É óbvio que o entendimento alcançado entre o Eurogrupo e a Grécia representa uma vitória do governo de Atenas no domínio da semântica e uma cedência em toda a linha em termos substanciais. Mas o aspecto mais relevante do acordo nem sequer é esse. De facto, ao contrário do que aconteceu em momentos anteriores, não é a Troika, perdão, não são as Instituições que impõem um pacote de remédios ao país. Pelo contrário, como explicou o Ministro Varoufakis com incontida satisfação, é agora o próprio governo grego quem apresentará uma proposta de medidas que são a contrapartida da assitência financeira temporária. Isto mostra que as palavras de Juncker eram sinceras e que a Troika, digo, as Instituições aprenderam a lição. Agora já não há pecados contra a dignidade dos povos, nem imposições humilhantes. É o próprio governo grego, no exercício da sua soberania, que toma a iniciativa de apresentar sugestões que contrariam as promessas eleitorais na base das quais foi eleito. E que celebra o facto como um grande sucesso. Não há, note-se, qualquer agressão exterior. Há, isso sim, liberdade de escolher e propor as medidas. A mesma que o escorpião tem quando, acossado pelo fogo, espeta no seu corpo uma dose de veneno. O Syriza ainda não percebeu, mas comete assim um suicídio financeiramente assistido. Estamos, na verdade, perante um verdadeiro Syrizicídio.
O Syrizicídio
Rui Rocha,

Estamos perante actos lastimáveis, do governo português e espanhol. Foram os que mais entraves puseram e os que querem tudo bem esclarecido. Tenho vergonha, de ter um governo de imbecis e de incapazes que querem a todo o custo, negar a dignidade aos gregos. Passos Coelho não tem um pingo de vergonha, quando diz que deu aos portugueses dignidade. Que não saiba nada, de política, economia, gestão está à vista, de todos que querem ver, agora que não saiba o significado de dignidade é demais. Ter um governo em que o primeiro ministro não sabe o que significa dignidade e o vice primeiro ministro que não sabe o que é irrevogável, é o cúmulo da pouca vergonha, dum governo que não tem ponta por onde se pegue, mas que envergonham os cidadãos que desgovernam.
Ou isso ou uma saída “ordenada” do Euro.
Rui Rocha:
Explique-me lá, mas devagarinho, para eu perceber, que alternativas melhores para o povo grego havia?
Se governasse o António Samaras teria melhores?
Criticar a estratégia voluntarista do Syriza, acho bem.
Mas o que conta é os resultados.
Outra estratégia daria melhores?
O nosso grande problema, que nos leva a uma desconversa permanente, em que perante a mesma realidade uns dizem branco e outros preto, é não se poder fazer a prova contrafactual.
Não se pode voltar atrás e fazer tudo de outra maneira, menos voluntarista, e comparar os resultados.
“Não se pode voltar atrás e fazer tudo de outra maneira, menos voluntarista, e comparar os resultados.”
Por um lado, Portugal e Irlanda. Por outro, as perspectivas para a economia grega eram melhores há três meses (*) do que são hoje. A redução no excedente primário pode trazer alguma folga mas dificilmente compensará os efeitos negativos de tudo o que tem vindo a acontecer.
(*) O FMI previa um crescimento de quase 3% do PIB em 2015: eo/2014/02/weodata/weorept.aspx?sy=2012&ey=2019&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=174&s=NGDP_RPCH&grp=0&a=&pr1.x=37&pr1.y=1
http://www.imf.org/external/pubs/ft/w
Senhor Lima:
Quando se compara a benevolência e apoio que a Alemanha teve no pós-guerra depois de ter feito o que fez, alega-se que não se pode comparar o incomparável.
Agora que dá jeito já se compara?
Do ponto de vista do cumprimento do MoU e dos números que interessa à Troika a Grécia tem melhores resultados do que Portugal.
Senhor Lima:
Esqueci-me disto:
Quanto a previsões, o melhor é seguir o conselho do seu conterrâneo João Pinto, o do FCP: prognósticos só depois do jogo.
Quantas vezes é que as previsões da Troika, do FMI, da OCDE, da UE e do Gasparzito falharam e quantas acertaram?
Agora é esperar, sentadinhos, pelas medidas desarrincadas pelos syrizos e que a tal Troika digo as tais instituições vão aplaudir com ambas as mãos, incluindo as do con, e declarar, envergonhadíssimos, “Mas como é que a gente nunca se lembrou disso?”
“Explique-me lá, mas devagarinho, para eu perceber, que alternativas melhores para o povo grego havia?
Se governasse o António Samaras teria melhores?”
Todo os números referentes à economia assim o apontavam, para além de muito possivelmente não se ter assistido à sangria dos depósitos, quedas da bolsa e a oscilação das taxas de juro.
O que o syriza fez foi o escândalo, o cantar de galo, governar para os jornais, provocar o pânico, desarrumar a casa e agora ter de no meio disto tudo lidar com uma mão cheia de nada. Tanta energia gasta, tanto desperdício de forças, tempos e dinheiro, é isso.
Como me deixei de conversas aqui com comentadores que só têm uma cassette (e nem sequer é a “tal” do PCP, antes essa) e sai sempre a mesma chachada, só posso constatar que ter uma “linha de coerência”, seja lá ela o que seja, é não ter dignidade nenhuma se não gostarmos das pessoas em questão.
Já prometer tudo, ameaçar com tudo, afirmar que se tem uma “linha de coerência” de que nunca se abdicará e recuar em toda a linha em menos de um mês (MENOS DE UM MÊS, porra pá!) já é capaz de ser altamente digno se gostarmos das pessoas em questão.
Pondo as coisas de outro modo em relação a tanta gente por aí: quando se está apaixonado e levam com um valente par de chifres, a única saída que encontram é falar dos pares de chifres dos outros.
Devemos estar todos felizes com o facto de haver uma esperança para os gregos que têm efectivamente problemas (pois há muitos gregos que não têm problemas nenhuns, muito pelo contrário).
Quando se diz que é preciso ajudar os gregos sem mesmo saber o que o Syriza fez para pôr alguma “organização nas coisas” por lá, estamos a ajudar os miseráveis sem futuro tanto como, por exemplo, os armadores gregos que pagam impostos simbólicos sobre os lucros no país que tem a MAIOR marinha mercante do MUNDO (as maíusculas são propositadas), tendo sózinha algo entre os 15% e os 18% de toda a capacidade de transporte marítima mundial.
Obs- Não voto PSD nem PP e não irei votar.
Recuso-me é a ter cassettes.
Calma que esta procissão ainda não saiu do adro.
Passos Coelho, PSD, igualzinho, chapa Euro, também herdou uma Troika. Aumentou os impostos do mexilhão e aumentou as despesas do Estado (que o elegeu), o que a Troika não recomendava.
PSD foi, é arco da governação há milenius.
Tsipraz, Syriza , igualzinho, chapa Euro, também herdou as mesmas instituições.
Agora o quê, e como o vai fazer internamente, é que vamos ver.
Aumentará os impostos?. De quem, a quem?
Cortará despesas e mordomias do Estado e arredores?.
Syriza é virgem em funções de executivo….
De aqui a 4 meses … vamos rir por último?. Melhor?.
Calma, esta procissão ainda está no adro.