"Vai ser um programa minimalista, pequeno, na dimensão daquilo que é exequível. É um programa com propostas para serem facilmente sindicáveis pelos portugueses", disse ao PÚBLICO o vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar Branco. Neste momento, a qualquer partido português responsável, exijo que me diga a mim, eleitor, o que pretende fazer dada a situação que se conhece das contas públicas e do nível de desemprego. Não venham com a conversa que desconhecem o verdadeiro estado das contas públicas, como o PSD ensaia agora, e que essa limitação impede o apresentar de propostas. Parece certo que num futuro breve teremos um aperto orçamental forte, que implicará aumento de impostos ou diminuição da despesa. Espero que no "programa minimalista" do partido que constitui a principal alternativa ao actual PS exista espaço para abordar essa questão. Como Ferreira Leite já prometeu que não aumenta impostos, diga onde cortará na despesa. Mas a ausência de uma discussão séria sobre o assunto neste momento é desanimadora. Se o PSD foge de apresentar o seu programa é porque não quer ver discutido em praça pública aquilo que são as suas alternativas às actuais políticas que nos governam, pelo que, das duas, uma: ou não tem políticas significativamente diferentes das do PS; ou não acredita que lançando a discussão das suas propostas para a praça pública, consiga convencer o eleitorado de que estas são a melhor solução para o país. Ora, o primeiro caso implica mudar para ficar tudo na mesma, o que não me deixa com grande esperança no futuro; o segundo, deixa-me a dúvida: se o PSD não é capaz de apresentar um programa claro na campanha eleitoral e convencer os portugueses que as propostas apresentadas são as melhores para o país, não será certamente quando estiver no governo que o irá fazer.
De tão pequeno que não se vai dar por ele
jorgeassuncao,

Usa-se cada vez mais: tudo o que cheire a dar trabalho passou a ser minimalista.
Esboçar um programa de governo dá obviamente trabalho. Mesmo que seja feito de espuma. Mais ainda se for sério, o que não se tem visto muito (nem pouco, para ser franco).
Se já fogem do trabalho antes de começar, não vejo muito bem como confiar-lhes o futuro próximo.
Deixe-se de fretes! Ou algo o obriga a isso?
Você é que é um fretista.
Axas?
(Nem mereces o ch).
O que tu não mereces sei eu.
Ah, xabes?
És mesmo adiantado mental.
É fugir do trabalho e, parece-me, é também receio do debate. O que é pena, porque há muita coisa que merece ser debatida em Portugal. Mas suspeito que nos partidos são muitos os que querem alcançar o poder pelo poder, mas poucos os que querem pensar e discutir o rumo a dar a este (cada vez mais) pobre país.
Concordo.
Não consigo perceber a estratégia do PSD. Para se ser alternativa temos que dizer o que fazemos diferente dos outros.
Não basta só criticar e esconder as nossas alternativas na gaveta, isto se as houver.
Abraço.
Eu a estratégia até percebo, é a de não levantar ondas e chegar ao poder pela inevitável queda de Sócrates, cujo projecto de governação falhou redondamente. Não concordo é com ela, porque chegar ao governo sem ponderar e anunciar previamente ao que se vai, é passo certo para a continuação do desgoverno que tem sido norma.
Parece-me óbvio que o PSD não tem propostas alternativas , Jorge. Nomedamente a nível económico e financeiro até porque, como ela disse repetidas vezes, quando LFM era o presidente do PSD, está de acordo com a política seguida pelo actual governo nessa área…
Também suspeito disso, Carlos.
Penso exactamente o mesmo que tu, Jorge.
Registo a sintonia. 🙂
Jorge Assunção, posso discordar?
Parece-me óbvio que este minimalismo programático é uma táctica defensiva.
Mas não é aquela defesa que mora na apatia ou na falta de inspiração. Pelo contrário, é a defesa agressiva, a defesa da guerra, que é puro ataque.
Primeiro, a crise económica é um veneno de efeitos paralisantes que não permite antevisões minimamente seguras sobre a real capacidade para propor (prometer) intervenções governativas levadas ao detalhe.
Seriamente, não poderiam portanto fazê-lo, sob pena de se converterem em mais um fenómeno de gargantismo ” político.
É que o povo não é parvo, topa.
E toparia.
Ora, é esse mesmo povo que, goste-se ou não, vai votar na maioria dos casos sem passar os olhos pelo programa político dos partidos.
Por outro lado, a questão de um partido da oposição estar completamente arredado da informação sobre o estado das contas públicas (tal como estão todos os portugueses, salvo aquela meia dúzia que conhece bem o bicho porque foi o seu criador) é uma questão relevante, sim, na minha óptica. Ninguém minimamente atento pode confiar nos relatórios de S. Bento em geral. Logo, porque haveria de tomar a sério justamente aqueles que tratam das finanças nacionais?
Então e saber isso não é vital? Claro que sim, como não?!
Desculpas? Qual quê! Sentido de responsabilidade. E experiência.
Por mim, basta-me um programa que se comprometa numa ‘visão’ do país, nos valores da acção governativa e sobretudo nos vectores estratégicos que elege para essa intervenção. Não preciso do resto do BSC para nada… E sei muito bem que seria pura batota chegar a esse grau de “vistas prospectivas”.
Entretanto, a táctica de resguardamento ” também tem outra justificação óbvia e nem por isso menos inteligente: manter os trunfos na manga; não dar pano a Sócrates para fantasiar mais umas ideias, curiosamente coincidentes; trabalhar os planos A, B, C, etc, sem dar confiança ao cambalhotista-mor nacional, ao homem de quem se diria estar ainda para nascer quem o suplante. Em bluff e cabotinismo, evidentemente.
Eu, no lugar de MFL, também não lhe daria a mínima confiança.
E contra atacaria exactamente assim. Com a total ausência de bazófia.
Há uma tendência chocarreira para considerar que o PSD (este PSD, esta líder) não tem ideias e que muito especialmente – não sei como é possível sustentar isto sem se desmanchar de riso – , é preguiçoso e não está para se dar a grande trabalho….
Para além de detestavelmente fanfarrona, essa pose ou é a que pertence por direito ao PS; ou é uma pose ingénua; ou está extraordinariamente desfocada. Parece-me.
Vejo imensas vantagens num programa assim, no contexto actual.
“Jorge Assunção, posso discordar?”
Chloé, não só pode, como deve. 🙂
“Pelo contrário, é a defesa agressiva, a defesa da guerra, que é puro ataque.”
Parece-me é que existem duas guerras. A para alcançar o poder e a que se seguirá com o poder obtido. A actual estratégia pode ser a melhor para alcançar o poder, mas é pobre tendo em conta os desafios que aguardam o próximo governo.
“não permite antevisões minimamente seguras sobre a real capacidade para propor (prometer) intervenções governativas levadas ao detalhe.”
Há uma intervenção governativa que sabe-se que vai acontecer: ou as despesas diminuem ou os impostos aumentam. Como o PSD mostrou-se contra o aumento de impostos e criticou o PS porque fez a consolidação orçamental pela via das receitas, espero sinceramente que diga onde vai cortar nas despesas.
“Por outro lado, a questão de um partido da oposição estar completamente arredado da informação sobre o estado das contas públicas”
Não está. Isso é o mesmo que acreditar que em 2005 quando o PS chegou ao governo não sabia o estado das contas públicas. Sabia. Não teve foi a coragem para afirmar logo na campanha eleitoral que ia subir os impostos. Alegar desconhecimento é um óptimo artificio para não assumir imediatamente o que se pretende fazer.
“Por mim, basta-me um programa que se comprometa numa ‘visão’ do país, nos valores da acção governativa e sobretudo nos vectores estratégicos que elege para essa intervenção.”
Isso são tudo coisas que neste momento já deviam ser claras. Não é preciso um programa para tal. Fico preocupado é se o PSD só descobre a sua ‘visão’ do país a um mês das eleições.
“manter os trunfos na manga; não dar pano a Sócrates para fantasiar mais umas ideias, curiosamente coincidentes”
Mas se o partido socialista atreve-se a copiar ideias do PSD não estamos perante dois partidos em quase tudo iguais? É isso que me preocupa.
“o PSD (este PSD, esta líder) não tem ideias”
Pelo contrário: o PSD tem ideias. São é iguais às do PS ou então não acredita suficientemente nas ideias que tem para as defender com convicção. Ambos os casos são problemáticos e é isso que pretendo afirmar com o meu post.
Jorge Assunção
Concordo com muito do que diz agora.
E discordo de parte.
Talvez esta não coincidência represente em si algo de simbólico, mas isso são outros diagnósticos.
– Há duas guerras? Nisso concordamos em absoluto, e percebo onde quer chegar. Evidentemente, o programa partidário fixa-se no day after . E para esse ‘ desembarque dos ingleses ‘ todos gostaríamos de merecer um caderno de encargos detalhado.
Só que essas duas guerras não são separáveis. Uma está na razão da outra. E não podemos fingir que não comunicam entre si e não se influenciam mutuamente na forma, no conteúdo e na oportunidade.
Aliás! Em bom rigor as guerras até nem são duas, são três.
Não esqueçamos a terceira… porque clarifica os pruridos com duas anteriores.
Acho que sim, que uma visão sobre o pais, expressa nos valores da acção e nos vectores estratégicos não devia ser discutível a esta altura, porque seria conhecida de todos.
Mas acha que essa visão está assim tão certa e estabilizada?…
– Não está, não. E sabe bem porquê.
Queremos ter a certeza. – Eu quero, pelo menos!
Porque se não fosse esta – que se reitera e refunda -, nada feito.
Infelizmente, os programas tornaram-se manifestos pouco credíveis, vazios de valor indicativo e a abarrotar de intenções, daquelas que povoam o inferno.
Por fim, a velha questão, eu sei. Refere-a com toda a razão.
O ‘ como ‘ e o ‘ quê ‘.
Os socialistas colaram-se aos sociais democratas portugueses.
Pois se se colaram e lá com eles, que se arranjem.
E quanto a essa de as ideias serem iguais, um não absoluto – a não ser que empreguemos o termo ‘ ideias ‘ em sentido diferente.
– Será que para si ‘ ideias ‘ são as declarações de actos? Pois para mim não são. Não é isso que faz a diferença e me informa sobre o caminho.
Aquilo que me esclarece é a não contingência de um modelo e da sua inspiração.
Voltamos aos valores. Ao ideário.
Absolutamente diversos entre os dois partidos, tal como estão agora.
Sem confusão possível.
… e então o PSD quer que os eleitores lhe passem um cheque em branco…
Esquece que da última vez, aquela imagem do “andar de tanga”, foi um “tesourinho deprimente” que era preciso e necessário “varrer” da mente dos eleitores.
Virgínia,
Mas o problema do cheque em branco é que ele não é tão branco quanto isso. Como se viu com Sócrates, nem uma maioria absoluta é suficiente para governar contra o povo. Por isso parece-me essencial que um partido responsável, se quer mudar alguma coisa em Portugal, diga-o claramente neste período de campanha. E a tempo de existir discussão séria sobre o que se propõe.