho. Só no século XXI foi dado um salto qualitativo. Álvaro Santos Pereira coisificou o desemprego. Passos Coelho desenvolveu a utopia da oportunidade. Tal como o próprio Marx previra, a história repetiu-se. Como farsa.

27 comentários em “Coiso e tal”

  1. Caro Senhor Rui Rocha

    O meu homem e eu estamos ambos desempregados, não temos acção nem erecção para coisar, pergunto: que devemos fazer?

    Obrigado Sr Rocha… E oxalá não fique desempregado…e sempre duro como uma rocha!

    Meu esposo quando vê na TV a D. Cristas… diz sempre: – esta é que devia gerir o” coiso.”.. Será?

    1. Julgo que o texto aponte um facto evidente. Discute-se muito o desemprego, e pior, o desemprego é positivo para a oposição (seja esta qual for) porque dá uma oportunidade a esta para brilhar, mas nunca se discute os caminhos (não gosto do termo solução) para escaparmos aos números crescentes do desemprego, e esquecemos que o desemprego é uma consequência de más políticas. E más políticas envolvem variadíssimos sectores que vão desde a justiça a educação, passando pela qualidade do jornalismo e do civismo dos portugueses.

      1. Hó homem…desde pelo menos Marx, que se discute as relações de produção. Não sabia???

        1. Sim, é verdade. Pena que o Marx não esteja presente para resolver os problemas do desemprego. Ele tinha sempre boas ideias depois de tomar banho.

  2. Realmente um ministro falar do desemprego e descair-se com o termo “do coiso” foi de muito mau tom em todos os sentidos.

  3. Magnífico texto.
    A brincar falas de assuntos muito sérios e todos vem aqui ler.
    Parabéns!

    Será que o “coiso” irá ler este texto?!!!

    GR

  4. Muito bem, Rui. Concordo plenamente. Ultimamente este país anda a coisar demasiado… Definitivamente precisamos de menos desempregados Viagra.
    Já agora, é a primeira vez que vejo este blog e devo dizer que estou a adorar. Parabéns a todos.

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