Jerónimo de Sousa diz que lhe é indiferente que seja a selecção do Brasil ou a da Coreia do Norte a passar à fase seguinte da final do Campeonato do Mundo de futebol. O mesmo é dizer, por outras palavras, que lhe é indiferente a vitória de um país a que chamamos irmão quando confrontado com um outro governado há 60 anos por um partido a que só o PCP é capaz de chamar irmão (neste caso, ao contrário de outros, a família escolhe-se). O mesmo é dizer que tanto faz pertencer à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ou à lista dos países que mais violam os direitos humanos, segundo a prestigiada Amnistia Internacional.
O secretário-geral do PCP, no fundo, recusa optar entre Lula da Silva e Kim Jong-il – apesar de Lula ser um antigo operário metalúrgico que constitui motivo de orgulho para a esquerda mundial e Kim Jong-il ser o herdeiro da despótica dinastia Kim, que envergonha a mesmíssima esquerda à escala planetária.
Ao evitar optar, Jerónimo opta. A sua declaração, que mais português nenhum fora da sede da Soeiro Pereira Gomes subscreveria, é outra forma de reiterar o que o líder parlamentar comunista declarou há uns anos: que talvez a Coreia do Norte seja uma democracia. Assim como o Brasil.
Enfim, um golo escandaloso na própria baliza. Este PCP não tem emenda.



Se eu conseguisse escrever tão bem como você escreveria quqlquer parecida!Assim, só posso limitar-me a concordar… e aperguntar-me como pode tal partido conseguir 10% (ou foi 12?) dos votos…
Em compensação, o partido único da República “Popular” e “Democrática” da Coreia tem 100% dos votos. O kamarada Kim é popular comó caraças.
Estou a sentir-me um bocado sul-coreano: tanto me faz que tenha sido Kim Jong-il ou Jerónimo de Sousa a cortar relações com Seul.
Terá sido o Kim de Sousa? Ou o Jerónimo Jong-il?
Pedro, tu vê lá as coisas que escreves… Qualquer dia estamos aqui todos descansados no blog e de repente desatam a mandar-nos torpedos. Ainda por cima estando o país sem submarinos para nos defender.
A pergunta, ou provocação, é imbecil. A resposta da Jerónimo não é hábil, e permite a gajos sedentos de mal dizer “os comunas” escrever as larachas que já tinham em rascunho desde que o sorteio ditou que as equipas de futebol de Portugal e da Coreia do Norte estariam juntas num dos grupos da 1ª fase do mundial 2011 de Futebol.
O texto do Pedro Correia transforma o “Delito de Opinião” num verdadeiro delírio de opinião… Mas enfim, cada um responde pelo que escreve, e a liberdade de que gozamos permite-nos delirar à vontade.
Eu, que não me identifico de forma alguma com a Coreia do Norte, não me choco minimamente com a resposta de Jerónimo. Porque a pergunta, ou a provocação, não se referia ao tal Kim nem a Lula, mas às equipas de futebol que representam as suas comunidades nacionais.
Pessoalmente, tendo a torcer pelos chamados “underdogs”, que é como quem diz as equipas a quem não se atribui à partida favoritismo algum (talvez por isso seja do Belém). Assim, ao contrário de Jerónimo, para quem é indiferente quem acompanha Portugal para a 2ª fase do Mundial, eu acharia muita piada a ver a Coreia do Norte deixar para trás o super-Brasil.
Isso faz de mim o autista apoiante de Kim-não-sei-quantas e um renegado que prefere um país distante (em todos os sentidos da qualificação) a um suposto país irmão?
Haja paciência…
O nome deste blogue tem uma intenção irónica que define o nosso estilo: aqui não há delitos de opinião. Felizmente isto não é a Coreia do Norte. Lá, metade do que escrevemos aqui já nos teria conduzido, na melhor das hipóteses, às prisões do “democrata” Kim.
Delírio, se me permite, é o seu: admite apoiar a Coreia do Norte por ser ‘underdog’? Gostaria, sinceramente, de ver aquele regime totalitário enfeitar-se com uma peninha dessas no chapéu? E já agora: também gostou que a Argentina da ditadura militar tivesse ganho o Mundial de 1978?
Haja paciência…
Sim, é verdade. Ainda bem que não vivemos na Coreia do Norte.
Dito isto: não me surpreende que não consiga perceber o que escrevi. Também não conseguiu perceber a declaração do político em causa, e aproveitou palavras cujo sentido lhe passou ao lado para enfiar aqui à martelada um texto que certamente já tinha esboçado, e que apenas aguardava pretexto…
Mas eu explico: eu não admito “apoiar a Coreia do Norte”. O que escrevi, e isto não é retórico, foi que “acharia muita piada a ver a Coreia do Norte deixar para trás o super-Brasil”.
Não confundo política e desporto, e lamento quando uma coisa é associada à outra, seja por regime totalitários (como os dois que refere), seja em textos como este.
A Argentina que ganhou o tal Mundial não representava nenhuma ditadura militar. Representava uma comunidade. Da mesma forma que a selecção portuguesa não representa o governo Sócrates, nem a selecção espanhola representa a Casa Real.
Depois não percebo a que peninha se refere… acha que um hipotético sucesso norte-coreano na África do Sul abalaria de alguma forma a percepção que o mundo quase inteiro tem daqueles lunáticos? Acha que uma vitória norte-coreana sobre o Brasil ou sobre Portugal ofuscaria o programa nuclear daquela cambada e desviaria a atenção da fome que por lá se passa? Tenho as minhas dúvidas.
O seu post é injusto, é forçado e baseia-se em pressupostos falso. A indiferença do líder político que refere relativamente ao destino dos adversários de Portugal no mundial apenas de forma delirante pode ser interpretada como um apoio encapotado ou explícito aos coreanos.
Futebol e política não andam ligados? Já não se lembra como o regime de Salazar explorou politicamente os êxitos do Benfica e de Eusébio como emblema do “país multirracial”? Já esqueceu como a Argentina dos generais aproveitou atè à exaustão a vitória no Mundial, apropriando-se dela para se legitimar politicamente?
Mas numa coisa estamos de acordo: ainda bem que não vivemos na Coreia do Norte. Nenhuma dúvida quanto a isso.
Eu não disse que “Futebol e política não andam ligados”. Seria um disparate enorme dizê-lo. Quando referi que “confundo política e desporto” foi no sentido de explicitar uma ideia que para mim é fundamental: as equipas desportivas representantes de uma nacionalidade não são delegações representantes de governos, governantes ou queridos líderes. Repare até que neste momento o governo Norte-Coreano tenta a todo o custo obter garantias de que os países por onde passará a equipa não aceitarão pedidos de asilo político… Confundir a equipa norte coreana (e foi a ela – e à do Brasil – que Jerónimo se referiu, ao afirmar a sua neutralidade) com o regime lunático-medieval de Kim-não-sei-quê é, quanto a mim, um erro enorme.
Enfim… esgotei a argumentação. Creio que ambos percebemos – mesmo que não assinemos por baixo – as posições que defendemos.
Creio que sim. E digo-lhe, com sinceridade, que é estimulante trocar ideias com quem pensa de maneira diferente mas sabe sempre defendê-las com elevação, sem abdicar da frontalidade. Como foi – e é – o seu caso.
Pois, António. Se alguns amigos do Kim por cá tivessem torpedo – topete não lhes falta – e nós fôssemos corveta, já tínhamos ido ao fundo.
Na mouche, Pedro. O PCP não tem emenda, de facto. A vontade de desvalorizar o nacionalismo cega ao ponto da irracionalidade.
O “internacionalismo” do PCP conduz sempre à direcção errada, Paulo. Até no futebol.
Bom dia Pedro,
Eu, por uma vez, na vida até vou mais longe que o “camarada” Jerónimo.
Em termos futebolísticos até quero que a Coreia do Norte ganhe ao Brasil. Duas razões :
1ª- Sempre me irritou torcermos pelo Brasil por ser uma nação irmã ??!!! Seja o que isso queira dizer. Às vezes dá dó ouvir os comentários quando o Brasil joga.
2ª – Aumentavam as nossas pequenas possibilidades de passar à fase seguinte :)) nas quais nem o Queiroz acredita (??!!).
Há que pensar futebolisticamnete e com humor.
Um abraço
Meu caro, o melhor futebol colectivo que vi jogar até hoje foi o do Brasil de Pelé, Jairzinho, Gerson, Rivelino e Tostão em 1970. Data daí a minha – e a de muitos de portugueses – ‘afición’ ao escrete canarinho. Aliás, com o número de brasileiros existente nos clubes portugueses, chamar ‘país irmão’ ao Brasil não é favor algum. Os benfiquistas, não tarda muito, chamarão o mesmo à Argentina. Mas, convenhamos, não é a mesma coisa…
Aplausos, Caro Pedro Correia!
Obrigado, Francisco. Para portugueses médios como nós, Brasil e Coreia do Norte não podem estar no mesmo patamar. E, como é evidente, não me refiro só ao futebol.
Abraço.
se calhar para ele o país irmão é a Coreia.
Estes comunistas por vezes complicam o que é tão simples…