Sacos coloridos


cadernoelastico,

Seguindo Millor Fernandes no Twitter, chegam-me frases destas: "É, não adianta mesmo. Tanta gente aí lutou anos e anos para salvar o país e só conseguiu salvar a própria conta bancária."

 

Cà como lá, apetece dizer. Mas depois vem aquele friozinho na barriga, com as recentes decisões de casos de corrupção a dizer-nos que em Portugal não existe corrupção, isso é teoria de mentes mal-intencionadas que gostam de jogar lama sobre o bom-nome dos outros. Aqui, ninguém salva contas, ou recheia contas; todos salvam o seu país, todos os dias, conquanto não lhes falte o fôlego. E nós, salvos pela bondade alheia, agradecemos, votando depois feitos carneirinhos, porque afinal aquela permuta de terrenos, aquele parque de estacionamento, aquele dinheirinho para os balneários até nos dá algum jeito. E se o tribunal diz que não há nada de ilegal nisto, para quê tanta confusão? Deixemo-nos salvar, pois.

Coisas tristes


cadernoelastico,

No passado, defendi o "não" ao referendo ao aborto. Lembro-me bem do tipo de insultos que recebi, e de ver denunciada por toda a parte a minha insensibilidade, intolerância e ignorância, por recear que a lei a debate viesse normalizar uma prática que deve sempre ser evitada. Não me dá qualquer satisfação ver que os meus argumentos estão hoje amplamente justificados, como o João Moreira Pinto aqui enumera, a partir de dados do Público. Muito pelo contrário.

Absurdos


cadernoelastico,

Assisto, atónita, às "negociações" para a coligação socialista na corrida à Câmara de Lisboa. Agora, parece que socialistas mesmo, daqueles com cartão, só existe o primeiro. O tal que está na corrida a uma outra eleição, bem mais importante, caso um certo primeiro-ministro confirme a desgraça em que parece metido. A putativa número dois, Helena Roseta, diz que não fica como Presidente, caso António Costa queira voar para outras paisagens. Então fica quem? O Zé?

Com esta confusão toda, sugiro uma pequena alteração no boletim de voto das autárquicas: primeiro, uma lista discriminada dos nomes, para se saber bem em que se vota, e depois uma legenda, dos que ficam e dos que vieram só ver as vistas.

Filmes


cadernoelastico,

Dou por mim a ver mais séries de televisão do que a ir ao cinema. Olho para os cartazes, e não tenho vontade de ver nada. Filmes para crianças, na sua maioria, desinteressantes, ocos. Por outro lado, vejo a secção de séries em DVD, e quero comprar, e rever os episódios vezes sem conta. A "culpa" é da HBO, que faz verdadeiros filmes de 6 ou 7 horas. Por mim, substituía-se o horário de cinema das nossas televisões por séries como esta:

 

 


 

Informação de qualidade


cadernoelastico,

Vejo o telejornal enquanto almoço. Descubro que na China morreram 140 pessoas, e 800 ficaram feridas, em confrontos com a polícia, na região autónoma de Xinjiang. Nas Honduras, continua a crise, sem se perceber bem se alguém tem razão: o presidente que aparentemente quer ser o Chavez hondurenho quando for grande, ou os militares que pretendem a democracia pela força e decisão ilegítima. Tudo isto, descobri em 3 minutos, entre a descolada do avião de Cristiano Ronaldo, a chegada de Cristiano Ronaldo a Madrid, as pessoas que se deslocam ao estádio para ver Cristiano Ronaldo, o Eusébio que almoça com Cristiano Ronaldo e sei lá mais o quê. Ah, sei: o sorteio de bilhetes para o funeral de um homem maluquinho. Isto chega a ser patético.

O melhor empregado da Europa


cadernoelastico,

Quando há uma boa notícia para os nossos agricultores:

A partir de 1 de Julho são revogadas as normas europeias que harmonizavam a calibragem das 36 frutas e legumes mais consumidos no continente, que estabeleciam, de Portugal à Lituânia, características idênticas para o diâmetro das melancias, a cor do tomate, a forma das maçãs ou a rectidão dos pepinos.

"Não fazia sentido continuar a deitar fora comida só porque tinha uma forma esquisita", explica ao Expresso Michael Mann, o porta-voz da comissária europeia responsável pela agricultura, a grande impulsionadora desta modificação.

 

 

O nosso excelso ministro responde:

O ministro da agricultura português não esconde alguma irritação com esta "mudança radical": "parece que de repente descobrimos que a normalização é um privilégio de ricos, que há fome no mundo e que, além das facilidades de transporte e armazenamento, não traz qualidades adicionais aos produtos".

 

Citações daqui.

 

Ainda não morri


cadernoelastico,

Tenho andado afastada do blogoumbigo. O trabalho é mais que muito, e de cada vez que vejo uma das fotografias de praia do Pedro Correia tenho vontade de iniciar uma vendetta muito particular.

 

Dou aqui um saltinho só para dizer uma coisa rápida: o eleitorado português, ao contrário dos seus representantes políticos, é um bocadinho mais esperto, e já vai sabendo umas coisas de democracia. Aliás, até se comporta nas escolhas de voto como as democracias clássicas, aqueles Ulisses lá do norte que costumam ser o melhor do mundo em tudo. Por isso, não tenho nada contra eleições no mesmo dia.

Aliás, desafio os senhores políticos a perguntar directamente ao eleitorado de Lisboa, por exemplo, se não sabe a diferença entre Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes e o candidato a Presidente lá da Junta. Provavelmente, chegará à mesma conclusão a que as tais democracias clássicas já chegaram: as eleições locais são as mais próximas das pessoas (em termos de escala, e de influência do voto). Não faz mal nenhum juntar eleições, guardem lá os vossos medos de subalternização (e de quem, já agora?), e libertem-nos de mais um mês de campanhas.

Onde está a Ana Gomes?


cadernoelastico,

A ler: o editorial de Henrique Monteiro sobre a tortura aqui em Portugal. O que nos distingue dos outros é que, mesmo perante assassinos de crianças, como é o caso, temos critérios mínimos de decência. Direitos mínimos, como o não ser espancado, torturado. No dia em que a tortura é provada, mas não implica prisão de ninguém, estamos um bocadinho mais próximos dos "Irões" e "Yemens". Um passo pequeno, mas significativo.

As Anas Gomes deste mundo só gostam de tortura sobre coitadinhos do outro lado do mundo. A tortura dentro de portas, apoiada por um sistema judicial podre, não interessa grande coisa.

Hoje, no i


cadernoelastico,

Merecem a abstenção que têm

Ana Margarida Craveiro

Primeiro facto: os eurodeputados tendem a alinhar-se mais por famílias políticas do que a navegar por linhas nacionais. No parlamento europeu, há política à moda antiga. Segundo facto: a abstenção nas eleições europeias seria menor se houvesse uma politização das eleições, com estratégias europeias a ir a votos. Sucede que o eleitorado não conhece essa politização, logo, não vota. Conhecer as várias Europas propostas é meio caminho para tornar a Europa uma disciplina de política interna – como ela é – e não uma matéria de relações internacionais – como ela já não é. Mas em Portugal nada mudou. De forma medíocre, esta campanha não passou as nossas fronteiras. A abstenção assim o atestará, de novo.

A pequena Europa do passado tinha vencedores consensuais. Hoje, a competição pelo poder é feita a 27, com maiorias de esquerda ou direita. Ou seja, existe uma verdadeira democracia na Europa. A nossa campanha desrespeitou essa democracia europeia com a politiquice portuguesa do costume.

 

Razões para votar PSD nestas eleições


cadernoelastico,

 

Votar no PSD é reeleger Durão Barroso como Presidente da Comissão. A iniciativa Better Regulation é uma muito boa razão para o querer:

– menos custos para as empresas europeias (em particular, para PMEs);

– simplificação da legislação – mais legível, mais propensa à criatividade;

– redução da burocracia;

– maior cuidado nas políticas e seu alcance;

– reduzir o acquis communautaire de 80.000 páginas para pelo menos 50.000.

 

É também isto que está em causa nestas eleições: menos regulação, melhor regulação. São duas faces de uma mesma moeda. E a moeda foi cunhada por esta Comissão.

 

Também publicado aqui.