A ver o Mundial (12)


Pedro Correia,

As palavras dos outros:

 

Nuno Gouveia: “No final do jogo, Eduardo, o melhor em campo, chorava. Pepe, um dos piores da selecção nacional, abraçava um colega espanhol, com um grande sorriso na cara.”

 

João Távora: “A nossa selecção, para além de perder, deixou na Africa do Sul uma confrangedora imagem do nosso futebol: cinzento, medroso e triste, muito triste, como o povo que representa.”

 

Alexandre Borges: “Muita gente não entendeu a convocatória de Ricardo Costa. Afinal, tinha uma missão bem definida: mostrar, à saciedade, quanto percebe Queiroz de futebol.”

 

Fernando Moreira de Sá: “A Espanha fez por merecer contra uma equipa que se perdeu após a primeira substituição e não mais se encontrou.”

 

José Adelino Maltez: “A Catalunha jogou melhor.”

 

João Severino: “Destaque e grande aplauso para Eduardo e Fábio Coentrão, os dois melhores jogadores da selecção que não mereciam ter sido orientados por um assistente de treinador que sabe muito pouco de futabol.”

 

Henrique Raposo: “O homem matou a equipa ao tirar o nosso melhor jogador no jogo, Hugo Almeida.”

 

Manuel S. Fonseca: “Saímos humildes e, a partir da substituição de Hugo Almeida, medíocres sem ambição.”

 

João Ferreira Dias: “Queiroz não aprendeu a lição mais importante de José Mourinho: injectar adrenalina.”

 

Rogério da Costa Pereira: “Se o Ronaldo tivesse podido estar no Mundial, tudo teria sido diferente.”

 

Nuno Gonçalo Poças: “Portugal é isto: um líder incompetente, um capitão que não serve de exemplo e muita qualidade a que ninguém dá o devido mérito no tempo certo.”

 

João Cândido da Silva: “Nada como uma derrotazinha por um a zero no segundo jogo contra um adversário digno desse nome para deixar os crentes na selecção luso-brasileira com a fé um bocadinho beliscada.”

 

José António Abreu: “Até a jogar futebol Portugal está parecido com a Grécia.”

A ver o Mundial (11)


Pedro Correia,

Portugal despediu-se hoje do Mundial da África do Sul. Um golo de Villa aos 63′, culminando uma excelente combinação com Iniesta e Xaví, bastou para os espanhóis derrotarem os portugueses nesta partida dos oitavos-de-final disputada na Cidade do Cabo. Minutos antes do golo, Carlos Queiroz tirou do campo Hugo Almeida, o mais eficaz dos atacantes portugueses. Esta inexplicável substituição, conjugada com o golo sofrido, bastou para desnortear a selecção das quinas, que até aí conseguira anular as jogadas ofensivas dos espanhóis e praticara bons lances de contra-ataque, equilibrando a partida. A partir daí, foi o descalabro: o meio-campo português praticamente deixou de existir. E os espanhóis só não marcaram mais porque na baliza estava Eduardo, um dos melhores guarda-redes deste Mundial.

À beira do fim, a expulsão de Ricardo Costa, por agressão a um defesa espanhol, era um perfeito símbolo da desorientação da equipa portuguesa, que a partir daí passou a jogar com dez. Ou antes, com nove. Porque Cristiano Ronaldo mal se viu em todo o jogo.

 

Espanha, 1 – Portugal, 0

 

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Eduardo – Uma grande exibição. Mais uma. Sai da África do Sul como o melhor jogador português. E um dos melhores guarda-redes do Mundial. Não teve a mínima culpa no golo, que se deveu a uma recarga do inconformado e combativo Villa. Terminou o jogo em lágrimas, como Eusébio no Mundial de 1966. Uma atitude que merece aplauso.

 

Ricardo Costa – Nem Miguel nem Paulo Ferreira: Queiroz optou por reeditar a solução adoptada no jogo contra o Brasil. A verdade é que Ricardo Costa foi o elo mais fraco da defesa portuguesa. Intranquilo, perdeu diversos lances individuais com Villa. E perdeu a cabeça à beira do fim, com uma agressão que lhe valeu o cartão vermelho.

 

Ricardo Carvalho – Novamente o patrão da defesa das quinas. Anulou várias ofensivas espanholas com grandes desarmes, bem à sua maneira.

 

Bruno Alves – Forma um eficaz dueto na defesa central com Ricardo Carvalho, dando segurança à equipa. A defesa foi, claramente, o ponto mais forte da selecção portuguesa neste Mundial.

 

Fábio Coentrão – Novamente um dos melhores em campo. O defesa benfiquista sai da África do Sul como um dos melhores do torneio. Bateu-se bem contra Sergio Ramos e anulou Fernando Torres. Muitos dos melhores lances ofensivos portugueses começaram nos pés dele. Tal como a generalidade dos colegas, apagou-se na última meia hora.

 

Pepe – Actuação sem brilho. Demonstrou que está ainda muito longe da sua melhor forma física.

 

Tiago – Fez dois remates perigosos à baliza espanhola na fase inicial do encontro. Eficaz nas missões de marcação no meio campo durante todo o primeiro tempo. Foi um dos que acusaram com maior nitidez o golo espanhol.

 

Raul Meireles – Fez um excelente passe da linha lateral para a cabeça de Hugo Almeida aos 38′. Recuperou bem as bolas, lançando ataques. Baixou muito de nível na segunda parte.

 

Cristiano Ronaldo – Voltou a demonstrar que não se integra bem na selecção portuguesa. Pareceu ausente em diversas partes do encontro, jogando em sectores muito recuados. Após a mudança táctica, quando Queiroz o mandou mais para a frente, o seu desempenho não melhorou. Prometeu o melhor Mundial de sempre. Regressa a casa com mais esta promessa por cumprir.

 

Simão Sabrosa – Fez a pior exibição neste Mundial após uma exibição de grande nível contra o Brasil, ainda assim uns bons pontos acima da de Ronaldo. Deu o lugar a Liedson aos 71′.

 

Hugo Almeida – O melhor avançado português. Falhou por pouco o golo aos 38′, num remate de cabeça. Fez um grande arranque pelo flanco esquerdo aos 51′ que também esteve a poucos metros de culminar num golo. Seis minutos depois, sem qualquer justificação, Queiroz mandou-o sair. E logo a seguir a Espanha marcou.

 

Danny – Substituiu Hugo Almeida. Sem qualquer vantagem para a equipa.

 

Pedro Mendes – Entrou para o lugar de Pepe aos 71′. Não aqueceu nem arrefeceu.

 

Liedson – Rendeu Simão também aos 71′, colocando-se à frente da baliza espanhola. Sem qualquer efeito prático.

A ver o Mundial (10)


Pedro Correia,

O confronto com Espanha, já amanhã, era o mais temido pela selecção portuguesa, que preferia defrontar o Chile nos oitavos de final. Tanto mais que a equipa de Villa, Torres, Xaví, Iniesta e Ramos, após o susto inicial com a Suíça, voltou a mostrar-se em grande forma contra hondurenhos (2-0) e chilenos (2-1). “Todos menos os espanhóis”, chegou a dizer o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com a argúcia e o sentido de oportunidade que todos lhe reconhecemos. Pois aí vem a fúria espanhola, certamente ainda mais animada após a manifestação pública de temor expressa pelo inamovível Gilberto Madaíl. Por mim, acho óptimo. Será um verdadeiro jogo de tira-teimas. Que permitirá confirmar se a solidez de que a nossa selecção tem dado provas é menos aparente do que real e se persiste entre os portugueses aquele antiquíssimo complexo de inferioridade perante os castelhanos que as palavras de Madaíl parecem confirmar.

 

Para já, ficam três dados relevantes:

1 – Portugal foi a equipa mais goleadora da primeira fase do Mundial da África do Sul (sete golos, a par da super-favorita Argentina).

2 – O jogo Portugal-Coreia do Norte – que nos ficará para sempre na memória – foi o que registou mais remates às balizas: 41. A par dos ocorridos no desafio EUA-Argélia.

3 – Cristiano Ronaldo é até agora o segundo jogador deste Mundial com melhor relação de remates por minutos jogados: 17, em 270 minutos. melhor que ele só Messi (Argentina), com 20 também em 270 minutos.

 

É muito? É pouco? Parece-me o suficiente para nos permitir alguma satisfação. E para considerar disparatadas as palavras medrosas do presidente da Federação.

A ver o Mundial (8)


Pedro Correia,

Há jogos que prometem muito e oferecem pouco enquanto espectáculo. Foi o caso deste que hoje opôs, em Durban, as selecções de Portugal e do Brasil. A primeira parte foi entediante. O jogo melhorou em grande parte do segundo tempo, mas no final foram bem compreensíveis os assobios que vieram das bancadas: duas selecções tão cotadas como a brasileira e a portuguesa poderiam e deveriam ter proporcionado aos 62 mil espectadores que seguiram a partida no estádio – e aos milhões que a acompanharam pela televisão – um confronto mais empolgante.

Mas no futebol os resultados é que contam. E, da nossa perspectiva, o balanço é positivo: o empate a zero com o Brasil serve de passaporte aos portugueses para os oitavos-de-final. Disto não se podem gabar italianos e franceses (finalistas em 2006), que já disseram adeus ao Mundial da África do Sul, tal como a selecção anfitriã.

Portugal teve grande disciplina táctica, anulou com inteligência o jogo ofensivo dos brasileiros, funcionou como colectivo e teve frieza suficiente para não se deixar embriagar pela vitória esmagadora contra a Coreia do Norte. O jogo de hoje era incomparável com o anterior: havia que montar um dispositivo táctico diferente. E jogar de cabeça fria.

Assim foi. E ainda bem. Na terça-feira há mais.

Brasil, 0 – Portugal, 0

 

…………………………………………

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Eduardo – Atento, seguro, confiante. Fez duas excelentes defesas, uma em cada parte do encontro.

 

Ricardo Costa – Terceira aposta de Carlos Queiroz para lateral direito em três jogos. Depois de Paulo Ferreira e Miguel. Aposta longe de ter sido ganha: este foi claramente o pior elemento da nossa linha defensiva, que jogou globamente bem. Muito nervoso no início, perdeu vários lances no confronto directo com Nilmar – um deles, aos 29′, ia resultando em golo para o Brasil. A primeira vez que subiu no terreno foi aos 57′, o que diz muito sobre a sua exibição.

 

Ricardo Carvalho – Uma vez mais, foi o patrão da defesa. Como era de esperar, ousou muito menos incursões ofensivas. Acorreu várias vezes, com eficácia, à dobra de Ricardo Costa.

 

Bruno Alves – Um elemento essencial da muralha defensiva portuguesa, mais notória na segunda parte.

 

Fábio Coentrão – Cabia-lhe o confronto mais difícil, com Maicon (e também com Daniel Alves). Levou quase sempre a melhor. Coube-lhe também o primeiro arranque ofensivo da nossa selecção, aos 14′, seguido de outro três minutos depois.

 

Pepe – Regressou à equipa das quinas após longa ausência por lesão. Está ainda longe da melhor forma, o que o levou a perder várias bolas no meio-campo. Recebeu um cartão amarelo aos 39′. Substituído por Pedro Mendes aos 63′.

 

Tiago – Muitos pontos abaixo da sua exibição contra os norte-coreanos. Errou diversos passes. E recebeu um cartão amarelo aos 30′ por simular um penálti. Melhorou na segunda parte, como a quase totalidade da equipa.

 

Raul Meireles – A táctica adoptada por Queiroz não foi a mais adequada às suas características de jogo, o que o levou a andar um pouco perdido no meio-campo. Mas aos 59′ fez o remate mais perigoso à baliza brasileira, após excelente passe de Cristiano Ronaldo, salvo pelo guarda-redes Júlio César.

 

Cristiano Ronaldo – Na primeira parte, o seu esforço foi muito desperdiçado. Melhorou de rendimento no segundo tempo, causando alguns calafrios à defesa brasileira, que por vezes se viu forçada a travá-lo em falta. Grande passe para o remate de Raul Meireles aos 59′. Não anda com boa pontaria na marcação de livres.

 

Duda – Exibição apagada. Também errou muitos passes, tal como Pepe e Tiago. Recebeu um cartão amarelo perfeitamente evitável por ter protestado junto do árbitro. Foi bem substituído por Simão Sabrosa.

 

Danny – Queiroz voltou a apostar nele depois de tê-lo deixado no banco contra a Coreia do Norte. Mas ainda não foi desta que justificou um lugar como titular na selecção. O seu melhor lance ocorreu à beira do fim, quando poderia ter marcado.

 

Simão Sabrosa – A sua entrada, aos 53′, deu ritmo e vivacidade à selecção. Está em excelente forma física, o que ficou bem evidente em campo. Falta-lhe afinar a pontaria nos lances de bola parada. Aos 76′, fez um grande centro para o remate de Cristiano Ronaldo.

 

Pedro Mendes – Substituiu – com vantagem – Pepe aos 63′. Deu mais solidez ao nosso meio-campo, com a sua eficácia habitual.

 

Miguel Veloso – Substituiu Raul Meireles aos 83′. Ainda a tempo de fazer um magnífico passe longo para Cristiano Ronaldo que gerou um dos mais perigosos ataques portugueses quase no fim do encontro.

Sabia que… (26)


jmmcc,

… o inesperado golo de hoje, que mais pareceu um número de circo, do Cristiano Ronaldo contra a selecção da Coreia do Norte está a correr mundo através do Yahoo!, que está a dar-lhe todo o destaque? Está e é acompanhado aqui pelo vídeo.

Cheira-me que os norte-coreanos não terão grande oportunidade de o ver por não serem grandes adeptos da Internet, excepto no palácio do presidente… perdão… palácio do povo, emprestado ao presidente. Mas é possível (como diria o nosso João Campos) que o camarada Bernardino Soares faça chegar e distribuir o vídeo àquela nação democrática.

A ver o Mundial (7)


Pedro Correia,

Quem disse que a selecção portuguesa é Cristiano Ronaldo e mais dez? O jogo de hoje na Cidade do Cabo, sob uma chuva copiosa, demonstrou precisamente o contrário: Portugal reeditou hoje, ampliando-a, a façanha cometida no Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte, em que vencemos por 5-3. Com a vantagem óbvia de os números terem sido desta vez bem mais dilatados: sete a zero. Tiago marcou dois golos. Os restantes foram marcados por Raul Meireles, Simão Sabrosa, Hugo Almeida, Liedson e Cristiano Ronaldo.

Carlos Queiroz fez quatro mudanças na equipa em relação ao jogo do dia 15 contra a Costa do Marfim. E este onze titular foi incomparavelmente melhor, com Miguel, Tiago, Simão e Hugo Almeida nos lugares de Paulo Ferreira, Deco, Danny e Liedson. Aposta ganha do seleccionador: tivemos uma verdadeira selecção, ao contrário do que sucedera no jogo anterior.

Foi a maior goleada deste Mundial. E a nossa maior goleada de todos os tempos numa fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. Verdadeiramente inesquecível, a segunda parte – em que foram marcados seis golos, três dos quais nuns alucinantes sete minutos. Para lembrar a partir de agora. Sempre.

 

………………………………………………….

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Eduardo – Uma vez mais mais, muito seguro na baliza. Nunca teve muito trabalho, mas deu sempre tranquilidade e segurança à equipa. Boas defesas aos 17′, 50′ e 79′.

 

Miguel – Muito mais ousado em lances ofensivos do que Paulo Ferreira, anterior defesa direito no jogo contra a Costa do Marfim. Boa actuação.

 

Ricardo Carvalho – Foi dele que partiram os primeiros sinais de perigo por parte dos portugueses. Conduziu muito bem um ataque aos 3′. E rematou ao poste aos 6′. Excelente início de jogo, a marcar o estilo e o ritmo de toda a equipa. Manteve-se em bom nível até ao fim.

 

Bruno Alves – Sólido e seguro.

 

Fábio Coentrão – Uma das melhores exibições portuguesas. Dominou todo o corredor esquerdo. Iniciou vários lances de ataque no seu sector, com grandes cruzamentos, o melhor dos quais foi aos 55′, para o golo de Hugo Almeida. É o benjamim da equipa, mas ninguém diria ao vê-lo jogar tão bem.

 

Pedro Mendes – Exibição discreta. Fez uma falta escusada à entrada da grande área portuguesa que lhe valeu um cartão amarelo.

 

Tiago – Rendeu Deco neste jogo. E foi quanto bastou para o nível de exibição portuguesa aumentar substancialmente. Esta foi uma das grandes partidas da carreira de Tiago, autor de dois golos – o quarto e o sétimo da selecção, aos 59′ e 88′.

 

Raul Meireles – Um dos mais combativos jogadores portugueses. Autor do primeiro golo, o único da metade inicial do jogo, aos 28′. Fez o passe para o segundo golo, aos 52′. Deu lugar a Miguel Veloso quando já tinha cumprido exemplarmente a sua missão.

 

Cristiano Ronaldo – Finalmente, aos fim de 17 meses, um golo na selecção. Fez por merecê-lo num jogo em que se integrou mais no trabalho da equipa do que tem vindo a ser habitual. Muito marcado pelos norte-coreanos, tinha habitualmente três adversários a tentar travá-lo cada vez que tocava na bola. Voltou a rematar à barra (aos 70′), o que começa a tornar-se tradição.

 

Simão Sabrosa – Experiente, com excelente leitura de jogo. Os cantos continuam a não sair-lhe tão bem como já mostrou ser capaz. Rendeu com vantagem Danny, que fizera uma exibição desastrosa no desafio contra a Costa do Marfim. Marcou o segundo golo, aos 52′. Substituído por Duda.

 

Hugo Almeida – Titular na frente do ataque, no lugar antes ocupado por Liedson. E cumpriu, marcando o terceiro golo português, aos 55′. Acabou por ser substituído pelo próprio Liedson. Deve continuar a ser titular contra o Brasil, embora tenha recebido um cartão amarelo por protestar contra o árbitro (69′).

 

Miguel Veloso – Mereceu a chamada ao jogo para o lugar de Raul Meireles (69′). Fez um bom remate aos 86′.

 

Duda – Substituiu Simão, dando ainda mais velocidade ao ataque português.

 

Liedson – Entrou para o lugar de Hugo Almeida. E marcou logo a seguir o quinto golo (80′).

Incentivos ao visionamento do Mundial, #4


Ana Cláudia Vicente,

Nome: Jorge Luis Larrionda Pietrafesa

Árbitro Internacional desde 2000

 

 

 

 

 

prescrição dedicada à mdsol

 

 

Não obstante a reacção adversa provocada por este suplemento uruguaio tanto em Ricardo Carvalho quanto em Cristiano Ronaldo (desde 5 de Julho de 2006),  a sua ausência constituiria séria falha no âmbito do presente simpósio terapêutico.

A ver o Mundial (6)


Pedro Correia,

Um dos campeonatos mais interessantes de acompanhar por estes dias é o dos comentários. Ainda ontem à noite ouvi um dos comentadores encartados cá do burgo garantir que dos jogadores portugueses que estão na África do Sul só Cristiano Ronaldo tem categoria suficiente para integrar a selecção espanhola. Todo o painel de comentadores concordou com esta sumidade. Gostava de saber se hoje, após a Espanha ter perdido (0-1) contra a modesta Suíça, estes especialistas da bola voltariam a emitir um juízo tão categórico. Se no relvado nos têm faltado golos, já nos comentários eles sucedem-se. Na própria baliza.

A ver o Mundial (5)


Pedro Correia,

Olha-se para a selecção da Coreia do Norte e percebe-se que está ali materializado o sonho igualitário de uma sociedade comunista: o treinador anseia por bons resultados em campo para “satisfazer” o Supremo Líder e a sua polícia política, ninguém se diferencia de ninguém, o equipamento é rigorosamente vermelho e não há cruzamentos étnicos de qualquer espécie. A sociedade perfeita, igualitária, comunista, tal como consta dos manuais da especialidade, não é uma sociedade mestiça, cheia de mulatos, como surge representada na selecção brasileira, que ontem derrotou a da Coreia com notória dificuldade. É uma sociedade etnicamente pura e entrincheirada nas suas certezas, como bem se viu naquele baluarte defensivo que se manteve intransponível durante largas dezenas de minutos: cinco defesas e três médios defensivos comunistas resistiram bem às ofensivas do “capitalismo popular” brasileiro, caracterizado pela iniciativa privada e por lances individuais de indiscutível rasgo mas incapazes de formar um conjunto digno de transpor obstáculos mais temíveis. É certo que o capitalismo derrotou o “socialismo” norte-coreano nesta noite sul-africana em que o frio conseguiu ser notícia, com golos de Maicon (uma obra-prima) e Elano. Mas nada disso compensou a alegria proporcionada ao Grande Líder pelo nº 8 da Coreia do Norte que conseguiu “desfeitear” (é assim que se escreve?) a baliza brasileira. Prova insofismável de que é possível uma alternativa verdadeiramente de esquerda ao capitalismo. Aliás foi precisamente pela esquerda que Ji Yun Nam marcou. Isto anda tudo ligado.

 

Brasil, 2 – Coreia do Norte, 1

A ver o Mundial (4)


Pedro Correia,

Foi um jogo entediante. Medíocre, mesmo. Certamente um dos jogos mais desinteressantes deste Mundial. Até as vuvuzelas pareciam pasmadas perante o paupérrimo espectáculo oferecido hoje no estádio Nelson Mandela, em Port Elizabeth, pelas selecções de Portugal e da Costa do Marfim. O resultado foi nulo, a condizer com a exibição das duas equipas, mais preocupadas em desfazer o jogo adversário do que em construir lances ofensivos. Portugal – com Deco marcadíssimo, Liedson demasiado isolado e Cristiano Ronaldo muito longe de confirmar no relvado o seu estatuto de super-estrela – foi incapaz de contornar a muralha defensiva dos marfinenses, que dominaram largas partes do desafio e terminaram mesmo o jogo a fazer grande pressão sobre a baliza portuguesa.

Conseguirá esta selecção moldada à imagem de Carlos Queiroz fazer melhor do que agora demonstrou? Todos esperamos que sim. Mas depois do que hoje vi tenho as mais sérias dúvidas de que a resposta seja positiva.

 

Costa do Marfim, 0 – Portugal, 0

………………………………………….

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Eduardo – Sempre atento. Saiu bem a um cruzamento adversário aos 37′. Defendeu aos 53′ um remate perigoso.

 

Paulo Ferreira – Salvou uma possível jogada de golo aos 23′. Mas deixou Kalou com espaço suficiente para rematar com perigo aos 53′. Integrou-se mal no ataque: subiu pouco ou nada no terreno, sobretudo na segunda parte. E falhou muitos passes.

 

Ricardo Carvalho – Esforçado e concentrado. Continua a ser o patrão da defesa da nossa selecção.

 

Bruno Alves – Defendeu com eficácia, reforçando a linha mais recuada da equipa.

 

Fábio Coentrão – Melhor a defender do que a atacar. Subiu de rendimento na segunda parte, ousando mais jogadas ofensivas. É o benjamim da selecção mas já revela maturidade. Precisa no entanto de se ligar mais às linhas de ataque, no seu flanco esquerdo.

 

Pedro Mendes – Discreto mas eficaz, contribuiu para a estabilidade defensiva da equipa. Fez um excelente passe em profundidade a Cristiano Ronaldo aos 63′.

 

Raul Meireles – O melhor médio português. Combativo e perseverante. Fez bons passes e ajudou os colegas nas recuperações de bola. Rematou com força à baliza marfinense aos 77′. Substituído pouco depois, em inferioridade física, por Ruben Amorim.

 

Deco – Apagado. Foi um dos portugueses mais marcados, o que o forçou a jogar em espaços que não são tradicionalmente os seus. Fez um excelente passe para Liedson aos 57′, mas acabou por ser substituído por Tiago sem nunca ter mostrado praticamente nada do que vale.

 

Danny – Atabalhoado. Foi o português que falhou mais passes no meio-campo e pareceu ter deixado no balneário a sua conhecida capacidade de fazer dribles. Fica a sensação de não estar verdadeiramente preparado para os níveis de exigência psicológica do Mundial. Foi bem substituído por Simão Sabrosa.

 

Cristiano Ronaldo – Aos 10′, mandou um petardo ao poste após um bom drible. Foi a sua melhor jogada. A partir daí, usou e abusou dos lances individuais. O facto de ter sido um dos portugueses mais marcados não o ajudou a mostrar o que vale. Arrancou dois livres, aos 72′ e 78′. Mas não se deu por ele nos últimos dez minutos. Recebeu um cartão amarelo perfeitamente escusado.

 

Liedson – Combativo. Movimentou-se bem na frente, mas encontrou sempre pouco espaço. Aos 57′, fez um bom cabeceamento à baliza. Devia ter sido mais bem servido.

 

Simão Sabrosa – Substituiu Danny. Esforçado, esteve sempre aquém do seu rendimento médio. E nem a marcar cantos foi eficaz.

 

Tiago – Substituiu Deco. Movimentou-se muito e fez bons passes, como é costume. Nada mais a registar.

 

Ruben Amorim – Dinâmico. Estreou-se na selecção entrando para o lugar de Meireles. Ganhou um canto aos 87′ e fez um remate que saiu por cima da baliza marfinense aos 89′. Integrou-se sem problemas no eixo direito do ataque. Dos jogadores que entraram na segunda metade foi o que teve melhor exibição. Fica desde já a dúvida: não merecerá ser titular?

O habitual


Sérgio de Almeida Correia,

A selecção nacional de futebol estreou-se em Port Elizabeth. Durante dez minutos trocou a bola no seu meio-campo. Depois, bom, depois a Costa do Marfim acertou as marcações e nós começámos a defender o resultado. Fizémo-lo com brio e denodo durante 80 minutos e nem mesmo Drogba conseguiu desfeitear Eduardo.

O “melhor jogador do mundo” (e arredores) fez um remate à baliza e perdeu inúmeras bolas. Os outros fizeram o que puderam.

Paulo Ferreira lá foi dando cabo da relva o melhor que sabia, enquanto Bruno Alves o dobrava e Ricardo Carvalho vigiava Coentrão não fosse o miúdo lembrar-se de ir pedir um autógrafo ao Cristiano Ronaldo. 

No meio-campo, diziam os repórteres, estavam Raul Meireles, Pedro Mendes e, parece, eu não o consegui ver no meio dos armários que se passeavam por ali, um tal de Deco. Esclarecem-me agora que foi substituído a meio do segundo tempo e que não tarda está a caminho de Lisboa para fazer companhia a Nani.

Lá na frente, com o “melhor do mundo“, de vez em quando aparecia um senhor chamado Danny. Ah, e dizem-me que também andou por lá Liedson, a fazer de volante no jogo de badminton dos centrais marfinenses. 

Quando a festa estava quase no fim entraram Simão, Tiago e Ruben Amorim. Para tirarem as medidas ao campo.

Enfim, a selecção não desiludiu. Jogou o habitual. Isto é, quase o mesmo que contra Cabo Verde: navegou sem ousadia, sem coragem, sem velocidade, sem capacidade de antecipação.

Faltou sorte, dizem eles. Eu acho que faltou um comandante. E também um almirante e meia-dúzia de fuzileiros que dessem conta do recado. Para “Navegadores” ainda lhes falta quase tudo. Cagança é que já têm q.b.

A ver o Mundial (3)


Pedro Correia,

“O futebol é um jogo inventado pelos ingleses, maravilhosamente jogado por brasileiros e argentinos mas no fim quem ganha é a Alemanha.”

 

Lembrei-me da célebre frase de Gary Lineker ao ver esta noite o Alemanha-Austrália. Ao nível físico, mental e técnico, com uma disciplina táctica impressionante, os alemães deram uma lição de bola aos australianos, que procuraram sem qualquer sucesso neutralizar os poderosos ataques germânicos. Não é o meu género de futebol, nunca foi. Mas esta selecção alemã confirma-se como uma das mais sérias candidatas à conquista do Mundial. Quanto à Austrália, qualificada para esta fase final em nome da “correcção futebolística” – a correcção política adaptada ao futebol -, ficou-me a sensação de que só foi à África do Sul fazer turismo. Deviam ter seguido antes a lógica de Cavaco Silva, indo para fora lá dentro.

 

Alemanha, 4 – Austrália, 0 

A ver o Mundial (2)


Pedro Correia,

No futebol, há instantes que valem uma eternidade. Robert Green, o guarda-redes inglês, viveu hoje um desses instantes, que o acompanhará para sempre. Foi na segunda parte do Estados Unidos-Inglaterra, quando os ingleses venciam pela margem mínima graças a um golo marcado logo ao início do desafio. Dempsey, um dos melhores jogadores norte-americanos em campo, rematou ainda longe da entrada da área com o pé esquerdo. Foi um remate com pouca força e dirigido ao guarda-redes. Mas Green, para surpresa de todos, não conseguiu segurar a bola, que se encaminhou caprichosamente para o interior da baliza. Um monumental frango, daqueles que ficam para a história. Por algum motivo chamamos jogo a este espectáculo: a sorte e o azar estão sempre presentes nos estádios.

No Mundial de 2006, a Inglaterra tinha a selecção de que mais gostei. Mas hoje quase não reconheci Gerrard, Lampard, Terry, Cole, Rooney e Crouch: esta equipa é uma sombra do que foi. Os norte-americanos, muito bem organizados no terreno e com excelentes jogadores, como Donovan, deram-nos uma amostra do futebol clássico: não se atemorizaram com o golo inglês e nunca perderam a vontade de vencer. O empate que conseguiram (1-1) teve sabor a vitória. Já há pouco disto no futebol contemporâneo, demasiado calculista e defensivo. Até por este motivo gostei mais de os ver.

 

Estados Unidos, 1 – Inglaterra, 1

Uma péssima ideia


Sérgio de Almeida Correia,

Não é só no Reino Unido que a crise de ideias grassa entre os criativos. Em Portugal temos tido muitos e variados exemplos. Dos desodorizantes que protegem durante 48 horas, e que são obviamente concebidos para porcos que não tomam banho todos os dias, aos anúncios de telemóveis que, em regra, são hinos à estupidez, passando pelos que são pagos a peso de ouro pela banca com os resultados que estão hoje à vista de todos, temos tido de tudo.

Mas aqueles que hoje aparecem a bater todos os recordes são os da vuvuzela da Galp.

A partida que ontem opôs Portugal aos Camarões mostrou como uma simples corneta pode tornar incómodo assistir a um simples jogo de futebol. Só que o chinfrim não acaba quando a partida termina. Ele prolonga-se noite fora em edifícios habitacionais, dentro e fora, nas suas varandas, e também em cafés e centros comerciais, com os petizes que conseguiram convencer os pais a darem-lhes o dito instrumento, a ensaiarem as habilidades dos seus ídolos.

Uma campanha destas custa seguramente muitos milhares de euros. Duvido que essa seja a melhor forma da Galp promover o apoio à selecção nacional e melhorar a sua imagem. E como já prevejo o calvário que aí vem até ao final do mundial de futebol, o ideal era que os portugueses se fossem todos plantar à porta dos responsáveis da Galp e os azoassem de manhã à noite com as vuvuzelas. Começa a não haver pachorra para a estupidez de algumas empresas e dos seus responsáveis.

Kim ou Lula, tanto faz


Pedro Correia,

 

 

Jerónimo de Sousa diz que lhe é indiferente que seja a selecção do Brasil ou a da Coreia do Norte a passar à fase seguinte da final do Campeonato do Mundo de futebol. O mesmo é dizer, por outras palavras, que lhe é indiferente a vitória de um país a que chamamos irmão quando confrontado com um outro governado há 60 anos por um partido a que só o PCP é capaz de chamar irmão (neste caso, ao contrário de outros, a família escolhe-se). O mesmo é dizer que tanto faz pertencer à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ou à lista dos países que mais violam os direitos humanos, segundo a prestigiada Amnistia Internacional.

O secretário-geral do PCP, no fundo, recusa optar entre Lula da Silva e Kim Jong-il – apesar de Lula ser um antigo operário metalúrgico que constitui motivo de orgulho para a esquerda mundial e Kim Jong-il ser o herdeiro da despótica dinastia Kim, que envergonha a mesmíssima esquerda à escala planetária.

Ao evitar optar, Jerónimo opta. A sua declaração, que mais português nenhum fora da sede da Soeiro Pereira Gomes subscreveria, é outra forma de reiterar o que o líder parlamentar comunista declarou há uns anos: que talvez a Coreia do Norte seja uma democracia. Assim como o Brasil.

Enfim, um golo escandaloso na própria baliza. Este PCP não tem emenda.