O desemprego é o coiso. Os desempregados andam a coisar. É natural que se sintam fodidos. Os desempregados coisam nos Centros de Emprego. Não admira que os Centros de Emprego tenham má fama. Claro que passar o tempo a coisar também cansa . E, por isso, muitos desempregados acabam por deixar de procurar emprego. Já não coisam. São os inactivos. Outros, todavia, insistem. São os desempregados Viagra. O coiso deles é de longa duração. Quando os desempregados arranjam emprego, deixam de coisar. Fala-se nesse caso de coiso interruptus. O coiso interruptus pode ser provocado por políticas activas de emprego. Trata-se de métodos contracoisivos pouco eficazes. As coisas são o que são. E, mais tarde ou mais cedo, os desempregados voltam a coisar. Normalmente, os políticos não têm coisos de grande dimensão. O coiso dos políticos, quando ocorre, é um coisinho. Há logo um conhecimento ou uma influência que se move para os políticos deixarem de coisar. Apesar disso, os políticos gostam de falar do coiso. É o coisilingus. Alguns políticos pensam que podem influenciar a dimensão do coiso. Ou a penetração do coiso em determinados estratos populacionais ou regiões. Entusiasmados, os políticos vão mexendo no coiso. Tiram disso grande satisfação pessoal. Mas não provocam qualquer benefício a terceiros. Chama-se masturbação. Historicamente, as populações com menos instrução coisavam mais. Agora, os mais instruídos também coisam muito. E os jovens cada vez coisam mais. Em rigor, o coiso devia escrever-se com maiúscula para abranger ambos os géneros. Ou então dizer-se que os homens têm coiso e as mulheres têm coisa. O coiso e a coisa são diferentes. Em regra, a coisa é mais prolongada e pode repetir-se em períodos mais curtos de tempo. Periodicamente, são publicados os números do coiso. Sempre que o coiso aumenta (aqui deveria ter, naturalmente, utilizado maiúscula), gera-se grande agitação. Toda a gente quer ver o tamanho do coiso. E comentar o seu crescimento, embora ninguém tenha solução. No fundo, os comentadores nem coisam nem saem de cima. Em determinada altura, a análise sociológica reflectiu sobre o emprego. Marx teorizou sobre a coisificação do trabalho. Só no século XXI foi dado um salto qualitativo. Álvaro Santos Pereira coisificou o desemprego. Passos Coelho desenvolveu a utopia da oportunidade. Tal como o próprio Marx previra, a história repetiu-se. Como farsa.
Coiso e tal
Rui Rocha,

Caro Senhor Rui Rocha
O meu homem e eu estamos ambos desempregados, não temos acção nem erecção para coisar, pergunto: que devemos fazer?
Obrigado Sr Rocha… E oxalá não fique desempregado…e sempre duro como uma rocha!
Meu esposo quando vê na TV a D. Cristas… diz sempre: – esta é que devia gerir o” coiso.”.. Será?
Julgo que o texto aponte um facto evidente. Discute-se muito o desemprego, e pior, o desemprego é positivo para a oposição (seja esta qual for) porque dá uma oportunidade a esta para brilhar, mas nunca se discute os caminhos (não gosto do termo solução) para escaparmos aos números crescentes do desemprego, e esquecemos que o desemprego é uma consequência de más políticas. E más políticas envolvem variadíssimos sectores que vão desde a justiça a educação, passando pela qualidade do jornalismo e do civismo dos portugueses.
É uma evidência, Bruno.
à educação
Hó homem…desde pelo menos Marx, que se discute as relações de produção. Não sabia???
Sim, é verdade. Pena que o Marx não esteja presente para resolver os problemas do desemprego. Ele tinha sempre boas ideias depois de tomar banho.
Sinto-me o Júlio Machado Vaz. Sem barba.
Realmente um ministro falar do desemprego e descair-se com o termo “do coiso” foi de muito mau tom em todos os sentidos.
Há um claro problema do Governo em relação ao desemprego. Desde logo, ao nível da linguagem. Não sei se fica por aí.
grande “coisa” esta tua “posta”, Rui. 🙂
e é uma pena termos ministros tão coisos, numa altura destas…
É, Luís. Também me parece que precisávamos de coisa diferente.
Parabéns! Parabéns! Parabéns!



Obrigado, António.
Republiquei… 270.html
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1388
Agradeço o destaque, António.
Magnífico texto.
A brincar falas de assuntos muito sérios e todos vem aqui ler.
Parabéns!
Será que o “coiso” irá ler este texto?!!!
GR
Obrigado, GR. Ora aí está uma coisa à qual não sei responder…
Resumindo,estamos todos coisados.
É isso, Isabel. Mais coisa menos coisa.
…farsa??Não será antes tragicomédia?
Pergunto-me se não será só uma tragédia, Rosa.
Concerteza.É que como aparecia ali farsa…
Muito bem, Rui. Concordo plenamente. Ultimamente este país anda a coisar demasiado… Definitivamente precisamos de menos desempregados Viagra.
Já agora, é a primeira vez que vejo este blog e devo dizer que estou a adorar. Parabéns a todos.
Obrigado pelo comentário, M. Ainda bem que gostou do nosso blogue. E, já agora, desejo-lhe sorte para o seu.
Outro grande texto. Qualquer dia tens de pensar em publicar estas reflexões sem parágrafos.
Obrigado, Luís (pelo comentário e pela sugestão que ficou registada).
Abraço.
Depois oferece-me um livro assinado para agradecer a sugestão 😉