(Contributo do meu amigo Luís)
“Que bicho lhe mordeu?…”
André Couto,
Todos percebemos o que queria dizer Manuel Pinho com a história das "papas maizena". Inclusivamente, na maioria dos casos creio, saberemos concordar com a sua opinião. Basílio Horta foi Ministro em quatro Governos Constitucionais com as pastas do "Comércio e Turismo", "Agricultura, Comércio e Pescas" e "Ministro de Estado, Adjunto do Primeiro-Ministro". Foi posteriormente candidato à Presidência da República. Nem todos se podem orgulhar de semelhante percurso, ainda para mais criado nos quadros do CDS. Paulo Rangel tem um tímido percurso político e nada provou, em abono da verdade.
Paulo Rangel geriu mal a situação, foi muito arrogante e não admitiu o óbvio. Podia facilmente ter-se justificado dizendo que não sabia da existência do programa, creio que ninguém lhe exige que saiba todos os projectos da AICEP.
Com as palavras de Manuel Pinho já ninguém recorda isso, involuntariamente deu razão a alguém que não a tinha, tirando o foco da essência do problema, passando este para algo completamente acessório.
Não viro a cara a uma boa polémica. A discussão, em especial a política, é um bom condimento, entre outros, a ter na vida. Com este princípio respondi-lhe, Luís Naves.
Se enumerei apenas um dos seus textos foi porque esse tinha o link para o primeiro a que se refere e que li. Sabe bem disso porque lhe respondi também a esse.
Ademais diz, e com razão, que não me acusou de demagogia. É verdade, acusou de leviandade. Respondi-lhe ao texto com nova sugestão de demagogia e justifiquei. Dou-lhe vários argumentos e se fizer as contas enumerei bem mais argumentos ditos factuais que o Luís. Se questões de fé aqui existirem, não serão certamente (apenas) minhas.
Já critiquei neste blog como noutros a atitude de muita gente ligada ao PS. Nesse campo nada tenha a provar.
Não preciso de visitar um centro de emprego porque sei o que lá se passa. Se há coisa de que me orgulho nas disputas políticas é a de ter uma espinha dorsal ideológica ligada às preocupações sociais. Relembro que toda esta polémica, que o Luís apanhou a meio, nasceu porque houve uma comparação entre 2005 e 2009 e apenas aí trouxe a demagogia. Jamais me mostrei agradado ou elogiei a situação actual.
Tenho pena que não me responda mas isso é naturalmente uma opção sua. Eu compreendo.
O Luís Naves do Corta-Fitas respondeu ontem a dois textos meus intitulados "Aos demagogos do desemprego (1) e (2)".
Utilizou vários argumentos para me devolver a acusação de demagogia e todos devolverei acompanhados da respectiva fundamentação.
Comecemos pela análise do exemplo Irlandês. Se em 2009 o rendimento per capita da Irlanda é duas vezes superior ao português, em 2005 já o era. Se a rede social irlandesa é melhor que a nossa, o que não dou por adquirido, em 2005 já o seria. Se hoje pagamos os mesmos impostos, em 2005 pagávamos mais. O exemplo Irlanda de pouco vale. Em tempos de prosperidade eles vivem melhor, em tempos de crise viverão menos mal. Se reparar só me referi à Irlanda por ser o case study, qual cobertor do Charlie Brown de Paulo Portas, em tudo o que são sessões parlamentares de ataque ao Governo.
Louvo a acção do Governo por desenvolver medidas excepcionais, no sentido de amenizar as consequências da crise nos mais desfavorecidos e/ou desempregados. Dou-lhe como breves exemplos:
1. Aumento ímpar do salário mínimo, o tal que "roça a irresponsabilidade", nas palavras da Dra. Manuela Ferreira Leite;
2. Extensão do subsídio social de desemprego de 12 para 18 meses;
3. Genéricos gratuitos para mais de um milhão de pensionistas;
4. Demonstração de vontade de que os gestores de empresas falidas tenham acesso ao subsídio de desemprego, o que tem esbarrado nos Sindicatos;
5. Linha de apoio para o crédito à habitação de trabalhadores entretanto desempregados;
E como sabe podia trazer-lhe bastantes mais.
Servem os pontos 1., 2., 4., e 5., para lhe justificar porque é que não é o mesmo ficar sem emprego em Portugal e na Irlanda.
Os meus posts nascem com a comparação que foi feita com o ano de 2005. Quanto a isto, permita-lhe que lhe diga, a melhor pergunta e contra-argumentação que recebi foi a do Jorge Assunção, na caixa de comentários dos posts que aqui coloquei. Pode ir lá. Digo-lhe desde já que discordo dele, como poderá ler.
Se me refiro a "demagogos do desemprego" é por às vezes não compreender as reacções. O desemprego cresce menos em Portugal que no resto da Europa, o Luis vê nisto um indicador puramente negativo e eu é que sou o demagogo?
Demagogia é:
1. Colocar dois posts relativos ao desemprego e nunca referir a expressão "conjuntura internacional", ou afim;
2. Nesses mesmos dois posts não referir quaisquer medidas de apoio aos mais desfavorecidos e/ou desempregados do actual Governo, que foram únicas nos últimos anos;
… decorria o quinto dia do mês de Maio do ano da graça do Senhor de mil novecentos e sessenta e oito, quando milhares de estudantes franceses, liderados por Daniel Cohn-Bendit, invadiram a Universidade de Sorbonne, sendo detidos cerca de 600. Era o início do Maio de 68.
A França dos anos 60 era muito fechada e conservadora, ainda traumatizada pela II Guerra Mundial. Nas escolas imperava uma disciplina rígida, a família tinha um funcionamento centrado na autoridade do homem e subjugação da mulher e a homossexualidade era diagnosticada como doença. Perante este cenário o Maio de 68 surgiu como reflexo do desejo de liberdade, autonomia e independência, como reflexo da vontade de novos tempos e do desabrochar da rebeldia da juventude, até então oprimida pelas vias política e militar pelo General Charles de Gaulle.
O Maio de 68 acelerou a evolução social em França e nos tempos seguintes inspirou o mundo. Inspirou mudança, plantou liberdades civis e democráticas, direitos para as minorias, fossem eles de imigrantes ou de orientação sexual, e oficializou a igualdade entre homens e mulheres.
Como testemunho deste dia fica a intervenção de Daniel Cohn-Bendit, hoje Eurodeputado, à entrada da Universidade de Sorbonne.
(Número desta série excepcionalmente colocado também no Câmara de Comuns)
Paulo Rangel puxou do boletim das notas e deu-se a ele próprio um 5, ainda na escala do Ensino Básico do meu tempo! Boa nota Paulinho, exclamaram todos!
O Paulinho ficou apreensivo e até agora ainda não voltou a aparecer nas aulas.
Política Nacional, Lisboa:
Política Nacional, ainda o 1º de Maio:
Filipe Nunes Vicente, O silêncio dos puritanos;
José Simões, Pode esperar sentado;
Rui Pena Pires, Militantes, mandantes e ausentes;
Vital Moreira, Diário de uma candidatura (25) e (26);
Post do dia:
O Jumento, PCP, um partido comunista com práticas fascistas?;
A ressaca do fim de semana prolongado ainda não trouxe grandes novidades à actualidade política. Deixo por isso o rescaldo dos acontecimentos do 1º de Maio, bem como dois artigos sobre a circulação de automóveis no centro de Lisboa, já em clima de pré-Autárquicas.
Como post do dia destaco O brilhante Jumento. Basta ler.
… decorria o quarto dia do mês de Maio do ano da graça do Senhor de mil novecentos e setenta e nove, quando foi eleita Chefe do Governo Britânico, Margaret Hilda Thatcher, a primeira e única mulher a alcançar esse desiderato. Seguiram-se onze anos que marcaram o Reino Unido e a história universal.
Conta-se que no início da sua governação terá atirado para cima da mesa de uma reunião do "Shadow Cabinet", "The Constitution of Liberty", de Friedrich Hayek e exclamado, "This is what we believe". Mito ou não, o certo é que seguiu a obra de Hayek ao pormenor, sendo para os não crentes, prova viva do quão errada é a sua teoria. Entre as primeiras medidas contam-se a abolição do salário mínimo, a redução dos serviços sociais, o fim da distribuição gratuita de leite nas escolas e um plano de recuperação económica através da redução da intervenção estatal e de um ambicioso programa de privatizações.
Se esta era a forma de reduzir a galopante inflação britânica, conseguiu-o durante um ano. Depois duplicou para os 20%, acompanhada de um desemprego multiplicado por três e de uma profunda recessão económica em 1981.
Em 1982 surge a sua tábua de salvação, a Guerra das Malvinas. A vitória, muito à custa do apoio militar americano, levou-a à reeleição com maioria em 1982. Era o orgulho nacionalista britânico a fazer esquecer os estômagos vazios. Ainda obteve outra reeleição, desta feita sem maioria.
Em 1987 cria o famoso poll tax, imposto regressivo que taxava mais quem menos ganhava. Enfrentou então a ira popular que lhe contou os dias à frente do Governo Britânico, despedindo-se do cargo sem a glória que chegou a alcançar.
Ronald Reagan chamou-lhe "O Homem Forte do Reino Unido". Para a história ficou como "Dama de Ferro".
Deixo-vos o discurso vitorioso que faz hoje 30 anos.
Os acontecimentos dos últimos dias têm acicatado em mim o sentimento de que há uma excessiva permissividade judicial em relação ao Partido Comunista Português (PCP), à forma como vive e se organiza.
A manipulação da CGTP-IN, que é evidente, os discursos que por vezes têm e a forma como amiúde desenvolvem práticas no mínimo antidemocráticas, colidem com muitos dos princípios que a Nossa Lei Fundamental consagra. É normal que hoje em dia, a céu aberto e perante os ouvidos de todos, se saúdem regimes como o norte coreano e o cubano? É normal que assistamos a situações como a de ontem e que os responsáveis políticos assobiem para o lado? A nossa sociedade já exige que os partidos respeitem a liberdade de pensamento. É de monta que a CGTP e o PCP, pela voz dos seus secretários gerais, não condenem prontamente o que se verificou.
Viver em democracia tem ditames mínimos. Ou o PCP sabe conviver com eles, ou o PCP não sabe, e se não sabe, citando Ricardo Araújo Pereira, "Quem gosta de liberdade festeja o 25 de Abril, quem não gosta faz aquela viagem ao Brasil que andava há tanto tempo para fazer.". Por paradoxal que possa parecer.
Depois de eu ter dito isto, diz-nos o último Semanário Económico que "Portugal é o País da União Europeia onde o desemprego menos subiu", segundo dados do Eurostat.
Gostava de saber onde se escondem por esta altura os paladinos do desemprego que todas as semanas enchiam os jornais, televisões e afins. Calculo igualmente que, se uma análise fizessem, este facto já não fosse da responsabilidade do Primeiro-Ministro…
(Imagem rapinada ao Câmara Corporativa)
Desde Miúdo que tenho uma simpatia enorme pelo Real Madrid. Remonta aos tempos em que em Portugal todos vibravam pelo Barcelona de Figo e eu era o único que me conhecia a insistir em torcer pela equipa da Capital, quando a TVI começou a transmitir os jogos de La Liga.
No entanto, nos dias que correrem e em especial depois do repaso de ontem no Santiago Barnabéu (2-6 para o Barcelona) resta-me uma rendição… temporária!
As palavras de Raúl, capitão do Real Madrid dizem tudo: "Te da impotencia ver que están tan cómodos y disfrutando. Es muy difícil ganarles cuando se ponen a tocar…"
… decorria o primeiro dia do mês de Maio do ano da graça do Senhor de mil novecentos e noventa e quatro quando faleceu, vítima de acidente em Ímola, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, Ayrton Senna da Silva. Embora ao tempo tivesse pouco mais de dez anos, é uma referência que guardo desde os primeiros tempos em que a consciência me surgiu.
"Velocidade, Alma e Emoção", tudo numa corrida de Fórmula 1. Deixou para a história da modalidade records que nem Schumacher bateu com bastantes mais anos de carreira e mesmo os que superou foi de forma medíocre, como o número de pole-positions. Ayrton Senna conquistou 65 em 161 corridas, e Schumacher só conquistou a sua 66ª na 236ª corrida.
Ao tempo era um fenómeno de popularidade mundo fora, para além do desportista era o Homem que, tal como voava nas pistas, enchia o mundo.
Como lhe dedicou a título póstumo um cantor italiano: "Desde que Senna não corre, não voltou a haver domingo…" [traduzido].
Para terminar deixo o momento em que Tina Turner dedicou a Ayrton Senna "Simply the Best".
Acho uma certa piada aos demagogos do desemprego, aqueles que acham que Portugal é imune à conjuntura económica que o rodeia e, plenos política barata, disparatam constantemente sobre o tema.
Compreendo que a história por vezes é cruel e muito difícil de digerir, afinal, em 2005, quando o desemprego descia em todo o lado, aumentava em Portugal. Não era?
Mas porque já estamos em 2009 e 2005 é um pesadelo passado, tomei a liberdade de "roubar" ao Jorge Assunção esta tabela, para partilhar a convosco minha reflexão.
Analisando a evolução 2007-2010 das taxas de desemprego, vemos que a Irlanda, exemplo de comparação tão querido do CDS/PP, vê a sua galopar 8,5%. Espanha, nossa vizinha embora isso nada releve para alguns, vê a sua disparar 11%, sendo que em 2007 era apenas três décimas superior à de Portugal.
Cá no Burgo, e segundo previsão do insuspeito Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego cresce "apenas" 3%…
Se é o cenário desejável? Não, não é. Mas se em 2005, quando tudo estava internacionalmente saudável, o desemprego crescia em Portugal, imagino velocidade de crescimento superior à da luz hoje em dia, caso o PSD fosse governo.
Fonte "ultra fidedigna" comunicou-me que esta linha visa ajudar a Dra. Manuela Ferreira Leite a superar um problema de solidão que se tem vindo a agudizar nas últimas semanas.
Muitos dos que foram eleitos consigo viraram costas e muito do eleitorado tradicional do PSD tem-se transferido para outras cores, o que tem deixado a líder cada vez mais sozinha e com medo que os poucos que sobram abandonem o barco.
Devemos ter especial sensibilidade por esta mensagem ser eminentemente para dentro do Partido, um apelo desesperado para evitar a debandada geral.
Sejamos solidários com a sua causa.
Pedro Santana Lopes escolheu o 25 de Abril como data para o lançamento da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Estranho a decisão na medida em que nunca o vi com tanta vontade de se associar ao 25 de Abril. Mete-me impressão porque é o aproveitamento político, sujo, puro e duro de uma data com um enorme significado intrínseco e que pouco ou nada lhe disse ao longo dos anos.
É mais do mesmo: um piscar de olho à esquerda que mais não é que fachada, hipocrisia e calculismo político. Vale tudo na disputa do poder, o que interessa é o resultado final, ainda que desprovido de sentido, rumo ou convicções.
Começou agora e serão mais 6 meses disto. Depois acabou.
Chegado a casa vindo da Avenida da Liberdade e do Rossio em Lisboa, trazia comigo a curiosidade de ver qual a transmissão que os media fariam do que por ali se passou. Deparei-me então com a hipocrisia e com a postura do costume por parte do Público. Descreve este que "Em Lisboa, desde a Avenida da Liberdade em direcção no Rossio, o tradicional desfile comemorativo do 25 de Abril também foi marcado pelo descontentamento face à crise económica, associado a um sentimento de descrença política", dando depois dois testemunhos para fundamentar o que afirma. É pena este "desjornalismo".
O 25 de Abril é uma data onde um pouco por todo o lado as pessoas saem à rua para celebrar o fim de algo aberrante com que não concordavam, o terminar de uma época onde foram oprimidas perante a quase inexistência de direitos.
O 25 de Abril não é aquilo que meia dúzia de Sindicatos e um Partido escondido sob o seu rosto querem que seja. O 25 de Abril não é um ataque ao Governo, "ao Sócrates" ou ao Partido Socialista é a celebração de algo muito superior, do tal "Orgasmo" que José Cutileiro tão bem retratou na obra que hoje pontifica no topo do Parque Eduardo VII.
Nesta mesma celebração eram igualmente aos milhares os socialistas e cidadãos politicamente independentes que marcaram presença, celebrando a data pela data, e não extrapolando nada em relação ao presente.
Tudo o resto é puro aproveitamento político e daquele especialmente triste de se ler, onde os bons sentimentos e intenções das pessoas são aproveitados para lhes colar uma mensagem que não pretendem transmitir.
Não pude deixar de reparar no autêntico Big Brother jornalístico que se tem feito à volta da Dra. Manuela Ferreira Leite. A cada passo da Dra. lá está o carro de directos, lá está a entrada no ar (em especial na RTP e RTPN), seja a propósito do politicamente mais relevante seja por um qualquer motivo de lana caprina.
O giro é que, ao mesmo tempo que isto acontece e que a verborreia e o veneno saem disparados da boca de mil jornalistas e pivots, a oposição se continue a queixar dos meios de comunicação social e que o Primeiro Ministro seja acusado de condicionar os media, por mover processos contra quem incessantemente o difama.
Paralelamente é ainda engraçado ver que o eleitorado não absorve de forma alguma aquilo que esses mesmos directos lhe dão de alimento. De facto, quando a qualidade é escassa, quando as ideias são paupérrimas e os intérpretes pobres, pouco há a fazer. É que nem à força…
(*) Título do post inspirado no filme The Truman Show (1998) de Peter Weir.