Quem ganha esta semana o prémio Despesismo é Luís Filipe Menezes ao propor, não uma nova ponte, mas antes três novas pontes e um túnel a unir Gaia ao Porto. A proposta corresponde apenas a uns modestos 115 milhões de euros. Nas palavras do próprio: “Não é muito dinheiro. Só o que entregamos ao BPN daria para 500 pontes. Se parassem as obras de reabilitação em Mouzinho da Silveira (Porto) ou na Circular do Centro Histórico (Gaia) daria para pagar uma ponte. O investimento no Teleférico ou na Douro Marina ou no Centro de Alto Rendimento Olímpico daria para pagar outra ponte“. Já estamos então a perceber para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos. Anda a ser gasto pelos autarcas do país à fartazana, sendo que a unidade de conta dos gastos já não é o euro, tendo passado a ser a ponte.
Não sei por que é Luís Filipe Menezes não triplica a sua proposta, passando antes a ser nove pontes e três túneis. Era capaz de se conseguir que à dúzia fosse mais barato e que o valor da unidade de conta ponte acabasse por descer. Na verdade, 12 pontes são uma ninharia comparada com as 500 que custa o BPN. Conforme sabemos todos, o país está muito rico, há ouro no Alentejo e petróleo no Algarve, e não há por isso motivo nenhum para que os autarcas do país não construam todas as pontes que lhes apetecer construir.
Há quem aplauda entusiasticamente esta proposta, parafraseando até a canção de Pedro Abrunhosa: “que nunca caiam as pontes entre nós“. A mim apetece-me mais traulitar antes outra canção, a Ribeira dos Já Fumega: “A ponte é uma passagem… para a outra margem. Desafio, pairando sobre o rio. A ponte é uma miragem“.


é fácil fazer obra com o dinheiro dos outros, ou ainda pior, com o dinheiro que não existe…
andamos nas “PPP” e ainda não entrámos a fundo a realidade autárquica.
só quando tivermos a noção dos pavilhões, piscinas, centros culturais, etc, que fecharão portas, porque não há dinheiro para a sua manutenção, é que perceberemos os males do “QREN”, que chegou a financiar 80% do valor total de algumas obras, aparentemente públicas.
era um grande “doce”, então para gulosos…
Exactamente. Quando se souber da despesa descontrolada das autarquias, estou para ver as conclusões.
Nem mais. Eu já tinha ficado cheio de urticária (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4 192669.html) por causa do pré-anúncio de Menezes.
Custa-me dizê-lo, as lágrimas turvam-me os olhos e embargam-me a garganta, mas Vossas Excelências não passam de Sulistas e Elististas sem coração!!!
Qualquer pessoa que de boa fé percebe que o Senhor Doutor Meneses (vénia) apenas está a pensar nas famílias desfavorecidas, e são muitas nesta região particularmente atingida pela crise, que estão a ter que entregar as casas aos bancos! Vão viver para baixo do quê? Nós cá não temos pontes com 17 Km, como a Vasco da Gama, carago!
Tem toda a razão e agradeço por me ter aberto os olhos. Foi o meu espírito sulista e elitista liberal empedernido que me impediu de ver que afinal as pontes eram uma assistência social prestada aos sem abrigo.
Receio, porém, que com o agravar da crise económica nem pontes com o tamanho da Vasco da Gama cheguem para os abrigar a todos.
Centro de Alto Rendimento Olímpico: C.A.R.O.
Desafio pairando sobre Rio…
É, não sei se rio ou choro.
Mas há um ligeiro detalhe, quando a ligação entre as duas margens melhora, menos sentido faz pensar em duas cidades distintas. Porto e Gaia são a continuação uma da outra. Talvez Meneses tenha feito as contas ao que se pouparia com a extinção da Câmara de Gaia, inserindo tudo num município alargado do Porto.
Palpita-me que se esta proposta fosse feita em Lisboa a indignação do caro opinador seria bem menor. Como é no Porto, já não pode ser. Grandes malandros estes Portuenses
Não tenha dúvidas. Eu deveria achar naturalíssimo que o António Costa quisesse construir mais três pontes e um túnel sobre o Tejo…
Sei que humor e políticos não é propriamente uma normalidade.
Mas neste caso fico na dúvida: O Sr. Dr. Menezes não estaria numa de “contar” uma piada?
Cumprimentos!
Para mal dos nossos pecados, acho que tem sido levado a sério.
Cumprimentos, também.
Para quando uma investigação ao lobby autárquico ? Profissionalmente lido muito com o Estado, sobretudo com conservatórias e tribunais. Os seus funcionários vêem-se e desejam-se” para cumprir com a sua missão, sobretudo com o famoso e famigerado simplex “. Entra-se numa qualquer autarquia deste jardim á beira-mar plantado, é o relax total, não se faz hoje, venha cá para a semana. A porca da política dita democrática, tem destes senões . Tudo o que estiver conotado e ligado com os partidos políticos está safo. Reparem, cortou-se em todo o funcionalismo público, menos nas autarquias, porque será?