Sistematização ligeiramente irónica


escafandro,

Há os países que se vão lixar por estarem sobreendividados. Há os países que se vão lixar por se estarem a sobreendividar. Há os países que se vão lixar por andarem a alimentar o sobreendividamento dos países mencionados nas duas frases anteriores. Há os países que se vão lixar porque vivem de vender petróleo ou gás natural aos países mencionados nas três frases anteriores. E há a Coreia do Norte.

15 comentários em “Sistematização ligeiramente irónica”

  1. Não sei se a sistematização do sistema (?) poderá, na proposição apresentada, ser avaliada de uma forma tão… linear.
    É que, é preciso não nos esquecermos dos juros a que o BCE empresta aos bancos e os juros que os bancos cobram pelos empréstimos.
    Ora bem, como não somos céguinhos, percebemos claramente que alguém (ens) se anda(m) a governar à grande…. logo, convém manter a engrenagem oleada para que o movimento não seja interrompido.

    1. Claro que alguém se anda a governar à grande, como sempre (por incrível que pareça até na Coreia no Norte isso acontece); mas imagine como andaria a dívida lusitana e grega, bem como a inflação e o valor do Euro, se nos últimos dez anos os Estados obtivessem financiamento directamente do BCE… Se a gula e o desastre consequente não foi maior podemos agradecer aos malvados mercados.

    2. Bartolomeu: até há pouco tempo, os Estados conseguiam financiamento à volta dos 3% e o BCE não emprestava a valores muito diferentes. E hoje, quando a taxa do BCE está em 1%, muitos países financiam-se a menos de 2%:
      http://markets.ft.com/RESEARCH/Markets/Government-Bond-Spreads
      Convém não esquecer que o dinheiro barato pode ser uma ilusão. Esse foi, aliás, um dos problemas: países como Portugal deviam ter deixado de o conseguir muito mais cedo.
      Claro que agora dava jeito. Mas nem assim poderíamos aliviar significativamente o nível de austeridade.

      1. É verdade. No entanto, é utópico, pois se por um lado a própria UE impõe aos estados políticas de desenvolvimento carregadas de objectivos que eles não possuem condições de cumprir…
        E depois… quando é que o Conselho Europeu, impõe as medidas restritivas? Só quando os estados já estão de pantanas, não é verdade?
        Então, temos na prática, o perfeito modelo usurário dos agiotas, aplicado aos estados.
        Meus amigos, os ideias que presidiram à criação da União dos Estados Euriopeus, que previa o desenvolvimento e apoio dos estados com menor capacidade, por forma a torna-los competitivos, sustentáveis e de pleno direito nas questões económicas e financeiras comuns, deturpou-se, corrompeu-se, por força de interesses privados megalómanos aos quais cederam os governos dos países.

        1. Eu diria que por força dos interesses comuns (de curto prazo) de alguns grupos privados e do poder político. Mas a verdade é que recebemos cerca de 2% do PIB por ano da UE e aplaudimos quase sempre que o Estado investiu em projectos de retorno duvidoso (enfim, duvidoso…), em evidente conluio com esses grupos. As regras da UE (os 3% de défice e os 60% de dívida) tinham razão de ser. Mas foram ignoradas – não só por nós, é verdade – desde o início. E os eleitores aplaudiram. O modelo ‘agiota’ que refere é o modelo financeiro desde sempre: quanto mais evidente for que não consegue pagar as suas dívidas, mais difícil é conseguir dinheiro emprestado. Nós até já conseguimos arranjar forma de receber 78 mil milhões a uma taxa razoável. Mas, claro, preferíamos mais e a fundo perdido.

          1. Eu não seria tão peremptóriamente benevolente para com os governos, remindo-lhes as culpas, com o aplauso de uma certa facção da população, pela obtenção de mais fundos, caro jaa.
            Seria certemente benevolente ou compreensivo, se em Portugal não existisse uma imensa e “colorida” máquina eficiente e a soldo, propagandista, audio-visual, capaz de manipular e anestesiar, ou somente ludibriar, ou conduzir, as opiniões públicas.
            Um fenómeno que a democracia apadrinhou e mantem vivo.

  2. O dinheiro está a deixar de funcionar e isso constitui um problema de dificuldade extra-galactica!
    O sistema financeiro introduziu as viagens no tempo por via de se poder pagar no futuro os bens que gastamos em cada momento. Ora, isto de se viajar no tempo provoca invariavelmente paradoxos insanáveis, como por ex. um indivíduo se encontrar consigo próprio. Mesmo chato, é quando um tipo se encontra com 30 ou 40 “eus”, todos à espera de almoço na sua mesa!
    Isto, e outras coisas engraçadas que um cérebro desocupado pode produzir enquanto adivinha a trajectória de várias moscas na vidraça…

    1. Bem visto. O dinheiro está a deixar de funcionar porque “inventámos” uma data dele que não corresponde a nada real. Esperávamos que correspondesse a algo no futuro mas parece que estamos a perder as esperanças. Entretanto, há quem deseje imprimir mais.

      P. S.: As trajectórias das minhas moscas são fáceis de determinar – correspondem a dois pontos, um no vidro, o outro no jornal enrolado.

  3. Com licença, com licença…
    (fila no aeroporto com imensos atropelos para a compra de bilhetes para a Coreia do Norte)

  4. O PCP considera a República Democrática e Popular da Coreia um país que “define como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista”.

    Diz-me que modelo escolhes, dir-te-ei quem és…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *