Vila Nova de Gaia.
Fotografias tiradas por aí (42)
escafandro,
Faltam 30 dias para a Grécia ser governada pelo Bloco de Esquerda. Seguir-se-á um divertido braço de ferro (encontrando-me invulgarmente bem disposto, resolvi não lhe chamar chantagem). Se a Grécia o perder e anunciar a suspensão do pagamento da dívida, o estoiro será imediato e já bastante bonito. Se a Grécia o «ganhar», obrigando os europeus que mantêm algum dinheiro nos bolsos a suportarem-lhe os défices, a austeridade passará imediatamente de moda em toda esta nossa bela Europa. O que acabará por conduzir, num futuro não demasiado longínquo, a um estoiro ainda mais bonito. Não sei que vos diga: entre os dois cenários, mon coeur balance (nas últimas semanas, tudo o que tem a ver com a França parece ter ficado na moda).
Passando junto ao Parlamento, um homem encontra no chão uma antiga cassete de áudio. Mostra sinais de desgaste, riscos, num dos cantos falta mesmo um pedacinho de plástico. A fita, no entanto, parece em boas condições. O homem leva a cassete para casa e mete-a no deck da sua velha aparelhagem. O deck não é usado há mais de dez anos e ele pergunta-se se ainda funcionará. Mas logo que carrega na tecla de Play começa a ouvir-se, em som roufenho, um discurso inflamado. Embora a voz lhe soe familiar, não consegue identificá-la. O discurso é longo e repetitivo. Expressões como «grande capital», «exploração da classe operária», «privilégios de alguns à custa do sacrifício de muitos», «destruição dos meios produtivos», «luta dos trabalhadores», «melhoria das condições de vida» e «conquistas de Abril» são repetidas uma e outra vez. O homem fica estupefacto e até um pouco assustado. Pensa: será a do PC? Como sobreviverão sem ela?
(Foto roubada aqui.)
Então porquê? Tentaram comprar os árbitros com dinheiro do FMI? E quem jogaria com a Polónia no encontro de abertura?
Há os países que se vão lixar por estarem sobreendividados. Há os países que se vão lixar por se estarem a sobreendividar. Há os países que se vão lixar por andarem a alimentar o sobreendividamento dos países mencionados nas duas frases anteriores. Há os países que se vão lixar porque vivem de vender petróleo ou gás natural aos países mencionados nas três frases anteriores. E há a Coreia do Norte.
Para a Primavera/Verão, ver cor(es) do vestido da Sharapova no Open da Austrália (finais de Janeiro).
Para o Outono/Inverno, ver cor(es) do vestido da Sharapova no Open dos Estados Unidos (finais de Agosto).
Na verdade, quem cala normalmente discorda mas laborar com base na outra versão é mais simples para ambas as partes.
A Fnac enviou-me um bonito cartão plastificado. Chama-se «cartão Fnac Rock in Rio Lisboa 2012» e garante-me o extraordinário desconto de 5% na aquisição de um bilhete para o referido evento. Promoções em que o nível de pompa está vários graus de grandeza acima do de generosidade deixam-me sempre a pensar se conseguirão gerar receitas suficientes para compensar os custos. Visto continuar a recebê-las, presumo que sim. Esta teve pelo menos o efeito positivo de me levar a olhar para o cartaz do Rock in Rio deste ano (vem na carta) e a comprovar uma ideia já antiga: o Rock in Rio é um festival para ouvintes da RFM e da Comercial; para gente que gosta de dizer ainda apreciar música rock (o termo é importante, numa época em que o rock está mais ou menos morto) ao ponto de até continuar a ir a concertos mas que, na realidade, se encontra entalada na porta de passagem da década de oitenta para a de noventa do século passado. Repare-se: Metallica, The Offspring, Lenny Kravitz, Ivete Sangalo, Stevie Wonder, Bryan Adams, Bruce Springsteen, Xutos & Pontapés, James. Não estou a dizer que toda esta gente é má. Inclui até pessoas que muito prezo. Por exemplo: gosto tanto de Bruce Springsteen que o fui ver a Valladolid em 2009; por alturas de And Justice For All e do Black Album chateei tanto colegas de universidade com gostos a tender para o Phil Collins fazendo-os ouvir Metallica que dois pediram transferência para direito (mentira, já lá andavam e era por isso que eu achava justo chateá-los); tornei-me fã dos Smashing Pumpkins aquando de Gish, o primeiro álbum deles, numa época em que raros eram os que desviavam olhos e ouvidos dos Nirvana e dos Pearl Jam (convenhamos, todavia, que, por muito que o Billy Corgan seja quase tão bom quanto ele pensa ser, os Smashing Pumpkins sem James Iha, D’Arcy Wretzky – desculpa, Melissa – e Jimmy Chamberlin não são os Smashing Pumpkins); e também ainda me lembro de um fantástico concerto que os James deram no Coliseu do Porto há cerca de dez anos. É a acumulação que impressiona. Não seria possível misturar este pessoal (ou parte dele, porque de outra parte nem vale a pena falar) com gente mais recente? Eu sei que a última década não foi pródiga no nascimento de grandes bandas capazes de agradar ao público em geral (coisa linda, o público em geral). Culpa da internet e do carácter cada vez mais efémero da fama, certamente. Mas ainda se arranjam algumas. Imagino que após grande esforço mental, os organizadores do Rock in Rio até conseguiram lembrar-se dos Kaiser Chiefs, colocados a abrir o palco «Mundo» na única noite que poderia levar-me a gastar dinheiro neste mastodonte para quarentões (a faixa etária em que o bilhete de identidade me coloca, note-se). Mas ficaram por aí. Melhor ainda: em vez de misturar, porque não organizar uma noite (uminha só) com música mais recente e alternativa? Não, desculpem, esqueçam. Era capaz de gerar confusões com um festival a sério, como o Super Bock Super Rock – esse sim, quase me convence a fazer trezentos e tal quilómetros para ficar a cinquenta metros de um palco respirando pó, fumo de haxixe e transpiração (ora comparem). Provavelmente é mais seguro assumir uma linha e mantê-la. Permitam-me, então, que dê umas sugestões à Roberta Medina para a edição de 2014: miúda, tenta conseguir os Beatles (sshhh – vocês acham que ela sabe que os Beatles se separaram?), junta o Roberto Carlos e o Júlio Iglésias numa noite gloriosa e, quanto ao recinto, instala cadeirinhas e duplica o número de casas de banho, que a idade não perdoa.
As declarações de Passos Coelho sobre o desemprego foram infelizes, sim senhor. A crise é real e há milhares de pessoas sem perspectiva. Mas teriam sido mal recebidas ainda que as circunstâncias fossem outras, menos graves. Os portugueses são hiper-sensíveis a opiniões claras e desagradáveis. Como, há uns tempos, nos ofenderam as palavras de uma actriz brasileira. Como, durante anos, reagimos mal aos alertas de gente sem jeito nem paciência para disfarçar opiniões: Medina Carreira e Manuela Ferreira Leite, por exemplo. Estamos habituados a escutar em silêncio e a preferir uma promessa que suspeitamos vazia a um aviso sincero. Estamos habituados a compromissos, às relações de poder baseadas na hipocrisia, a fingir que tudo está bem. Não somos piegas no sentido de uma tarefa nos assustar; não queremos é que nos digam que ela é desagradável. Raramente achamos que as coisas vão bem (no limite, «vão indo») mas tal é motivo para um encolher de ombros, para um «logo se verá», não para declarações frontais e mudanças de rumo. E, claro, as pessoas que agem de outro modo surgem-nos como estranhas e ameaçadoras. Quem raio julgam que são? O José Mourinho?
– Antes morta! – disse-me ela.
E a única coisa que eu queria era fazer-lhe a vontade!
Max Aub, Crimes Exemplares.
Edição Antígona (2008).
Tradução de Jorge Lima Alves.
Ilustração (deste crime) de Arnal Ballester.
Nota: €15,00 (certamente menos na Feira do Livro) por uma edição ilustrada, em grande formato e com capa dura é quase a definição perfeita de pechincha.
O moralista disléxico chamava-se Erasmo Coina de Carvalho e não conseguia evitar enganar-se ao dizer ou escrever o nome.
Adenda: como ainda surgem excepções, à Guerra e Paz, por Nos Sonhos Começam as Responsabilidades, de Delmore Schwartz (nem a Academia Nobel contesta que a literatura norte-americana de meados do século passado era fantasticamente interessante), à Tinta da China, por Viagem a Tralalá, de Wladimir Kaminer (levem carro se precisarem de andar à boleia na Dinamarca), e à Teodolito, por Ar de Dylan, de Enrique Vila-Matas (é preciso dizer alguma coisa sobre Vila-Matas?), não posso agradecer. Num débil gesto de compensação, comprei-lhes os livros.
Ou como esvaziar os mealheiros que ainda têm algumas moedas.
Como fica demonstrado pelos posts que escrevo, os meus instintos flutuam entre uma seriedade mal amanhada e uma idiotice plenamente conseguida. Baseado na ideia de que é preferível apostar naquilo em que se é bom, tento com frequência convencer a minha faceta séria a deixar-me abraçar em definitivo a via da idiotice. Ela recusa e cobre-me de insultos. Nas pausas entre eles, uma vozinha diz-me que se trata de uma péssima ideia por, nesse campo, a concorrência ser numerosa e feroz mas ignoro de que faceta provém.
Andréa, proprietária de um blogue chamado A Ponto, respondeu a sério ao meu semi-estapafúrdio (permitam-me alguma condescendência comigo mesmo) post anterior. Remetendo para um texto escrito em 2009, lembrou um estudo publicado na Visão, onde ficava evidente que, quando o tema é sexo, as mulheres portuguesas mentem tanto como os homens, só que em sentido inverso. E escreveu: Seremos tão mal vistas pela abstinência como pelo excesso, seja lá o que isso for. É esta frase que eu gostava de realçar porque Andréa tem toda a razão. Um homem sempre precisou de um currículo de experiências sexuais. E quanto mais preenchido estivesse, melhor. Por seu lado, até há poucas décadas as mulheres enfrentavam uma situação bastante diferente. Sexo com poucos homens era fundamental, sexo com muitos (sendo «muitos» um termo tão relativo que podia – e em alguns recantos deste belo planeta ainda pode – começar em um) transformava-as em meretrizes (que é uma maneira suave de dizer «putas»). Hoje, não sendo já estranho que uma mulher possua um historial de parceiros sexuais, ainda não é exactamente bem visto que ele seja demasiado longo. Mas (não quero fugir à dúvida da Andréa) o que é demasiado? Praticamente qualquer número desde que a avaliadora seja outra mulher, com razões (reais ou imaginadas) para não gostar da primeira, ou mais do que o parceiro do momento. (Quanto a este último ponto, gostaria de salientar algumas excepções; homens com tendência para o papel de «salvador», homens que apenas pretendem sexo, homens de uma incrível saúde mental, homens com cinquenta, sessenta ou setenta anos que querem provar ainda funcionarem tão bem como os de vinte e adolescentes em processo de iniciação sexual poderão não ligar a tais desequilíbrios.) Mais curioso do que este limite superior (as mentalidades alteram-se devagar) é verificar como, numa aproximação à lógica masculina, parece também ser hoje mal visto que uma mulher tenha ido para a cama com um número reduzido de parceiros – e a virgindade, então, passou a doença: pensemos no modo como olhamos para as jovens daqueles clubes em que se jura virgindade até ao casamento. Sinal dos tempos, da liberdade sexual feminina e talvez da enorme quantidade de séries televisivas que, na última década, década e meia, têm apresentado – e glorificado – mulheres sexualmente muito activas. Porém, tudo isto não deixa de configurar uma situação de relativa injustiça. Enquanto um homem tem que ir para a cama com umas quantas mulheres e depois o Céu é o limite (partindo do princípio de que os anjos não são afinal do sexo feminino), as mulheres parecem ter que se manter dentro de balizas mal definidas. Nem abstinência nem excesso, como a Andréa escreveu. A boa notícia é que a situação tende a corrigir-se e, em breve, também para as mulheres o Céu será o limite. Até porque nem elas nem os homens lá conseguirão entrar.
Adenda: O que isto tudo significa para as relações de longo termo – bom, essa é outra questão. Que o aumento da taxa de separações e a diminuição do número de partos talvez ajude a explicar. A liberdade também tem custos.
Nas cartas dirigidas a Flaubert, muitas delas de uma sã crueza de linguagem, Maupassant mostra-se orgulhoso da sua virilidade excepcional e chega a confessar-se farto de sodomizar judias!… A resposta foi simples: «experimenta pelo lado tradicional e pode ser que o teu tédio desapareça».
João Costa, no prefácio a As Sobrinhas da Viúva do Coronel, de Guy de Maupassant, Bertrand, 2007.
Será possível acharmos que vivemos numa época especialmente sexual – isto é, em que se faz mais sexo do que noutros tempos e de formas mais criativas? A década de sessenta, com a libertação feminina, o amor livre, o make love not war e o sex, drugs and rock ‘n’ roll, bem como a representação cada vez mais displicente (e inconsequente) do acto sexual na televisão e no cinema terão provavelmente contribuído para tal sensação. Mas corresponderá ela à realidade? Infelizmente, sendo, por um lado, os inquéritos sobre a frequência e os hábitos sexuais o que eram nos séculos anteriores ao último (inexistentes talvez seja o termo que procuro) e, por outro, os humanos (especialmente se possuidores de um cromossoma Y) propensos a mentir quando questionados sobre estas matérias, não é fácil ter certezas. Mas julgo podermos afastar desde já a hipótese de sermos mais criativos. Se as confissões de Maupassant, afloradas acima (e confesso tê-las usado essencialmente para vos chamar a atenção), não constituem grande indicador, há milhares de outras fontes onde podemos constatar que, basicamente, nos limitámos a melhorar alguns acessórios recorrendo à electricidade, à injecção de plásticos e aos circuitos integrados. Mas e a questão da frequência? O mesmo Maupassant terá possuído numa só hora, perante uma testemunha, seis mulheres num bordel parisiense. Mas relações envolvendo troca de dinheiro dificilmente representam a realidade ou a sensibilidade de uma época. Por outro lado, convém evitar dar excessivo crédito a declarações de machos com tendência para o priapismo – ou para a gabarolice. É por esta razão que os relatos do divino Marquês de Sade também não nos servem para caracterizar o que quer que seja. Podíamos ainda recorrer à Bíblia, que nos fala de Sodoma e Gomorra, ou a relatos gregos e romanos mencionando bacanais mas continua a ser difícil fazer comparações com os tempos actuais (como determinar se Calígula participava em mais ou menos orgias do que José Castelo Branco?). De resto, talvez seja melhor atermo-nos aos tempos e às regiões de influência cristã. Então, como fazer? Eu digo-vos: buscando na ficção não erótica de diferentes épocas a ideia que os autores transmitem sobre o que representa ter muitas relações sexuais. Claro que não obteremos o número de relações em que uma pessoa média se envolvia mas pelo menos obteremos uma noção do que era considerado excessivo. Sendo isto um post de blogue (necessariamente curtinho e to the point), vou limitar-me a um par de exemplos totalmente aleatórios e, dessa forma, estou em crer que totalmente representativos.
Comecemos pela actualidade e por uma série televisiva intitulada How I Met Your Mother ou, na versão portuguesa, Foi Assim Que Aconteceu. Nesta série, Barney Stinson, um awesome (definição do próprio) jovem mulherengo nova-iorquino com cerca de trinta anos, tem relações sexuais com a duocentésima mulher diferente durante a quarta temporada. Já perto do final da quinta, refere que a contagem vai em quase duzentas e oitenta (o que revela um considerável aumento de ritmo). Temos então que, de acordo com a mentalidade actual, fazer sexo com quase trezentas mulheres é mais do que suficiente para que um tipo de trinta e tal anos possa considerar-se (e ser considerado) um engatatão de primeira classe. Se Barney tiver iniciado a vida sexual aos quinze, isto dá uma média de catorze ou quinze mulheres por ano. Razoável, de facto, pelo menos quando comparado com a minha estatística pessoal – mas eu tendo a esquecer-me das coisas.
Antes de recuarmos no tempo e colocarmos à prova as façanhas de Barney Stinson convém explicar que toda a lógica deste post se aplica aos homens. E não por uma questão de machismo, pelo menos da minha parte. Apenas porque, no que respeita às mulheres, não há qualquer dúvida. Convenhamos que discutir o número a partir do qual uma mulher era classificada como – er, conquistadora nem sequer é o termo, pois não?… promíscua, então? – há um par de séculos não é mais do que escolher entre os algarismos um, dois e três, consoante se tratasse de um mulher solteira, casada pela primeira vez ou casada pela segunda vez após morte do primeiro marido. Felizmente, hoje a situação é bastante diferente (felizmente também para os homens, que têm – dizem-me – menores dificuldades em arranjar sexo barato). Ainda assim, sinto-me forçado a salientar que, décadas depois da tal «revolução sexual» dos anos sessenta, continua a notar-se uma diferencita no valor considerado excessivo para homens e para mulheres. Lembram-se da cena, em Quatro Casamentos e Um Funeral (de 1994, mas creio que ainda razoavelmente representativo) na qual a personagem interpretada por Andie MacDowell enumerava os amantes que tivera? Ela apenas chegou a trinta e qualquer coisa mas terminou corada de vergonha e, diante dela, a personagem interpretada por Hugh Grant começava a entrar em estado de choque. Ou seja, trinta e qualquer coisa parceiros sexuais já são demasiados para uma mulher de trinta e qualquer coisa anos mas quase trezentas parceiras sexuais ainda não embaraçam um homem de trinta e qualquer coisa anos (pelo contrário, ele continua a sorrir, orgulhoso).
Bom, mas então como era no passado? E a quem recorrer para obtermos uma ideia digna de crédito? Não existindo televisão nem cinema, resta-nos a literatura, o teatro e a ópera. Mantenhamo-nos nas artes performativas e usemos a última. Em Don Giovanni (parcialmente uma comédia, como How I Met Your Mother) Lorenzo da Ponte, o librettista que trabalhou com Mozart no mais famoso trio de óperas do pequeno génio austríaco, fez Leporello, o servo de Don Giovanni, explicar a D. Elvira, através da famosa ária do catálogo (ver abaixo Kyle Ketelsen como Leporello e Joyce DiDonato como D. Elvira na excelente produção da Royal Opera House de 2008, disponível em DVD e Blu-ray), que as conquistas do patrão ascendiam a:
In Italia seicento e quaranta;
In Alemagna duecento trentuna;
Cento in Francia, in Turchia novantuna;
Ma in Ispagna son già mille e tre.
Passando sobre a desfeita de Don Giovanni ter ignorado as mulheres portuguesas (porquê, João, porquê?), somem os números e chegarão a – prontos? – duas mil e sessenta e cinco conquistas sexuais. Ora Don Giovanni teria apenas vinte e dois anos de idade. Considerando uma vida sexual de sete anos, obtém-se a astronómica média de duzentas e noventa e cinco mulheres diferentes por ano. O que são, comparadas com isto, as catorze de Barney Stinson? A conclusão é dolorosa mas inevitável: a menos que na televisão actual se exagere afinal muito pouco, vai-se a ver e ainda temos muito que… muito que… ainda temos muito sexo a fazer.