E vão dois.


Luís Menezes Leitão,

 

Depois de Fernando Seara é agora Luís Filipe Menezes que é impedido pelos tribunais de se candidatar à Câmara do Porto. Não sei sinceramente o que passou pela cabeça dos estrategas autárquicos do PSD, ao insistir nesta estratégia de recandidatar dinossauros autárquicos em câmaras distintas. Isto dá para a opinião pública uma imagem desastrosa de total incapacidade de renovação do partido, quando havia tantos jovens quadros capazes de apresentar candidaturas com hipótese de vitória. Mas ao mesmo tempo dá uma imagem de hipocrisia e de inconsistência. Costuma dizer o povo que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Se o PSD queria candidatar os seus autarcas até à eternidade, nunca poderia ter aprovado uma lei de limitação de mandatos. Se a aprovou, é manifesto que depois não a poderia tornear, procurando deslocar os seus autarcas de concelho para concelho. Tal representa uma autêntica fraude à lei que muito provavelmente os tribunais não sancionariam. E em qualquer caso é uma estratégia politicamente suicida pôr os candidatos a combater os tribunais em lugar de combater os seus adversários. Só de facto quem se está a lixar para as eleições é que pode apresentar uma estratégia semelhante. Insistir nela é provocar o desastre.

 

P.S. Faço esta apreciação independentemente da avaliação do mérito dos candidatos. Na verdade, se não existisse este problema, Seara seria um bom candidato a Lisboa. Já Menezes, pelo contrário, parece-me ser um péssimo candidato ao Porto. Como já observei aqui, achei desastroso ele ter aparecido, depois de anos de gestão equilibrada de Rui Rio, a propagandear as virtudes do despesismo autárquico, prometendo fazer três novas pontes e um túnel no Porto. Se esta decisão judicial contribuir para que surja uma candidatura com propostas mais adequadas ao momento em que vivemos, estou seguro que os portuenses agradecerão.

Motivos mais do que suficientes para uma manifestação


Rui Rocha,

Leio que anda por aí muita indignação com a deslocalização do Praça da Alegria e o corte de financiamento das actividades da Casa da Música. Pelo visto, há até quem proponha a realização de uma manifestação nos Aliados, uma espécie de 15 de Setembro com pronúncia do Norte. Tenho dificuladade em avaliar os fundamentos que levam a tais posições. Mas, de uma coisa estou certo. Se existe situação que justifica um levantamento popular, essa é a indicação pelo PSD de Menezes e de Marco António Costa como candidatos às Câmaras Municipais do Porto e de Gaia. Sejamos sinceros. Isto não se faz a ninguém, carago! 

 

Apelo público ao CDS


escafandro,

Vá lá, arranjem alguém que se oponha a Luís Filipe Menezes na corrida à presidência da Câmara Municipal do Porto. Pode ser Rui Moreira (excessivamente portista para os meus gostos mas, enfim, nem eu estou isento de defeitos), pode ser outra pessoa – não caiam é na asneira de se deixarem colar a um dos símbolos da irresponsabilidade orçamental que assolou este país nos últimos (muitos, demasiados) anos.

E, aproveitando estar com a mão na massa, peço-vos que façam o mesmo em Vila Nova de Gaia se o candidato do PSD for o… o… (caramba, nem tenho adjectivos)… Marco António Costa. Evitem-me um comportamento que detesto: votar em branco.

Muito obrigado.

A troca


escafandro,

Revelando uma intenção que poucas pessoas no país desconfiavam que tivesse, Luís Filipe Menezes anunciou a candidatura à presidência da Câmara Municipal do Porto. Acho bem. Com as contas equilibradas, o Porto necessita do brilhantismo de Menezes no aumento do endividamento. Como, de resto, a Gaia, com as contas de rastos, faria bem o brilhantismo de Rio na diminuição do mesmo. Não será possível convencê-los a irem trocando de câmara um com o outro?

Contra a javardice


Pedro Correia,

                  

                  

 

Dois membros do Bloco de Esquerda insurgiram-se contra a decisão, em boa hora anunciada pelo Ministério da Administração Interna, de combater as pichagens em locais públicos que conspurcam os edifícios da esmagadora maioria das nossas cidades (e falo em maioria, e não em totalidade, porque recentemente tive o prazer de descobrir Guimarães e Viana do Castelo como cidades praticamente livres deste flagelo). Há ruas inteiras em Lisboa, Porto ou Caldas da Rainha, por exemplo, onde nem um edifício escapa aos semeadores de tags que aproveitam as sombras da noite para as suas acções de poluição visual.

Pensava eu que qualquer cidadão civilizado estaria contra esta javardice. Enganei-me: aqueles dois bloquistas, João Teixeira Lopes e José Soeiro, declaram-se indignados não com quem polui mas com quem procura combater a poluição, bradando contra “o horror higienista” destes últimos. Aguardo as próximas tomadas de posição de tão ilustres sumidades em defesa da manutenção en su sitio dos milhares de beatas e dos dejectos de cão e de pombo que enchem ruas, praças e avenidas. Se a correcção política os conduz ao elogio das paredes conspurcadas, por maioria de razão devem procurar manter a mão da lei fora de jardins e passeios transformados em expositores de lixo: “horror higienista” é que não.

Lamento, mas penso de maneira oposta. Eleitor em Lisboa, prometo desde já apoiar o candidato à eleição municipal de 2013 que inclua com maior visibilidade no seu programa eleitoral o combate à degradação paisagística da cidade – o que implica ter mão firme contra os pseudo-grafiteiros, por mais que alguns procurem elevar os seus rabiscos à dignidade de “arte urbana”. Mereciam tais vozes ver os prédios onde habitam “grafitados” da cave ao sótão para melhor se enebriarem com tanta “arte”.

 

Estou com Alexandre Delgado, que hoje protesta sem rodeios no Público contra a confusão que alguns pretendem estabelecer entre grafitti e tags: os primeiros são defensáveis, os últimos não. “Quem faz grafitti de arte geralmente escolhe os locais próprios e contribui para enriquecer o espaço público. Até ‘mensagens poéticas’ são aceitáveis, quando feitas em edifícios devolutos. Os rabiscadores de tags não respeitam nada disso: eles são os primeiros a vandalizar grafitti artísticos (como os da Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, ou os painéis do Elevador da Glória). Não contribuem com nada, a não ser os excrementos do seu ego invasor”, defende o compositor, acentuando: “Com a legislação actual, nem vale a pena fazer queixa à polícia. O Ministério da Administração Interna quer simplesmente fazer aquilo que já se devia ter feito há muito tempo: adequar a lei e criminalizar essa forma de vandalização do espaço público. É razão para aplaudir entusiasticamente. Aqui ficam duas sugestões: que a punição dos culpados inclua obrigatoriamente raspar e pintar aquilo que vandalizaram; e que se crie um imposto extraordinário sobre sprays de tinta, destinado a limpar as pichagens que tantos lucros geram a fabricantes e vendedores, e que tantos prejuízos causam a proprietários, instituições e cidadãos em geral. Esta não é uma causa de esquerda ou de direita: é uma causa de civilização contra a barbárie.”

Não posso estar mais de acordo. Se Guimarães e Viana conseguem ser cidades limpas, porque não sucederá o mesmo em Lisboa, Porto ou Faro?

 

Em cima, no sentido dos ponteiros do relógio: pichagens em Lisboa (Avenida de Roma), Porto (antigo cinema Batalha), na baixa de Faro e no centro das Caldas da Rainha. Fotos minhas.

À dúzia é mais barato.


Luís Menezes Leitão,

 

Quem ganha esta semana o prémio Despesismo é Luís Filipe Menezes ao propor, não uma nova ponte, mas antes três novas pontes e um túnel a unir Gaia ao Porto. A proposta corresponde apenas a uns modestos 115 milhões de euros. Nas palavras do próprio: “Não é muito dinheiro. Só o que entregamos ao BPN daria para 500 pontes. Se parassem as obras de reabilitação em Mouzinho da Silveira (Porto) ou na Circular do Centro Histórico (Gaia) daria para pagar uma ponte. O investimento no Teleférico ou na Douro Marina ou no Centro de Alto Rendimento Olímpico daria para pagar outra ponte“. Já estamos então a perceber para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos. Anda a ser gasto pelos autarcas do país à fartazana, sendo que a unidade de conta dos gastos já não é o euro, tendo passado a ser a ponte.

 

Não sei por que é Luís Filipe Menezes não triplica a sua proposta, passando antes a ser nove pontes e três túneis. Era capaz de se conseguir que à dúzia fosse mais barato e que o valor da unidade de conta ponte acabasse por descer. Na verdade, 12 pontes são uma ninharia comparada com as 500 que custa o BPN. Conforme sabemos todos, o país está muito rico, há ouro no Alentejo e petróleo no Algarve, e não há por isso motivo nenhum para que os autarcas do país não construam todas as pontes que lhes apetecer construir.

 

Há quem aplauda entusiasticamente esta proposta, parafraseando até a canção de Pedro Abrunhosa: “que nunca caiam as pontes entre nós“. A mim apetece-me mais traulitar antes outra canção, a Ribeira dos Já Fumega: “A ponte é uma passagem… para a outra margem. Desafio, pairando sobre o rio. A ponte é uma miragem“.

Leitão, substantivo masculino


Rui Rocha,

 

Sempre fui sensível ao humor canalha. Aquele que, com a boca na botija, permite ao seu autor sair por cima. Se o humor canalha tivesse uma nacionalidade, havia de ser argentino. E se quiséssemos um exemplo, aí teríamos o de Maradona. A mão da infracção tornou-a Dieguito, à custa dos ingleses, estes habituados a outras variantes de humor, na mão de Deus. Com a língua do Diabo. Que, como se sabe, é tendeiro. É também essa que falam os mânfios de certas zonas do Porto, habituados a controlar ali entre a Ribeira e os relógios desviados da Rua do Loureiro. Foi da lábia destes que me recordei quando ouvi Manuel Leitão afirmar, a propósito do Guia de que é editor e em que aparece na capa a inscrição “Rio és um FDP”, que Rio “é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo”. É, agora que se sabe que tal inscrição nunca existiu no local e que foi colocada na edição em causa deliberadamente, uma excelente tirada. Sobretudo se tivermos em conta que, em bom português, leitão é porco. Dos pequeninos.

Porto sentido


Ana Vidal,

 

Encontrei o belo milhafre menos grave e sério, espreguiçando as penas sob um glorioso sol de Inverno. Habituado a tiritar num cinzento de chumbo, esse chumbo que lhe feriu um dia a asa, deixou-se por uma vez de lutos e mistérios e recebeu-me alegre como nunca. Por uma vez lhe vi sorridente o rosto de cantaria, franco e aberto o jeito fechado, resplandecente o timbre pardacento. Por uma vez o luto lhe foi aliviado por uma rara benção dos deuses. E vim pensando, no regresso a casa, que, de tão luminoso, o milhafre quase me parecia a minha gaivota moura.

Fusão, união e aglutinação ou a reforma da administração local


escafandro,

A reforma da administração local não pode ficar pelas Juntas de Freguesia mas ninguém no governo (muito menos na oposição, onde os socialistas parecem desejar apenas que não lhes façam perguntas sobre o assunto) tem coragem de mencionar Câmaras Municipais que possam ser extintas – ou aglutinadas, para usar o eufemismo do Ministro Relvas (ou ele terá usado «agrupadas»? Não importa, foi um termo assim bonito). Como eu não preciso de cuidar das sensibilidades dos senhores autarcas, deixem-me avançar já com uma: aquela onde resido, Vila Nova de Gaia. A ideia da fusão (outro termo que o Ministro Relvas poderá usar no futuro) entre Porto e Gaia não é nova. Surge de vez em quando e, na minha opinião, faz todo o sentido. Admito que, tendo nascido a cerca de duzentos quilómetros e encontrando-me instalado na zona apenas há quinze anos, o meu estatuto de «imigrante» pode ter contribuído para que eu sempre tenha visto a separação entre as duas cidades como artificial. Mas creio que poucas pessoas, mesmo entre as nascidas e criadas aqui, pensam em Porto e Gaia como duas cidades distintas. O Douro é demasiado estreito e, muito mais do que uma separação, revela-se um elemento unificador. E talvez convenha lembrar que Vila Nova de Gaia já resultou da aglutinação, ocorrida em 1834, de duas vilas (Gaia e Vila Nova). A História não acabou nesse momento; não nos obriga a manter tudo como está. A junção (olha, mais um termo para o Ministro Relvas) dos dois municípios daria origem a um novo com menos de quinhentos e cinquenta mil habitantes (539631, de acordo com os resultados preliminares do Censos 2011), perfeitamente gerível (continuaria com menos população do que Lisboa), eliminando atritos estéreis e permitindo ganhos de eficiência (pelas economias de escala e também pela melhor coordenação de políticas de interesse mútuo). De facto, eu até me atreveria a propor a junção de Matosinhos (mais 174931 pessoas) à nova entidade. E (ainda bem que pouca gente conhece a minha aparência) que se ponderasse a união (mais um termo à consideração do Ministro) entre Gondomar e Valongo (isto se Gondomar não preferir anexar-se ao Porto). E entre a Póvoa do Varzim e Vila do Conde. As razões históricas, hoje expressas em bairrismos inúteis (quem, ao percorrer a marginal da Póvoa e de Vila do Conde, sente estar a passar de uma cidade para outra?), não devem impedir o estabelecimento de formas mais eficientes de administração local. Em especial numa época de aperto financeiro.

 

Quanto a sugestões para outras áreas do país (Lisboa, por exemplo), deixo-as para alguém que as conheça melhor do que eu.

Os portuenses e o mundo


jmmcc,

São os três portuenses e param ali pela Rotunda da Boavista. O homem nada tem de especial, mas um dos outros é um tipo estranho: ou o frango ou o leitão, um deles quer passar por ser o outro. Um dia destes ainda acabaremos por encontrar na Bairrada um leitão tipo frango. O mundo está a mudar rapidamente. Às vezes já muda em três semanas.

Passado presente (especial)


jmmcc,

 

Ponte de D. Maria Pia* (Porto, 1877)

 

* — Fotografia de A.Correia, “roubada” aqui.

Inaugurada pelo Rei D. Luís em 1877 (ao fundo, um desenho da época) e baptizada com o nome da Rainha consorte D. Maria Pia de Sabóia, foi projectada por Théophile Seyrig e construída pela Eiffel Constructions Métalliques, sob a direcção de Gustave Eiffel, que morou em Barcelos durante a obra. Trata-se de uma ponte ferroviária sobre o Douro, com uma só linha e há muito incapaz de responder às necessidades, pelas limitações que impunha. Acabou por ser substituída em 1991 pela Ponte de S. João (que se vê em plano mais afastado, em cima) e ficou fechada desde então, acentuando sinais evidentes de corrosão e abandono. Monumento óbvio a preservar, parece pela foto que a velha ponte está a ser tratada. Aguardemos que seja isso, porque há quase duas décadas que a sua decadência era ignorada.

31 de Janeiro


jmmcc,

Este velho postal do Porto é do tempo do Estado Novo, que entendeu chamar Rua de Santo António àquela que vai por ali acima, repescando a toponímia antiga. O regime actual restituiu-lhe o nome que tinha antes disso, a lembrar a revolta falhada: Rua de 31 de Janeiro.

Menos palavras e mais trabalho, ok?


jmmcc,

O líder federativo do PS-Porto manifestou o «apoio inequívoco» do partido aos independentes eleitos com Elisa Ferreira. Pudera. Desde o início que o PS fez tudo mal, em relação à candidatura autárquica no Porto, onde deixou a estrutura federativa e a distrital com mais outro tema de discórdia: uma a favor e outra contra a candidata portuense. Depois de tantas cenas gagas, só faltava que os independentes eleitos pelo PS não tivessem o apoio do partido.

É o costume: volta-meia-volta, há-de sempre aparecer alguém o dizer o que é óbvio só para ver o seu nome no jornal (aqui é que não vai ver, não). Aquela declaração foi tão útil como convocar uma conferência de imprensa para anunciar que hoje é domingo em todo o país. Vão mas é trabalhar, que o domingo é só para descanso dos justos.

Como só no Porto


jmmcc,

Bem, para despedida deste animado fim-de-semana que se viveu por aqui,  estão todos convidados para uma Francesinha como só no Porto se faz.  Por conta da casa, como só no Porto se abraça. Para os amigos, como só no Porto se recebe.

Porquê? Ora, porque as praias e almoçaradas mais as esplanadas e jantaradas destes dois dias devem estar a pedir repouso. Aqui fica, pois, uma coisinha leve e de fácil digestão. Como só no Porto se entende.