
… tente conduzir.

… tente conduzir.
Para ultrapassar as chatices das restrições salariais impostas pela austeridade que nos afecta, a Caixa Geral de Depósitos já resolveu o problema: vai promover o pessoal que trabalha lá dentro. Tudo legal, portanto.
Só precisamos agora que a famigerada Troika nos faça o mesmo. Portugal está de rastos? Muito bem, mas que tal promover os portugueses a alemães, por exemplo, até ver se a coisa passa?
TOMATES
Já se sabia, mas confirmou-se: o primeiro-ministro foi firme e o ministro das Finanças foi inflexível. O dinossáurico líder madeirense viu caírem por terra praticamente todas as suas promessas eleitorais essenciais e caírem para as urtigas as sucessivas ameaças que constituíram o seu show-off mais recente.
Ficou, portanto, tudo mais claro e entendido. Tudo, excepto uma coisa: Alberto João Jardim não se demitiu porque a dignidade política está em extinção, ou porque ficaria sem guarda-costas a protegê-lo dos tomates e ovos podres da sua região?
No fim, como às vezes ainda vai acontecendo, acaba por ver-se facilmente que “o rei vai nu”.

Mais uma pré-rotunda. Nos arredores de Viseu, naturalmente. Até vai dar gosto andar ali à roda em qualquer transporte.

A partir da quinta quinta-feira de cada ano, a festa é dos amigos, amigas, compadres e comadres. O mês de Fevereiro costuma, por isso, ser muito animado, mas este ano tudo começa hoje, a última quinta-feira de Janeiro.
Temos então o Dia dos Amigos hoje, a que se segue o Dia das Amigas na próxima quinta-feira. Mais recentemente — talvez porque é junto dos amigos que se costuma escolher os padrinhos e madrinhas dos filhos — surgiram ainda o Dia dos Compadres e o Dia das Comadres, nas duas quintas-feiras seguintes.
São estas, pois, as quatro quintas-feiras seguidas que marcam uma época do ano comercialmente adormecida e à qual a celebração da amizade sempre dá alguma animação — pelo menos, no que toca a restaurantes, bares e outros estabelecimentos de diversão nocturna — porventura, também uma ou outra loja de prendas.
Esta tradição açoriana não me parece que tenha paralelo em qualquer outra região do País (se eu estiver enganado não é por mal e os leitores me dirão). Creio que resulta de uma outra tradição do arquipélago – bem mais dramática, esta – que é a forte emigração para as Américas, em busca de melhor vida.
Na verdade, com maior ou menor relevo, celebra-se anualmente a amizade em alguns países sul-americanos, embora em datas diferentes do calendário. É possível que, nos Açores, se tenha procurado uma época útil para movimentar o comércio local, aproveitando também as pessoas para ter um pretexto para conviver e se divertir.
Através de alguns países da América do Sul, não só o Dia da Amizade é comemorado como o facto é até acolhido pelo Rotary International. Há mesmo Rotary Clubs que assinalam a data festiva como o Dia Internacional da Amizade.
Voltando ao arquipélago dos Açores, verifica-se que o Dia dos Amigos e o Dia das Amigas (estes, sobretudo, já que o Dia dos Compadres e o Dia das Comadres, surgindo por arrastamento, são mais fantasiosos e menos tradicionais) são celebrados em todas as ilhas. E como é que são celebrados? Habitualmente, juntam-se grupos maiores ou menores de amigos(as) comuns e marcam-se jantares, que muitas vezes se prolongam noite adiante em bares e que até incluem animadas sessões de strip-tease previamente acordadas.
Deste modo, é pouco frequente encontrar mulheres a jantar fora no Dia dos Amigos, tal como os homens ficam mais por casa no Dia das Amigas. Nas ilhas mais pequenas, os amigos vão para as adegas e tascos já preparados para os receber e, na semana seguinte, é a vez das amigas escolherem este ou aquele restaurante para se divertir.
Nas cidades maiores, existe já o hábito de os restaurantes apresentarem jantares especiais para o efeito, tal como bares com propostas de diversão apropriada. O certo é que as datas não passam despercebidas a ninguém e chegam a ser levadas tão a sério que, ora os amigos, ora as amigas, mesmo quando não saem ou não se encontram, por morarem distantes ou não terem programas comuns, muitos se contactam para desejar mutuamente um bom Dia dos Amigos ou das Amigas.
Tudo isto se passa nos Açores, onde a natureza é amiga das ilhas e é correspondida com igual amizade. Estamos a falar, portanto, de lugares em que esta celebração é, afinal, um elemento constante. Nove ilhas distanciadas e unidas num hino permanente de amizade…


Disseram-me que isto é uma pré-rotunda nos arredores de Viseu. Se for, logo que a rotunda estiver feita será uma alegria circular nela em qualquer transporte…

Há cerca de 30 anos, José Miguel Júdice ia a Macau com a Espaço T Magazine dar uma volta pelo mercado publicitário e, claro, aproveitava para “entrevistar” o então governador, contra-almirante Almeida e Costa (a quem ele chama repetidamente naquela revista Almirante Almeida Costa). Mão amiga acaba de me fazer chegar esse número da publicação, que remonta aos meus primeiros tempos dos 12 anos que passei em Macau.
«Este número especial de “Espaço T Magazine”, resultou em grande parte do meu desejo de conhecer pessoalmente Macau» — escreveu José Miguel Júdice à laia de editorial. «Como director da melhor revista portuguesa, posso considerar-me inserido na classe média alta, tendo por isso rendimentos que me permitem suportar o custo de uma viagem ao Oriente» — disse ele com a reconhecida modéstia que ainda hoje o caracteriza, ciente de que para pertencer à classe média alta não basta apenas ter classe, mas também é preciso ter pelo menos 1,75 metros de altura.
Não espanta, por isso, o pesar que Júdice manifesta logo de seguida: «Infelizmente, as viagens a longa distância por avião não estão à disposição de todas as pessoas» — por acaso sempre estiveram à disposição de todos, mas alguns preferiam ir a pé, por não gostarem de voar — «mas os que constituem a classe média alta da Europa (directores, técnicos especializados, gerentes, agentes de vendas, médicos, advogados, etc.) podem perfeitamente concretizar uma viagem ao Extremo-Oriente.» Lá está, a tal classe média alta: advogados, pois claro, e directores das melhores revistas portuguesas, digo eu, mesmo os que se esquecem de datar as melhores publicações.
Júdice conclui o pequeno texto a confessar que foi sugestionado pela «magia de Macau», mas logo tranquiliza o leitor: «Estou certo de que a minha tradição racional de europeu me permitiu o necessário equilíbrio.»
Uma evidência escusada, está bom de ver. Já haveria alguém há 30 anos capaz de negar a tradição racional de José Miguel Júdice e o imenso equilíbrio da “entrevista” laudatória ao governador Almeida e Costa?

Alguém sabe dizer-me se este Júdice da classe média alta com a revista então instalada em Lisboa no chiquíssimo Palácio Sottomayor é o mesmo que precisou de um lugar camarário baratucho na capital a fim de instalar um restaurante de luxo que alguns insistem que devia ser um espaço destinado a indigentes?
O caso em julgamento do “Rei Ghob”, porventura especialista em sexo com menores e com gnomos numa espécie de castelo cheio de câmaras de imagem e gravadores, é muito curioso. O homem tem, segundo a imprensa, uma amiga que contou em frente a câmaras televisivas, a um colaborador da Júlia Pinheiro, tudo o que diz saber sobre o dito monárquico tarado. E tem mais: tem um cunhado que decidiu agora dar conta do conhecimento que adquiriu sobre a vida obscura do arguido e que pouco ou nada abona a favor deste.
Também Duarte Lima, conforme a imprensa refere, tem uma espécie de amigo que pôs a boca no trombone junto dos investigadores brasileiros e lhe pôs a falta de cabelo ainda mais à mostra. E parece que tem uma amiga brasileira que sabe de mais uns detalhes pouco edificantes. A própria empresa de off-shore que é suposto ele ter contratado para umas operações discretas foi a primeira a descrever numa televisão todos os pormenores requeridos pelo seu apetecido cliente.
Por outro lado, Carlos Cruz igualmente se disse traído. Está bom de ver que deve ter sido alguém amigo. Só pode.
A verdade é que o Sócrates já tinha avisado: o mundo mudou muito. Já não há amigos como antigamente. Mas acho que as certas consciências que andam por aí é que já não conseguem arranjar amigos como naqueles tempos em que se pedia a qualquer um para trazer outro amigo também. Alegadamente.
Quem mostra ainda ter amigos dos antigos é o famoso Isaltino. Ninguém o mete dentro. Grandes amigos, hã? Alegadamente.

Melhores transportes do que estes? É difícil. São muitos e diversificados. O trânsito é que não ajuda…

Porto, algures

O transporte mais tranquilo é aquele. É tão tranquilo que vale a pena identificá-lo. Estão a vê-lo? Aquele ali ao fundo, quase ao centro…

Kong Hei Fat Choi
«Nós sentimos muito que há dois portugais.»
Francisco Louçã, hoje
«Jardim ameaça Vítor Gaspar com bancarrota», segundo a imprensa. E Vítor Gaspar não ameaça Jardim com corte das reformas e dos vencimentos?
Afinal, quando é que na Madeira acabam com a acumulação das reformas e subvenções dele e dos seus apaniguados, que continuam a acumulá-los (por inteiro) com os vencimentos (por inteiro) de cargos oficiais e outros que tais?
Em suma: quando é que a Madeira deixa de poder acumular e passa a ter de optar, como o resto do País? Alguém me diz? Trata-se apenas de pôr cobro a uma situação excepcional de privilégio totalmente injustificável. Mais a mais numa parcela do território nacional onde impera a gestão danosa e ainda se cultivam ameaças contra o resto do País e se faz gáudio da falta de solidariedade.
O défice democrático na Madeira já está identificado há muito. O que não era tão conhecido é o défice madeirense de cidadania.

… tente conduzir.
Não preciso de ser detetive nem ténico para contatar com os novos textos dos espetáculos teatrais e perceber que estamos no fim exato da interação entre atores e espetadores. Para os atuais diretores de teatro, ratores dos velhos princípios, as regras passaram a ser exceções e a antiga exceção é a regra atual. Confesso que não sou um adeto disto nem vou adotar este sistema de fraco impato.
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Felizmente, nesta casa, continuamos a dar lições diárias de bom português. Por sinal, ao contrário do que faz o serviço público da RTP todas as manhãs, dessa RTP paga por nós para se dar ao luxo de conseguir achar tantas vezes, entre uma chusma de disparates de bradar aos céus, dois modos diferentes de dizer a mesma coisa e considerar pacífica e alegremente que ambos são “bom português”.

… tente conduzir.

Porto, Rua da Constituição
(Espero que não seja abuso, Pedro.)

Bons tempos em que se subia os Himalaias em qualquer transporte com toda a tranquilidade…

Uma coisa é certa: o melhor transporte é aquele que não está neste lugar a esta hora…