Minor Swing por Django Reinhardt e Stephane Grappelli
Chocolat (2000) de Lasse Hallström
"Vai ser um programa minimalista, pequeno, na dimensão daquilo que é exequível. É um programa com propostas para serem facilmente sindicáveis pelos portugueses", disse ao PÚBLICO o vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar Branco. Neste momento, a qualquer partido português responsável, exijo que me diga a mim, eleitor, o que pretende fazer dada a situação que se conhece das contas públicas e do nível de desemprego. Não venham com a conversa que desconhecem o verdadeiro estado das contas públicas, como o PSD ensaia agora, e que essa limitação impede o apresentar de propostas. Parece certo que num futuro breve teremos um aperto orçamental forte, que implicará aumento de impostos ou diminuição da despesa. Espero que no "programa minimalista" do partido que constitui a principal alternativa ao actual PS exista espaço para abordar essa questão. Como Ferreira Leite já prometeu que não aumenta impostos, diga onde cortará na despesa. Mas a ausência de uma discussão séria sobre o assunto neste momento é desanimadora. Se o PSD foge de apresentar o seu programa é porque não quer ver discutido em praça pública aquilo que são as suas alternativas às actuais políticas que nos governam, pelo que, das duas, uma: ou não tem políticas significativamente diferentes das do PS; ou não acredita que lançando a discussão das suas propostas para a praça pública, consiga convencer o eleitorado de que estas são a melhor solução para o país. Ora, o primeiro caso implica mudar para ficar tudo na mesma, o que não me deixa com grande esperança no futuro; o segundo, deixa-me a dúvida: se o PSD não é capaz de apresentar um programa claro na campanha eleitoral e convencer os portugueses que as propostas apresentadas são as melhores para o país, não será certamente quando estiver no governo que o irá fazer.
Leio isto e isto. Para avivar a memória, recordo que Vitor Bento tem do seu lado esse economista do PSD, Silva Lopes. E apetece-me, ao contrário do que é habitual, citar Paul Kruman, num texto a propósito de Espanha: So what can Spain do? It needs to become more competitive — but it can’t have a devaluation, because it’s a euro country. So the only alternative is wage cuts, which are desperately hard to achieve (and create big problems for debtors.). Krugman e Silva Lopes, gente perigosa com uma "visão neoliberal da economia" e sem "preocupações sociais". E se em vez de discutirem nomes e colarem rótulos, discutissem ideias? Seria melhor, não?
Voodoo economics, por Vitor Bento. A escolha de Cavaco Silva para novo conselheiro de Estado.
Adagio for strings de Samuel Barber
Platoon (1986) de Oliver Stone / O Homem Elefante (1980) de David Lynch
"A herança de Manuela Ferreira Leite, que era número dois do Governo PSD-CDS, foi um défice de 6,83%. São dados objectivos, tal como é um dado objectivo que durante esse período não houve incentivos às empresas para que pudessem ser competitivas e exportar mais." Isto diz o homem que tem como missão no PS pós-europeias passar a ideia que Manuela Ferreira Leite não fala a verdade. A única coisa objectiva aqui é que o défice de 6,83% nunca existiu. O que existiu foi uma mera previsão do governador do Banco de Portugal, baseada em determinados pressupostos, que justificou o aumento dos impostos. Impostos esses que José Sócrates, na campanha eleitoral, havia prometido não aumentar. E estimativa essa que, de tão fantástica e precisa, foi dada à centésima. Mas por muito fantástica, precisa e objectiva, que fosse a estimativa, falamos de uma estimação igual à que , em Abril de 2008, prometia crescimento económico para esse ano de 1,7%. Que, em Julho, revia o valor de crescimento para 1,2%. E, em Novembro, baixava ainda mais a taxa prevista para 0,5%. No final, recorde-se, a economia portuguesa cresceu zero. Já agora, por falar em previsões, vale a pena recordar as previsões do Programa de Estabilidade e Crescimento 2005-2009, elaborado por este governo socialista assim que chegou ao poder:
A recta a vermelho é um boneco meu, só porque estava com vontade de desenhar. Também vale a pena verificar os quadros de previsão para o défice orçamental e a dívida pública e comparar os valores estimados com a realidade. É que, contrariamente ao que o novo Vitalino do PS quer dar a entender, não basta alguém dizer que vai ser para que, chegando lá, assim seja.
Robert Strange McNamara deixou este mundo no passado dia 6 de Julho de 2009, com 93 anos. A história da sua vida confunde-se com alguns dos períodos mais conturbados da história mundial do século passado. Em 2003, através do brilhante documentário de Errol Morris, Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara, parte desses momentos e algumas das lições, segundo McNamara, que dai podemos retirar ficaram registadas para a posteridade.
É um homem com o peso da culpa sobre os ombros aquele que nos é apresentado, sem que este, contudo, alguma vez manifeste essa mesma culpa ou aceite sequer discuti-la. No documentário, este refere a primeira recordação de que tem memória, a celebração em terras norte-americanas da vitória na primeira guerra mundial, lembrando como as ruas se encheram de gente, no dia em que a felicidade triunfou sobre o medo da pandemia que então também afectava o mundo, onde as pessoas saíram para a rua sem qualquer máscara de protecção como que a festejar o fim de uma peste maior. McNamara recorda Woodrow Wilson e a sua ingenuidade quando afirmou a propósito dessa guerra que "ganhámos a guerra que terminou com todas as guerras". Mal sabia Wilson como estava errado e como a não concretização desse sonho atormentaria McNamara nos anos vindouros.
Mas voltemos ao inicio: quem foi afinal Robert McNamara? O seu percurso inicial é o de um homem brilhante, inteligente, cuja educação formal culminou com a obtenção de um MBA na prestigiada universidade de Harvard. Pela sua formação académica, quando os Estados Unidos entraram na segunda guerra mundial, McNamara foi alocado ao departamento de controlo estatístico das forças aéreas norte-americanas. Depois disso foi integrado, através de um programa que visava atrair jovens brilhantes, nos quadros da Ford (curiosamente, uma empresa que estava desde 1926 à beira de falir). Nesta conseguiu ascender à posição de presidente, o primeiro a atingir tal feito não pertencendo à família Ford. Esteve pouco tempo no cargo, uma vez que John F. Kennedy ganhara a presidência dos Estados Unidos da América e, com o objectivo de criar uma equipa com os mais capazes e independentes membros da sociedade civil, convenceu McNamara a aceitar o cargo de Secretário de Estado da Defesa. É por este cargo e o que fez durante o seu mandato que McNamara será para sempre recordado, mas antes do acontecimento que representa a sua principal marca na história, recuemos um pouco.
O documentário é dividido por vários momentos. Desses, destaco três:
O primeiro é sobre a crise dos mísseis de Cuba, situação que McNamara viveu por dentro. Nesta recorda como foi ‘Tommy’ Thompson, antigo embaixador norte-americano em Moscovo, quem contrariou o presidente norte-americano sobre a resposta a dar aos russos face ao incidente. Kennedy manifestava muitas dúvidas que pela via da negociação os americanos conseguissem levar os russos a retirar os misseis de Cuba, mas Thompson, colocando-se no papel de Krutchev, um homem que conhecia bem, contrariou o presidente e previu que bastaria apresentar uma hipótese de salvar a face ao líder comunista que este recuaria. Thompson estava certo. E sobre isto McNamara retira a lição da necessidade de sentir empatia com o inimigo. A capacidade de olhar para os acontecimentos através do ponto de vista do outro lado. Coisa que mais tarde admite não ter sido possível sentir para com os vietnamitas. A situação é também aproveitada para retirar outra lição: a racionalidade não nos salvará. A explicação é simples, McNamara remete sobretudo para a sorte o evitar de uma guerra nuclear na situação dos misseis de Cuba. E imaginar que pessoas completamente racionais estiveram em rota de desencadear uma situação explosiva desse género não é lá muito animador. A propósito, McNamara também recorda a reacção do general Curtis LeMay quando Kennedy deu o evitar da guerra como uma vitória, LeMay terá reagido com "Ganhámos? Porra, nós perdemos. Temos de os arrasar hoje.". Era a loucura dos tempos da guerra fria.
No segundo episódio recuamos à segunda guerra mundial, a tal que não deveria existir pela tese de Wilson, e regressamos também à figura que foi Curtis LeMay. O episódio é o bombardeamento com bombas incendiárias de Tóquio, em 10 de Março de 1945, que vitimou cerca de 100 mil japoneses, ordenado por LeMay (que mais tarde viria a autorizar também o uso das bombas atómicas) e segundado por relatórios de eficiência elaborados por McNamara. "Se tivéssemos perdido, seríamos julgados como criminosos de guerra", afirmou LeMay na altura e McNamara não só aceita a tese como incluí-se no grupo de "criminosos de guerra". É a moralidade vista pelos olhos dos que perdem e dos que ganham que surge aqui. Antes disso, já McNamara havia enunciado uma das suas outras lições: A proporcionalidade deve ser regra numa guerra. O exemplo surge com Tóquio: justifica-se a destruição de 51% de uma cidade ou a utilização de bombas atómicas para vencer uma guerra? A resposta que fica no ar é que não. Mas McNamara de certa forma desresponsabiliza os intervenientes dos acontecimentos naquela altura, em parte porque foi a primeira guerra da história onde um tal nível de desproporcionalidade foi possível. Ele culpabiliza é todos os que se seguiram por não terem aprendido com esse suposto erro. Nos culpados, como é óbvio, estará ele próprio. E é ai que entra aquela que chegou a ser conhecida como a Guerra de McNamara.
O terceiro episódio é, portanto, a incontornável guerra do Vietname. Há uma coisa que fica clara das conversas que surgem entre Lyndon Johnson e Robert McNamara a propósito do escalar da guerra: Johnson a certa altura irritou-se com a situação de instabilidade na zona. A McNamara exigiu uma resolução do problema e este, sob pressão, fez o que sabia melhor: agiu. Como Daniel Finkelstein aqui tão bem interpreta, "homens de acção querem agir. São pagos para agir, chegam ao governo para agir. Desde a primeira visita ao Vietname, McNamara podia ter aprendido – se assim pretendesse – o quão difícil as coisas seriam. Mas era um homem tipo executivo e não estava para dizer ao patrão que não conseguia realizar o trabalho. Então, a dúvida foi excluída. E os factos alterados para sustentar a teoria." E a acção foi afundar os Estados Unidos numa guerra como que perdida logo de início. Mais do que isso, McNamara viu o próprio filho nas manifestações anti-guerra. Uma guerra que levou à auto-imolação de Norman Morrison frente ao gabinete de McNamara, no Pentágono, em protesto. A propósito deste último caso, a mulher de Morrison emitiu um comunicado a exigir que os homens deixassem de matar outros homens. McNamara recorda o acontecimento no documentário e questiona: "Quanto mal temos de praticar como forma de promover o bem? Temos certos ideais, certas responsabilidades. Mas existem momentos em que temos de recorrer ao mal, minimizando-o". Nota-se que é a reflexão sentida de um homem que tem em Norman Morrison um dos seus piores fantasmas. Estes acontecimentos afectaram o então secretário da defesa norte-americano. Tanto afectaram que, no dia em que recebeu a Medalha da Liberdade, a propósito do abandono do cargo, em 29 de Fevereiro de 1968, sete anos após ter começado a exercer funções, McNamara não conseguiu pronunciar mais do que uma frase com sentido. O próprio refere, no documentário, que em conversa com uma amiga havia reconhecido que não sabia se "tinha-se demitido ou havia sido demitido". Saiu derrotado e convencido que a guerra estaria perdida. Apesar disso, nunca, em momento algum, manifestou essa convicção em público nos anos seguintes em que a guerra ainda perdurou. De certa forma, e terminando com Finkelstein, já aqui citado, "A última lição é que os homens não se tornam prisioneiros só dos seus aliados. São também prisioneiros dos seus erros. No livro de Halberstam sobre o Vietname este é apresentado como a tragédia dos melhores e dos mais brilhantes. Estes nunca declararam guerra, apenas seguiram de acto em acto, enquanto a lógica sobrepunha-se ao senso comum. Enviar conselheiros, proteger conselheiros, o ataque é a melhor forma de defesa, usar bombas para atacar, ter tropas em terra para dar apoio aos ataques aéreos. Mais fundo e fundo eles cavaram".
Leio com atenção a muito interessante e boa polémica interna que opõe o Luís Naves ao Tiago Moreira Ramalho no Corta-Fitas a propósito dos subsidios à cultura (ler, por esta ordem: Ide ao teatro; Uma polémica interna; A minha ilusão liberal; e Ilusões liberais). Não concordo com nenhum, embora esteja mais próximo da posição do Tiago. Mas vou-me concentrar no último texto do Luís Naves. Primeiro numa questão de pormenor, diz este que o Tiago "defendeu auto-estradas sem portagens: se as estradas já foram pagas com os meus impostos, para quê pagar portagens?". O Luís Naves aqui comete um erro, se existem auto-estradas com portagens é exactamente para estas não serem pagas com impostos.
Mas o que me importa mais discutir é a questão da educação. A certa altura o Luís Naves diz que se "o acesso aos serviços é conforme o imposto cobrado aos pais. O estudante pobre cuja família está isenta de impostos deve pagar mais propinas; ao rico com pais que já pagaram em impostos, não se deve cobrar propinas". Não me querendo substituir ao Tiago, este não diz propriamente que o acesso aos serviços é conforme o imposto cobrado. O que diz (ele que me corrija se estiver errado), e eu concordo, é que sendo o ensino actual pago por impostos de todos, se qualquer pessoa para além de pagar impostos tiver de procurar uma alternativa privada é duplamente prejudicada. É por isso que um liberal pode defender, por exemplo, o cheque-ensino. Que, de forma simplificada, é nada mais, nada menos, do que o retorno dos impostos aos pais, com justiça social à mistura porque os pais pobres teriam direito a igual cheque pagando ou não impostos. Claro que o cheque-ensino não resolve todas as questões sobre o assunto e ainda pressupõe que o ensino tem um valor para a sociedade enquanto um todo (de forma associada e ainda de encontro a esta lógica, teríamos de abordar também a escolaridade obrigatória) que justifica que os impostos de todos sejam distribuídos pelos pais com crianças a estudar (coisa que chocará uma determinada classe de liberais), mas garante pelo menos uma maior liberdade aos pais para optarem por escolas públicas ou privadas conforme a qualidade de cada uma, sem que sejam alvo dessa penalização dupla.
Já no caso do financiamento do ensino superior, as propinas deveriam, pura e simplesmente, reflectir o preço do serviço em causa. Ou seja, tal como nas auto-estradas com portagens, aplicaríamos a lógica do utilizador-pagador. Os ricos, portanto, pagariam o serviço em causa caso tivessem filhos a estudar no ensino superior, já os pobres, na lógica de solidariedade social para que devem servir os impostos, seriam subsidiados para obter esse serviço e portanto também não deixariam de ter acesso a ele. O que não vale é apelidar parasita a um liberal por frequentar o ensino superior público subsidiado quando não lhe resta outra alternativa em Portugal para um ensino de qualidade a preço comparável. Para além do mais, importa fazer ver que a demonstração por absurdo que o Luís Naves utiliza vai desembocar ao nosso actual sistema. Para quem ainda não percebeu, o actual sistema de ensino superior público financiado na sua maioria por impostos já garante que os ricos tenham acesso a um ensino de qualidade a baixo preço, basta consultar qualquer estudo sobre o assunto que este logo nos diz que as universidades públicas estão repletas de alunos da classe média/alta, enquanto os pobres, paradoxalmente, vêem-se muitas vezes relegados para as universidades privadas ou, ainda pior, nem sequer chegam a frequentar o ensino superior.
Já na questão essencial, dos subsidios à cultura, vou fugir (para já) ao debate, mesmo porque este post já vai longo. Não sem contudo dizer que se nos Estados Unidos existem subsídios à cultura, também existe uma muito maior propensão à filantropia. O problema português não se resume à discussão sobre se o Estado deve ou não apoiar manifestações culturais, mas deriva e muito da incapacidade do surgimento de entidades exteriores ao Estado no apoio à cultura nacional.
"E nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que tem estado a ser adoptadas em termos de política económica e social para que tenhamos resultados diferentes". Isto afirmava Ferreira Leite há poucos dias. Agora é mais "rasgar, ninguém vai rasgar nada". Quando se adopta a retórica como arma, muitas vezes dá nisto. Ferreira Leite também incorpora a lógica de Paulo Bento no discurso quando afirma que "É absolutamente essencial é que nós entremos numa fase de grande tranquilidade, a tranquilidade que leva a que as pessoas colaborem" e recorda Guterres quando promete "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações". Pior que isso, afinal "não há nenhuma medida anunciada por este Governo" com a qual Ferreira Leite discorde. Esta critica sim "que a maioria delas não tenha passado de anúncio". Acho que Ferreira Leite está na campanha errada, ela queria mesmo era candidatar-se a líder do Partido Socialista.
É impossível, neste dia, não me sentir no universo dos filmes de Mike Judge, conhecido por ser o criador de Beavis and Butt-head, personagens que ganharam vida nos ecrãs da estação MTV.
Por um lado, trabalho de escritório a uma segunda-feira. Se há mau dia no trabalho esse é segunda-feira. Seja pela falta de ritmo, seja por ser o que mais se distancia do fim-de-semana, seja pelo que for. Sei é que o tempo custa mais a passar. No grande ecrã, foi Judge quem melhor descreveu esse problema no aclamado Office Space, com o seu "case of the monday’s". O filme também retrata na perfeição a relação com alguns colegas de trabalho; a monotonia; o stress que se manifesta ainda não chegamos ao trabalho, presos numa fila de trânsito. Enfim, estou a precisar de férias…
Mas lembrei-me de Judge sobretudo pela sua obra Idiocracy. A intoxicação com notícias a propósito da apresentação aos sócios de um jogador de futebol, recordou-me aquele universo estupidificado da América futurista com que Judge nos brinda. Onde o cidadão vulgar do final do século XX, passa pelo homem mais inteligente à face da Terra. Fruto de um processo de evolução que favoreceu aqueles que mais procriaram. No filme em causa, o presidente norte-americano alcançou o cargo por ser uma vedeta do futebol americano e a população pouco mais faz do que consumir fast food, passar os dias frente a um televisor e frequentar arenas desportivas. A este ritmo, lá chegaremos.
João Galamba, no Jugular, acusa Francisco Louçã de recorrer à demagogia, isto porque o líder do Bloco acusou "o Governo de ter rasgado a sua principal promessa eleitoral: a criação de 150 mil empregos". Ora, eu concordo com boa parte do argumentário utilizado por João Galamba, só não cheguei a perceber é se este não considera que o mesmo problema se coloca para a então promessa de José Sócrates. É que o actual primeiro-ministro, em campanha, andou a prometer o que não estava única e exclusivamente em seu poder cumprir. Por isso, das duas, uma: ou Sócrates "reduz a política a um combate de boxe, onde a razão pouco importa" ou "insulta a inteligência dos portugueses".
Acho muito bem que o dirigente político socialista – Henrique Granadeiro – tenha recordado um dos negócios que Ferreira Leite fez enquanto ministra das finanças para combater o défice. Alguns foram verdadeiramente maus, como o negócio com o Citigroup ou a venda da rede fixa à PT (não tão mau quanto o i sugere, uma vez que compara valor contabilístico com valor real de um activo, não tarda e ainda vão noticiar que quando o Lehman Brothers faliu o valor contabilístico do grupo era positivo). Acho também muito bem que o partido no governo tenha navegado a onda com conferência de imprensa à mistura, uma conferência onde, embora ainda nada tenha visto a referir o assunto, o porta voz do PS terá certamente aproveitado para comentar a notícia de sábado do Expresso, não vá o PS deixar a ideia que pouco lhe importa que o primeiro-ministro falte à verdade em plena Assembleia da República.
Mas o reavivar das receitas extraordinárias de Ferreira Leite é benéfico porque, a bem da verdade, julgo que fará por recordar o que esteve na origem das mesmas: um pequeno problema de défice excessivo que o governo socialista de António Guterres, onde Sócrates era figura de cartaz, nos deixou. Problema menor que em nove anos, seis dos quais com os socialistas no poder, ainda está por resolver. Pode ser também, mas acho que já estou a pedir demais, que alguns façam por comparar as receitas extraordinárias que todos sabemos que foram utilizadas por Ferreira Leite para combater o défice, com as receitas extraordinárias que alguns fazem por esquecer que foram utilizadas por este governo para o mesmo efeito.
The Winner Is por Mychael Danna e Devotchka
Little Miss Sunshine (2006) de Jonathan Dayton e Valerie Faris
É trocar vendeu por comprou e Olivedesportos por TVI e a situação é a mesma. Talvez algum jornalista queira perguntar a Augusto Santos Silva se «estranha» o negócio que agora está em cima da mesa.
Nota-se que aprenderam. Não só aprendem com o tempo, como mudam conforme o tempo.