Do princípio ao fim (12)


escafandro,

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Na maior parte das vezes, um bom final é também um início, ainda que de algo desconhecido. Mesmo quando apresentam a morte da personagem principal – ou até uma catástrofe global, ao jeito de muita ficção científica da década de 1950 -, poucos finais serão dignos de ficar na memória se da personagem não subsistir um rasto e da história uma expectativa para o futuro.

Don DeLillo terminou o seu mais longo romance – Submundo – com uma única palavra: «Paz». Um desejo, mas também uma pausa após um caleidoscópio de mil páginas acerca de uns Estados Unidos sob a ameaça nuclear. Cormac McCarthy é mais negro. Em A Estrada, de 2006, a ameaça (qualquer que fosse; McCarthy não especifica e também não é preciso) concretizou-se. Acompanhamos um adulto e uma criança, pai e filho, através de um mundo de cinzas, regressado à barbárie. Por causa do filho, o pai tenta adiar a morte. Mas as únicas personagens de McCarthy que a morte nunca parece atingir são as que personificam o mal (ou talvez seja mais exacto escrever a ausência de valores éticos, ou ainda as forças primodiais – e amorais – que ligam os humanos aos seus antepassados selvagens e aos restantes seres vivos). Personagens como o juiz Holden de Meridiano de Sangue e o assassino Anton Chigurh de Este País não é para Velhos. Em A Estrada, e não obstante os actos de crueldade que vai praticando, o pai é demasiado humano para sobreviver. O filho humaniza-o. Morre, pois. E é somente após a morte do adulto – ameaçador com a sua arma de fogo e o seu desespero – que, para surpresa e alívio do leitor, um grupo de pessoas se aproxima e toma conta do miúdo. Abre-se uma fresta de esperança. A humanidade ainda tem uma hipótese, num futuro que nunca será igual ao passado. Será outra coisa, outra realidade a extrair dos mistérios da vida, que em muito ultrapassam o ser humano – como o último parágrafo deixa evidente:

 

Outrora existiam trutas nos regatos das montanhas. Víamo-las paradas na corrente cor de âmbar, com a fímbria branca das barbatanas a ondular mansamente na água veloz. Cheiravam a musgo quando as segurávamos na mão. Luzidias e musculosas e a contorcerem-se. No dorso tinham desenhos vermiformes que eram mapas do mundo no seu devir. Mapas e labirintos. De uma coisa que não podia ser recriada. Cuja harmonia não podia ser reposta. Nos fundos vales onde as trutas viviam, todas as coisas eram mais antigas do que o homem e nelas ressoava um mistério.

Da edição da Relógio D’Água (2007), com tradução de Paulo Faria.

 

Na versão original:

Once there were brook trout in the streams in the mountains. You could see them standing in the amber current where the white edges of their fins wimpled softly in the flow. They smelled of moss in your hand. Polished and muscular and torsional. On their backs were vermiculate patterns that were maps of the world in its becoming. Maps and mazes. Of a thing which could not be put back. Not be made right again. In the deep glens where they lived all things were older than man and they hummed of mystery.

Música recente (31)


escafandro,

Eleanor Friedberger, álbum New View.

Cada canção dos The Fiery Furnaces parecia conter ideias suficientes para três ou quatro temas distintos. Sozinha, Eleanor faz pop mais normal. Mantém-se, contudo, um elemento de estranheza, em parte inerente à voz dela, em parte decorrente das letras offbeat e da própria música. É como se a maioria das canções estivesse em equilíbrio instável, podendo desmanchar-se a qualquer momento.

Diário semifictício de insignificâncias (16)


escafandro,

Entro para executar a única operação que alguma vez levei a cabo num consultório de dentista: uma limpeza. (Sim, é verdade, nunca tive uma cárie e mal me recordo de ter dores de dentes, o que às vezes me deixa a ponderar se estarei a perder experiências fundamentais numa vida normal.) Saio do consultório com uma cárie que é uma sombra mal visível na radiografia, uma sugestão para encher as arestas de três dentes, outra para encher as zonas junto às gengivas de dois, mais um aviso quanto à necessidade de corrigir uma deformação causada pelo modo como cerro os dentes durante a noite. Para ser franco, saio porque fujo, depois de dizer ao médico que hei-de tratar do assunto no mesmo tom em que ele me disse boa tarde. Saio a pensar que ele até pode ter razão em tudo o resto mas que, quanto ao cerrar dos dentes, acontece mais durante o dia.

Diário semifictício de insignificâncias (15)


escafandro,

Tenho de escrever sobre o início de um livro e o final de outro. Ando dois dias a pensar no assunto, depois encolho os ombros e tomo uma decisão. O livro com o início, comprado e lido durante a universidade, está a duzentos quilómetros, em casa dos meus pais (tem lógica: os pais são sempre o início). O outro encontra-se aqui, a cerca de dois metros. Quase ouço uma voz dizendo: O final está muito mais próximo do que o início.

Desde há uns tempos, não consigo evitar sentir que há uma força irónica e malévola que aproveita toda e qualquer oportunidade para reforçar o meu pessimismo.

Dos malefícios da arte (ou: O inferno deve suportar-se sem paliativos)


escafandro,

Lenine, o protótipo do ditador do século XX, tinha autores e compositores favoritos mas era um materialista demasiado rigoroso para se preocupar muito com a arte. Tinha pouca paciência para a avant-garde e uma vez irritou-se quando futuristas pintaram as árvores dos jardins Aleksandrovsky com as cores do Primeiro de Maio. Considerava a música um placebo burguês que escondia os sofrimentos da humanidade. Em conversa com Maxim Gorky, elogiou o poder de Beethoven, mas acrescentou: «Não posso ouvir música com muita frequência. Afecta os nervos, faz sentir vontade de dizer coisas estupidamente simpáticas e de afagar a cabeça das pessoas que conseguiram criar tamanha beleza, mesmo vivendo neste inferno.»

Alex Ross, The Rest is Noise: Listening to the Twentieth Century.

Edição Picador. Tradução minha.

 

(E agora dêem-me licença; vou assistir aos concertos das Noites Ritual, nos jardins do Palácio de Cristal.)

Música recente (29)


escafandro,

Cristina Branco, álbum Menina.

Há quase três anos e meio escrevi o que ainda considero essencial dizer sobre a minha relação com a música de Cristina Branco. Em Menina, ela arrisca de novo, conferindo ao fado uma leveza, uma faceta de alegria ou, pelo menos, de recomeço, que, sem o deixar tombar no kitsch, está longe de ser comum.

Diário semifictício de insignificâncias (14)


escafandro,

Parece que cá trabalha há anos mas só agora reparei nela. Como é possível?

Nem alta nem particularmente escultural, exsuda sexo. Tem uma pele que parece resultar do cruzamento entre um manequim de plástico (daqueles das montras) e uma mulher verdadeira. Uma pele que, à distância, parece tão lisa como uma bola de bilhar e reflectir a luz da mesma forma (vou resistir a introduzir aqui trocadilhos envolvendo tacadas). Usa calças justas e blusas finas que tombam a direito penduradas nas mamas (coisa estranha: o contorno do soutien surge de forma discreta através do tecido mas os mamilos parecem querer furá-lo). O cabelo é preto, a boca larga, as maçãs do rosto bem definidas. E depois há os olhos. De um castanho perfeitamente normal, são enormes e muito redondos.

Q. disse-me que ela emagreceu bastante nos últimos tempos. Estará aqui a explicação para não ter registado antes a sua existência. Ainda assim, a distracção envergonha-me. Interrogo-me como terá conseguido emagrecer e, mais importante, sair do processo de emagrecimento com uma pele tão lisa e com uma pose tão sexual. Não creio que uma banda gástrica tenha este efeito. Talvez um pacto com o diabo. Fausto com curvas. Um Dorian Gray feminino.

Mas os olhos, caramba. É como se estivesse constantemente a ver algo arrebatador. (Quão perturbante deve ser para os homens com quem trabalha; poucas coisas atraem mais um homem do que uma mulher bela, olhando-o fascinada). Ou então (imagino-lhe as ânsias, ao passar junto a montras de pastelarias) como se a fome lhos tivesse vindo paulatinamente a esbugalhar.

Curtis Hanson


escafandro,

O realizador Curtis Hanson morreu ontem, em Los Angeles. Nas notícias sobre o acontecimento, a comunicação social destacou dois filmes: L.A. Confidential, uma excelente adaptação do terceiro volume do Quarteto de LA, de James Ellroy, e 8 Mile, famoso acima de tudo pela participação de Eminem. Gostaria de acrescentar um terceiro: Wonder Boys, lançado no ano 2000, com Michael Douglas, Tobey Maguire, Frances McDormand, Robert Downey Jr. e Katie Holmes. Um dos meus filmes preferidos sobre as vicissitudes da vida e dos esforços para a compreender ou, pelo menos, ordenar, através da escrita.

Take 3881


escafandro,

De modo a justificar os sucessivos aumentos, argumenta-se muitas vezes que o nível de impostos em Portugal não se encontra acima da média da União Europeia. Na defesa do tamanho do Estado, refere-se frequentemente que em França ou nos países nórdicos ele é maior. Agora que a «geringonça» manifestou intenção de taxar ainda mais o património imobiliário, surgem exemplos de países mais ricos do que Portugal que fazem algo similar.

Honestamente, torna-se cansativo estar sempre a repeti-lo: da mesma forma que Moçambique não pode ter o nível de impostos e de despesa pública de Portugal, Portugal nem sequer deveria estar perto da média europeia em qualquer destes indicadores. O crescimento do sector público e a correspondente subida da taxação só ocorrem de forma saudável quando a Economia tem capacidade para suportar o esforço. E não se trata de uma questão ideológica – de liberalismo versus socialismo ou social-democracia. Eu prefiro um Estado pequeno, concentrado no essencial, porque acho que isso aumenta o grau de liberdade dos cidadãos, ajuda a aumentar a competitividade do país e facilita a correcção de desequilíbrios. Acredito também que, no cenário actual de globalização e envelhecimento populacional, raríssimos países conseguirão manter níveis de despesa pública acima de 50% do PIB. Mas, na fase em que Portugal se encontra, as minhas preferências e convicções importam pouco. Sei que, aos olhos de pessoas como Mariana Mortágua, o pragmatismo é uma aberração, mas acima de tudo é preciso efectuar um trajecto, sem saltar etapas. Subam-se os impostos e aumente-se o tamanho do Estado depois de criar condições para tal. Agora (desde há muitos anos, na realidade), é preciso captar investimento. Ser mais competitivo do que outros países. Sabemos todos que é impossível (e indesejável) consegui-lo apenas com base nos salários baixos. Sabemos todos que Portugal apresenta desvantagens, até mesmo em relação a vários países europeus com níveis similares de desenvolvimento e de produtividade, na localização geográfica, na burocracia, no sistema de Justiça, nas qualificações, no nível de corrupção. (Em alguns destes pontos registaram-se avanços, mas não de forma decisiva nem tal vai acontecer a curto ou médio prazo.) Resta a fiscalidade. Não podemos taxar como se fôssemos a Alemanha, a Holanda ou a Dinamarca, nem estar constantemente a mudar as regras.

E, por favor, abandonem-se ilusões de que há muito onde ir buscar dinheiro. Não há. Pior: num país periférico e irrelevante como Portugal, esta via fará com que haja cada vez menos.

Música recente (28)


escafandro,

Liima, álbum ii.

ii é o primeiro álbum dos Liima, que não são do Peru, mas do norte da Europa. Trata-se de uma colaboração entre os dinamarqueses Efterklang e o percussionista finlandês Tatu Ronkko, desenvolvida entre Berlim, Helsínquia, Istambul e uma ilha obscura no Atlântico chamada Madeira (e depois gravada na capital alemã, ao longo de três dias). A música, baseada em sintetizadores e percussão, é uma mistura de paranóia e de alegria. Inclui, de facto, alguns apontamentos de sonoridade andina e, comparada com o que os Efterklang fazem habitualmente, parece mais solta, por vezes quase improvisada. Numa consequência talvez inevitável, também se me afigura menos precisa e coesa.

A Sorbonne em Lisboa


escafandro,

José Sócrates é um dos convidados da universidade de Verão do PS Lisboa. Nada mais normal. Desde que não vá fazer algo relacionado com livros…

Aliás, peço desculpa, fui demasiado genérico. No caso de Sócrates, há muitas coisas relacionadas com livros que seriam aceitáveis. Apenas apresentar um, pouco edificante e escrito por um amigo, talvez não o fosse. A menos que o amigo fosse Carlos Santos Silva. Nesse caso, toda a gente entenderia.

Diário semifictício de insignificâncias (13)


escafandro,

Num episódio da segunda temporada da série Friends, uma mulher atraente (papel interpretado por – ele há coincidências – uma igualmente atraente Brooke Shields) interessa-se por Joey, tomando-o pela personagem do médico que ele desempenha numa série televisiva. (É obviamente pela possibilidade de exegeses tão profundas como esta – ele é um actor numa série televisiva dentro de uma série televisiva – que eu gosto de Friends, não pelo estilo de humor, relativamente standard.) Como a mulher é atraente (repito: igualzinha à Brooke Shields), Joey mantém a ilusão durante uns tempos e depois, perante a acumulação de problemas, despacha-a, confessando não ser o médico da TV mas o irmão gémeo deste, numa fascinante transliteração – ou qualquer coisa assim – do idioma típico de um determinado estilo de série televisiva para o interior de outro estilo de série televisiva.

Pensei em tudo isto (sim, até nas partes da exegese e da transliteração) na Feira do Livro, em frente ao stand da Tinta-da-China (fraquinho, sem os lançamentos mais recentes), quando um rapaz magro, de vinte e tal anos, usando óculos de lentes grossas e movendo-se de modo furtivo, respondeu em sobressalto a uma questão banal do funcionário: «Quer mesmo esse exemplar ou posso tirar outro daqui da prateleira?» E pensei nisto porque o rapaz me pareceu outra personagem de outra série televisiva: Silicon Valley, da HBO. Numa atitude similar à da mulher de Friends, estive quase a abordá-lo para lhe perguntar o que anda a fazer no Porto – e para lhe pedir o número de telefone de Monica, a adorável semi-nerd da série.

Um pouco mais a série sério, os nerds enternecem-me. Em parte, isto acontece porque terei sido um, numa versão que conjugava a década de 1980, a inexistência de computadores e uma cidade pequena do interior de Portugal (até me arrepiei). Aliás, provavelmente ainda sou, agora numa versão de meia idade, relação de amor-ódio com o smartphone e carradas de cepticismo. Porém, a ligação umbilical não explica tudo. Os nerds (os genuínos, não os imitadores de pacotillha que, por fenómeno de moda, adoptam o estilo de forma irónica – ide à merda mais a vossa presunção oca) são emanações puras de tudo o que faz dos humanos, humanos: predomínio da actividade cerebral sobre a actividade física, hiper-consciência de si mesmos, capacidade de sobreviver, de prosperar (não por acaso, a maioria dos multimilionários recentes são nerds), e, na maioria dos casos, de acasalar (admito que deve ser mais fácil depois de prosperar), não obstante as tremendas desvantagens físicas e comportamentais. Os nerds são o exacto oposto dos elementos das claques de futebol. Haverá algo digno de mais respeito?

Mas independentemente da opinião que se tenha deles (de nós), considerando que a ficção televisiva resulta quase sempre da destilação ao essencial – muitas vezes ao ponto da caricatura – de um amplo e até paradoxal conjunto de traços, é estranho encontrar na vida real exemplares tão aparentemente decalcados dela como aquele rapaz. Ao conseguir ser simultaneamente mais concreto e mais extravagante do que qualquer personagem ficcional, ele leva-me a pensar (por que diabos não vou antes tentar fazer flexões?) que não é verdade ser a realidade mais estranha do que a ficção. Por exemplo: na vida real, a forma como Joey resolve o seu problema dificilmente teria êxito. No limite, a realidade consegue ser tão estranha quanto a ficção, mas é muito mais tridimensional e interactiva (se eu falasse com o rapaz, provavelmente ele reagiria), para além de ter um potencial superior para gerar consequências efectivas (há poucas pessoas como a coitada da Brooke Shields). É isto que dá origem ao suplemento de estranheza.

Ou qualquer coisa assim.

O rapaz levou um exemplar (retirado da prateleira) de Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens. Fica mais uma vez demonstrado o elevado grau de inteligência dos nerds. Algo que eu já sabia – ainda que de forma instintiva – na década de 1980.

A verdadeira espiral recessiva


escafandro,

Mas quem decide o que é um “pobre” ou um “rico”? É o poder político que decide o que somos. Amanhã, um apartamento de 150 mil euros na Amadora pode bem tornar-se, para fins fiscais, um “palacete de luxo”. Basta as finanças precisarem. E talvez precisem. A propriedade nas grandes fortunas é complexa. Os maiores investidores imobiliários vão retrair-se. Não é por isso improvável que o fisco, para arranjar receita, ainda tenha de descer mais uns degraus na escala patrimonial. Nesta roleta russa fiscal, a pistola está apontada à cabeça de todos.

O governo vive para a meta do défice, de que depende o financiamento europeu. Se o Estado gasta mais e a economia não gera mais receita, há que recorrer à “justiça fiscal”. Mas quanto mais impostos o governo aumenta, menos a economia cresce, e mais impostos precisa de aumentar. É assim a espiral recessiva por via fiscal. E o que vai acontecer à classe média, com esta carga tributária, quando o petróleo se tornar mais caro e os juros subirem? Sob este regime fiscal, Portugal pode estar a caminhar para uma despromoção social maciça, sem paralelo na nossa história. Noutros países, a classes médias podem estar a morrer; aqui, vão ser assassinadas.

Rui Ramos, no Observador.

 

A verdadeira espiral recessiva ocorre quando os sectores menos produtivos de uma sociedade são privilegiados em detrimento dos sectores produtivos, conduzindo os segundos a uma asfixia que faz cair investimento e receitas fiscais. É em grande medida por isto que, durante a governação PSD/CDS, a espiral recessiva (tantas vezes anunciada) nunca chegou a acontecer: por entre a voracidade fiscal que também caracterizou esse governo, houve uma mensagem coerente, que levou à retoma do investimento, e uma aposta clara – teimosa, até – nos sectores capazes de fazer entrar dinheiro no país. Hoje, o discurso varia consoante o momento e o local, e a aposta é na protecção (em parte ilusória, certamente temporária) dos sectores menos produtivos, à custa do crescimento económico. Se o BCE continuar a ajudar, Portugal poderá manter taxas de crescimento ligeiramente positivas durante alguns anos. Mas as sementes da recessão estão a ser plantadas com um entusiasmo suicidário.