Olha, o Manolis Glezos (Syriza) veio escrever no Delito


Rui Rocha,

“Renaming the Troika into Institutions, the Memorandum of Understanding into   Agreement and the lenders into partners, you do not change the previous situations as in the case renaming meat into fish.

Of course, you cannot change the vote of the Greek people at the elections of January 25, 2015.

The people voted in favor of what SYRIZA promised: to remove the austerity which is not the only strategy of the oligarchic Germany and the other EU countries, but also the strategy of the Greek oligarchy.

To remove the Memoranda and the Troika, abolish all laws of austerity.

The next day after the elections, we abolish per law the Troika and its consequences.

Now a month has passed and the promises have not turned into practice.

Pity. and pity, again.

On my part, I APOLOGIZE to the Greek people because I have contributed to this illusion.”

Por favor, senhores jornalistas


Rui Rocha,

A genial campanha de promoção dos adereços Burberry custou à Grécia, até à data, cerca de 300 milhões diários decorrentes de um bank run sem precedentes e uma quebra de vários milhares de milhões de arrecadação fiscal. A mão de poker do ministro Varoufakis e do primeiro-ministro Tsipras nas negociações com o Eurogrupo é tão forte que, no caso de não haver acordo, teria de ser decretado de imediato um corralito à moda argentina e não haveria dinheiro para pagar aos funcionários públicos. Por isso, senhores jornalistas, se por intervenção de destino calharem de se cruzar com o Dr. António Costa, perguntem-lhe por favor se é isto que pretende para Portugal. Pode ser? Muito grato.

O Syrizicídio


Rui Rocha,

É óbvio que o entendimento alcançado entre o Eurogrupo e a Grécia representa uma vitória do governo de Atenas no domínio da semântica e uma cedência em toda a linha em termos substanciais. Mas o aspecto mais relevante do acordo nem sequer é esse. De facto, ao contrário do que aconteceu em momentos anteriores, não é a Troika, perdão, não são as Instituições que impõem um pacote de remédios ao país. Pelo contrário, como explicou o Ministro Varoufakis com incontida satisfação, é agora o próprio governo grego quem apresentará uma proposta de medidas que são a contrapartida da assitência financeira temporária. Isto mostra que as palavras de Juncker eram sinceras e que a Troika, digo, as Instituições aprenderam a lição. Agora já não há pecados contra a dignidade dos povos, nem imposições humilhantes. É o próprio governo grego, no exercício da sua soberania, que toma a iniciativa de apresentar sugestões que contrariam as promessas eleitorais na base das quais foi eleito. E que celebra o facto como um grande sucesso. Não há, note-se, qualquer agressão exterior. Há, isso sim, liberdade de escolher e propor as medidas. A mesma que o escorpião tem quando, acossado pelo fogo, espeta no seu corpo uma dose de veneno. O Syriza ainda não percebeu, mas comete assim um suicídio financeiramente assistido. Estamos, na verdade, perante um verdadeiro Syrizicídio.

O cortejo dos ressabiados


Rui Rocha,

A cada novo atentado, a cada evidência de barbárie, em França ou na Dinamarca, há uma certa esquerda que se cala ou que, falando, destapa a sua absoluta reserva mental. Para alguns, há sempre uma justificação. Ou os terroristas foram provocados, ou os agressores reagiram à falta de oportunidades ou, calhando, a uma outra qualquer opressão. Isto não acontece por acaso. A sociedade ocidental, essa das liberdades, construiu-se primeiro apesar do socialismo real e, depois, sobre a derrota dessa experiência de que foram cobaias milhões de europeus. A queda do muro de Berlim, porém,  não coincidiu com o desmoronar da barreira mental própria de atavismos que persistem nas trevas que ensombram determinadas correntes de pensamento. Derrotados pela história, constroem hipóteses de retorno de supostos amanhãs que cantam nem que para isso seja necessário legitimar, por omissão ou discurso, as mais bárbaras agressões. Partem desde as entranhas do ressabiamento para este ajuste de contas com a liberdade que intrinsecamente desdenham e não toleram. Incapazes de condenar o agressor cobarde e canalha, dedicam-se estrenuamente à tarefa de tentar identificar indícios suspeitos no sangue das vítimas.

Calma, caros membros de observatórios de plumíferos e demais sociotreteiros


Rui Rocha,

Não há qualquer necessidade de se pronunciarem sobre os acontecimentos na Dinamarca. Já conhecemos todas as explicações. Uma existência condicionada pela falta de oportunidades. A provocação. A provocaçãozinha de cartoonistas e outros desmiolados. E o desenlace sempre desproporcionado, inadmissível num estado de direito: a polícia, as polícias, insistem em abater sem que o senhor terrorista tenha direito a dizer umas palavrazinhas. Certo? Certíssimo. Podem então os caríssimos membros de observatórios de aves e demais sociotreteiros continuar a gozar um aprazível fim-de-semana.

Olha, o Varoufakis veio escrever no Delito


Rui Rocha,

Caros amigos portugueses,

 

Sei do apoio de muitos de vós ao governo do Syriza. Não esquecerei jamais o entusiasmo do António Costa ou as palavras amigas de Mário Soares para dar só dois exemplos. Mas devo ser justo e não posso deixar que nos vossos corações se crie uma ilusão que não pode ser cumprida. A solução argentina, ao contrário do que pensa o Krugman, não é viável para a Grécia. E há várias razões para isso. Em primeiro lugar, é verdade que as exportações argentinas valiam em percentagem do PIB mais ou menos o que valem as exportações gregas. Mas o potencial exportador da Argentina era então muito superior ao que é hoje o da Grécia. E por potencial exportador entendo o grau de sub-utilização de recursos para os quais existe uma procura real. Por outro lado, a Argentina tinha uma moeda própria que podia desvalorizar. A Grécia tem o Euro. E é completamente diferente desvalorizar uma moeda ou sair da moeda única para criar uma nova moeda. Isto implica desde logo um problema. A desvalorização pode concretizar-se de um dia para o outro. A introdução de uma nova moeda pressupõe uma operação de enorme proporções que demoraria sempre um tempo demasiado longo. Por outro lado, permaneceria sempre um problema de bifurcação entre stocks e fluxos. Assistiríamos a saídas maciças de stocks de poupanças do país (ou ao seu depósito sob os colchões) ao mesmo tempo que o fluxo de rendimentos e pensões seria assegurado na nova moeda. A desvalorização desta seria dramática, provocando um cenário de hiperinflação e exterminando qualquer ganho competitivo. Por último, uma saída do Euro implicaria uma saída da União Europeia. A Grécia perderia fundos estruturais, apoios à agricultura e relações comerciais. Para lá disso, a saída teria consequências graves nas restantes economias europeias, provocando consequências em cadeia que acabariam por afectar ainda mais a própria Grécia. Não, amigos. Por muito que gostássemos de pensar de outra maneira, a saída da Grécia do Euro não é comparável à situação argentina ou islandesa e teria terríveis consequências.

 

Um beijinho para a Catarina Martins e um xi-coração ao Pacheco Pereira, deste vosso Yanis.

Resolução de ano novo: ponto de situação


Rui Rocha,

Pois isso. Já passou mais de um mês e tal e coiso. Mas claro, antes de voltar ao ginásio, é preciso tratar do equipamento. Das sapatilhas, para não irmos mais longe. Que aqui o cidadão não está ainda para grandes deslocações. Neutral? Stability? Motion Control? Gel? Termoplástico? E o apoio? Será melhor sem costuras e múltiplas camadas, não? Apoio linear e lateral, bem entendido. E o sistema de torsão? A sola com reforço nas zonas de maior desgaste? O topo devia ser arejado e em malha para assegurar a máxima ventilação? Quero ou não assegurar a máxima aderência em todas as direcções? No final, depois de uma profunda reflexão, tudo ponderado, trouxe umas verdes. Queira Deus que não me tenha precipitado. 

 

Em tempo: aos caríssimos leitores que estejam em vias de enfrentar esta mesma provação peço encarecidamente que não enfiem um par de bofardos ao solícito vendedor se este calhar de perguntar se são pronadores, neutros ou supinadores. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de vasculhar nas partes mais esconsas das nossas almas, mas apenas de saber, ao que pude apurar, que tipo de passada e que parte do pé apoiamos. Pelo visto, isso determina, entre outras coisas, o modelo que tem a caixa dos dedos mais adequada. Com tanta tecnologia, presumo, embora sem certezas, que a caixa dos dedos deve ser qualquer coisa como a caixa negra dos aviões, mas neste caso destinada a registar o nível de chulé produzido pelo esforçado aspirante a desportista. Ou isso ou o tamanho das bolhas.