A Amnistia Internacional divulgou ontem o seu 50º relatório anual. Aí se declara que a violência doméstica continua a ser um problema grave em Portugal. De acordo com o relatório, entre Janeiro e Agosto de 2011, a PSP e a GNR receberam 14.508 queixas de violência doméstica. Por seu lado, a UMAR tinha registado até Novembro de 2011 23 mortes e 39 tentativas de homícidio como resultado de violência doméstica. Tal como refere Vítor Nogueira, Presidente da AI, os números visíveis são extremamente preocupantes, mas constituem apenas a ponta de um icebergue de medo, dor e desespero. Os autores e protagonistas do anúncio de promoção da plataforma Vai Bater entendem que esta é uma situação que pode ser levada na brincadeira. O humor que dizem estar presente no spot é, convenhamos, de morte. E, tal como os próprios reconhecem, não recorrem ao dito (se existisse) para denunciar a situação das vítimas ou para lhes prestar solidariedade. Trata-se, apenas e só, de pedirem emprestado o sofrimento para passar uma imagem perturbante que lhes assegure notoriedade. Perante tais desígnios, confesso que tudo o que lamento é que não partam a cabeça:
Só à cabeçada
Rui Rocha,

Como já disse noutra freguesia, esse spot é fraco na qualidade, fraco no conteúdo e muito mau na mensagem que transmite. Mas o pior é o actor exibir toda a sua mariquice.
Mau gosto.
Se feri susceptibilidades, mil perdões. Mas caso não acompanhe a luta contra a violência doméstica na América Latina, garanto que um dos argumentos utilizados é ferir o “machismo” e a “virilidade” dos agressores. Um homem a sério não agride a mulher.
Nesse ponto, toda a razão.
Isto é de um mau gosto intolerável!
Nem mais, Teresa.
A tua indignação faz todo o sentido, Rui. Partilho-a.
Obrigado, Pedro.
Não só o anúncio é de um mau gosto atroz, como é ainda por cima um plágio descarado. É preciso ter lata para dizer “a ideia foi nossa”.