Tinha pensado em escrever um post sobre o tema. Aliás, até o tinha escrito, e apaguei, por achar que já ia fora de tempo. Mas, ao ler o Miguel Marujo, voltei a recuperá-lo.
Há uma questão fundamental nesta história dos bairros de risco: a desestruturação social. Por outras palavras, o não saber a que se pertence, que lugar temos na sociedade. Quando Campos e Cunha, o tal sociólogo de sofá na crítica do Vasco Barreto, vem recuperar o serviço militar obrigatório, é porque lhe parece que a estrutura militar integra, criando um papel ao indivíduo, com direitos e deveres. A diferença entre o SMO e o ensino profissionalizante nas escolas é que o primeiro oferece uma estrutura, da qual qualquer um se pode tornar uma parte. Permite criar redes de lealdade e amizade filial, quando o exército substitui a própria família (muito mais facilmente nos casos em que esta não existia anteriormente). Isso é completamente impossível nas escolas. Numa escola, essa rede pura e simplesmente não existe, olhe-se por que se lado olhar. Grande parte daqueles miudos dos gangues procuram isso mesmo: uma família, um lugar a que pertençam, no qual tenham deveres e direitos, onde a disciplina se ligue a uma autoridade que vêem como legítima. O SMO é uma solução possível. Funcionará? Não sei. É verdade que há um hiato de idades, entre o início da violência e a idade de alistamento, como o Vasco aponta. Ainda irá a tempo? De novo, não sei. O que sei é que as soluções correntes têm falhado, e as condições agravado.
Por outro lado, é também verdade que o exército é uma fuga ao desemprego e à pobreza. Mesmo que seja pouco, os militares têm sempre um ordenado, pago a horas. Há sempre algum dinheiro, que evita a necessidade do roubo. Aliás, recentemente li até nos jornais que, com a crise, houve um aumento na "procura" de emprego nas Forças Armadas. Por muita confusão que isso me faça, o exército é hoje um emprego vulgaríssimo, das 9 às 5. E isso tem vantagens, nos tempos que correm.