Ontem dei por mim a pensar que certa espécie de ateísmo, muito na moda em alguns blogues, é como que uma inversão do born again christianism. O zelo é o mesmo: um espírito missionário, imbuídos que eles estão da verdade, e da missão que têm para o mundo. Uns chatos, a bem dizer, que não nos largam a campainha: "Já sabe que não há deus? Já sabe que isso são mitos e histórias para criancinhas? Tenho aqui uma série de livros que lhe vão mostrar o caminho."
E nós bocejamos, enquanto tentamos fechar a porta. Que gente mais chata.

Certa espécie de ateísmo ?
O que é isso ?
Ou é ou não é !
Não existem seitas de ateísmo. O Ateísmo não é uma espécie de religião.
O Ateísmo não passa de uma forma de religião.
Pergunte ao palerma do Dawkins
Acha que sim ?
De qualquer forma, e porque o Dawkins á apenas um autor e eu não guardo esqueletos no armário, só lhe digo que menosprezar uma autor (palerma) define a postura de quem a faz.
Dawkins não é apenas um autor.
Dawkins é o Guro do Ateísmo que quer, ele e os seus seguidores, erradicar por todos os meios a ideia de Deus da Humanidade.
Dawkins é um palerma, que em pleno século XX, não suporta a ideia de haver quem não pense como ele, e por isso copia os meios e os métodos dos tele evangelistas e anda por aí a pregar a sua verdade universal.
Continua a achar que sim ?
O Ateísmo não necessita se Gurus porque é uma atitude filosófica pessoal, privada, não necessita de divulgadores mas sim de estudiosos.
Por estarmos no Sec.XX é que é estranho que seja necessário autores, não gurus, que expliquem às pessoas o que é uma crendice, que o sobrenatural não existe , enfim, no seu palavreado , palermices…
A Ana Margarida tem, infelizmente, uma certa razão. E isto digo eu, que sou ateu.
É coisa mais incoerente dos últimos tempos: seitas ateístas.
Compreendo o ponto de vista, mas acho-o completamente errado. A razão é simples. Se há pessoas que escrevem sobre palavras ou expressões que odeiam (Pedro Correia), outras sobre cromos televisivos (João Carvalho), outros sobre o seu sistema político preferido, etc, etc, etc, qual o problema de ver pessoas nos seus blogues a escrever sobre o ateísmo? Alguma vez escreveu sobre os católicos que transcrevem ao domingo uma passagem da Bíblia? Ou sobre os que peroram sobre toda e qualquer passagem que tenha saído da pena de Bento XVI (não falando em declarações públicas)?
Verdade, sou ateu e gosto de o dar a conhecer. Também gosto de explicar porquê e explicar as razões para não crer em nenhum Deus. Porque razão faz isso de mim um chato.
Já que a Ana fique sobejamente aborrecida com o assunto e pense “que chatos!”, já é outra questão. O Pacheco Pereira, melga, também não se cala com o situacionismo…
A minha amiga boceje, é bom para a função respiratória. Eu quando me entra casa dentro a miséria de Fátima ou o Papa alemão ou os relatos pungentes da inquisição ou os terrorismos em nome de deus ou os padres pedófilos, eu, tenho vontade de tudo menos de bocejar. Que lhe caia bem o bocejo em nome da sua democrática, embora bocejante, tolerância para com todas as opiniões e a sua livre manifestação.
Ó Paulo Quintela
(mas que nome com responsabilidades, han ? Herança grave.)
– E quem lhe disse que um born to be christian não alimenta reservas quanto a essas situações/pessoas que enumerou? Aí é que se engana.
A ‘coisa’ é democrática e diversa, é assim mesmo que funciona.
Mas isto só é óbvio para quem se dá ao trabalho de tentar conhecer, claro.
Ao contrário do que vejo na generalidade dos blogs, onde as pessoas abordam como especialistas todos os temas, eu tenho o cuidado se só exprimir ‘opinião’ relativamente a temas que domino.
Paulo Quintela : mas eu tb não quero ser especialista de nada. Só impressões. Critérios para gente comum.
O Paulo Quintela é um conservador: confundir alhos com bugalhos já tem barbas…
O meu amigo persegue-me? Não mereço tanto.
Ó meu caro, nem de perto, nem de longe! Estranho é que, concorde ou discorde deste ‘post’ sobre uns (digamos) neo-ateus, traga à baila Fátima, misture o Papa, tempere com inquisição e terrorismo e ainda acrescente uma pitada de pedofilia.
Qualquer ateu lhe diria: “Valha-me Deus!»
Neo-ateus? Hum isso não será um conceito rebuscado demais.
Compreendo que em blogs mais ou menos institucionalizados haja necessidade (de marketing) de dispor de um elemento que esteja em todas, vá espicaçando, conseguindo assim mais acessos ao blog. Até entendo isso mas olhe que o Sr. leva o papel demasiado a sério. Vá relaxe, goze a vida.
Pode tratar-me pelo nome, sem mais. Embirro com a ‘traduçáo’ preguiçosa da abreviatura anglo-saxónica. Em português, revela falta de chá e é uma desconsideração.
Pois eu cá percebo-a lindamente!
E não vejo contradição alguma. porque a coisa muda totalmente de figura quando os ateus se convertem em ateístas e os agnósticos em agnosticistas.
Nesse caso, a imagem do born again christianism ” assenta-lhes como uma luva, são mesmo os apóstolos do contra, uns melgas fundamentalistas e obcecados com o anti-cristo 🙂
E têm pelo menos 2 detalhes que os diferenciam dos seus opostos (os born to be christians ?).
– têm apenas certezas
– e têm muuuuito menos história eheheh )
Cara Chloe, vê-se que não conhece os born again christians. Se há coisa que têm é certezas. Quanto à história está também equivocada. A dos born again christians tem seis mil anos. A dos ateus tem 4 mil trezentos e cinquenta milhões de anos só na Terra, andando perto dos treze mil e setecentos milhões se considerarmos o Universo. Isto parece-me que dá uma diferença descomunal.
Gosto também dessa sua forma de distinguir os ateus que só o são e os que tentam apontar as suas razões para o ser (ateus vs ateístas). Parece que a Chloe até nada tem contra os ateus, desde que se deixem ficar quietinhos no seu canto. Olhe, os ateus nunca se chateariam com os outros se os crentes fizessem o mesmo. E note que não vejo ninguém a ser “crentista”, aparentemente é tudo o mesmo.
Não falo de agnósticos, que é gente que me parece confusa ou sem coragem de escolher uma opção.
São iguais em tudo menos na lógica da redenção. Os bac procuram a redenção da vida no pós-vida, os ateus procuram a redenção em vida por não haver pós-vida. Mas se a redenção é em vida mais valia estarem caladinhos e gastarem menos dinheiro nisso porque o dinheiro e o esforço não lhes vão servir de nada depois.
– Anthony Flew, notável ex-ateísta e agora deísta pró-cristão.