

Os Panhard (França) pós-Guerra:
Dyna X (1948/54), Dyna Z (1954/59),
PL 17 (1959/65) e CT 24 (1964/67).


Os Panhard (França) pós-Guerra:
Dyna X (1948/54), Dyna Z (1954/59),
PL 17 (1959/65) e CT 24 (1964/67).

… este foi o primeiro automóvel a chegar ao País do Sol Nascente? Pois é que foi mesmo. Trata-se de um Panhard & Levassor, fabricante francês, e foi importado pelo Japão em 1898.

Lâmpada de Aladino em bronze*
(símbolo da Enfermagem)
* — Pedidos na caixa de comentários.
«Eu não consigo falar!… Pois… Eu peço desculpa… mas de facto não consigo falar!…»
(Maria de Lurdes Rodrigues, na Assembleia da República)
A propósito do desaguisado que opôs Ana Gomes a Manuela Ferreira Leite, a propósito das "negociações" entre Alberto João Jardim e o PSD sobre candidatos(as) elegíveis, a propósito dos "piropos" que ainda estão para vir — a propósito, enfim, das candidaturas femininas impostas e desse inesperado número de mulheres obrigadas a entrar à força na política — receio bem que a lei da paridade só contribua para umas valentes e escusadas "peixeiradas".
Oxalá eu me engane, mas ainda estamos na pré-campanha e há já vários episódios que se dispensavam. De resto, se querem saber, nem vejo onde está a tal paridade. Uma mulher para cada dois homens? Isso é que é paridade? Pois a mim parece mais ménàge à trois…
Os falantes-em-teu-nome

«O que me ocorreu foi aquela visão cinzenta, para não dizer mais forte. Salazarenta (…)»
(Mário Lino em resposta a Paulo Rangel, nas televisões)
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Pasta Dentífrica Couto actual*
(antiga Pasta Medicinal Couto, desde os anos 30)
* — Disto ainda há, mas está sem graça.

… o Fiat 600 Multipla, ainda em meados dos anos 50, foi o primeiro ensaio do conceito “monovolume”? É verdade: trata-se de um carro que criou a ideia de espaço amplo; ainda por cima, com motor traseiro, porque este modelo nasceu do histórico Fiat 600, cuja pequena mala e roda sobressalente eram na frente. Na foto (um modelo de 1966) do interior em que se vê o volante, vê-se também essa roda arrumada adiante do passageiro da frente, visto que o habitáculo teve de avançar sobre o eixo dianteiro.
Com seis lugares, quatro deles com bancos rebatíveis, o 600 Multipla era um carro versátil e invulgar, mas nunca conheceu grande sucesso, ao contrário do célebre 600 que lhe serviu de base e que teve várias gerações. Porém, os Fiat 600 Multipla foram táxis muito populares em várias cidades italianas, até ao início da década de 70.
«Boa noite a todos… e a todas, claro (…)»
(Vasco Lourenço, no espectáculo Vozes Que Abril Abriu)
Que eu desse por isso, entre todos os que andaram a fazer apreciações aos discursos no Parlamento, o único que só se centrou na intervenção de Paulo Rangel para dizer ‘cobras-e-lagartos’ foi Augusto Santos Silva. Tem o mesmo direito que os outros para opiniar o que lhe convier, é evidente. Mas não parece seguro que a apreciação seja conveniente à sua função partidária interna, como também é evidente. Mostrar tanto nervosismo denota fraqueza. E denotar fraqueza é má estratégia. E má estratégia é meio caminho para perder uma batalha. E se a perder terá uns meses para dar largas ao seu nervosismo.
José Manuel Mestre — Gostou do discurso do Presidente?
Paulo Portas — Gostei sim senhora!
(Reportagem da SIC à saída da Assembleia da República)
Os profissionais-a-propósito

Trata-se de um pequeno grupo que nunca vai à televisão (pelo menos, que se saiba). Os profissionais-a-propósito vagueiam pela blogosfera e vão pousando pelas caixas de comentários.
A gente nunca dá com eles; são eles que dão com a gente. Quando ganhamos alguma experiência e estamos com saudades deles, é fácil atraí-los. Basta alocarmos um post, por exemplo, sobre o Dia Mundial do Livro. Aparece logo um a comentar: «Não sei onde iremos parar. A esse propósito escrevi www.preciso-de-trocar-de-carro-ainda-este-ano.»
Claro que, para chamar pelos profissionais-a-propósito, é importante escolhermos um tema adequado para o post. Se discorrermos sobre a discussão semanal na RTP-1 entre a Fátima Campos Ferreira e o público-que-bate-palmas, é possível que não apareçam. Mas se escrevermos sobre a crise social ou a nacionalização da banca, é seguro que há-de surgir pelo menos um nos comentários: «Concordo. Pode ver o que já escrevi aqui a propósito www.fiqueisemnamoradaenaotenhonadaparafazer.» Ou então: «A propósito até escrevi www.vou-sair-para-almocar. Abraço.»
A propósito, não sei se já vos disse que eles são comentadores profissionais…
Os profissionais da identidade difícil

HABILITAÇÕES E DISFUNÇÕES
Vou espreitando aquele programa das noites de segunda-feira na RTP-1. Ilda Figueiredo está farta de aproveitar o tempo de antena para perorar sobre «o neoliberalismo, o federalismo e o militarismo». Fico comovido. Se há quem possa denunciar todas as formas de militarismo é quem representa a velha cartilha soviética! Isto comove-me, pronto.
«Não há condutor que nunca se tenha deparado com (…)»
(Conceição Lino, no Nós Por Cá, SIC-Notícias)
Por falta de vontade, o que é grave, ou por falta de capacidade, o que é mais grave, o governo tem óbvia dificuldade para diminuir as suas despesas. Contudo, para grandes males, grandes remédios: se o governo não consegue de outro modo, mais valia ter cortado um ministério inteiro, que a poupança já seria jeitosa.
Com efeito, tratava-se apenas de decidir entre ter um Ministério do Ambiente e da Cultura ou um Ministério da Cultura e do Ambiente. Um e outro são tão transparentes que ninguém sentiria a falta nem daria pela diferença. Percebe-se, claro, que a decisão seria complicada. Afinal, se cortasse os dois teria poupado muito mais. E também ninguém daria por isso…
O GRANDE DITADOR: QUASE OBRA-PRIMA
Em The Great Dictator, Charles Chaplin esteve em vias de alcançar a sua verdadeira obra-prima, quer pela criação magistral desta grande metragem (por sinal, "super"-grande), quer pelo seu duplo e extraordinário desempenho: além de autor e realizador, ele é o ditador Adenoid Hynkel e um pobre barbeiro judeu (um ex-piloto que perdera a memória na queda do avião de combate).

O filme data de 1940 e satiriza, com um humor invulgar e perfeitamente adequado à tragédia humana que o inspira, a última fase da Grande Guerra. No ano seguinte, é estreado nos EUA e é nomeado para quatro dos cinco Óscares então atribuídos pela Academia: melhor actor e melhor guião original (Charles Chaplin), melhor actor secundário (Jack Oakie) e melhor música (Meredith Willson, que há-de receber um Óscar no ano seguinte pelo tema de The Little Foxes); apenas falha à nomeação de melhor imagem (e duvido que não merecesse). Nada arrecada, nem por já viver nessa altura em Beverly Hills há vários anos, nem pela obra que já soma, mas começa a coleccionar distinções por todo o mundo (algumas já póstumas).
O que é que faltou, para que The Great Dictator fosse a obra-prima do grande mestre? A propósito de Casablanca, o Pedro Correia assinalou-o muito bem: «a retórica antinazi datou irremediavelmente» este filme, «na célebre cena final». O longo e bem conseguido discurso que funciona abertamente como moral da história é um panegírico ao papel dos Aliados e ao envolvimento dos EUA que podia (poderia totalmente?) ter sido evitado. Ainda assim, vale a pena recordar o final desse discurso.
«Hannah, estás a ouvir-me? Onde estiveres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos a sair das trevas para a luz! Estamos a entrar num mundo novo — um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do Homem ganhou asas e já começa a voar! Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hanna! Ergue os olhos!»

Hannah, a "sua" inevitável Paulette Goddard, que Chaplin conhecera em 1932 e que, um ano antes desta obra, fizera The Woman e chegara a estar indicada para Gone With the Wind (desempenho que perderia para Vivien Leigh). O casamento secreto de ambos, em 1936 (ano de Modern Times), estava a chegar ao fim quando também terminava a rodagem de The Great Dictator. Nunca saberemos se o divórcio teve alguma consequência no modo pouco criativo como Chaplin se rendeu ao desfecho propagandístico que caracterizou tantos outros, neste filme que, ainda assim, será sempre uma enorme referência da Sétima Arte (e um dos filmes da minha vida).
Fosse como fosse, a perfeição do génio estava já consagrada desde o tempo do mudo. E The Great Dictator é quase perfeito.